• Sonuç bulunamadı

Support Programs for Women’s Co-operatives

From Surviving to Thriving

Chapter 6: Support Programs for Women’s Co-operatives

O terceiro eixo central da Pass é a saúde suplementar, considerada como a provisão de recursos para a reparação do estado de saúde, com a finalidade de mantê-la ou restabelecê-la, ou minimizar os danos decorrentes de enfermidades ou acidentes. Tal cuidado necessita de serviços articulados em rede, com suporte laboratorial e hospitalar capaz de responder de forma eficaz à demanda.

A Pass preconiza que a saúde suplementar é um benefício compartilhado entre a APF e o servidor, além do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende

todos os cidadãos brasileiros. Em relação à assistência à saúde, o Estado recorre à participação do servidor no fundo, por se tratar de um benefício compartilhado, e evoca também o SUS. A assistência à saúde do servidor engloba o sistema público e o privado, o que prova que o Estado também incorpora no seu aparelho as políticas sociais privatistas de viés modernizante do neoliberalismo.

Nogueira, M. (2009) diz que:

Não há e nem pode haver fronteiras rígidas entre as políticas públicas. Não existem separações entre as políticas sociais e outras, ainda que tensões e atritos entre os dois campos possam ser sempre diagnosticados (...) sempre há uma coerência lógica e política (...) afinal toda sociedade e todo Estado existem a partir de uma dada correlação de forças de um padrão de hegemonia, que conformam um determinado pacto sociopolítico, um projeto nacional (...), (pp. 53-54).

Na correlação de forças de construção dessa política, estão contemplados os interesses, opostos, dos donos da previdência e planos de saúde privados, que têm seus representantes políticos e também atuando no Estado, a exemplo de médicos proprietários de clínicas, acumulando com o cargo de servidor público, farmacêuticos possuidores de laboratórios e que também trabalham no Estado, etc.

Assim, os servidores públicos acabam assumindo esse sistema dual que, em nome da universalidade, não contempla a todos.

Na proposta de assistência à saúde do servidor, o benefício suplementar, destina-se à assistência médico-odontológica e é universalizada para os servidores federais. Transforma o benefício em despesa orçamentária obrigatória, evitando contingenciamentos, recupera o valor per capita destinado aos servidores e estabelece iniciativas para a isonomia no tratamento desse benefício entre todos os entes do Poder Executivo.

Destaque, ainda, para a exclusão da política da assistência social aos servidores, que só aparece nas atribuições e competência das equipes de saúde do trabalhador e estabelece que seja efetivada mediante os recursos sociais existentes naquela região onde estiver localizada, questão a ser retomada quando for abordada, no próximo capítulo, a intervenção do Serviço Social na saúde do trabalhador.

O valor repassado para esse benefício ao servidor, na prática, não dá para pagar a metade da mensalidade de qualquer plano de saúde; corresponde aproximadamente a 1/3 parte do valor mensal do plano Geap – Fundação da

Seguridade Social, ao qual quase 70% dos servidores da UFAL são filiados, conforme levantamento realizado em 2009 pelo Setor de Recursos Humanos da UFAL (Quadro 5).

Faixas Por Idade Valores Per Capita (R$1,00)

Por Remuneração (R$ 1,00) 0000 - 1.499 00 - 18 106 19 - 28 111 29 - 43 117 44 - 58 123 59 OU + 129 1.500 - 1.999 00 - 18 101 19 - 28 106 29 - 43 111 44 - 58 117 59 OU + 123 2.000 - 2.499 00 - 18 96 19 - 28 101 29 - 43 106 44 - 58 111 59 OU + 117 2.500 - 2.999 00 - 18 92 19 - 28 96 29 - 43 101 44 - 58 106 59 OU + 111 3.000 - 3.999 00 - 18 87 19 - 28 92 29 - 43 96 44 - 58 101 59 OU + 106 4.000 - 5.499 00 - 18 79 19 - 28 81 29 - 43 83 44 - 58 84 59 OU + 86 5.500 - 7.499 00 - 18 76 19 - 28 77 29 - 43 79 44 - 58 80 59 OU + 82 7.500 ou + 00 - 18 72 19 - 28 73 29 - 43 75 44 - 58 76 59 OU + 78

Quadro 5: Valores da participação da União no custeio da assistência à saúde suplementar do

servidor

O benefício da saúde suplementar é regulamentado pela Portaria Normativa SRH 3, de 15 de setembro de 2009, a qual rege que as operadoras de planos de saúde devem oferecer cobertura mínima do rol de procedimentos estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde (ANS); exige a oferta de planos com coberturas e redes credenciadas diferenciadas; e permite o pagamento de benefício por ressarcimento para os servidores que optarem por plano diferente do estabelecido pelo órgão.

A assistência à saúde do servidor contribui para o financiamento e crescimento do mercado privado de saúde, em que a maior parcela de contribuição (2/3) sai do bolso do servidor. O Estado, enquanto regulador das ações e políticas públicas, estabelece parceria na mercantilização de assistência à saúde ao servidor público.

O VII Congresso dos Servidores Públicos do Judiciário, realizado no Rio Grande do Sul, em 2009, chama a atenção para a necessidade da participação mais efetiva dos sindicatos, quando, segundo manifestação por carta aberta, denuncia que a Pass está sendo constituída à revelia do servidor público, o que contradiz a fala do governo e os documentos dessa política.

O documento, emitido pela Federação Nacional da Justiça Federal (Fenajufe), quando da realização do seu 7o Congresso, afirma que:

O movimento sindical precisa, com urgência, participar da mudança nessa conjuntura que vem desenhando desde 2003, com a criada Cogss, subordinada à SRH/MPOG. Mais recentemente, foram criados decretos e normas regulamentadoras que compõem a Pass e que estão em plena implementação pelo governo federal. É preocupante a ausência da participação das entidades sindicais de servidores públicos10.

Observa-se que as mudanças e reformas das políticas sociais vêm ocorrendo não apenas do Estado para fora, ou seja, na rede privada, seguridade social, no SUS, mas também dentro do Estado, a exemplo da Pass e sua política de assistência à saúde, voltada para o servidor, que repassa à rede privada a responsabilidade do Estado para com seus trabalhadores.

Várias instituições públicas contratam firmas para fazer as avaliações ambientais das áreas insalubres. Andrade (2009), em sua pesquisa no Rio de Janeiro, diz:

10 Recordando o que dizem Behring e Boschetti (2009), os movimentos sociais têm suas contradições, portanto,

não se pode ter uma visão romântica, ou seja, de que é um movimento hegemônico, como também satanizar o Estado.

(...) os laudos técnicos são realizados por uma firma contratada e os resultados dessa análise são encaminhados à área médica para emissão dos laudos e definição dos percentuais de insalubridade a serem pagos. Esta forma de organização do serviço dificulta as ações de vigilância, pois é demorada, depende da compra de serviços e disponibilidade financeira para este fim e leva a um retorno lento, dificultando ações imediatas de intervenção (p. 65).

O mesmo acontece com os exames periódicos realizados no ano de 2009, pela primeira vez na Ufal, quando a Geap foi contratada para realizá-los e também a avaliação médica. Segundo relatório emitido pela unidade de saúde da Ufal, aproximadamente 13% dos servidores, que se submeteram aos exames não os concluíram; 75% submeteram-se à avaliação médica e à emissão do Atestado de Saúde Ocupacional (ASO); isso demonstra o retorno lento, desarticulado, sem infraestrutura, e no final a Geap recebeu por todos os serviços prestados, mesmo que incompleto o resultado das avaliações.

A comprovação de que a política de assistência à saúde não contempla a universalidade desse benefício, é o próprio processo de implantação da Pass e da rede de assistência à saúde. Só será contemplado com o pecúnio, o servidor que contribuir para o plano de saúde privado. Conforme destaca Andrade (2009), sobre o processo de implantação da política de atenção à saúde do servidor em instituições federais,

(...) a assistência à saúde suplementar é feita através do ressarcimento parcial aos trabalhadores, repassado pelo Governo aos que comprovam que tem plano de saúde e plano odontológico, de livre escolha, para o servidor e para os dependentes. Não há um plano de saúde próprio ou contratado pelo IBGE-RJ (p. 65).

Outra contradição do plano de assistência refere-se ao princípio que preconiza de forma equânime que os servidores com menores salários e mais idosos recebem um per capita maior do governo do que aqueles com maiores salários e mais jovens. Na prática, essa matemática equânime não funciona bem, pois um grande número de servidores não pode bancar seus planos de saúde. Segundo Andrade (2009):

Essa forma de cobertura da assistência médica, não se tem mostrado resolutiva nem atendido às demandas dos trabalhadores, por serem os planos privados caros e o valor do ressarcimento muito pequeno, o que faz com que grande número de servidores não tenha cobertura de plano de saúde, tendo como alternativa o SUS (p. 65).

Alguns sindicatos defendem a política de assistência à saúde privada e realiza convênios com planos de saúde para os sindicalizados. Segundo Andrade (2009), o sindicato tem convênio com plano de saúde para os servidores da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do Rio de Janeiro (IBGE-RJ).

O processo de participação social exercido pelos movimentos sociais por meio dos sindicatos e conselhos democráticos, não é homogêneo, pois são movidos pelos interesses e tensões próprios de uma sociedade de classes, além de outras contradições decorrentes dessa correlação de forças.

Os movimentos sociais que participam da esfera pública na relação com o Estado o fazem em busca de suas demandas e aceitam a negociação e almejam a ampliação de políticas sociais. O controle social é uma dessas formas de participação para a garantia dos direitos sociais, e será analisado a seguir.