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2. KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.2. Etkinlik Turizmi

2.2.3. Etkinlik Türleri

2.2.3.2.5. Spor Etkinlikleri

No documento que define as diretrizes para a educação profissional define-se competência como capacidade pessoal de articular autonomamente os saberes (saber, saber fazer, saber ser e conviver) inerentes a situações concretas de trabalho. É um saber operativo, dinâmico e flexível, capaz de guiar desempenhos num mundo do trabalho em constante mutação e permanente desenvolvimento (Brasil, 1999a:25). Aceita-se, portanto, a maneira geral como a noção de competência vem sendo identificada na literatura internacional a partir do trio saber, saber-fazer e saber-ser78. Associa-se, porém, tal noção a uma ética da sensibilidade, a uma ética da identidade, e a uma política de igualdade.79

Os valores da identidade, da sensibilidade e da igualdade, aos quais se associa a noção de competência, explicitam a definição de paradigmas axiológicos que devem orientar a organização pedagógica e curricular da educação profissional e todas as situações práticas e ambientes de aprendizagem. São definições de princípios comuns à educação profissional técnica e ao ensino médio e são assim explicitados no parecer.

A estética da sensibilidade, princípio orientador da educação profissional, afirma valores estéticos que devem ter como parâmetros o respeito ao “Ethos profissional”. Deve significar, assim, a valorização do trabalho bem feito e acabado, relacionando-se com os

78 Para Ferretti (1999), no entanto, o documento não explicita suas referências sobre o Modelo de

Competências. Se o que o MEC pretende é fazer uma transposição de modelos, é imprescindível que ao

menos explicite qual vertente pretende adotar e com base em quais critérios, porque, de um lado, não há consenso sobre o conceito de competência e, de outro, também por conta disso, mas não exclusivamente, porque os modelos variam de país a país. (...) Na hipótese de que intenta construir um modelo próprio,

também é imprescindível que o MEC esclareça em quais referências pretende se apoiar. O esclarecimento é necessário porque, qualquer que seja a hipótese privilegiada, ele mapeia os terrenos teórico e político em que o debate e as ações deverão se situar (Ferretti, 1999:7).

79 A ética da sensibilidade, a ética da identidade, e a política de igualdade são princípios axiológicos

reabilitados do parecer 15/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, elaborado por Guiomar Namo de Melo, que define as diretrizes curriculares para o ensino médio. São definidos, portanto, como princípios comuns da educação profissional e do ensino médio.

conceitos de qualidade e de respeito ao cliente. Assume-se que a incorporação desse princípio se apresenta como respeito pelo outro e como elemento imprescindível ao desenvolvimento pleno da cidadania.

Outro valor que deve impregnar a educação profissional, a partir da ótica da estética da sensibilidade, é o respeito à diversidade de trabalhos, de produtos e clientes. Tal valor deve representar a ultrapassagem do modelo de preparação profissional pautado nos postos ocupacionais específicos, em direção a um novo modelo que requer um percurso profissional individualizado.

A política da igualdade coloca-se como um valor que deve direcionar a educação profissional no sentido da universalização dos direitos básicos de cidadania e da redução das desigualdades. A idéia de laboralidade, nesta perspectiva, é colocada como indicador de eficiência e de construção da igualdade. Entende-se, assim, que a educação profissional, se for eficaz para aumentar a laborabilidade, contribui para a inserção bem sucedida no mercado de trabalho, ainda que não tenha poder, por si só, para gerar emprego (Brasil, 1999a:20). Considera-se, portanto, que a educação profissional é determinante para a universalização do trabalho, através do desenvolvimento da laboralidade, sendo este o principal eixo da política da igualdade.

O parecer recomenda ainda que a educação profissional orientada pelo princípio da igualdade deva negar todas as formas de trabalho que atentem contra a dignidade, criticar a valorização social da pessoa como resultado de sua posição profissional e valorizar o trabalhador a partir do reconhecimento do tendencial desaparecimento da divisão técnica do trabalho. A política da igualdade na educação profissional terá, portanto, que buscar a construção de uma nova forma de valorizar o trabalho, superando preconceitos próprios das sociedades pré-industrial e industrial contra o trabalho manual e as tarefas consideradas inferiores (Brasil, 1999a:21).

Machado (1998b), ao abordar as condições de construção da democracia e de realização da igualdade, sugeridas pelo parecer CNE/CEB 15/98, afirma que nesse

documento, de onde emanam as diretrizes curriculares para o ensino médio, acredita-se que...

...tais condições seriam viabilizadas pela estética - que é o domínio do aprender a fazer; pela convivência - que é do âmbito do aprender a conhecer e pelo reconhecimento da identidade, o aprender a ser (...). Como, entretanto, compartilhar significados quando os sentidos que mobilizam as necessidades e os interesses dos sujeitos partem de motivos que se chocam e quando entre as partes que se quer “dialogantes” há desigualdades de poder e de força? (Machado, 1998b:98).

A ética da identidade, colocada como valor que deve promover a identificação do indivíduo com seu trabalho, traduz uma perspectiva individualista de profissionalização. Tal valor pressupõe a possibilidade de que o indivíduo, a partir de uma autonomia intelectual e ética constituída durante a educação básica e munido de competências, possa ter maior autonomia para gerenciar sua vida profissional, escolhendo e decidindo entre alternativas diferentes, tanto na mera execução de tarefas laborais como na definição de caminhos, procedimentos ou metodologias mais eficazes para produzir com qualidade (Brasil, 1999a:22).

A ética da identidade requer, ainda, o desenvolvimento da solidariedade e da responsabilidade do trabalhador, ao lado do respeito às regras. Sob uma visão estóica do trabalho, acredita-se que esta ética seja capaz de gerar recompensas subjetivas a quem trabalha com qualidade e assim promover a cidadania.

A ética da identidade, no testemunho da solidariedade e da responsabilidade, é a motivação intrínseca, independentemente das recompensas externas, para o trabalho de qualidade. Quem, por decisão autônoma, integra o trabalho em sua vida como um exercício de cidadania, sente-se responsável pelo resultado perante e

com sua equipe de trabalho, e diante do cliente, de sua família, da comunidade próxima e da sociedade (Brasil, 1999a:23 – grifo nosso).

A perspectiva de uma Pedagogia das Competências, nos moldes como estão colocados no Parecer 16/99, é associada, portanto, à possibilidade de a educação profissional no Brasil gerar qualidade no trabalho e respeito ao outro (cliente), através da estética da sensibilidade; de promover a redução das desigualdades, a democracia e a melhoria da vida, através do desenvolvimento da laboralidade dos indivíduos, e promover satisfações subjetivas e a cidadania, resultantes do trabalho bem feito e da identificação dos indivíduos com seu trabalho.

Aproxima-se das finalidades assumidas internacionalmente pelos divulgadores da Pedagogia das Competências que, de forma otimista, propagam que estas abordagens apresentam possibilidades de contribuição para o desenvolvimento das capacidades humanas, o progresso econômico, a redução das desigualdades, o fortalecimento da democracia e a felicidade dos trabalhadores.

Benzer Belgeler