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External challenges .1 Financial Difficulties

The Emergence of Multipurpose Women’s Co-operatives

LACK OF SOCIAL SECURITY (ACTIVE) (N=63)

3.7 The challenges faced by women’s co-operatives: Why do they close? 35 Women’s co-operatives in Turkey face distinct external and internal challenges

3.7.1 External challenges .1 Financial Difficulties

A saúde, relacionada à condição de trabalhador, surge como expressão concreta do conjunto das relações e contradições que vive a classe operária. A investigação social oferece uma visão diferente ao estudo do processo trabalho- saúde.

A inclusão da condição de vida do trabalhador entre os fatores que contribuem para o conhecimento dos problemas de saúde da classe operária, apesar de não apresentar preconceito da hegemonia médica, ocasiona algumas complicações, segundo Laurell (1989, p. 29), ao se tentar precisar a especificidade do objeto de estudo do processo saúde-doença.

Vários estudos buscam analisar o contexto social relacionado à saúde do trabalhador. Laurell (1989) exemplifica com algumas experiências vivenciadas no México, como é o caso da indústria moageira, investigada por Carrillo, com o enfoque central em constituir uma categoria analítica a partir da sua particular constituição econômica, legal, política e características de seu processo de trabalho. Daí analisa os riscos do trabalho.

Considera os riscos definidos pela legalidade daquele país, ainda que os elementos sociais, como monotonia, altos ritmos, supervisão estrita, tenham sido coletados separadamente dos riscos derivados dos instrumentos de trabalho e dos elementos tóxicos, são assinalados como “doença geral”. Duas observações importantes resultaram desse estudo. A primeira mostra alta frequência de sinais e sintomas inespecíficos como expressão de dano no trabalho, mas que não chegam a formar um quadro reconhecidamente médico como enfermidade. A segunda confirma que os riscos de trabalho se comportam diferentemente, na indústria investigada, e nas demais indústrias, ainda que de um mesmo ramo.

Pode-se considerar que os riscos físicos, químicos e biológicos variam conforme os ambientes, mesmo dentro do mesmo espaço e que, apesar da constatação dos elementos sociais, estes não são analisados como fatores que interferem nos danos à saúde do trabalhador na experiência relatada.

Laurell (1989), ainda sobre a produção do trabalhador, citando estudo de Mertens, a respeito da Teoria da Revolução Tecnológica, tem o mérito de sistematizar suas possíveis implicações na saúde do operário. Centraliza sua

análise na microeletrônica e assinala quanto a robotização tende a ser um processo desigual dentro de determinado centro de trabalho, gerando nova constelação de elementos nocivos, quando deveria eliminar os riscos tradicionais, como a exposição ao ruído, ao calor e aos tóxicos. Essas novas tecnologias tendem a aprofundar a tensão nervosa, pois aumentam o trabalho por turno, a monotonia, os altos ritmos, o isolamento e a falta de controle. A indústria da microeletrônica enfatiza o uso abundante de produtos químicos que têm efeitos na saúde: intoxicações agudas e crônicas, irritação das vias respiratórias e câncer.

Essa análise leva-nos a refletir sobre as novas tecnologias e a sua forma de expressão na saúde, pois, apesar de libertarem o trabalhador de parte da força física, de movimentar cargas pesadas, não proporcionam melhoria na saúde. Além dos riscos tradicionais, agregam outros elementos, que isolam o trabalhador, dificultando suas relações de classe, geram mais competitividade na indústria e, consequentemente, exploração da força de trabalho. Essas expressões, que se refletem na saúde, vão além de um problema puramente de enfermidade, pois tornam-se também sociais.

No plano latino-americano, Laurell (1989) analisa a “classe operária e condições de trabalho” - especialmente a experiência de um grupo de argentinos, que define o estudo das condições de trabalho, bem como do processo de trabalho, segundo seu significado marxista, privilegiando enquanto referência empírica a saúde dos trabalhadores.

Na perspectiva marxista, o grupo desenvolve uma proposta inovadora, utilizando o método Laboratório de Economia e Sociologia do Trabalho (Lest), à medida que pretende abranger desde os riscos tradicionais até os elementos psicossociológicos.

Ao focalizar a análise nas características do posto do trabalho, não capta a lógica global do mesmo processo e sua relação com o processo de valorização. Nesse método, a saúde aparece mais como indicador do que como um problema em si. Em todas as experiências estudadas por Laurell (1989), há um ponto comum a todos que pretendem investigar a saúde no processo de trabalho, mas que não dão conta da problemática em sua totalidade, que é o fato de focalizar o espaço restrito, ou seja, o posto de trabalho. Perde-se, assim, a visão das relações sociais que permeiam todos os demais fatores condicionantes do processo trabalho-saúde. Nesse sentido, há indicativos de que um dos elementos que precisam ser mais

explorados, e que dará visibilidade ao processo, é o elemento social historicamente determinado.

Outra contribuição para o estudo da saúde do operário, proveniente das ciências sociais, trata de uma investigação stricto senso, a qual segue um modelo teórico. O dado inovador desse modelo é a tentativa – bem-sucedida - de desenvolver o conceito de “alienação” relacionado especificamente com a doença.

As dificuldades próprias desse conceito derivam de suas diferentes interpretações e se intensificam ao tentar incluí-lo na análise da saúde do trabalhador, quando explícita ou implicitamente torna a categoria alienação equivalente ao significado de doença.

Há de se considerar também que o conceito de alienação tem dúbio significado, na psiquiatria e no marxismo. O estudo de Laurell (1989) considera tanto no sentido de alienação mental como no de falta de consciência social. Assim, o significado relaciona-se com as formas de danos à saúde do trabalhador. Entretanto, o conceito de alienação, utilizado numa perspectiva de doença, é pouco elucidativo.

Enfim, os conceitos de saúde e doença não são neutros, nem existem à margem da sociedade. Compreender o processo de saúde e de doença não passa necessariamente num câmbio de olhar da medicina para a ciência social, mas requer visão ampliada em relação à complexidade do processo saúde-trabalho, na totalidade contida nas relações sociais da produção na sociedade capitalista.

Vários são os estudos sobre saúde e trabalho, nas perspectivas sociopolítica e histórica, que se fundamentam no marxismo, principalmente nas décadas de 1960/1970, com os movimentos sociais e sanitaristas. Numa aproximação com o tema, várias categorias foram investigadas e estabelecidas no estudo do tema.

Assim, na relação saúde-trabalho, a principal categoria analítica é o processo de produção. Chega-se a essa categoria, ao considerar que, na sociedade capitalista, o processo de produção organiza toda a vida social, porque é simultâneo ao processo de valorização do capital e dos modos específicos de trabalhar, do processo de trabalho. Essa categoria permite estudar uma realidade concreta sob a lógica de acumulação (processo de valorização) e seu meio, o processo de trabalho, como um modo específico de trabalhar (desgastar-se).

Nessa concepção, não há separação entre o social e o biopsíquico, que se unem por um vínculo de mediação externa, pois o processo de trabalho é, ao mesmo tempo, social e biopsíquico. Os elementos que determinam os desgastes

biopsíquico e social são de ordem particular e variável e não mediações gerais entre um fator social externo e um fator biológico interno.

Um clima de tensão, por exemplo, proveniente de um processo externo de trabalho advindo da relação com a chefia, os colegas e a atividade, pode ser classificado como tensão social, externa à dimensão biopsíquica da saúde do trabalhador, entretanto, esse fator social poderá causar danos e desgastes biológicos ao trabalhador. Não há como separar os aspectos biopsicossociais do processo de trabalho.

O trabalho é uma categoria central para a compreensão do ser social, e indispensável à sua sobrevivência. O desenvolvimento econômico-social de qualquer sociedade, por conseguinte, também tem relação direta com o trabalho, através do qual o homem modifica e domina a natureza e, consequentemente, modifica-se. Para Marx e Engels (1987), o trabalho põe o homem em relação com a natureza, e a ele cabe exercer sua criatividade, mediante a produção, e reprodução social e material.

Historicamente, o trabalho concreto, voltado para a satisfação das necessidades humanas, portador apenas de valor de uso, antecede o sistema econômico capitalista. A partir da instalação da sociedade capitalista, Marx identifica as relações de exploração do trabalho que ocorrem na produção e reprodução de riquezas (material), desenvolvidas pelo modo de produção capitalista, advindo da Revolução Industrial, na Inglaterra, ocorrida no início do século 19. Com esse modo de produção, desenvolve-se o processo de alienação estabelecida na relação entre o trabalhador e o produto social de seu trabalho.

Uma das formas de alienação (estranhamento) ocorre pela apropriação indevida do excedente por ele produzido, o que ocorre na divisão social do trabalho. Outra forma se dá pelo alheamento (separação) do trabalhador de seu produto final e, por fim, via as relações sociais, políticas, econômicas e culturais estabelecidas no modo de produção capitalista. Porém, o estranhamento do trabalho não é apenas uma característica do fazer produtivo ou fabril stricto senso, mas é inerente à lógica e aos princípios do sistema capitalista e envolve todas as relações sociais: material, econômica, objetiva, subjetiva, ou seja, envolve a totalidade da vida em sociedade.

Nesse contexto societário, o trabalho realizado na esfera do Estado, considerado como prestação de serviços públicos, não é reconhecido como produtivo, por não estabelecer uma relação direta com o capital, não estando o

trabalho a ele subsumido (IAMAMOTO, 2007, p. 86). Isso não significa dizer que não é trabalho útil, mas que não possui em sua natureza a lógica de acumulação do capital, ou seja, não produz mercadorias para serem trocadas no mercado.

Iamamoto (2007, p. 86) afirma que o trabalho do servidor público, da polícia, dos soldados, do sacerdote, não pode ser relacionado ao trabalho produtivo, Não porque não seja “útil”, ou porque não se materialize “em coisas”, mas porque está organizado segundo os princípios do direito público e são sob a forma de empresas capitalistas privadas.5

Mesmo que se parta da concepção de que o servidor público não desenvolve diretamente trabalho produtivo, considera-se que também o processo em que está envolvido o desempenho de suas atividades produz alienação, gerando uma relação complexa, que faz com que a organização da sua atividade seja – frequentemente - pouco compreendida e visibilizada no resultado final, inclusive, por seus próprios pares. Assim, o desempenho de atividades sem comprometimento consciente com os usuários dos serviços e com aqueles que lhes pagam os salários.

Ainda segundo Iamamoto (2007), “no ambiente dos serviços, a produção capitalista era reduzida a um grau mínimo na época de Marx, algo distinto do que ocorre na atualidade, com o crescimento dos serviços sob a órbita do capital” (p. 87). Por isso, reafirma-se que o trabalho é um elemento central na vida humana e na social. Entretanto, do modo como se processa, favorece as precárias condições que levam a enfermidades e/ou agravamento.

A crise do sistema capitalista, na atual fase de financeirização, tem afetado o mundo do trabalho, provocando desemprego estrutural, subemprego e precarização das condições trabalhistas e, por outro lado, sofisticando o seu processo, com o desenvolvimento de novas tecnologias.

Antunes (1995) afirma que o trabalho concreto mantém o estatuto ontológico na práxis humana, sem o qual não se realiza a emancipação do ser social. Portanto, sugere que a crise no trabalho não significa o seu desaparecimento, mas a sua complexificação, haja vista que não estão eliminadas as formas de alienação social do trabalho.

A categoria trabalho, do ponto de vista da saúde, considera tanto o aspecto quantitativo, o gasto da força de trabalho, quanto o aspecto qualitativo, que interfere também no corpo, assim como as condições de vida.

Outra categoria presente no processo, diz respeito às condições de vida, tendo como uma das principais características a generalidade, vendo o processo de trabalho como parte destas. O problema que se enfatiza é que o trabalhador não fica doente só na fábrica, mas também fora dela (LAURELL, 1989, p. 39).

A ideologia dominante é de que os problemas externos ficam fora do trabalho e não devem interferir na relação trabalhista, como se fosse possível suprimi-los “roboticamente”. Os fatores sociais e biológicos dizem respeito às condições de vida socioeconômico-política do servidor. Os aspectos internos e externos podem produzir efeitos negativos na saúde.

Outros estudos que merecem destaque por sua contribuição para a discussão do processo social do trabalho-saúde, são aqueles realizados pelos sindicatos que, motivados a lutar por reivindicações mais complexas no campo da saúde do trabalhador, colocam na pauta de suas assembleias pontos de discussão, como as condições de trabalho. São estudos que têm relevância no processo de tomada de consciência sobre os desgastes dos trabalhadores. A respeito dessa situação, articula-se, a partir de vários elementos, a compreensão de que a doença e os acidentes não são acontecimentos aleatórios, individuais, mas uma condição da coletividade; a democratização do que é a função e o fazer sindical; e a possibilidade real de lutar e conseguir mudanças (LAURELL, 1989, p. 86).

Os sindicatos são os espaços democráticos de expressão social que mais se aproximam da classe trabalhadora e defendem seus interesses, nesse sentido, os acontecimentos ocorridos no cotidiano do trabalho são levados para discussão e busca de solução aos representantes do patronato, nem sempre favoráveis a entendê-los. Com as equipes de saúde do trabalhador, procuram solucionar os riscos, desde que não interfiram no processo de produção, como é exemplo a redução do processo produtivo sem redução salarial. Na busca de melhores condições de vida e da transformação social almejada pela classe trabalhadora, os interesses dos sindicatos sobre as condições de trabalho se sobrepõem àqueles dos indivíduos, proporcionando acordos coletivos relacionados aos elementos pertinentes à saúde da totalidade dos trabalhadores.

Finalmente, segundo Laurell (1989, p. 53) os estudos sindicais apontam para o fato de que os elementos concretos da organização social operária, no processo de trabalho, são elementos-chave para interpretar o processo de desgaste.

Portanto, os movimentos sindicais têm o papel preponderante de denunciar e reivindicar adequadas condições de trabalho e melhoria de vida; manter a organização social dos trabalhadores, fortalecendo a classe trabalhadora – qualquer que seja sua identidade profissional - em busca do bem-estar social, pela via do controle social dessa mesma classe.