The Emergence of Multipurpose Women’s Co-operatives
CO-OPERATIVES BY STATUS (N=101)
Com a implantação do Regime Jurídico único (RJU), pela Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990, unificam-se as duas principais modalidades de vínculos empregatícios nos Estados brasileiros, sejam eles o “funcionalismo público” e “aqueles regidos pela CLT” – respectivamente, os estatutários e os celetistas. A partir da publicação dessa lei, todo trabalhador em exercício profissional, segundo o RJU, passou a ser denominado de “servidor público”, e foi colocada em desuso a nomenclatura “funcionário público”.
Portanto, servidor público é todo trabalhador que exerce uma função ou cargo público, mediante a aprovação em concurso público. A condição de aprovação em um processo seletivo de caráter público, conforme Dallari (1989), torna-se importante estratégia para superar a imagem negativa antes existente e que, em muitos lugares, ainda permanece, configurando-se como um traço dentre os mitos e as verdades sobre o servidor público.
Dallari (1992, p.14) adota a classificação proposta por Celso Antônio (1984) e os identifica por meio de duas características: a “profissionalidade” e a relação de dependência típica de quem presta serviço sem caráter de eventualidade. Esses elementos proporcionam uma conceituação sobre servidores públicos, qual seja: “todos aqueles que mantêm com o poder público relação de trabalho, de natureza profissional e caráter não eventual sob vínculos com o Estado, através de nomeação a um cargo público mediante aprovação em concurso público” (DALLARI). Salienta- se que não há um consenso conceitual sobre o termo servidor público, mas este é o que mais se aproxima do estudo em pauta.
O concurso público, portanto, além de ser uma ordem constitucional, é também reconhecido universalmente como a forma mais justa de ingresso no
serviço público, exatamente por assegurar a igualdade de condições de ingresso, prevista na Declaração da Organização das Nações Unidas (ONU), a qual afirma que cada indivíduo tem o direito ao ingresso, sob condições iguais, no serviço público de seu país.
Ressalte-se que, durante esta investigação, utiliza-se a denominação servidor público e não funcionário público, a fim de marcar a atualidade constante nos diversos documentos e legislações que subsidiam a abordagem de nosso objeto – qual seja, as relações de trabalho do servidor público e seu rebatimento nas condições de saúde desse trabalhador. Hoje, esse é o termo utilizado para referenciar o trabalhador público, concursado, já com estabilidade/efetivação adquirida ou em processo de efetivação.
Vale salientar que, legalmente, no serviço público, existe apenas essa modalidade de trabalhador com vínculo empregatício direto com o Estado, muito embora haja uma diversidade de vínculos empregatícios que “prestam serviços ao Estado”. Esses últimos vínculos são onde se encontram, principalmente, a reprodução da precarização do trabalho, bem como as metamorfoses do mundo do trabalho, como a terceirização de serviços de limpeza, vigilância; a contratação de serviços “temporários”; a prestação de serviços para consertos e manutenção de equipamentos, etc.
Ainda a título de incitar preliminarmente a discussão, é notório que os vários autores que cursionam sobre o tema do servidor público são unânimes em destacar a imagem negativa desse trabalhador público. Dallari (1989) inicia seus estudos dizendo que esse é um assunto tão comentado e, ao mesmo tempo, tão desconhecido, mas que, na quase totalidade dos casos divulgados na imprensa diária (tevê, jornais, revistas, etc.) - envolvendo o serviço público e/ou a atuação de algum funcionário -, a análise da midiática aponta sempre algum ponto negativo, do tipo: denúncia de corrupção, mau funcionamento dos serviços, favorecimentos, desperdício de bens ou recursos, pagamentos excessivos a certos funcionários, nepotismos, entre outros.
Já França (1993), na introdução que faz sobre o tema funcionalismo público, chama a atenção para “os preconceitos”, mesmo no interior da sociologia, identificando pouca aproximação científica das questões que ele envolve, e afirma que:
A ausência de estudos sistemáticos que busquem aprofundamento teórico e metodológico no campo das ciências sociais e provavelmente a maior responsável pela permanência de mitos e lugares comuns sobre o funcionário do Estado. A imagem popular ganha ares de verdade científica: rotina, ineficiência, desinteresse, complicação de procedimentos, burocracia, classe média, parasitas, conformistas. Assim como as coisas públicas, eles “não funcionam” e recebem até demais pela estabilidade e o pouco que trabalham (p.11-12).
Aqui a autora ressalta a escassez de um aprofundamento teórico- metodológico, das ciências sociais, movida por certo desprezo, pois não dá relevância às questões complexas que envolvem o tema, saindo do lugar comum e favorito da mídia nacional. Assim, a imagem popular do funcionário público torna-se conhecimento científico. O tema do “servidor público” não é simples e nem singular, ao contrário, é um campo heterogêneo e de complexa compreensão.
Giffoni (1993), referindo-se à imagem que se tem do funcionário público, indica que é bem diferente daquela classicamente apresentada por Weber, qual seja, de indivíduos movidos por uma vocação no exercício de suas funções, conforme destacam Merton e Hall (1992, apud GIFFONI, 1993), que é a imagem de um burocrata moderno, que coloca sua ação em procedimentos impessoais, em relacionamentos orientados e sistematizados.
Pelo contrário, a imagem do funcionário público é de um indivíduo marcado pela incompetência; entre outros fatores, Giffoni (1993) acrescenta a desarticulação, o clientelismo político, o autoritarismo, o arbítrio, a confusão político-institucional, e assim sucessivamente.
Nesse sentido, aponta para uma inadequada prestação de serviços públicos, a desconfiança da população em relação a eles, o desprestígio do funcionalismo público registrado nas últimas décadas e a dispersão de esforços e recursos na ação governamental. Reconhece que essa explicação é genérica demais e que não dá conta da complexidade da questão do funcionalismo público.
Não há aqui a intenção de endossar, tampouco denegrir ainda mais a imagem do servidor público no Brasil, mas assinalar o quanto é difícil definir o que é o servidor público, tendo em vista a abrangência de sua ação, que poderá ir de uma função menos complexa, como a de um gari de rua, tão necessária e importante à saúde pública, como funções de alta complexidade, como a de um professor, dos bancários, do médico, do cientista social de universidade pública. Quase sempre, a imagem de servidor público, para a sociedade vincula-se a uma função de nível
médio, com traços intermediários e de “burocrata” diante de um computador em sua mesa de trabalho, com muitos papéis.
Não se trata de deixar de reconhecer as particularidades desse fazer público, mas não basta entendê-lo apenas pela imagem, ou mitos, de um trabalhador que não gosta de trabalhar, que será demonstrado no decorrer da análise desta tese.
Nem sempre o que se coloca como apenas culpa do servidor público é verdade, pois não se avalia a situação institucional, na qual estão inseridos cortes de verbas, redução de investimentos, como também o mau uso dos bens públicos, dos recursos, de administração eficaz sem uma explícita direção social das ações voltadas ao bem comum.
Dito isso, pergunta-se: Essa imagem ainda permanece, nos dias de hoje? Reclama-se mais da falta de recursos ou dos poucos recursos para as políticas públicas, ou da qualidade, ou quantidade, dos serviços públicos? Fala-se dos serviços ou dos servidores? Os dois referem-se às mesmas coisas? Qual o sentido do trabalho público para o servidor?
A partir das constatações dos autores pesquisados, e na pesquisa empírica e documental realizada, verificam-se as possíveis mudanças no perfil do servidor público.
No primeiro indicativo, do ponto de vista da formação escolar, da capacitação e da qualificação, pode-se considerar que o servidor público possui bom nível técnico, o que pode representar a perspectiva de melhoria na qualidade dos serviços prestados a população.
Hoje, no serviço público da Ufal, observam-se os níveis de escolaridade apontados no Quadro 4.
Escolaridade Quantidade %
Alfabetização sem cursos regulares 24 1,73 Ensino fundamental Incompleto 94 6,79
Ensino fundamental completo 60 4,33
Ensino médio 546 39,42 Graduação 287 20,72 Especialização/ Aperfeiçoamento 334 24,12 Mestrado 38 2,75 Doutorado 02 0,14 Total 1.385 100
Quadro 4: Escolaridade dos servidores técnicos – Ufal/ 2007 Fonte: DAP/Ufal, dez. 2007