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4. Liderlik Tarzları İle Stratejik Kararlar Arasındaki İlişki: İstanbul’daki 4 ve

4.1. Otel İşletmeleri

Assim que o Conselho de Escola aprova o Regimento Escolar - que em tese deveria ser elaborado, analisado e discutido por toda a comunidade escolar -, o texto final do Regimento é encaminhado à Diretoria de Ensino de Bauru, bem como a apreciação do referido texto com o parecer do Conselho de Escola, para homologação. Em visita às escolas para levantamento de dados, constatou-se que todas as quatro escolas escolhidas dispunham de um Parecer efetuado pela Diretoria de Ensino para a aprovação ou não do Regimento.

A análise inicial dos documentos revela a existência de dois procedimentos: o primeiro é que há uma “Informação do Supervisor de Ensino”, uma espécie de sinal verde para que a Dirigente Regional despachasse sobre o assunto, e também o despacho da Dirigente, encaminhando à Seção de Pessoal da Diretoria de Ensino uma Portaria a ser publicada no DOE.

Começando pela Informação do Supervisor de Ensino, os documentos analisados revelaram uma padronização do texto emitido pelos supervisores, excetuando-se a escola número 2, que apresentou um texto diferenciado mais em seu formato do que em seu conteúdo. Cada escola pesquisada possuía o seu supervisor de ensino que, no caso, não se repetia entre nenhuma delas. O quadro abaixo apresenta o contido em cada informação dada às escolas:

Tabela nº 8 – Informação do Supervisor de Ensino

Escola 1 Escola 2 Escola 3 Escola 4

A Direção da Unidade Escolar retromencionada encaminhou Regimento Escolar à Delegacia de Ensino de Bauru para a competente aprovação da Dirigente Regional de Ensino.

O presente documento foi elaborado nos termos da legislação vigente, em especial da Lei Federal 9.394/96, Deliberação CEE 10/97, Indicações CEE nº 9/97, 13/97 e 10/98 e Parecer CEE 67/98, bem como foi resultante de ampla discussão, reflexão e decisões pedagógicas com relação aos cursos de: 1. Ensino Fundamental – Ciclo II – 5º à 8º séries; 2. Ensino Médio. Estando o expediente devidamente instruído, encaminho o mesmo à Senhora Dirigente Regional de Ensino com proposta favorável à aprovação do regimento Escolar da escola supracitada. À consideração superior para as providencias pertinentes. Bauru, 27 de janeiro de 1999. A Escola Estadual (...) encaminha o seu REGIMENTO ESCOLAR a esta Delegacia de Ensino para análise e aprovação. O mesmo foi elaborado pela equipe escolar e apreciado pelo

CONSELHO DE ESCOLA, em reunião do dia 09/12/98.

Após a devida análise, constatamos que este documento está em condições de ser APROVADO (vigorando a partir de 1999), tendo em vista que foi redigida de forma clara e coesa e orientou-se pelos princípios contidos na L.D.B. (Lei 9394/96) e atende a todos os dispositivos legais e, em especial aos do Parecer CEE nº 67/98.

Diante do exposto propomos que seja elaborada a competente portaria de aprovação do regimento escolar da EEPSG (...). À consideração superior. Bauru, 21 de dezembro de 1998. A Direção da Unidade Escolar retromencionada encaminhou Regimento Escolar à Delegacia de Ensino de Bauru para a competente aprovação da Dirigente Regional de Ensino.

O presente documento foi elaborado nos termos da legislação vigente, em especial da Lei Federal 9.394/96, Deliberação CEE 10/97, Indicações CEE nº 9/97, 13/97 e 10/98 e Parecer CEE 67/98, bem como foi resultante de ampla discussão, reflexão e decisões pedagógicas com relação aos cursos de: 1. Ensino Fundamental – Ciclo II – 5º à 8º séries; 2. Curso Supletivo – correspondente ao Ciclo II do Ensino Fundamental; 3. Ensino Médio Estando o expediente devidamente instruído, encaminho o mesmo à Senhora Dirigente Regional de Ensino com proposta favorável à aprovação do regimento Escolar da escola supracitada. À consideração superior para as providencias pertinentes. Bauru, 27 de janeiro de 1999. A Direção da Unidade Escolar retromencionada encaminhou Regimento Escolar à Delegacia de Ensino de Bauru para a competente aprovação da Dirigente Regional de Ensino.

O presente documento foi elaborado nos termos da legislação vigente, em especial da Lei Federal 9.394/96, Deliberação CEE 10/97, Indicações CEE nº 9/97, 13/97 e 10/98 e Parecer CEE 67/98, bem como foi resultante de ampla discussão, reflexão e decisões pedagógicas com relação aos cursos de: 1. Ensino Fundamental – Ciclo I – 1ª à 4ª séries; 2. Ensino Fundamental – Ciclo II – 5º à 8º séries; 3. Ensino Médio. Estando o expediente devidamente instruído, encaminho o mesmo à Senhora Dirigente Regional de Ensino com proposta favorável à aprovação do regimento Escolar da escola supracitada. À consideração superior para as providencias pertinentes. Bauru, 27 de janeiro de 1999.

Fonte: Pareceres da Supervisão Escolar – Diretoria de Ensino de Bauru/1998.

Excetuando-se uma das escolas (a número 2), todos os textos são os mesmos, inclusive a data de apreciação feita pelos supervisores. Alterações apresentadas referem-se apenas aos cursos oferecidos por cada escola. A escola número 2 tem uma modificação na forma de apresentar seu conteúdo e na data de apreciação do supervisor. Por outro lado, ao final refere-se à escola como “EEPSG”, que significa Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau; denominação extinta pela SEE durante o processo de reorganização da rede Estadual, ainda na década de 1990.

Após análise feita das atas de aprovação dos Regimentos realizada no item anterior, chama atenção o ponto em que três supervisores admitem que o documento foi elaborado nos termos da legislação vigente e que foi resultante de “ampla discussão, reflexão e decisões pedagógicas”. Algumas questões que podem ser postas são as seguintes: será que estes supervisores participaram desse processo nas escolas? Ou será que estas considerações fazem parte de uma orientação ou reunião que definiu um modelo padronizado de registro de suas impressões sobre o processo? Até que ponto a função de Supervisor atende às necessidades da escola? Até que ponto a função de Supervisor atende aos interesses da política do Estado? Para responder a essas questões talvez seja necessária outra pesquisa, que não deixa de ser interessante e pertinente, podendo revelar pontos importantes para o entendimento da autonomia das escolas.

A padronização parece ser uma regra, uma cultura dentro da estrutura do sistema educacional paulista, sempre em consonância com uma política centralizadora, realizada ainda nos dias atuais. Evidentemente, é por meio dela que o controle se torna mais fácil, além de trazer sua carga negativa e de suplantar as diferenças, expõe os participantes do processo educacional a situações contrárias à natureza de suas funções.

O último ponto a ser apontado aqui refere-se ao Despacho da Dirigente Regional que, nos quatro casos, acolhe a informação dos supervisores, aprovando os Regimentos, encaminhando a Portaria à Seção Pessoal da Diretoria de Ensino para publicação no DOE. O Despacho relativo às escolas 1, 3 e 4 dá-se no dia 21 de dezembro de 1998; o da escola número 2, dá-se no dia 29 de janeiro de 1999.

Se a contradição existente entre os registros dos Conselhos Escolares e os pareceres dos supervisores de ensino passa tranqüilamente e é ratificada pela pessoa que ocupa o cargo mais elevado dentro de uma região abrangida pela rede de ensino estadual, pode-se deduzir que o tipo de envolvimento que determinados setores hierarquicamente superiores em relação às escolas, por alguns profissionais, não ultrapassa os limites do envolvimento burocrático. Sendo assim, como exigir mudanças?

Considerações finais

Ao término deste estudo pode-se considerar que os resultados da análise dos Regimentos Escolares apresentaram perspectivas pouco animadoras a respeito da autonomia das escolas com relação às Normas Regimentais Básicas que, consideradas pela Secretaria da Educação de São Paulo como um documento “norteador para a elaboração do regimento escolar próprio”, acabaram por abranger todos os aspectos da vida escolar com regras e regulamentações taxativas e centralizadoras, por meio de seus oito títulos e oitenta e sete artigos.

Neste trabalho foram analisados os elementos do Regimento Escolar que mais poderiam trazer dados referentes à autonomia escolar, são eles: os objetivos da educação escolar instituídos pelas escolas, a concepção de gestão democrática da escola e suas instituições e colegiados, a avaliação institucional da unidade e a organização do ensino por meio de seus currículos e das formas de progressão continuada e parcial.

Os resultados desse trabalho mostram que as escolas pouco ou nada alteraram seus Regimentos de forma que demonstrassem possibilidade de decisões autônomas por parte da escola, salvo algumas poucas tentativas de regulamentar alguns pontos já definidos pelas Normas Regimentais ou por alguma Resolução publicada pela Secretaria da Educação.

Comparando-se uma escola a outra, muitas apresentavam o mesmo texto em diversos pontos. As diferenças são poucas e denotam que duas possibilidades foram oferecidas, ou seja, as escolas parecem ter seguido dois modelos diferentes apresentados para que estas elaborassem o Regimento.

Possivelmente, estes modelos podem ter sido apresentados pela Diretoria de Ensino como forma de uma reelaboração maquiada por uma mudança formal, mas não estrutural, do conteúdo das Normas Regimentais.

Há que se considerar que o cenário político à época da elaboração dos Regimentos pelas escolas paulistas era extremamente autoritário e centralizado por uma equipe voltada para atender a uma adaptação da educação pública às diretrizes que fundamentam a agenda de políticas educacionais voltadas para a potencialização do sistema produtivo.

A agenda política implementada a partir de meados da década de 1980, até o final dos anos de 1990, esteve centrada em discursos envolvendo a autonomia da escola enquanto um dos principais instrumentos para a efetivação da gestão democrática. Por ouro lado, as ações realizadas entre os anos de 1995 e 1998 demonstram não ter havido um rompimento com uma cultura político-administrativa, consagrada por práticas verticalizantes e centralizadoras voltadas para a qualificação de recursos humanos para o mercado de trabalho.

A autonomia apregoada pós 1990 para a concretização da gestão democrática nas escolas envolveria mecanismos de descentralização político- administrativa, participação e autonomia administrativa, pedagógica e financeira para as escolas. Porém, chama atenção a observação feita por Adrião (2006, p. 50) de que esse discurso esconde uma centralização estatal ainda maior, onde a autonomia é “entendida como um instrumento, um “meio” para atingir fins educacionais centralizados. Seu caráter, portanto, é meramente tático”.

Azanha (1995, p. 44), já afirmava, desde a década de 1980, que “A atual estrutura da Secretaria da Educação foi concebida e implantada para funcionar autocraticamente (...)”. Um perigoso fator alienante em relação àqueles que atuam na educação que deve, por sua vez, ser combatido por meio da participação enquanto tomada de decisão, e não como execução.

A análise dos registros dos Conselhos de Escola das escolas estudadas e o resultado apresentado nos Regimentos propõem que uma estrutura teoricamente favorável à autonomia da escola não passa de uma condição facilitadora à autonomia. Há que se concordar com Jair Militão da Silva (1996), quando afirma que as instituições humanas não se criam a partir de geração espontânea, elas necessitam de pessoas concretas que as façam surgir e manter-se.

Ao se desvincular o produto de seu criador, o primeiro ganha vida própria, sendo avaliado sem que se leve em conta a história de sua produção que tem origem no trabalho humano, na ação das pessoas.

Nesse sentido, os Conselhos de Escola das escolas estudadas, bem como a participação dos representantes da comunidade escolar, parecem sentir o peso dos obstáculos colocados à sua frente pelos que detêm o monopólio da decisão. O Conselho aparece mais como um órgão que foi absorvido pela cultura burocrática,

sendo muitas vezes uma instância de mera validação de atos do diretor ou da diretoria decididos individualmente.

Desse modo, a escola pública só será autônoma quando tiver poder de criar e/ou escolher livremente suas normas de conduta, gerando canais de discussão sobre regulações que entenda serem convenientes ou não. Por outro lado, a autonomia exige responsabilidade e competência, já que a unidade escolar é o lugar onde se concretiza o objetivo máximo do sistema escolar. É nela que as metas governamentais são atingidas ou não e as políticas educacionais se realizam tal como o previsto ou sofrem distorções tanto boas como ruins.

Se considerarmos o funcionamento autocrático e centralizador do sistema educacional aqui abordado e se considerarmos que o termo autonomia tem significado muito mais a prática de um abandono do que a real democratização das relações no âmbito da educação, podemos prever que a escola não conseguirá exercer sua autonomia sem luta e reações às imposições que lhe são feitas diariamente.

Autonomia não significa abandono, não significa jogar as escolas à própria sorte no intuito de isentar o Estado de suas obrigações. O Estado é gestor e o mantenedor de instituições com recursos oriundos dos cofres públicos, compete a ele administrar e investir adequadamente todos esses recursos da maneira mais democrática possível, e nem sempre é assim.

Apesar disso, considerando o que diz Gadotti (2002), a luta pela autonomia da escola está inserida em uma luta ainda maior pela autonomia no seio da própria sociedade, logo, “é uma luta dentro do instituído, contra o instituído para se instituir outra coisa” (Gadotti, 2002, p. 74).

Segundo ele, o resultado dessa luta vai depender muito da ousadia de cada escola em experimentar o novo e não apenas pensá-lo.

Sendo assim, a autonomia não é algo a ser implantado, mas uma situação efetiva, clara e autêntica de a escola poder assumir os compromissos inerentes à sua função imprescindível, intransferível e fundamental, que é a de educar.

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