The Emergence of Multipurpose Women’s Co-operatives
LACK OF SOCIAL SECURITY (ACTIVE) (N=63)
3.7 The challenges faced by women’s co-operatives: Why do they close? 35 Women’s co-operatives in Turkey face distinct external and internal challenges
3.7.2 Internal challenges
A análise das condições sociais, um dos fatores que interferem na saúde da classe trabalhadora no processo da produção, perpassa pela discussão sobre as desigualdades sociais advindas das crises das sociedades capitalistas. Assim, de antemão, é necessário considerar que o capitalismo - em sua forma globalizante contemporânea, sob a égide do capital financeiro, que tem como alvo o trabalhador, reduzindo, postos de serviços, o que reflete na organização dos trabalhadores, enfraquecendo sua luta - provoca retrocesso na direção dos direitos sociais, aumenta a precarização dos ambientes de trabalho, e fragiliza as relações sociais.
Essas situações favorecem os desgastes das condições de saúde dos trabalhadores e, consequentemente, em sua vida como um todo. Frequentemente, aparecem os danos, os sintomas biopsicossociais, como cansaço, estresse, medo, sensação de insegurança, vulnerabilidade a todo tipo de violência.
Nesse cenário, os elementos complexificam-se e sobrepõem-se de forma que não bastam apenas ações focadas na medicina do trabalho, em cima do controle dos riscos, mas de políticas sociais que possibilitem a melhoria nas condições de trabalho e que reduzam os danos à saúde; condições socioeconômicas que tragam melhor padrão de vida; e ações de saúde que contribuam para a promoção e prevenção de danos e desgastes do trabalhador.
No entanto, é necessário considerar que essas ações envolvem a construção coletiva da classe trabalhadora por meio de sindicatos, da instituição, ou empresa do trabalho público ou privado, mediante a formação de equipes de saúde responsáveis
pelo tema; o qual não dispensa a participação dos trabalhadores, numa perspectiva social.
O elemento coletivo do processo de saúde é composto de vários outros elementos sociais, mesmo que não sejam internos à saúde, como a carga de trabalho, o desgaste em sua múltipla dimensão, as epidemiologias decorrentes do processo de produção, as desigualdades sociais e econômicas. Todas tão nocivas não só para a classe trabalhadora, mas para a população em sua totalidade.
As desigualdades sociais manifestam-se aumentando a disparidade entre países ricos (centrais) e pobres (periféricos) e o distanciamento entre os capitalistas reflete nas condições de vida da população, mais especificamente na área da saúde, o que eleva as dimensões da vida e as compromete, como a baixa qualidade da educação, a escassez e falta de saneamento, a precariedade dos transportes, entre outros.
Os efeitos dos processos de desigualdade social datam ainda do início do século colonizador, quando se implantou no Brasil o modo de produção escravocrata, com a expropriação de mão de obra, e desprovida de todo tipo de atendimento às necessidades sociais.
Nesse período aparecem as epidemiologias socialmente constituídas, provenientes das precárias condições de vida na senzala, as cargas exaustivas de trabalho forçado, a tensão do capital, do modo como controlava todo o processo do trabalho. O negro escravo no Brasil, que sobrevivia às precárias e desumanas condições de trabalho, era muitas vezes acometido do banzo, que Sawaia (2002) classifica como a doença da tristeza, proveniente do sofrimento que é ético e político advindo do modo social da expropriação não apenas da mão de obra como da alegria, da vida e do espírito do negro.
As desigualdades manifestam-se nos diversos espaços geográficos e socioculturais oriundos das diferenças regionais e locais, daí a relevância de estudos que analisem as situações específicas, das regiões, contribuindo para o conhecimento da totalidade. Outras disparidades sociais, como a concentração de renda e de propriedade das terras, o acesso desigual às políticas sociais e os processos discriminatórios relacionados às questões de gênero e etnia vão contribuir para a acentuada discriminação social no País.
Esse processo pode gerar efeitos em áreas do desenvolvimento humano e social com repercussões nas condições de vida da população e dos trabalhadores,
especialmente no processo de saúde-trabalho, que tem como natureza a atenção das necessidades humanas; nos elementos biológico-mental e social, e conforma- se, assim, como uma das principais políticas sociais em função da demanda.
Os efeitos da desigualdade social na saúde estão evidenciados internacionalmente nos diversos segmentos populacionais. O aumento da taxa de desemprego, o trabalho precarizado, a desfiliação da proteção social, vivenciados tanto nos países ricos como naqueles pobres, mesmo considerando que nestes últimos a situação torna-se mais grave, por não ter se constituído o Estado de Bem- Estar Social, acumulando-se os efeitos perversos das desigualdades.
Tais desigualdades geram também um excedente de danos, como mortalidade precoce, demandas acentuadas por serviços sociais e pouca mobilidade social, entre outros fatores, principalmente nos segmentos mais vulneráveis e na própria classe trabalhadora, que sente, no dia a dia, as precárias condições sociais e os efeitos da redução do emprego e trabalho e, consequentemente, de seus direitos trabalhistas.
Alguns estudos epidemiológicos têm contribuído para o debate e desvendamento das relações que permeiam as desigualdades socioeconômicas e os danos à saúde, assim como as condições de vida e de trabalho. Observa-se que, na maioria das vezes, os baixos salários impedem que a classe trabalhadora resida nas proximidades do seu local de trabalho, e esse distanciamento para as periferias eleva a perda de energia corporal, antes mesmo do início do trabalho propriamente, das atividades em lócus. A situação conduz a outro fator, que é o tempo de locomoção, e aos altos custos, devido ao número de transportes necessários e preço, nem sempre subsidiado pelo Estado. Essa é uma realidade para a maioria dos trabalhadores brasileiros.
O tempo utilizado para o trajeto até o trabalho, apesar de deliberado como a caminho do local da atividade, não é computado, nem remunerado (ida/volta), mas, caso aconteça algum acidente durante o percurso, a medicina do trabalho assim o registra, garantindo os direitos trabalhistas.
Braga e Canoas (2009) manifestam que o tempo é concebido sempre a partir da relação com o trabalho, e o tempo livre vem da noção de que é isento da ação laborativa. Logo, o tempo gasto no deslocamento, ou em qualquer outra atividade, é tempo livre. Por conseguinte, o trabalhador que possuir melhores condições
socioeconômicas poderá ter mais disponibilidade de tempo livre para descanso e reposição das forças.
Nota-se que a desigualdade existe também nas relações sociais contidas no modo de produção, conforme a divisão do trabalho. Assim, para uns, falta tempo de repouso, de relaxamento e também de sono, elementos que produzem as boas condições de saúde e de trabalho do homem. Nesse sentido, o tempo é também elemento que acentua as desigualdades sociais. A redução das horas dedicadas ao sono e ao relaxamento encontra-se cada vez mais condicionada ao ritmo de vida imposto pela sociedade capitalista, na extração de mais-valia.
Braga e Canoas (2009) chamam a atenção para o fato de que o tempo social é o tempo de não trabalho, dedicado ao cuidado com a saúde, educação, o lazer, a cultura e convivência com familiares, vizinhos, amigos, enfim, e também de participação política e comunitária. O tempo social favorece a reposição das forças da classe trabalhadora, mas está cada vez mais escasso, como estão escassas as condições sociais e econômicas, que não favorecem os cuidados com a saúde e de convivência, pois o espírito do capitalismo suga todas as horas livres do trabalhador a serviço dos seus interesses, seja enquanto consumidor seja como trabalhador, não lhe restando tempo para a melhoria de condições de vida. Rifikin (1997 apud BRAGA e CANOAS, 2009) diz que antigamente o homem trabalhava para viver, e hoje vive para trabalhar.
A violência crescente dessas mudanças sociais no modo de produção capitalista aumenta a vulnerabilidade social, resultado dos vários condicionantes sociais, econômicos, políticos, espirituais e culturais aos quais está exposta a população em geral, muito embora os mais pobres estejam sujeitos a ela cotidianamente.
Como os aspectos aqui estudados estão especificamente voltados ao processo de trabalho, às condições sociais e de vida dos trabalhadores, vale registrar que, hoje, muitos trabalhadores morrem por causa da violência no trânsito, estatisticamente um número em crescimento. Outro tipo de violência é o proveniente de assaltos, roubos, balas perdidas dos confrontos de policiais e marginais, do tráfico de drogas, entre outros.
Logo, a violência não é apenas urbana, mas se destaca também no cotidiano do trabalhador, precarizado, não remunerado ou mal remunerado, na falta de políticas públicas que melhorem as condições dos transportes - onde acontecem
todos os tipos de agressões por um lugar para acomodar-se - e nas perdas de direitos trabalhistas e sociais.
A esses elementos, acrescenta-se a falta e/ou escassez de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da questão do meio ambiente, componente da saúde da população e dos trabalhadores, como a poluição do ar, da água; a falta de saneamento básico, ausência de estruturas de lazer e cultura; presença de agrotóxicos nocivos à saúde nas plantações; o desmatamento, entre outros.
Enfim, no processo de saúde-trabalho - em uma sociedade capitalista, que tem um modo de produção em que explora a mão de obra – verificam-se vários componentes biopsíquico-físico-químico socioeconômico que interferem na vida cotidiana do trabalhador e que precisam ser mais bem estudados pelas áreas afeitas à sua saúde. Portanto, o processo de produção de trabalho se dá nas relações sociais, constituídas em um determinado tempo histórico, político e econômico, que interferem nas condições de vida, saúde e de trabalho e lhe conferem um sentido social.
1.5. O Sentido do Trabalho – criação, realização, alienação e exploração