2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.3.3. Sorun Merkezli Program Tasarımları
2.3.3.3. Sosyal Sorunlar ve Yeniden Yapılandırmacılık Tasarımı
A motivação principal para elaboração e implementação do Projeto Feira de
Matemática surgiu a partir de constatações e observações feitas pelos professores envolvidos no projeto1. Aliado a isto, vale mencionar o interesse particular dos pesquisadores em
desenvolver um trabalho junto aos professores em seu contexto real de prática docente, implementando uma proposta de ensino de Matemática que envolvesse o desenvolvimento de projetos, visando assim contribuir para melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem de Matemática.
Esta idéia surgiu de uma proposta do co-orientador desta pesquisa2 de trabalhar com
os alunos da licenciatura em Matemática na elaboração de projetos para utilização no ensino de Matemática nos níveis Fundamental e Médio. Sendo assim, ele propôs para a turma do curso de licenciatura noturno em 1999, na disciplina Laboratório de Matemática, a elaboração de “propostas de projetos para ensino de Matemática no nível fundamental e médio”; este seria o trabalho da disciplina a ser entregue no final do semestre. Como diretrizes norteadoras para realização do trabalho, o professor apresentou e discutiu com os alunos os objetivos dessas propostas, sugeriu fontes bibliográficas que poderiam ser utilizadas e ainda uma estrutura geral de apresentação do trabalho, que seria feito em duplas e os temas seriam escolhidos pelos próprios alunos.
Algumas das aulas da disciplina foram dedicadas à elaboração desse trabalho. Nesses momentos os alunos poderiam pesquisar na biblioteca, discutir o trabalho com seu par e, principalmente, aproveitar o tempo para pedir orientações do professor. Uma primeira versão do trabalho seria entregue, em data previamente determinada, e, após ser analisada pelo professor, seria devolvida para as duplas para aprimoramento a partir das sugestões indicadas e elaboração de uma segunda versão, esta definitiva.
Assim, ao final do semestre, os trabalhos foram entregues e, da idéia inicial, surge outra, desta vez para desenvolver um trabalho junto a professores do ensino fundamental e médio elaborando e implementando propostas desta natureza.
1 Trata-se dos professores de Matemática de duas escolas da rede pública de ensino do Estado de São Paulo,
ambas no município de Santa Bárbara D’Oeste.
Foi então que, em 2001, eu e outras duas alunas procuramos o professor Marcelo para nos orientar num trabalho de Iniciação Científica e, mesmo sendo ele do Departamento de Matemática, portanto não diretamente ligado à área de educação, dissemos que queríamos trabalhar com algo que envolvesse ensino de Matemática, algo que pudesse ser aplicado em sala de aula, portanto, a idéia de desenvolver um projeto em escolas vinha ao encontro de nossos interesses. Sendo assim, passamos a nos reunir com o professor para discutir essa idéia e elaborar um projeto de intervenção na escola através da implementação de propostas de projetos de Matemática as quais seriam elaboradas por nós como o trabalho de Iniciação Científica.
Logo em seguida, o professor lançou um convite para uma turma do curso de especialização, que em sua maioria era composta por professores da rede pública de ensino de Campinas e região, para que os professores interessados participassem do projeto que estava sendo planejado. Vários professores se mostraram interessados e se dispuseram a participar do projeto. Dentre eles, a maioria era da Diretoria de Ensino da região de Americana e lecionavam em escolas de Americana e Santa Bárbara D’Oeste.
O próximo passo então foi realizar uma reunião com esses professores para esclarecer quais eram as idéias do projeto e definir quais professores realmente gostariam e poderiam participar e quais escolas seriam escolhidas. Num primeiro momento havia várias escolas interessadas, em especial três do município de Santa Bárbara D’Oeste. Como não seria possível trabalhar com todas, foi feita uma primeira análise sobre as condições de implementação do projeto em cada escola (principalmente em relação à receptividade e à quantidade de professores de Matemática da escola interessados em participar do projeto) e definiram-se duas dentre as três escolas onde o projeto seria desenvolvido. Assim, tendo sido definidas as escolas e professores participantes, passou-se a elaboração de um Projeto para ser apresentado para o Programa “Melhoria do Ensino Público” da FAPESP.
O Programa de Melhoria do Ensino Público da FAPESP apóia pesquisas que tenham como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público no Estado de São Paulo. Iniciado em 1996, o Programa financia pesquisas aplicadas sobre problemas concretos do ensino fundamental e médio, em escolas públicas paulistas. Elas deverão ser desenvolvidas por meio de parceria entre instituições de pesquisa e escolas da rede pública (estadual ou municipal), visando desenvolver experiências pedagógicas inovadoras que possam trazer benefícios imediatos à escola.
De acordo com as diretrizes desse Programa, os projetos a ele encaminhados devem ser elaborados, em cooperação, por pesquisadores e profissionais vinculados às escolas. E
ainda, as várias etapas de seu desenvolvimento devem ser objeto de registro sistemático e reflexão crítica por parte dos dois grupos. O objetivo é co-responsabilizar pesquisadores e instituições pela qualidade e constante inovação do ensino público, em todos os seus níveis. A idéia é envolver tanto as instituições de pesquisa como as escolas na produção de conhecimentos que possam alicerçar o traçado de políticas educacionais de ampla aplicabilidade, e possibilitar o aperfeiçoamento da qualificação do professor na sua tarefa de contribuir para a divulgação dos conhecimentos científicos e tecnológicos contemporâneos, por meio da educação das novas gerações.
Dentro desta linha de financiamento, a FAPESP concede os recursos materiais necessários, inclusive para pequenas obras de infra-estrutura, e bolsas aos docentes envolvidos.
O Projeto “Feira de Matemática” foi então elaborado inserindo-se na linha da pesquisa-ação3, justificando-se, antes de tudo, pelas constatações e observações feitas pelos
próprios professores envolvidos.
Conforme mencionado no projeto de pesquisa, “são diversos e conhecidos os problemas e
queixas levantados pelos professores em geral, e pelos professores de Matemática em particular”4,
obviamente, vários deles, tanto de caráter estrutural e/ou pedagógico, não poderiam ser tratados no projeto, embora necessariamente tenham sido levados em consideração na elaboração e implementação do mesmo. Contudo, três desses problemas serviram como pano de fundo para sua elaboração.
O primeiro desses problemas refere-se à falta de motivação e interesse por parte dos alunos em relação à aprendizagem de Matemática. Sobre este aspecto, diversos estudos indicam uma correlação significativa entre atitudes e desempenho em Matemática5.
Reforçando a relevância desta questão podemos observar que a preocupação com as atitudes negativas em relação à Matemática, “que se manifestam no desinteresse, na falta de empenho e
mesmo na pouca preocupação diante de resultados insatisfatórios ou nos sentimentos de insegurança, bloqueio ou até em certa convicção de que são incompetentes para aprendê-la”6, é uma das principais
preocupações expressas nos PCN.
3 Cf. Action Research To Improve School Practices, Stephen M. Corey, Bureau of Publications, Teachers College,
Columbia University, Nova York, 1953.
4 Projeto Apresentado para o Programa “Melhoria do Ensino Público” da FAPESP – Julho/2001.
5 Uma revisão desta literatura pode ser encontrada em Márcia R. F. de Brito, Um estudo sobre as atitudes em relação à
Matemática em estudantes de 1o e 2o graus, Tese de Livre Docência, Faculdade de Educação, UNICAMP, 1996,
capítulo 3.
6 Parâmetros Curriculares Nacionais, Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental, Matemática, Versão
O segundo desses é o isolamento do professor em sala de aula, as poucas possibilidades de intercâmbio de idéias, de reciclagem, a solidão nas avaliações e decisões que toma quotidianamente em sala de aula. Parte destas deficiências devem-se a problemas estruturais da rede oficial de ensino: professores e até mesmo diretores não efetivos, falta de pessoal de apoio às atividades pedagógicas (coordenadores de área, orientadores pedagógicos) e outras mais. Além disso, nota-se uma falta de cultura de trabalho em equipes, uma certa alienação do processo de planejamento, as dificuldades das escolas e professores elaborarem projetos pedagógicos próprios, fruto de reflexão e avaliação contínua do trabalho desenvolvido, aspectos esses também decorrentes das próprias deficiências estruturais.
Por fim, existe uma percepção por parte dos professores envolvidos de que a Educação Matemática dá-se de forma mecanicista, baseado excessivamente na memorização e reprodução de procedimentos e algoritmos, “que seu conteúdo se resume em decorar uma série
de fatos matemáticos7”, em detrimento da compreensão de conceitos e do desenvolvimento de
habilidades (raciocínio lógico, desenvolvimento de diversos níveis de pensamento abstrato e formal).
Tendo como pano de fundo tais constatações, o objetivo do projeto foi de “atuar nas
três frentes de problemas levantados, esperando criar um círculo virtuoso de atitudes positivas dos alunos e professores, que alimente e seja alimentado por um aprendizado investigativo, significativo e
prazeroso de Matemática”8. Além de serem uma meta em si, a hipótese básica é de que
mudanças significativas nestes fatores, devem contribuir para uma evolução positiva de todos os aspectos do processo de ensino-aprendizagem em Matemática.
Em linhas gerais, o projeto surge como uma tentativa de tratar fenômenos comuns na prática escolar, seja sob o ponto de vista da vivência dos alunos como dos professores, no entanto, seguindo as diretrizes de um projeto de pesquisa-ação, dá-se ênfase ao enfoque local, a percepção de problemas nas escolas envolvidas e a busca de estratégias para tratá-los.
O título “Feira de Matemática” refere-se apenas à atividade prevista para encerramento dos anos letivos, de maneira que, a propósito, a apresentação em uma “Feira de Matemática” é uma conseqüência e podemos dizer que constitui uma coroação do trabalho desenvolvido pelos alunos ao longo do ano.
O projeto é desenvolvido como uma “oficina” de Matemática, em que as atividades são realizadas em horários complementares (em período contrário ao das aulas regulares ou
7 PCN, Ensino Médio, Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, pg. 211, MEC, 1998. 8 Projeto Apresentado para o Programa “Melhoria do Ensino Público” da FAPESP – Julho/2001.
aos sábados), em espaço próprio adaptado e equipado com materiais adequados, que chamamos de Laboratório de Matemática. Nestes momentos, os alunos desenvolvem um trabalho diferenciado, em pequenos grupos ou mesmo individualmente. As atividades desenvolvidas servem como complemento do trabalho usual do professor em sala de aula e têm dois objetivos principais:
Um deles, é contemplar as necessidades específicas, individuais, de cada aluno considerando a necessidade de aceitação da individualidade dos alunos Este aspecto é apoiado em diversas pesquisas embasadas em pressupostos teóricos que consideram a dificuldade de aceitação e tratamento adequado das diferenças entre os alunos como contribuições para o fracasso escolar. Segundo Perrenoud (1999), ao serem tratados como iguais, os alunos mais favorecidos aprendem mais e mais rápido do que os outros, o que transforma as desigualdades iniciais perante a cultura em desigualdades de sucesso na escola. Para isto, a elaboração de pequenas unidades de aprendizagem independente, cobrindo diversos tópicos, conteúdos e habilidades matemáticas, fica a cargo dos professores e monitores do projeto.
Outro objetivo das atividades específicas do projeto é o desenvolvimento de atividades matemáticas de caráter investigativo e exploratório. Esse tipo de atividades, implica num trabalho diferenciado do professor que deve assumir o papel de orientador auxiliando os alunos no trabalho de investigação, incentivando a reflexão, discussão e socialização.
Como aspecto fundamental para o desenvolvimento do projeto, foi proposta uma estrutura que visa propiciar um acompanhamento bastante próximo de sua evolução através de um intercâmbio constante de idéias entre todos os envolvidos através de encontros para troca de idéias, avaliação e re-orientação do projeto.
Tendo sido concluída a elaboração do projeto, este foi apresentado ao professores e discutido com eles e, a seguir, submetido à aprovação de financiamento da FAPESP.
Em Julho/2002 o projeto foi aprovado para ser implementado nas duas escolas definidas, dispondo para tanto de treze bolsas, sendo duas (no valor de R$ 450,00) destinadas a um professor de cada escola que atuaria como coordenador local, e onze (no valor de R$ 300,00) destinadas aos demais professores participantes. Também foram disponibilizados recursos para compra de equipamentos (computadores, impressoras, dentre outros) e materiais de consumo.
As atividades com os alunos iniciaram-se em agosto, após o recesso escolar. No mês de julho a equipe se dedicou ao planejamento e preparação das atividades do semestre durante um Seminário de Abertura.