6 Support Programs for Women’s Co-operatives
6.2 What kind of support programs might be more effective?
A Noss estabelece os conceitos e as categorias que norteiam as ações de saúde do servidor público, dar-se-á destaque àquelas que estarão no corpo do trabalho e que servirão para análise do tema em estudo.
Ambiente de trabalho é o conjunto de bens, instrumentos e meios de natureza material, no qual o servidor exerce suas atividades. Representa o complexo de fatores que interligados, ou não, estão presentes no local de trabalho e interagem com o servidor. Um ambiente de trabalho no qual as relações entre os servidores, colegas, chefias e usuários sejam hostis, as relações podem torná-lo não
favorável. O ambiente de trabalho ainda pode ser definido como o espaço físico onde atuam e se inter-relacionam os servidores.
Condições de trabalho: são as pressões físicas, mecânicas, químicas e biológicas do posto de trabalho. Trata-se de uma mediação física- estrutural entre o homem e o trabalho que pode afetar o corpo do servidor, causando desgaste, doenças somáticas e pode mesmo acelerar o envelhecimento. Designa, como parte da organização, a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa, na medida em que dela derivam o sistema hierárquico, as modalidades de comando, as relações de poder, as questões de responsabilidade, etc. Nesse conceito, as condições de trabalho não dão visibilidade às expressões sociais, já que a precarização está embutida nas pressões físicas e mentais (sofrimentos) e as sociais sentidas pelo coletivo.
Organização do trabalho é o modo como o trabalho é planejado e gerenciando, desde sua concepção até sua finalização. Do processo de seleção, recrutamento, premiação, até o desligamento das pessoas. Inclui a divisão das tarefas, as relações de poder, o tempo, a rotina, o ritmo e as exigências de produtividade para a realização das atividades. Agrega o sistema de gestão, hierarquia, controle, comunicação, formação e negociação das relações de um ambiente ou processo. A organização do trabalho resulta na definição da tarefa e influencia no processo saúde-doença no ambiente de trabalho. As organizações nem sempre têm ou demonstram ter clareza das finalidades de suas ações e atribuições, característica própria da burocracia estatal, e isso é repassado para os que estão na execução. Exemplo disso é a falta de entendimento e organização nas atribuições e no desenvolvimento das rotinas de trabalho, que dificultam o desempenho dos serviços prestados. As instituições públicas padecem da falta de organização e, consequentemente, provocam sofrimento aos servidores que estão na execução, isto é o que deve ser demonstrado no decorrer deste estudo.
Prevenção é a disposição prévia dos meios e conhecimentos necessários para evitar danos ou agravos à saúde do servidor, em
decorrência do ambiente, dos processos de trabalho e dos hábitos de vida.
Uma das ações que podem contribuir para a prevenção é o estudo epidemiológico feito através da pesquisa-intervenção, mediante a participação do servidor, com o seu saber acumulado no trabalho, de suas vivências e experiências, agregando-se ao conhecimento técnico e ao científico, colocando-os à disposição da prevenção e promoção da saúde.
Processo de trabalho é a realização contínua de atividades desenvolvidas individualmente ou em equipe, constituindo-se num conjunto de recursos e atividades organizadas, inter-relacionadas, que transformam insumos e produzem serviços e que podem interferir na saúde do servidor.
A saúde do servidor e os possíveis agravos a ela constroem-se processualmente, na maioria das vezes, por meio da realização contínua de certas atividades, e podem comprometer mentes e corpos, provocando desgastes biopsicossociais. Hoje, a Lesão por Esforço Repetitivo (LER/Dort) e as doenças osteomusculares, são as doenças que mais afastam os trabalhadores em geral dos postos de trabalho, devido ao uso contínuo de computador, entre outros equipamentos de esforço repetitivo.
Prevenção da saúde do servidor é o conjunto de ações orientadas que propiciam saúde ao servidor, por meio da ampliação do conhecimento, da relação saúde/doença e trabalho. Objetiva-se o desenvolvimento de gestões, de atitudes e de comportamentos que contribuam para a proteção da saúde nos âmbitos individual/coletivo. A prevenção engloba ações efetivas de saúde, com vários componentes educativos; requer ações da gestão, no sentido de facilitar o desenvolvimento dos serviços e na decisão de proporcioná-los; envolve também a decisão do servidor devidamente esclarecido de participar e contribuir na promoção do seu bem-estar social e da saúde.
Proteção de saúde é o conjunto de medidas adotadas com a finalidade de reduzir e/ou eliminar os riscos decorrentes do ambiente, do processo de trabalho e dos hábitos da vida.
Em linhas gerais, são esses os conceitos contidos na análise sobre a saúde do servidor público, na sua dimensão social; a falta de visibilidade, estudos e sua efetividade são desafios dessas ações e políticas, prevalecendo os determinantes físicos, químicos, estruturais, ambientais e os efeitos perversos no corpo de trabalhador.
Para Laurell (1989),
A dimensão coletiva (portanto social) dos fatores e elementos que contribuem para o desgaste de trabalhador, estão nas cargas do trabalho, no processo e no modo de organização do trabalho e no modo de vida do trabalhador (...) a dimensão coletiva, enquanto um processo historicamente construído nas relações, mas foca apenas a visão médica, da medicina social (p. 21).
A autora ainda afirma que
(...) a realidade cotidiana do trabalho tem sido ponto cego não somente do olhar do sanitarista, como também da maioria dos observadores e analistas da sociedade. Chama-nos a atenção para extrapolarmos os muros do trabalho, deixando de ser apenas o espaço dos trabalhadores individualmente, mesmo que sua produção seja social, para espaços coletivizados e legítimos de ação e transformação ((LAURELL, 1989, p. 21).
A visibilidade da dimensão social da saúde do trabalhador posta nas relações sociais, é um dos instrumentos para a efetivação das políticas sociais de saúde via as organizações sindicais. Dar-lhe visibilidade passa necessariamente pelas análises das relações de trabalho contidas nos processos, nas organizações e condições de trabalho; verificando ritmos, carga horária, divisão de trabalho, instrumentos, produtividade, humanização e participação social dos trabalhadores, desde a concepção, execução até a avaliação.
Outro elemento importante da Noss é o financiamento. Aliás, as políticas sociais neste País sempre foram construídas com a participação dos empregadores e empregados, conforme destacam Behring e Boschetti (2009).
Com os servidores públicos, acontece o mesmo, pois todos participam do financiamento com uma contribuição num percentual em torno de 20%, que incide sobre os salários e outras vantagens financeiras. Mas esses fundos de
financiamento aparecem como dádiva da União. Sobre o financiamento da Pass, diz o MPOG:
Cabe aos órgãos e entidades da APF viabilizar os meios e recursos necessários para garantir as ações de vigilância e promoção à saúde, com recursos próprios e/ou oriundos do MPOG;
O financiamento das ações de vigilância e promoção é da União, mediante orçamento específico destinado às despesas com ações de saúde, aquisição de equipamentos e capacitação de servidores.
Segundo Andrade (2009, p. 55), a Cogss sempre contou com orçamento próprio, não só para a saúde complementar, mas também para a reforma das unidades e equipamentos com a possibilidade de financiar projetos específicos de promoção, de capacitação, de treinamento. O sistema de informação Siape–Saúde, por exemplo, está sendo instalado com recursos específicos da área.
Entende-se que a Cogss, unidade da SRH/MPOG da União, tem um dos principais papéis, que é o de coordenar todo o orçamento de gestão pública e redistribuídos entre todos; o que se está questionando é a omissão da participação contributiva do trabalhador público. Claro que todos os pagadores de tributos, taxas, fundos, contribuem para o funcionamento do Estado, assim como o próprio servidor. O sistema previdenciário e seguridade social da rede privada são redistributivos. Formam um sistema solidário, assim como na rede pública, dadas as devidas particularidades, a exemplo, de que não havia a figura estrutural e organizativa de uma unidade de previdência social pública assumida pela Cogss e a organização do Siass, da seguridade social, e benefícios do servidor federal.