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KAMU DAVASINA KATILMA USULÜ

C. KAMU DAVASININ BULUNMASI GEREKTİĞİ

II. KAMU DAVASINA KATILMA USULÜ

Uma vez realizada a escolha da turma de primeiro ano que acompanhei durante o segundo semestre do ano de 2017, realizei a aplicação de um questionário (Questionário 1) afim de caracterizar os gostos musicais, os capitais acumulados, as relações travadas com as mídias, enfim, os Habitus Musicais, constituído e incorporado, pelos estudantes de tal classe.

Dessa maneira, busquei conhecer se os estudantes daquela turma já haviam estudado música, seja de maneira formal e/ou informal. A maior parte da turma informou que, em suas avaliações, nunca haviam estudado música. Entretanto, há por parte deles, o desejo de aprender a tocar um instrumento de música, um fato quase que unanime entre os respondentes da turma.

Apesar de a maioria dos estudantes terem afirmado não ter estudado música, há uma quantidade superior ao número de estudantes que informaram haver estudando tal linguagem artística. Assim, uma parte desses agentes apresentam que adquiriram capitais de música durante suas trajetórias de vida e formação.

É importante apresentar que alguns desses estudantes obtiveram tal conhecimento de forma auto-instrutiva, enquanto outros já conseguiram acessar tais capitais por meio de aulas em ONG, em escolas especializadas de música, na Igreja, e, um deles, falou estudar na própria escola, em um curso ofertado no contraturno. É salutar informar que nenhum estudante escolheu mais de uma alternativas nessa questão.

Ao analisar as respostas de três desses estudantes, que haviam respondido negativamente a questão anterior, no qual os questionava sobre haver estudado música e/ou estudar música, podemos pude identificar que dois deles afirmam que adquiriram tais conhecimentos sozinhos e o terceiro por através de sua Igreja.

Uma parte dos estudantes dessa turma afirmaram possuir habilidades com instrumentos de música e/ou cantar. Entre os instrumentos citados estão o violão, a guitarra elétrica, o contrabaixo elétrico, o cavaquinho e o teclado. É importante informar que o violão foi o instrumento mais citado por esses estudantes.

Ainda ao verificar essa questão pude constatar que um colaborador que havia indicado estar estudando e/ou ter estudado música em uma ONG não canta e não toca nenhum instrumento musical, o que nos leva a questão: o que ele está estudando nessa ONG?

Partindo desses dados é possível levantar a questão: Qual é a compreensão desses estudantes sobre o que é estudar música? Pois, apesar de muitos afirmarem nunca ter estudado música, e tampouco estar estudando, também são muitos os que afirmam possuir habilidades musicais. Isso me leva a compreensão de que, para eles, o estudo da música pode estar vinculado apenas ao estudo formal, junto a professores; e/ou vinculados a aulas de técnicas vocal e/ou instrumento; e/ou a prática musical ser fruto de uma predisposição, o que comumente é chamado de dom.

Houve também um estudante que afirmou tocar vários instrumentos de música e que aprendeu a tocar todos eles de forma auto-instrutiva, no entanto através do questionário não é possível precisar os mecanismos utilizados durante o aprendizado desses instrumento, nem tampouco os caminhos trilhados por este. Esse colaborador não foi entrevistado no curso dessa pesquisa, pois, diante dos critérios já apresentados para a escolha dos dois estudantes que foram entrevistados, ele não se enquadrava no critério de faixa etária.

Ainda por meio do questionário, pude verificar que todos os instrumentos que os estudantes indicaram possuir interesse em aprender a tocar e/ou já tocarem, possuem uma vinculação direta com as músicas populares, não havendo nenhum instrumento de orquestra citado por eles. Os colaboradores também afirmaram que o gosto pessoal em termos de música é decisivo para a escolha dos instrumentos, possuindo assim desde relação com o que escuta, bem como, com relação aos capitais que o auxiliam a decodificar e a gostar da sonoridade produzida por determinado instrumento.

Isso revela que estes estudantes não adquiriram capitais que os habilitassem a conhecer e/ou gostar e/ou querer possuir uma relação com instrumentos de origem orquestral, e, por possuirem capitais relacionados aos instrumentos utilizados nas músicas populares, possuem os capitais que os habilitam a conhecer e/ou gostar e/ou querer possuir uma relação mais próxima com esses instrumentos. Assim, os capitais incorporados interferem diretamente nesse aprendizado musical, como é apontado por Matos:

É preciso ainda considerar que o ato de aprender é um ato individual. Cada indivíduo aprende de uma forma específica e intransferível e para tanto utilizam vários filtros, como o filtro dos sentidos físicos e ou os filtros oriundos da Cultura.

Aprender é, assim, algo que ocorre a uma determinada pessoa, algo que se passa com um indivíduo de maneira singular e intransferível. (MATOS, 2018, p.104) Dois estudantes que não responderam a questão, assim como, um colaborador que indicou não querer aprender nenhum instrumento musical, afirmam já possuir habilidades musicais, ou seja, dois já cantam e um já toca vários instrumentos.

Houve ainda um colaborador que afirmou não querer aprender a tocar nenhum instrumento de música. Este estudante possui em seus capitais um gosto por um gênero musical que utiliza os “sampleamento” de sons como principal ferramenta para a criação e execução musical. Ele nunca teve aulas de música, não possui nenhum parente que toque e/ou cante, utiliza mais a TV, não escuta rádio, escuta até uma hora de música por dia, só frequenta a estádios de futebol como equipamento cultural, ou seja, ele não incorporou capitais a seu Habitus Musical que o auxiliassem na decodificação musical e no interesse pela prática musical.

Dois dos respondentes afirmaram participar de algum grupo musical e/ou banda de música. Ao todo, doze colaboradores possuem parentes que tocam algum instrumento musical e/ou cantam.

De todos os respondentes que afirmaram tocar algum instrumento musical e/ou cantar, ou seja, dez dos treze, indicaram possuir parentes que tocassem e/ou cantassem. E, dos nove estudantes que indicaram não tocar nenhum instrumento musical e não cantarem, sete não possuem parentes que toquem algum instrumento de música e/ou cantem. Isso pode indicar que a família possui uma relação de cambio de capitais que são herdados.

Em posse dessas informações, posso analisar que os capitais de música, relacionados a escuta e às habilidades de tocar algum instrumento musical e/ou cantar presentes em meio o campo familiar auxilia aos estuantes, facilitando a aquisição e a incorporação desses capitais, que facilmente podem ser herdados da família, favorecendo assim o estudo e a prática musical.