3.4. Emtia Piyasasında Piyasa Riskinden Korunma Yöntemleri
3.4.4. Swap Sözleşmeleri
O uso da força no contexto das relações internacionais entre Estados remonta a períodos anteriores até mesmo à própria existência da ideia moderna de direito internacional. Uma das mais antigas tentativas de justificação teórica para o uso da força no contexto das relações internacionais é a chamada guerra justa, conceito cunhado no âmbito da expansão do cristianismo no império romano e que ditava que a força poderia ser legitimamente utilizada por um Estado, ou por um soberano, contra outros, se o propósito de tal uso fosse compatível com a vontade divina.49 Essa ideia de uma necessária adequação dos propósitos para o uso da força a um conceito eminentemente teológico e fundado na visão de mundo difundida pelo cristianismo, foi contraposta, sobretudo, por Hugo Grócio, que defendia a legitimidade do uso da força em situações de autodefesa, para a proteção da propriedade e para a punição por males praticados contra cidadãos de um determinado Estado.50
elsewhere, a body of rules could only have developed with the consent of those concerned. The difficulties encountered have been reflected in the evolution of the law on the subject” CIJ. Caso Barcelona Traction Lights and Power Co., Ltda. (Bélgica vs. Espanha). Decisão de 5/2/1970, p. 47-48. 48 BISHOP, R. Doak; CRAWFORD, James; et al. (eds.). Foreign Investment Disputes: Cases, Materials
and Commentary. 2ª Ed. Kluwer Law International, p. 2-3.
49 SHAW, Malcolm N. International Law. 6ª Ed. New York: Cambridge University Press, 2008, p. 1119. 50 SHAW, Malcolm N. International Law. 6a Ed. New York: Cambridge University Press, 2008, p. 1120.
Nesse contexto, portanto, o direito internacional não apenas deixava de proibir o uso da força no âmbito das relações entre Estados, como também legitimava tal uso em uma gama bastante considerável de situações. É com suporte nessa ideia de legitimação do uso da força que alguns Estados a empregavam no contexto de proteção de propriedades e investimentos de seus cidadãos no exterior. A força e o poderio militar dos países exportadores de capitais era empregada, inclusive, no contexto do exercício da proteção diplomática – analisada no tópico anterior do presente trabalho – para a defesa de interesses relacionados a investimentos:
Durante o século XIX e começo do século XX, o exercício da proteção diplomática por países poderosos era frequentemente acompanhada por “políticas de canhões” – a ameaça ou o efetivo uso da força para apoiar reinvindicações no âmbito da proteção diplomática. Àquele tempo, o uso da força no exercício da proteção diplomática não era incompatível com o direito internacional. Apesar do fato de que as Convenções da Haia de 1899 e de 1907 para a Solução Pacífica de Controvérsias Internacionais (Convenções da Haia) previam que os Estados parte deveriam “envidar seus melhores esforços para assegurar a resolução de suas diferenças internacionais”, tanto os Estados Unidos quanto as potências europeias utilizaram a força e a ameaça do uso da força em várias ocasiões para apoiar e fazer cumprir pleitos no âmbito da proteção diplomática. Por exemplo, entre 1820 e 1914, a Grã-Bretanha interveio na América Latina pelo menos quarenta vezes para fazer cumprir pleitos britânicos relacionados a lesões a seus nacionais e para restaurar a ordem e proteger propriedades.51
O uso da força, sobretudo pelos Estados Unidos e pelas potências europeias no contexto latino americano, levou à criação da chamada Doutrina Drago, que se baseava nas ideias de Carlos Calvo sobre os fundamentos das relações travadas entre os países exportadores e receptores de capital. A referida doutrina surgiu como reação a uma intervenção de forças Inglesas, Alemãs e Italianas na Venezuela, com o propósito de cobrar títulos da dívida da Venezuela que eram detidos por cidadãos dos países
51 No original: “During the nineteenth and early twentieth centuries, the exercise of diplomatic protection by powerful states was often accompanied by ‘gunboat diplomacy’– the threat or the use of force to back up diplomatic protection claims. At the time, the use of force in the exercise of diplomatic protection was not inconsistent with international law. Despite the fact that the 1899 and 1907 Hague Convention for the Pacific Settlement of International Disputes (Hague Conventions) provided for state parties ‘to use their best efforts to ensure the pacific settlement of international differences,’ both the US and the European powers used force and threats of force on numerous occasions to back up and enforce claims of diplomatic protection. For instance, between 1820 and 1914, Great Britain intervened in Latin America at least forty times to enforce British claims for injuries to its nationals and to restore order and protect property.” NEWCOMBE, Andrew; PARADELL, Lluís. Law and Practice of Investment Treaties: Standard of Treatments. Kluwer Law International, 2009. p. 9.
interventores e os quais a Venezuela se negava a pagar.52 A reação do Ministro do Exterior argentino Luis Drago, gerou a criação do que ficou conhecido como a Doutrina Drago, que pregava que “dívidas públicas não podem dar azo a intervenção armada nem a efetiva ocupação de territórios de nações Americanas por potências europeias.”53
O posicionamento de Luis Drago e o desenvolvimento da Doutrina Drago foram tão significativos no contexto da cobrança de dívidas públicas por meio do uso da força que levaram ao desenvolvimento da Convenção da Haia de 1907 sobre Limitações para o Emprego da Força para a Cobrança de Dívidas, a chamada Convenção Drago-Porter.54
Com o passar dos anos, as convergências de posicionamento da comunidade internacional em favor do primado do estado de direito no âmbito internacional e no sentido da limitação do uso da força levaram, já no bojo da Liga das Nações, à criação, em 1928, do Tratado Geral para o Repúdio da Guerra, o chamado Pacto de Briand- Kellogg, que proibia expressamente o uso da força. Referido instrumento afirma, em seu artigo primeiro que as partes contratantes declaram que “condenam o recurso à guerra para a solução de controvérsias internacionais e renunciam a ela como um instrumento de política nacional nas suas mútuas relações”.55 O passo seguinte no caminho da abolição do uso da força no contexto do direito internacional foi a criação, em 1945, da Carta da ONU, que determina, em seu artigo 2(4), que “todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.”
O desenvolvimento do direito internacional, portanto, levou à efetiva cristalização de um princípio de direito internacional que proíbe o uso da força nas
52 GATHII, James Thuo. War's Legacy in International Investment Law. International Community Law Review. Vol. 11, 2009, p. 353.
53 GATHII, James Thuo. War's Legacy in International Investment Law. International Community Law Review. Vol. 11, 2009, p. 353.
54 NEWCOMBE, Andrew; PARADELL, Lluís. Law and Practice of Investment Treaties: Standard of
Treatments. Kluwer Law International, 2009. p. 9.
55 No original: “The High Contracting Parties solemnly declare in the names of their respective peoples that they condemn recourse to war for the solution of international controversies, and renounce it as an instrument of national policy in their relations with one another.” Tratado Geral para a Renúncia da Guerra como Instrumento de Políticas Nacionais, 1929.
relações entre Estados, exceto em algumas poucas situações específicas.56 Sobre essa constatação afirma Cançado Trindade:
A mais lúcida doutrina jurídica caracteriza o princípio da proibição da ameaça e uso da força como pertencente ao domínio do jus cogens, e adiciona que violações a este princípio não têm o condão de enfraquecer o seu caráter imperativo. A “condenação do uso da força” é qualificada como a “mais notável” característica da Carta da ONU, - representando, efetivamente, um avanço notável em relação ao Pacto da Liga das Nações.57
O efetivo banimento do uso da força pelo direito internacional, com o passar dos anos de seu desenvolvimento, portanto, passou a impossibilitar o recurso a este método como forma de proteção internacional de investimentos.