• Sonuç bulunamadı

Tüketici Taksitleri Ödemeden Önce Satıcı-Sağlayıcının Mal veya Hakkı

E. Taksitle Satış Sözleşmesinin Unsurları

2. Tüketici Taksitleri Ödemeden Önce Satıcı-Sağlayıcının Mal veya Hakkı

Como já se pôde observar, a cultura brasileira é, por excelência, coletivista e relacional, e, por privilegiar a manutenção da relação do grupo, sem foco no desempenho, não favorece o trabalho em equipe (DaMatta, 2001); não há lógica de resultado na ação em grupo (Barbosa, 1999).

Uma questão central aqui se destaca: a natureza das habilidades administrativas é culturalmente específica, portanto, as técnicas de gestão e as filosofias de trabalho que são apropriadas no contexto de uma cultura nacional não são necessariamente apropriadas em outra (Hofstede, 1980). Buscando respostas para essa questão, esse autor desenvolveu uma pesquisa em mais de 50 países, numa tentativa de criar uma tipologia básica que permitisse auxiliar administradores na criação e no desenvolvimento de estruturas institucionais mais adaptadas às necessidades locais, através de troca de experiências.

Embora reconheça que o entendimento de uma cultura é uma atividade extremamente complexa e não pode ser reduzida a poucos elementos, Hofstede criou uma tipologia geral, a partir das respostas colhidas através dos

questionários que elaborou, para facilitar a interpretação de elementos culturais e sua relação com as técnicas e metodologias de gestão.

Este estudo apóia-se nessa tipologia instrumental de Hofstede, procurando estabelecer uma relação entre duas das suas cinco dimensões básicas e as características da cultura brasileira; acreditando-se que as mesmas ajudam a explicar os fenômenos aqui abordados.

Masculinidade X feminilidade

Na dimensão masculinidade x feminilidade, Hofstede (1980) busca classificar as variações em relação à ênfase cultural em desempenho individual ou no bem-estar social. Nas sociedades masculinas, a competição entre as pessoas é vista como positiva: o mais forte/melhor, deve vencer. Nas culturas vistas como femininas, a solidariedade entre as pessoas é vista como um valor cultural superior. As sociedades masculinas valorizam a justiça como a recompensa de acordo com o merecimento. As sociedades femininas valorizam a justiça como redistribuindo a recompensa dentre os que precisam. Na prática social, é verdade, estes valores não se apresentam de forma excludente necessariamente.

É forte, no comportamento brasileiro, a necessidade de privilegiar o estar, o relacionamento, a qualidade de vida. Convive -se, no Brasil, com uma indecisão de valores que, seguramente, é mais um fator a influenciar as decisões na vida nacional. “O processo é muito mais importante que a realização”. Assim, se for preciso competição, que essa se faça de forma cooperativa.

Na ação em equipe, como na atividade rotineira dos consultores, essa realidade é chocante. A pressão por desempenho recebida por intermédio das premissas contidas nos contratos comerciais com os clientes, e pela ação dos instrumentos de controle da administração da Consultoria ABC, levam diversas vezes à quebra da harmonia do grupo, pelos conflitos gerados nesses

ambientes. A raiz desses conflitos está melhor explorada no item 2.2.4 deste estudo.

Distância do poder

Em se tratando da distância do poder, Hofstede busca compreender como diferentes culturas toleram uma maior ou menor concentração de poder e distanciamento dos comandados em relação aos centros de decisão.

Aqui incluem-se todas as formas de paternalismo, personalismo, respeito por autoridades tradicionais, status de clã, patriarcas, coronéis e outras típicas de países em desenvolvimento, e as relações mais igualitárias em democracias desenvolvidas5.

No contexto brasileiro a expressão popular “você sabe com quem está falando?”, que se ouve em situações conflitivas, revela toda a carga autoritária exercida pelo cidadão, que se julga com direitos (reais ou imaginários) especiais, isto é, não sujeito a uma lei de caráter geral para todos na sociedade (Barbosa, 1999).

No que diz respeito ao ‘personalismo’ Barbosa (1999) e Hofstede (1980) lembram que o Brasil teve vários exemplos, em anos recentes, de políticos que se destacaram por terem exercido forte autoridade carismática. Exemplos: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, Jânio Quadros, Leonel Brizola e Fernando Collor. Em quase todos esses casos, a instituição do partido político foi sempre posta em segundo plano, fundida e englobada pelo candidato, colocando-se a pessoa em um plano superior. Esses exemplos, em período de tempo tão curto, parecem ser significativos de um traço cultural denominado de ‘personalismo’. O magnetismo exercido pela pessoa, por meio de seu discurso

5 No caso brasileiro, as três características: concentração de poder, personalismo e paternalismo se fazem presentes e estão compreendidas em um modelo proposto por Barros & Prates (1997) para identificar a ação cultural brasileira com base na gestão empresarial.

ou de seu poder de ligações (relações com outras pessoas), e não por sua especialização, parece destacar-se no cotidiano brasileiro.

Importante destacar que os dados obtidos na pesquisa realizada com uma amostra dos membros das equipes da Consultoria ABC, revelam que os respondentes deram preferência a dois fatores ligados, de certa forma, ao traço personalista da nossa cultura, quais sejam: habilidade para lidar com pessoas e carisma. Nota-se como é importante, para o papel da liderança no caso estudado, que esses elementos estejam presentes nos líderes para que obtenham legitimidade em suas posições junto a um grupo no contexto brasileiro.

O ‘paternalismo’, no caso brasileiro, é a síntese da combinação dos traços ‘concentração de poder’ e ‘personalismo’ (Barros & Prates, 1997), que apresenta duas facetas: o patriarcalismo e o patrimonialismo. A sociedade brasileira carrega o valor de que o patriarca tudo pode e aos membros do clã só cabe pedir e obedecer; caso contrário, a rebeldia pode ser premiada com sua exclusão do âmbito das relações. O patriarcalismo, a face supridora e afetiva do pai, atendendo ao que dele esperam os membros do clã, e o patrimonialismo, a face hierárquica e absoluta, impondo com a tradicional aceitação de sua vontade a seus membros, convivem lado a lado na cultura brasileira. É nessa mistura de aspectos puramente econômicos — em que se faz a troca objetiva de trabalho por remuneração — com aspectos essencialmente afetivos — em que se troca emocionalmente a dedicação e colaboração não atritosa pelos laços de intimidade pessoal — que se desenvolvem o jogo e a estratégia de cada um dos atores, líderes e liderados. Para que não haja ruptura, é preciso que cada um procure atingir o máximo de benefício com um mínimo de custo, pago nas duas espécies de moeda: afetiva e fiduciária. Assim, nas sociedades em que o poder é distribuído de forma desigual, como no Brasil, e em que tendem a permanecer nessa situação, ocorre um fenômeno psicossocial de dependência continuada dos liderados pelos líderes, aceito por ambos nas condições supostas apresentadas.

Embora a “distância do poder” seja uma característica comumente associada à cultura brasileira, ela não é característica da organização do estudo de caso. Nele, o maior problema, na verdade, é uma grande igualdade sócio-cultural, que impede a emergência de um princípio claro de coordenação.