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A escola 4 localiza-se na periferia do município de Bauru e - segundo a diretora, que está na escola desde a sua inauguração -, nasceu junto com o bairro, em um conjunto habitacional que ganhou destaque por ser considerado o maior núcleo habitacional da América Latina.

Sua criação e inauguração ocorreram no final do terceiro bimestre letivo do ano de 1992, uma ação praticamente impensável para uma escola, revelando o caráter político (ou politiqueiro) referente ao bairro, que é extremamente populoso e composto por trabalhadores de diversos setores.

Atualmente a escola oferece os ciclos I e II do Ensino Fundamental, o Ensino Médio, e o EJA do Ensino Médio na forma presencial. Possui aproximadamente mil duzentos e cinqüenta alunos e funciona nos turnos da manhã, tarde e noite.

O corpo docente compõe-se de sessenta e cinco professores, distribuídos entre efetivos e professores com aulas atribuídas em caráter temporário. O núcleo administrativo é formado por um diretor, um vice-diretor e dois professores coordenadores.

As condições físicas do prédio são boas, há um trabalho em conjunto com alunos e comunidade para promover a conservação do patrimônio escolar. A escola está localizada ao lado da avenida principal que dá acesso ao bairro, com um movimento de pessoas e conduções considerado bem intenso.

Constantemente ocorrem relatos e registros de violência e tráfico de drogas nas proximidades da escola, o que a torna vulnerável a estes fatores que, algumas vezes, ocorrem dentro da unidade.

A comunidade atendida apresenta um nível sócio-econômico médio-baixo, com muitas pessoas desempregadas. Porém, a direção considera a comunidade interessada com a educação, no que se refere à qualidade do ensino oferecido aos seus filhos.

A diretora apresenta que, na escola em que trabalha, o Conselho de Escola é bom e participante; por outro lado, a APM é definida como “um caos”, a participação das pessoas é dificultada por diversos fatores, e a APM não tem autonomia para funcionar de acordo com as necessidades da escola.

2. Análise e considerações acerca dos Regimentos.

As Normas Regimentais Básicas, constantes do Parecer CEE 67/98, e publicadas no DOE, Poder Executivo, em 21/03/1998, foram articuladas em oito títulos e oitenta e sete artigos, e definidas como um documento norteador para as escolas.

Neste Capítulo, será realizada a análise de quatro Títulos e nove capítulos das Normas Regimentais apresentados pelos Regimentos considerados, inicialmente, como pontos estratégicos para que as escolas evidenciassem sua autonomia tanto na elaboração e aprovação, como no texto e normatizações contidas no documento.

Os pontos a serem analisados são os seguintes:

Título I – Das Disposições Preliminares;

Capítulo II: “Dos Objetivos da Educação Escolar”; Título II – Da Gestão Democrática;

Capítulo I: “Dos Princípios”;

Capítulo II: “Das Instituições Escolares”; Capítulo III: “Dos Colegiados”;

Título III – Do Processo de Avaliação; Capítulo II: “Da Avaliação Institucional”;

Título IV – Da Organização e Desenvolvimento do Ensino; Capítulo III: “Dos Currículos”;

Capítulo IV: “Da Progressão Continuada”; Capítulo V: ”Da Progressão Parcial”.

A opção por estes pontos resulta do julgamento de que são eles os de maior importância para um documento norteador da escola como é o Regimento, e de que tais pontos mereceriam maior atenção e melhor tratamento por parte das escolas, por meio de modificações em relação às Normas Regimentais, considerando que prevalece a diversidade entre as escolas estudadas.

O quadro a seguir apresenta o total de títulos e artigos apresentados pelos Regimentos de cada escola:

Tabela nº 3 – Total de Títulos e Artigos dos Regimentos analisados

Escola 1 Escola 2 Escola 3 Escola 4

07 Títulos 73 Artigos 07 Títulos 78 Artigos 07 Títulos 91 Artigos 07 Títulos 83 Artigos

Fonte: Regimentos Escolares.

Apesar da variação entre os números de Títulos, todas as escolas omitiram o Título VIII das Normas, denominado “Das Disposições Transitórias”, que tratam dos resultados da avaliação do rendimento escolar dos alunos (Art. 86), representados pelas menções A, B, C, expressando rendimento satisfatório, e D e E, rendimento insatisfatório. E o Art. 87, definindo que “Após a formulação de sua proposta pedagógica, as escolas deverão elaborar o seu regimento escolar e encaminhá-lo para aprovação da Delegacia de Ensino” (Parecer CEE, nº 67/98).

No caso do Art. 86, que trata dos resultados da avaliação do rendimento escolar dos alunos, as escolas deixaram de apresentá-lo devido à inclusão deste assunto no capítulo de seus Regimentos que tratam sobre a Avaliação do Ensino e da Aprendizagem.

No caso do Art. 87, as escolas o interpretaram como um comunicado sobre o encaminhamento do Regimento, sem necessidade de citação no corpo do documento.

2.1. Título I – Das Disposições Preliminares, Capítulo II: “ Dos Objetivos da Educação Escolar”

O Título I, que trata das Disposições Preliminares, em seu Capítulo II que se refere às Normas Regimentais, traz o seguinte texto:

Capítulo II - Dos Objetivos da Educação Escolar

Artigo 3º - A educação escolar, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Artigo 4º - Os objetivos do ensino devem convergir para os fins mais amplos da educação nacional, expressos na Lei n.º 9394, de 20 de dezembro de 1996.

Parágrafo único- Os objetivos da escola, atendendo suas características e peculiaridades locais, devem constar de seu regimento escolar(Parecer CEE nº 67/98)

O quadro seguinte apresenta o disposto nos Regimentos, naquilo que diferem das Normas Regimentais:

Tabela nº 4 – Título I – Disposições Preliminares

Escola 1 Escola 2 Escola 3 Escola 4

Capítulo II – Dos Objetivos da Educação Escolar:

Art. 3º - São objetivos dessa escola, além daqueles previstos na Lei Federal nº 9394/96: I-elevar, sistematicamente, a qualidade de ensino oferecido aos educandos; II-formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres; III-promover a integração escola-comunidade; IV-proporcionar um ambiente favorável ao estudo e ao ensino; V-estimular em seus alunos a participação bem como a atuação solidária junto à comunidade.

Capítulo II – Dos Objetivos da Educação Escolar:

Art. 2º - São objetivos dessa escola, além daqueles previstos na Lei Federal nº 9394/96: I-elevar, sistematicamente, a qualidade de ensino oferecido aos educandos; II-formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres; III-promover a integração escola-comunidade; IV-proporcionar um ambiente favorável ao estudo e ao ensino; V-estimular em seus alunos a participação bem

como a atuação solidária junto à comunidade.

Capítulo II – Dos Objetivos da Educação Escolar:

Parágrafo Único - São objetivos dessa escola, além daqueles previstos na Lei Federal nº 9394/96: I-elevar, sistematicamente, a qualidade de ensino oferecido aos educandos; II-formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres; III-promover a integração escola-comunidade; IV-proporcionar um ambiente favorável ao estudo e ao ensino; V-estimular em seus alunos a participação bem como a atuação solidária junto à comunidade.

Capítulo II – Dos Objetivos da Educação Escolar:

Parágrafo Único - São objetivos dessa escola, além daqueles previstos na Lei Federal nº 9394/96: I-aprimorar a qualidade do ensino, buscando a transformação da prática escolar; II-estimular a interação de pais e alunos, visando maior participação no cotidiano escolar; III-assegurar a todo aluno o máximo desenvolvimento de suas potencialidades, tendo em vista auxiliá-lo na superação das

desvantagens decorrentes de suas condições sócio- econômicas.

Fonte: Regimentos Escolares.

Com relação aos “Objetivos da Educação Escolar”, as Normas Regimentais Básicas apresentam em seu Parágrafo Único uma possibilidade para que as escolas pudessem acrescentar ao Regimento o que julgassem necessário enquanto objetivo, respeitando-se suas características e peculiaridades locais.

Com uma variação no número do artigo do Regimento entre as escolas número 1 e 2, e aparecendo como Parágrafo Único nas escolas número 3 e 4, todas fizeram referência em aumentar ou aprimorar a qualidade do ensino. Inclusive, as

três primeiras escolas contam com um texto exatamente igual. Por outro lado, nenhuma das escolas procurou esclarecer o seu entendimento a respeito de qualidade e não fazem referência a outro documento escolar em que se possa encontrar o conceito de qualidade adotado pela mesma.

Ao expressar-se com relação à qualidade do sistema de ensino e a autonomia da escola, a então Secretária da Educação Rose Neubauer da Silva (1995) defende que um dos fatores fazem com que haja grande atenção com a educação:

(...) refere-se a uma mudança profunda nas demandas que a sociedade vem fazendo aos sistemas de ensino, devido ao avanço tecnológico dos anos 80, ao impacto da informatização, à mundialização da economia e aos novos modelos de organização do trabalho(...) (Silva, 1995, p.19).

Segundo a autora, a educação deveria privilegiar fatores do desenvolvimento humano, como a inteligência e a adaptação às mudanças no processo produtivo, entre outros. Um claro alinhamento à nova ordem econômica, sob a égide do mercado, que pretende ser transmitido pelas escolas para promover o “desenvolvimento social e econômico de sua população” (Silva, 1995). A partir dessa perspectiva, somente possui qualidade o produto educativo que possui a capacidade de adaptar-se ao mercado, que trabalha sob princípios de competitividade e exclusão.

Entendendo que as escolas acabam por ser envolvidas quase que obrigatoriamente pelo tema da qualidade, Paro (2001) conclui que na falta de um conceito mais fundamentado de qualidade, o que vem a prevalecer é o conceito que reforça uma concepção tradicional e conservadora da educação, cuja qualidade torna-se passível de ser medida a partir da quantidade de informações exibidas pelos sujeitos considerados “educados”. O mesmo autor acrescenta:

Para essa concepção, parece pacífico que a função da escola é apenas levar os educandos a se apropriarem dos conhecimentos incluídos nas tradicionais disciplinas curriculares (...). Assim, a qualidade da educação seria tanto mais efetiva quanto maior fosse a quantidade desses “conteúdos” apropriados por seus alunos(Paro, 2001, p.37).

A escola deveria implementar em seus objetivos a necessidade de discutir o caráter ético e político da qualidade citada, ou seja, a dimensão social de seus objetivos.

Gentili (2002) formula algumas conclusões as quais considera básicas para se avançar na luta contra a qualidade enquanto uma retórica conservadora no campo educacional. Entre elas destaca que “’qualidade’ para poucos não é ‘qualidade’, é ‘privilégio’”; “em uma sociedade democrática e moderna, a qualidade da educação é um direito inalienável de todos os cidadãos, sem distinção” (Gentili, 2002, p. 176).

2.2. Título II – Da Gestão Democrática, Capítulo I: “ Dos Princípios” ,

Benzer Belgeler