• Sonuç bulunamadı

2.2. Emtia Piyasası Ürünleri

2.2.4. Enerji Ürünleri

2.2.4.2. Doğal Gaz

Conforme o roteiro completo da entrevista em ANEXO B foram estabelecidos alguns aspectos a serem lembrados ao entrevistado caso este não os mencionasse na hora da entrevista:

• Até que ponto a formação cultural do pesquisador (a) pode impedi-lo (a) de colaborar com a política de patentes?

• Os pesquisadores usam e estimulam seus orientados (graduação e pós- graduação) a usarem informações tecnológicas contidas em patentes? • Os pesquisadores estão conscientes da importância de identificar o

potencial comercializável das invenções de sua pesquisa?

• Eles entendem bem os benefícios da cooperação com a indústria e da transferência de tecnologia?

• Em relação à reputação do pesquisador no meio acadêmico, valoriza-se a publicação em periódicos científicos e não o patenteamento;

• Dificuldade em manter o sigilo em relação às pesquisas patenteáveis em andamento.

Em seguida, apresentam-se os relatos feitos conforme cada um dos aspectos acima descritos.

5.2.1.1 Até que ponto a formação cultural do pesquisador (a) pode impedi-lo (a) de

colaborar com a política de patentes?

O entrevistado 4 resumiu bem o que é necessário fazer para reverter a resistência cultural de parte da comunidade acadêmica quanto à questão da PI na universidade. Para ele é necessário, incentivo, valorização, discussão e educação: “Eu acho que é aquela coisa realmente da universidade procurar incentivar, valorizar, discutir e promover conhecimento em relação a este aspecto. É mudar os paradigmas. Mudar a mentalidade.”

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Para o entrevistado 1, existem alguns pesquisadores que são conservadores e extremamente resistentes às tendências modernas de fazer pesquisa aplicada, colaborativa, inovadora e atribuir-lhe um valor comercial:

[...] Os pesquisadores mais conservadores, os que não estão habituados a fazer contato no exterior, com pesquisadores para colaboração [...], têm uma visão mais conservadora. Eles fazem pesquisas mais tradicionais, menos de ponta, ficam com temor de patenteamento, temor de fazer colaboração. Então [...] ou o pesquisador é ativo, atuante e procura integrações modernas ou ele é conservador e retrógrado! É muito difícil você ter o meio do caminho! [...]

Eu acho que os pesquisadores mais antigos não estão acostumados a fazer pesquisas aplicadas. Eles têm certo pudor de dar um valor financeiro a uma pesquisa que eles acham que tinha que ser altruísta e governamental. Mas, infelizmente as coisas mudaram. Eu acho isso ótimo, lindo ético e altruísta, mas, se a gente não fizer isso agora, aí fica difícil. Não tem mais jeito! É uma necessidade.

Segundo o entrevistado 4, alguns pesquisadores são contra a interação UE e por isso, desconfiam dos seus colegas que tomam esta iniciativa, pois, eles consideram que eles estão usando indevidamente os recursos da universidade para seu benefício próprio ou de terceiros:

[...] Alguns pesquisadores são contra este tipo de interação (universidade- empresa) e agem como dificultadores das parcerias chegando a desconfiar dos colegas que tomam estas iniciativas. É desconfiança mesmo! Até da integridade dos colegas que optam por fazer parcerias por pensarem que estão obtendo ganhos indevidos ao usarem a estrutura e os recursos da universidade em seu benefício próprio ou de terceiros.

Para ele, administração e empreendedorismo não são características comuns a todos os pesquisadores. Além do mais, são muitas as atribuições que o pesquisador tem que assumir:

[...] A maioria dos pesquisadores não tem muitas características de atuação como administradores ou empreendedores. Também é difícil ser professor, pesquisador, administrador e empreendedor tudo ao mesmo tempo. São poucos os que conseguem.

5.2.1.2 Os pesquisadores usam e estimulam seus orientados (graduação e pós-

graduação) a usarem informações tecnológicas contidas em patentes?

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Apenas o entrevistado 4 afirmou que sempre é feita uma pesquisa inicial nas fontes de informação tecnológica na fase inicial das pesquisas: “Sempre é feita uma consulta inicial às fontes de informação sobre patentes no início das pesquisas.”

Em relação ao costume de usar as fontes de informação tecnológica, o entrevistado 1 afirmou que geralmente só os mais jovens possuem esta característica. Os pesquisadores mais antigos e mais conservadores geralmente não se preocupam com isso:

[...] Os jovens sim. O que a gente observa mesmo quando você vai pra discussão nas reuniões e pergunta: e aí você fez a análise pra ver. Não tem artigos da área, mas, existem patentes? Uma parte das pessoas fica assim: eu esqueci. As pessoas esquecem. [...] Eu acho que os jovens já têm esta mentalidade mais desenvolvida. Eles já têm um outro modelo mental e ético acadêmico.

O entrevistado 2 também afirmou que os pesquisadores ainda não têm esta tradição: “Não têm muito essa tradição de consultar as fontes de informação tecnológicas. Ainda não.”

O entrevistado 3 explicou que normalmente não têm muito estímulo a buscar por patentes, a não ser que tenham sido informados de que se trata de uma coisa muito importante. Os alunos têm certa dificuldade em entender a patente devido ao jargão técnico usado. Porém, existe uma perspectiva nova em sua área de atuação em que terão que trabalhar muito com tecnologia. Por isso, haverá um programa para a formação de recursos humanos e os professores que vão trabalhar nestes cursos passarão a incentivar aos alunos para que usem as fontes de informação tecnológica:

[...] Normalmente, a gente não busca muito patentes. Nós não lemos patentes. Não temos muito estímulo pra isso. Exceto, se a gente tiver uma informação de que a coisa é muito importante! Na verdade, pro aluno, o que é importante é publicar nos periódicos. Para os alunos, até pra entender patente é difícil! Você lê uma patente [...] só que você não entende direito! Eles fazem todo um jargão, uma forma de envolver [...] Mas de um modo geral, não! A indústria, quando eu trabalhava [...] lá, eu ia atrás dos concorrentes e aí eu estudava muito as patentes dos concorrentes da empresa. Então, é diferente! Agora aqui! É difícil! Só que agora, assim, com o programa de formação de recursos humanos [...] como a gente vai trabalhar muito com tecnologia, os professores que vão trabalhar nestes cursos, a gente vai estimular que os alunos consultem mais o banco de patentes e aprendam a lidar com isso. (Uma cultura tecnológica e de idéias inovadoras).

Este mesmo entrevistado enfatizou que é importante saber selecionar bem as patentes a serem levadas em consideração, pois, assim como existem artigos ruins publicados, também existem coisas inúteis patenteadas:

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[...] Agora patente tem uma coisa também. Tem muita patente porcaria! Falar que toda patente é boa?! Tem um grande conjunto de patentes que não são lá grandes coisas. Às vezes, você tem que saber filtrar um pouco. Tem umas patentes malucas que nunca são transferidas. Assim como também tem artigos ruins publicados.

5.2.1.3 Os pesquisadores estão conscientes da importância de identificar o

potencial comercializável das invenções de sua pesquisa?

Para os entrevistados, de um modo geral, os pesquisadores não pensam em desenvolver pesquisas especificamente para serem aplicadas em produtos e processos patenteáveis. Só os que já têm patentes, os mais jovens e os menos conservadores que geralmente têm esta preocupação em identificar o potencial de aplicação tecnológica para suas pesquisas. Por isso, é muito comum alguma coisa que deveria ser patenteada ser publicada e perder a característica de novidade. Vejam as observações feitas pelos entrevistados:

[...] A maioria dos pesquisadores não pensa em desenvolver pesquisas aplicadas que podem ser patenteadas. Só os que já possuem patentes e já estão acostumados com o processo de patenteamento, que geralmente se preocupam com isso.

[...] Não. Eu não diria nem a maioria nem a minoria. Eu diria que está a assim meio-a-meio. Os mais jovens em geral. Os menos conservadores tem esse hábito maior.

[...] Alguma coisa que era pra ser patenteada e é publicada? Com certeza! Isso é muito comum.

[...] Não! Não está não! Eu acho que ainda, a maior parte das pessoas não entendeu muito bem o que é patente, ainda! Tem que fazer, por que é importante? Então, mas de novo, a gente está caminhando bem! Isso é um aspecto que tem que melhorar!

[...] No início da pesquisa, os pesquisadores geralmente não pensam em desenvolver um trabalho especificamente destinado a ser patenteado.

O entrevistado 4 enfatizou que o pesquisador busca a inovação e mesmo que não esteja vendo uma aplicação aparente ela surge, normalmente, com a exposição da pesquisa:

[...] O pesquisador busca inovação em sua pesquisa mesmo que não esteja vendo uma aplicação aparente. Esta aplicação surge com a exposição da pesquisa, normalmente. Assim é a pesquisa.

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5.2.1.4 Eles entendem bem os benefícios da cooperação com a indústria e da

transferência de tecnologia?

Segundo o entrevistado 2, todos querem o dinheiro, mas, têm dificuldades em se submeter ao controle que as indústrias passam a ter sobre os rumos da pesquisa e pelo sigilo que naturalmente, elas exigem sobre os resultados alcançados:

[...] Todo mundo quer isso! Dinheiro da indústria todo mundo quer! Eu acho que as tecnologias também! O que a gente ainda, às vezes, não entende, é que uma indústria, quando ela te dá o dinheiro pra fazer uma pesquisa, ela também começa a ser dona daquele trabalho! Aí, você perdeu a liberdade, um pouco de publicar onde você quer. Você tem que pedir um OK! Algumas pessoas ainda não estão acostumadas a isso. Estão aprendendo! O dinheiro quer! Mas, tem dificuldade na hora que a indústria tem um pouco de controle.

Segundo o coordenador da CT&IT, este é um novo desafio para a universidade convencional que lida bem com a formação de recursos humanos (graduação e pós- graduação) que gerou um acúmulo de conhecimentos que podem levar a inovação, mas que ainda lida mal com o processo de transferência, comercialização e valorização das tecnologias eventualmente produzidas nas pesquisas:

[...] Nos fatores internos á universidade, eu vejo que há uma necessidade muito forte, como eu estou te falando, a inovação veio pros centros de pesquisa, porque se fala em inovação hoje na UFMG, na USP, na UNICAMP, nos grandes centros de pesquisa do país é exatamente porque ele tem um grande acúmulo de conhecimento. Só existe inovação a partir de um acúmulo de conhecimento na instituição. Então a inovação é uma conseqüência disso. Não é uma coisa que veio momentaneamente! É uma coisa que veio pra ficar. E veio com um desafio. É um novo desafio pra uma universidade convencional que sabe lidar muito bem com o ensino graduação e com o ensino pós-graduação e com a pesquisa, mas, lida mal com o processo de transferência, comercialização e valorização.

5.2.1.5 Em relação à reputação do pesquisador no meio acadêmico, valoriza-se a

publicação em periódicos científicos e não o patenteamento;

De um modo geral, todos os entrevistados enfatizaram a questão da publicação do artigo ser muito mais valorizada pelo CNPq, pela Capes e pelos seus pares. As dificuldades existentes para a redação da patente, a definição das reivindicações e redação do pedido, têm sido parcialmente resolvidas com o auxílio da CT&IT. Possuir patentes em

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seu currículo é muito bom para o pesquisador, mas, se ele tiver que escolher entre patentear ou publicar, a publicação é muito mais importante para ele hoje. Alguns pesquisadores já compreenderam que eles podem patentear e publicar parcialmente ou, às vezes, até integralmente a idéia da patente. Enquanto todos não compreenderem bem isto, essa continuará sendo uma grande limitação. Vejam as observações feitas pelos entrevistados:

[...] Já aconteceram alguns casos de trabalhos que poderiam ser patenteados, mas, o pesquisador preferiu publicar. Inclusive aconteceu comigo. Na época, eu não tinha tempo para correr atrás de parceiros ou empresas interessadas na invenção, então preferi publicar e tocar pra frente. No meu caso, não fez diferença ter patenteado ou não.

[...] No Brasil, o CNPq/Capes não valoriza o número de patentes o tanto o quanto poderiam ou deveriam.

[...] O problema é como que a gente vai avaliar. Você consegue, por exemplo, em periódicos, avaliar o fator de impacto, você tem todos os índices. Agora como é que você vai avaliar o fator de impacto relativo de patentes diferentes? Eu acho que isso vai ser difícil.

[...] Então, eu acho que é o dilema: patentear ou publicar? O pesquisador, ele vive de publicação! Isso pra gente é fundamental! Então, eu acho que é essa talvez, a grande limitação! Os alunos e professores pensam o seguinte: se eu patentear, eu não posso publicar! E aí, se eu tiver que escolher entre um e outro, sem dúvida a publicação vale mais pra nós, os pesquisadores hoje! Então, eu acho que essa é a grande limitação! No final, eu acho que uma parte dos pesquisadores está entendendo que ele pode patentear e pode publicar, parcialmente e, às vezes, até integralmente a idéia da patente. Mas, uma vez que está protegida, pelos por um ano você ganha proteção! Mas, os pesquisadores estão mais corajosos! Estão começando a dar valor às patentes! Então de novo, nós estamos caminhando! Mas, eu acho que essa é a grande limitação. Fora isso, ninguém reclama de ter patentes no currículo! A reclamação é: se eu patentear eu não vou poder publicar! Aí você fica pirado!

[...] Eu acho que há certa preocupação. Mas eu acho que os professores ficam, ás vezes mais interessados em publicar o resultado do que proteger. Por causa da própria cultura! Tem que sair alardeando que o produto dele é maravilhoso! Então ele publica! Mas, eu acho que é possível publicar e proteger também, se ele sabe escrever uma patente, escrever um artigo. Isso aí é uma cultura, mas eu tenho uma outra opinião. Acho que eles deviam proteger!

[...] A UFMG tem um trabalho diferenciado das outras universidades. Tem a CT&IT. O professor Ruben, depois que entrou para a CT&IT deu um outro dinamismo. A UFMG hoje é uma das universidades federais que tem o maior número de patentes (registros). Já consegue fazer transferência. Tem um escritório que tem professores aposentados que trabalham lá. Então, assim, temos que louvar e falar que a UFMG é diferente! Mas, mesmo com todo este trabalho, eu acho que tem oportunidade de melhoria. Ainda é difícil ter alguém para nos ajudar a escrever uma patente. Você tem que sentar para escrever. Você vai escrever o artigo. Larga pra lá, entendeu! Porque é muito trabalho! Você tem que ter tempo, os prazos são curtos, os alunos têm que sair. [...] Então essa dificuldade de escrever ainda é real!

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Mas agora está bem melhor. Antes ninguém fazia porque não sabia fazer, mas agora tem uma ajuda.

5.2.1.6 Dificuldade em manter o sigilo em relação às pesquisas patenteáveis em

andamento.

O entrevistado 1 enfatizou a questão da falta de segurança propriamente dita devido aos laboratórios serem de uso comum a todos e não possuírem acesso restrito.

[...] Em programas de pesquisa é difícil ter que manter sigilo exigido no patenteamento, pois, muitas vezes é necessário usar o conhecimento tecnológico descoberto para dar seqüência às pesquisas.

[...] Isso no Brasil, aqui na UFMG, por exemplo, é difícil porque nós não temos laboratórios com acesso restrito. Eu tenho vários alunos que trabalham com patentes e têm várias patentes [...] mas, foi muito difícil a gente estabelecer esse tipo de coisa sem [...] ter um laboratório com acesso restrito. Então, isso é uma coisa que deveria ser incentivada.

Para o entrevistado 2, a grande limitação é a proibição da publicação após a defesa da tese, pois, isso é extremamente frustrante para o professor e para o doutorando. Esse aspecto precisa ser muito bem negociado quando se está desenvolvendo por meio da tese, um projeto de pesquisa para uma indústria, por exemplo.

[...] É a questão da publicação! Desde a tese, defesa de tese, você começa o trabalho e tem a informação que você não vai poder publicar, isso choca qualquer aluno ou professor! Choca mesmo! Isso é uma grande limitação! [...] a gente que faz projeto pra indústria, a gente tem que discutir muito bem estas cláusulas!

A pressão pela publicação é muito grande. Se o aluno não estiver muito motivado e estimulado e se não tiver muita agilidade, ele acaba perdendo o timing da patente. Vejam as observações feitas pelos entrevistados:

[...] Eu acho que é difícil sim. Porque a gente não sabe muito bem como lidar com isso. Às vezes, você está muito apressado pra fazer a publicação, você tem a pressão para participar do congresso. Então se você não agir rapidamente com a patente, você perde o timing da patente. Porque o aluno vai pro congresso. Já aconteceu um caso. Você tem que ter uma cultura da pessoa que vai trabalhar com patente assim de, ter agilidade! Senão perde o timing. Na verdade, se você não estiver muito estimulado, isso é mais um trabalho!

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