2.2. Liderlik Teorileri ve Liderlik Tarzları
2.2.5. Modern Liderlik Teorileri ve Sonucunda Ortaya Çıkan Liderlik Tarzları
2.2.5.3. Stratejik Liderlik Teorisi ve Stratejik Liderlik Tarzı
Justificando seu voto, o Conselheiro Francisco Antonio Poli manifestou-se contrário ao Parecer CEE 67/98, alegando que o mesmo representa um pequeno avanço se comparado com os Regimentos Comuns, destacando a possibilidade de o Conselho de Escola delegar atribuições, a abertura para que a comunidade decida a respeito do uso de uniforme, e o curso modular para o ensino profissionalizante.
O Conselheiro Francisco Antonio Poli também alegou que as Normas eram altamente centralizadoras, contrariando o espírito e a letra da LDB, Lei Federal 9394/96, atropelando as manifestações do Conselho Nacional e as decisões do Conselho Estadual de Educação:
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Francisco Antonio Poli, além de Conselheiro do CEE/SP, era Secretário Geral da UDEMO, o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo.
O art. 1º das Normas afirma que as escolas mantidas pelo Poder Público Estadual serão regidas por regimento próprio, a ser elaborado pela unidade escolar, desde que respeitadas as normas regimentais básicas. Ora, respeitando-se essas normas regimentais básicas, quase nada sobra para decisão da escola. É o velho discurso da autonomia, flexibilidade, descentralização, desmascarado, na prática, por determinações que não admitem sequer questionamentos. O resultado, certamente, não deverá ser outro: as unidades escolares limitar-se-ão a transcrever, nos seus regimentos, as normas regimentais básicas. Ainda mais quando se determina que o “regimento de cada escola deverá ser submetido à aprovação da Delegacia de Ensino”. Ou seja, além de tudo, qualquer acréscimo, alteração, diminuição na elaboração do regimento terá de ser apreciado pela Delegacia de Ensino. Que autonomia é essa? (Parecer
CEE 67/98, Poder Executivo, 21/03/1998).
Além desse questionamento, o Conselheiro aponta outras questões em sua declaração de voto. Uma delas se dá quando as Normas dizem que os registros de avaliação serão definidos pela escola, desde que contemplem sínteses bimestrais e finais em cada disciplina (Art. 42, § 1º); não podendo optar, portanto, por uma síntese mensal, trimestral ou semestral. Ou ainda quando, segundo o Art. 24, inciso IV da LDB – Lei Federal 9394/96, prevê que: “poderão organizar-se classes ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de língua estrangeira, artes ou outros componentes curriculares”. As Normas Regimentais não admitem possibilidade, salvo, e talvez, na forma de projetos especiais.
Ainda de acordo com a LDB – Lei Federal 9394/96, em seu Art. 24, inciso III, aponta-se que nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que observadas as normas do respectivo sistema de ensino. Só que conforme as Normas Regimentais, já está definida e delimitada a progressão parcial em até três componentes curriculares. E, curiosamente, se estende a progressão parcial aos alunos da 8ª série do Ensino Fundamental (Art. 53) contrariando o Art. 80, § 3º das mesmas Normas e a Resolução 3/98, da Secretaria de Estado da Educação, que instituiu a progressão contínua do Ensino Fundamental, prevendo a progressão parcial apenas para o Ensino Médio.
Um outro ponto que o Conselheiro usa para justificar o seu voto contrário ao Parecer CEE 67/98 é a questão do controle da freqüência que fica a cargo da escola, de acordo com a dispositiva no regimento e nas Normas do respectivo sistema de ensino, exigida a freqüência mínima de 75% do total de horas letivas, para aprovação (LDB nº 9394/96, Art. 24, inciso IV). Não tendo essa porcentagem de freqüência, o aluno estará reprovado. Porém, no sentido contrário, as Normas Regimentais destacam que o aluno pode ser aprovado e até mesmo reclassificado, independentemente da freqüência, (Art. 78, parágrafo único, Parecer CEE 67/98). Prevendo meios de compensação de ausências para os alunos que tenham freqüência irregular às aulas, ou seja, para os alunos que faltam às aulas por problemas de saúde, trabalho, ou simplesmente pelo fato de não quererem assistir às aulas, é garantida a possibilidade de apenas em alguns dias recuperar o tempo perdido.
Segundo a Declaração de Voto do referido Conselheiro no Parecer CEE 67/98, não há previsão legal na LDB para compensação de ausências. Dentre essas e outras razões, o Conselheiro Francisco Antonio Poli justifica-se contrário ao Parecer, alegando que essas Normas são pedagogicamente falhas e excessivamente centralizadoras, podendo acarretar conseqüências desastrosas para o processo educacional. E finaliza: “Ouso duvidar que uma boa escola da rede particular (séria, idônea, com um bom projeto pedagógico), vá seguir essas orientações que ora se impõem à rede estadual.” (Declaração de Voto, Conselheiro Francisco Antonio Poli; Parecer CEE 67/98, Poder Executivo, 21/03/1998).
Já a Conselheira Raquel Volpato Serbino14 em sua Declaração de Voto manifestou-se de modo favorável às Normas Regimentais Básicas para as escolas estaduais. Na sua declaração de voto conforme o Parecer CEE 67/98, alegou que as Normas contemplam os dispositivos da LDB nº 9394/96 e que as mesmas se apresentam de forma flexível e aberta, assegurando a orientação necessária para as escolas da rede pública de ensino promover inovações.
Segundo as declarações da Conselheira, as Normas se constituem numa etapa fundamental para a concretização na rede pública de ensino, “da almejada
14 Raquel Volpato Serbino estava filiada ao PSDB, partido do Governo Estadual à época da elaboração das
Normas Regimentais tendo, inclusive, concorrido à vaga de Deputada Estadual no pleito de 1998, pelo mesmo Partido Político.
escola cidadã: autônoma, democrática e comprometida com o sucesso”. E em sua Declaração de Voto, de acordo com seu ponto de vista, alguns itens merecem destaque especial:
1. Conselho de Classe/Série: sem perder de vista a análise das condições do aluno, ampliou-se a sua função na medida em que este Conselho deverá envolver-se com a gestão do ensino;
2. Inclusão do capítulo “Norma de gestão e convivência”: preserva-se o espírito democrático da lei enfatizando a representatividade de todos os envolvidos no processo educativo, em especial pais e alunos, para a sua elaboração;
3. duração de 4 anos para o Plano de Gestão da escola: maior garantia de continuidade e unidade para o processo educativo;
4. introdução da avaliação interna da escola: abrange todos os envolvidos no processo e volta-se para a totalidade dos aspectos escolares;
5. possibilidade da escola definir a escala de avaliação que deseja adotar; 6. termos de cooperação ou acordos com entidades públicas ou privadas: ampliação da possibilidade das U.Es atenderem aos interesses e necessidades das peculiaridades de sua comunidade;
7. possibilidade de a U.E. adequar o regime de progressão parcial à sua organização curricular;
8. possibilidade de a U.E. definir seu próprio modelo de organização: resguarda-se a necessidade de adequar à própria realidade, o envolvimento da comunidade escolar nas decisões, no acompanhamento e na avaliação do processo educacional;
9. introdução de um ano de programação específica de recuperação para os alunos que não puderem prosseguir nos estudos em nível subseqüente.
(Parecer CEE 67/98, Poder Executivo, 21/03/1998).
Pode-se destacar, ainda, que na Declaração de Voto da Conselheira Raquel Volpato Serbino as Normas Regimentais propostas representam um avanço com relação ao Regimento padrão vigente para as Escolas Estaduais, sobretudo por favorecerem a implementação da Progressão Continuada na medida em que garantem as atividades de reforço e recuperação de forma contínua e paralela aos alunos com dificuldades de aprendizagem, trazendo como conseqüência a possibilidade de permanência das crianças em idade escolar própria.
Representando interesses opostos, parece ficar bem clara a posição de cada Conselheiro em sua Declaração de Voto. As colocações do Professor Francisco Antonio Poli são as que mais representam as aspirações de todos aqueles que estão nas escolas. Promovem os questionamentos que partem, inclusive, da grande maioria daqueles que se estão de fato envolvidos com a escola pública: pais e responsáveis pelos alunos, comunidades, sindicatos e instituições sociais, que lutam por uma escola pública mais democrática e de melhor qualidade.
Por sua vez, Raquel Volpato Serbino não deixa de cumprir seu papel de representante partidária, que defende os interesses de uma linha política bem definida. Atrelada ao partido político daqueles que promoveram todo o processo de reorganização da educação paulista na década de 1990, é evidente que compactua e defende seus interesses e ideais, com um discurso pouco crítico e que realça apenas as possíveis vantagens.
CAPÍTULO III
Dados coletados e análise dos Regimentos