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2. KURAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR

2.9.2. Eğitim Program Tasarımı ile Ġlgili AraĢtırmalar

2.9.2.1. Eğitim Program Tasarımı ile Ġlgili Yurt Ġçinde Yapılan AraĢtırmalar

Embora sejam inegáveis as potencialidades e vantagens da colaboração conforme apresentado na seção anterior, há que se considerar também os aspectos críticos relativos ao desenvolvimento de investigações colaborativas, ou mesmo das investigações sobre processos colaborativos. Com base em Mizukami (2003) e Boavida e Ponte (2002), queremos indicar alguns desses aspectos.

Um deles diz respeito ao desenvolvimento do diálogo crítico sobre as práticas e/ou idéias dos professores. Ao se trabalhar junto com professores, esta é uma das grandes dificuldades a serem enfrentadas, uma vez que esta prática não é usual no trabalho docente nem tampouco oportunizada pela cultura escolar e, portanto, torna-se difícil de ser instaurada.

A criação de contextos nos quais os professores não tenham resistência de se expor e partilhar problemas tem se mostrado um outro aspecto crítico. De fato, identificar contextos nos quais os professores revelem o que não sabem, exponham seus problemas, dificuldades e insucessos, que possibilitem o confronto de idéias e discutam conhecimentos tácitos, é uma

tarefa delicada e indispensável nos processos colaborativos. Do nosso ponto de vista, isto só é possível ser realizado se for criada uma parceria entre os membros do grupo, especialmente entre professores e pesquisadores de maneira que se crie um ambiente de confiança plena. Segundo Saraiva e Ponte (2003), esta parceria entre professores e pesquisadores pode admitir várias formas, sendo uma delas a constituição de grupos de professores, que podem apoiar-se uns nos outros, e o investigador assume o papel de consultor. Uma outra maneira é quando o investigador assume o papel de observador mais ou menos participante.

Outro aspecto diz respeito à dificuldade de se identificar as aprendizagens oportunizadas por esses contextos bem como os impactos gerados na prática dos professores, ainda que se utilize para isto os próprios relatos dos professores. Neste sentido, Mizukami (2003) afirma que, em geral, tem-se mais segurança em considerar indicadores de que os professores aprendem a falar em grupos, a analisar criticamente as idéias e práticas dos pares do que relacionar estes com correspondentes mudanças na prática.

Vale ressaltar ainda a dificuldade de se trabalhar com as diferenças e com a imprevisibilidade. Segundo Boavida e Ponte (2002) é necessário saber gerir a diferença, uma vez que é natural que os diversos participantes tenham objetivos pessoais próprios, prioridades e entendimentos distintos, e, por vezes, até contraditórios. Além disso, é próprio dos processos colaborativos o caráter emergente, pressupondo, portanto, a necessidade de constantes negociações e decisões. Sendo assim, constitui-se um processo dinâmico, criativo e mutável em que, muitas vezes, é necessário reconsiderar determinadas situações e até mesmo redefinir os rumos a serem tomados.

CAPÍTULO 4

Conhecendo os Protagonistas

Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.

Paulo Freire

Neste capítulo, apresentamos os protagonistas do nosso estudo: os professores com suas práticas e concepções, suas dificuldades e também seus processos de aprendizagem e desenvolvimento a partir da participação no Projeto colaborativo Feira de Matemática.

Com esta apresentação, iniciamos uma análise descritiva sobre a participação de cada professor no Projeto. Para isto, procuramos delinear brevemente sua história profissional, caracterizando-o quanto à sua formação, prática pedagógica e participação no Projeto Feira de

Matemática, buscando identificar suas concepções sobre a prática docente e suas percepções

sobre sua participação no Projeto. Para compor esta apresentação, nos baseamos principalmente nas entrevistas e utilizamos como suporte os relatórios dos professores e os registros que produzimos a partir da observação participante1.

4.1. O Professor Carlos

2

Formado em Ciências com Habilitação em Biologia, Carlos é professor efetivo da rede estadual de Ensino, leciona Ciências desde 1992 e em 2003, começou a lecionar também Matemática. Trabalha na escola em que o Projeto Feira de Matemática é desenvolvido e tem a carga completa de 33 aulas, sendo 5 de Matemática e 28 de Ciências.

1 Ao longo do texto inserimos trechos das entrevistas ou dos relatórios. Para identificar a fonte de onde retiramos

cada trecho, usaremos as seguintes siglas: para as entrevistas – Ent.; para os relatórios – Rel. . Neste último mencionamos também a data.

Ao falar de sua formação, Carlos destaca a importância de sua experiência prática para sua formação docente. De forma mais específica, ele explica que se formou na FAFICLE – Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Jales – e que ao iniciar suas atividades profissionais junto com professores formados em outras universidades, como PUC, UNESP, UNICAMP, ele se sentia diminuído, fato que se intensificou quando prestou seu primeiro concurso para professores do Estado e foi reprovado. Contudo, o professor relata que sua experiência prática foi lhe dando argumentos, foi “completando as lacunas que estavam abertas”, pois para atender as necessidades dos alunos, para responder às dúvidas e questões que surgiam em sala de aula, ele foi pesquisando, lendo e assim construindo novos conhecimentos. Sobre isto, Carlos conta-nos um exemplo:

(...) o aluno me perguntava sobre anabolizante, eu percebi que um aluno começou a tomar bomba, e aí eu fui, pesquisei sobre anabolizante, puxei na internet, trouxe o texto na classe, parei o que estava trabalhando e falei: “vamos trabalhar anabolizante, agora”. Expliquei pra eles o que era metabolismo, o que era anabolismo pra eles entenderem o quê que o anabolizante fazia, por isso que aumentava a massa e trabalhei os efeitos. Então isso você vai adquirindo coisas que o aluno vai te forçando, às vezes, a aprender. Não que você não queira ir atrás, às vezes o tempo não dá. (...) Mas esse tempo foi me dando essas argumentações. (Ent.)

Como vemos, não foi simplesmente o fato de estar em sala de aula há muitos anos que possibilitou ao professor complementar sua formação, construir conhecimentos, desenvolvendo-se profissionalmente, mas sim o fato de que sua experiência prática é caracterizada pela pesquisa, pela busca de novos conhecimentos.

Além disso, Carlos tem participado de diversos cursos de capacitação oferecidos pela Secretaria Estadual de Educação, principalmente aqueles relacionados ao uso da informática na sala de aula, não apenas de Ciências mas também de outras disciplinas. Neste caso, ele cita os cursos sobre os softwares Cherlock, da área de Português e Inglês, e o Cabri, o Fracionando e o Supermática, de Matemática.

Carlos destaca que ainda não havia aplicado, trabalhado em sala de aula com estes softwares de Matemática porque até 2003 ele não lecionava esta disciplina. Por outro lado, ele pode explorar bastante o software de Ciências, O Corpo Humano. Sobre isto, o professor descreve uma experiência que ele considerou de grande importância.

Conforme nos relata, a partir deste software ele preparou, no Power Point, uma prova para que os alunos fizessem em duplas no computador, tendo disponível o software para

pesquisar, para explorar e então buscar e formular as respostas para as questões apresentadas.

Com esta experiência, Carlos percebeu que os alunos realmente dialogavam entre si a respeito das questões colocadas o que não acontecia nas provas em papel. Segundo ele, nas provas comuns, xerocadas, não havia intercâmbio entre os alunos, geralmente nas duplas um respondia as questões e o outro permanecia calado, ou então eles dividiam as questões de modo que cada um fizesse metade da prova, enfim, não havia discussão, exploração. Já no computador, por meio do software, isto não acontecia. O professor explica que, em sua opinião, os recursos disponibilizados pelo computador, como animação, movimento, por exemplo, despertam a curiosidade e interesse do aluno:

(...) no computador isso aí viabiliza tudo né, então é fácil. Quando tem um esquema, você pode por animação no esquema, você pode movimentar. (...) Então eles se preocupam com o que? na telinha deles e aí, como tem o modelo, ali, anatômico, tem o software à disposição, eles conseguem assim ter comunicação, há um intercâmbio entre um aluno X e um aluno Y. Eu achei assim, que foi uma experiência magnífica! (Ent.)

Além de cursos dos quais participou, o professor Carlos cita também a experiência da participação em um projeto sobre sexualidade em que se trabalhou com adolescentes visando diminuir a taxa de gravidez, doenças sexualmente transmissíveis. Conforme ele nos relata, este projeto fez parte do programa de saúde sexual e reprodutiva de adolescentes que foi desenvolvido pela prefeitura de Santa Bárbara D’Oeste em parceria com a REPROLATINA, uma ONG de Campinas.

A Prática em Sala de Aula

Ao descrever sua prática em sala de aula, Carlos ressalta que a primeira coisa que faz ao começar a trabalhar com uma turma é “estabelecer uma relação de respeito” que consiste em realizar uma discussão com os alunos em que são negociadas as regras de trabalho na sala de aula. Segundo o professor, exatamente como nas assembléias realizadas nas oficinas do Projeto Feira de Matemática, eles estabelecem um contrato didático. Portanto, para ele isto não foi uma novidade no Projeto pois já fazia parte de sua prática.

Carlos justifica ainda esta sua prática mostrando a importância que ele atribui ao diálogo e à negociação para se construir uma boa relação entre professor e aluno. Segundo

ele, o professor não conquista a confiança e o respeito dos alunos impondo regras, mas conversando e respeitando seus alunos:

(...) eu penso assim, não é batendo de frente, continuando batendo de frente que você vai conquistar (...) você vai conversando, você vai respeitando e aí os alunos, a gente vai estabelecendo regras e fazendo com que eles aceitem regras e fazendo com que eles coloquem regras também. Eu acho que isto é importante, a aceitação. (Ent.)

Sobre a preparação de aula, Carlos explica que primeiramente ele pensa no conteúdo: quais conceitos serão trabalhados, se programa com relação ao tempo disponível, se haverá uma aula simples ou dupla e então determina os objetivos que pretende alcançar naquela aula. Com base nesses objetivos ele pensa no modo como deverá abordar o conteúdo planejado, de que maneira poderá relacionar os conceitos e quais atividades serão utilizadas para dar apoio à explanação do conteúdo. A partir daí, o professor ressalta ainda que é necessário adaptar-se às particularidades de cada turma, então, mesmo tendo preparado a mesma aula para várias turmas, em cada uma é necessário desenvolver uma dinâmica, ou modo de abordar o conteúdo, diferentes:

Aí a gente tem que ser um pouco versátil, porque dependendo da sala você... Assim você planeja a sua aula né, vamos supor, você vai trabalhar fração. Nessa classe aqui, a 5ª A, por exemplo, você pode trabalhar fração mais abstrato que eles pegam legal e vão adiante. Na 5ª C, por exemplo, não. Você tem que trabalhar fração e usar uma barrinha, alguma coisa. Tentar pegar o material dourado... As atividades eu dou as mesmas. Agora (...) por exemplo, nessa classe aqui eu dou atividades, mas dou atividades sozinho, cada um faz a sua e eu atendo as individualidades. Na 5ª C que é uma classe que tem um pouco mais de dificuldades, eu peço pra eles resolverem em dupla, ou em trio, ou então formam grupinhos... “Vamos discutir por quê isso aqui, o que ta acontecendo?”, entendeu? Então a gente tenta ir adequando as atividades, porque você não tem tempo pra preparar pra 8 classes... (Ent.)

Com este relato, Carlos nos mostra uma prática bastante cuidadosa e reflexiva, percebemos sua preocupação em atender às necessidades dos alunos respeitando as particularidades de cada turma. Mas ele também nos chama a atenção para um outro aspecto de sua prática dizendo que, mesmo tendo preparado a aula, muitas vezes “o improviso fica

(...) por exemplo, você vai trabalhar o corpo humano, de repente o aluno fala assim: Ah, professor, mas isso aqui como é que funciona?, Ah, eu já ouvi falar do

baço, onde é que fica o baço? Pra você dizer assim: olha o baço fica aqui, atrás

do teu estômago, do lado esquerdo... fica estranho. (...) É uma coisa que não tava no teu roteiro e aí eu peço pra um aluno e falo assim: vai na salinha tal, assim, assim, você pega o torso numa caixona grande e traz pra mim. (...) E aí você pega e desmonta, desde a caixa toráxica, você vai tirando todos os órgãos internos. (...) Então eles vão prestando a atenção, eles vão se ligando. Eles pegam as peças na mão, eles vão lá e remontam ela depois, então vai disso aí.... (Ent.)

O professor menciona ainda um outro exemplo, desta vez sobre a aula de Matemática:

(...) medida por exemplo, você vai (...) relacionar medida, ou alguma escala, [e o aluno pergunta] “mas como é que eu faço?”. Eu falo, “pera aí, vamos medir

essa mesa aqui com borracha”. É uma coisa que não tinha previsto. (...) Então eu

pego 3 alunos, 3, 4 alunos: mede com borracha essa mesa aqui. Aí vem um mede, vem o outro, vem o outro, vem o outro. Aí então a gente coloca na lousa, Oh,

3 borrachas, 4 borrachas, outro deu 8 borrachas, o outro deu 10 borrachas. Um

vai rolando a borracha na mesa, e quando você rola a borracha você perde aquele espaço a cada rolada que dá, o que dá uma diferença no final; a borracha é a mesma do João, só que a contagem final não.O porque que deu

essa diferença? Então a gente tá trabalhando isso daí. Aí eu já aproveito e dou

uma pincelada no Sistema Internacional de Unidade de Medida (...) (Ent.)

Além destes exemplos, outro aspecto da prática do professor Carlos que nos chama a atenção é a maneira como lida com as diferenças de desempenho em sala de aula incentivando a colaboração entre os alunos, conforme vemos no relato a seguir:

(...) tinha alguns alunos, como o J., a M., a R., uma turminha que era “fera” na Matemática, sabe?! Muito inteligente! Então eles terminavam muito rápido. (...) então, eu pegava eles como monitor, (...) Falava: “oh gente, quem

já terminou vai ajudando o pessoalzinho que está mais atrasado, no copiar, ou que

não ta entendendo muito bem...”. Aí iam sentando, eles iam se ajeitando, “Oh

Fulano, me ajuda aqui”. E eu passava de vez em quando pra ver se a coisa tava

andando, se tava certo, se não tava. Então eu gostava de trabalhar desse jeito aí, eles sendo monitor da classe. Eles se sentem valorizados, e o jeito deles ensinar é diferente, tem uma linguagem mais próxima do outro. (Ent.)

Entendemos que tais ações do professor Carlos em sala de aula são coerentes com a prática que ele vai descrevendo, com a forma com que prepara aula, pois ele demonstra sempre a preocupação em atender às necessidades dos alunos, em valorizar a participação dos alunos trabalhando a partir de suas questões mesmo que não tenha sido previsto na preparação da aula. Portanto, quando fala sobre o improviso ele não demonstra uma prática descuidada, a falta de reflexão sobre a aula a ser dada, mas a nosso ver revela uma sensibilidade importante em sala de aula, permitindo explorar conhecimentos, conteúdos a partir das dúvidas, das questões dos alunos, o que pode ser mais significativo para eles.

Ao falar sobre o uso do livro didático, Carlos atribui grande importância ao conteúdo expressando sua preocupação em trabalhar todo o conteúdo proposto no livro e se posiciona de forma crítica com relação ao incentivo dado à preparação do aluno para ser cidadão pois, conforme ele explica, na maioria dos casos isto leva ao esvaziamento do conteúdo. Diante disto, ele afirma que preparar o aluno para ser cidadão é prepará-lo para ingressar numa universidade, para conseguir um bom emprego, e para isto ele precisa de sólidos conhecimentos curriculares:

Essa história de que, tem que preparar o aluno pra ser cidadão , eu não gosto muito de pensar assim, porque se você pensa em trabalhar ele como cidadão, tem gente que acaba trabalhando o aluno só pra ser cidadão, mas como se uma faculdade, ou um cursinho, um... sei lá, um emprego de melhor qualidade não tivesse na perspectiva desse aluno aí, entendeu? Então eu acho assim: vamos trabalhar cidadania? Vamos trabalhar cidadania, mas vamos pegar um conteúdo e vamos “escaramuchar” esse conteúdo aí, virar ele do avesso pra conseguir fazer com que você aprenda o máximo! (Ent.)

Sendo assim, Carlos explica que o uso do livro didático nas aulas é importante pois economiza tempo e assim o permite explorar outros materiais, trazer textos sobre assuntos diversos e assim por diante. No entanto, isto é possível quando a escola tem os livros disponíveis para os alunos o que não ocorreu em Matemática nesse primeiro ano em que ele lecionou a disciplina. Neste caso, ele relata que contou com a ajuda de outros professores de Matemática que lhe davam apoio na preparação de aulas e atividades, seja emprestando livros ou mesmo dando sugestões ou opiniões sobre suas atividades.

O professor discorre também sobre suas dificuldades no ensino de Matemática comparando com sua prática no ensino de Ciências. Ele explica que, quando um aluno faz alguma pergunta em suas aulas de Ciências, mesmo não sendo relacionado ao assunto da

aula e portanto que não tenha sido previsto, ele tem um conhecimento da disciplina que lhe permite responder à pergunta do aluno abordando o assunto com diversos argumentos. E é exatamente neste ponto que ele sente dificuldades em Matemática pois não dispõe de uma base de conhecimentos mais aprofundada e diversificada. Sobre isto, ele aponta a falta de experiência no ensino de Matemática como uma razão para suas dificuldades uma vez que na disciplina de Ciências ele foi construindo um repertório de conhecimentos mais rico ao longo de sua experiência em sala de aula:

(...) por exemplo, o aluno me pergunta, “mas professor, por que às vezes chega nisso aqui? De onde surgiu isso aqui?” Então esse tipo de argumentação, às vezes, eu sinto falta disso. Em Ciências eu consegui isso de que jeito? Com a prática, doze anos lecionando Ciências. (...) em Matemática eu não tenho esses argumentos, porque eu nunca, praticamente, dei aula, eu dei aula em 2003 só. Então na Matemática eu me sinto deficiente nesse lado aí. (Ent.)

Por outro lado, Carlos menciona algumas experiências de sucesso em suas aulas de Matemática. Uma delas foi ao trabalhar com frações na quinta série. Para ele, este seria um conteúdo complicado de ser ensinado aos alunos e com isto ele esperava encontrar dificuldades principalmente quando fosse trabalhar os exercícios. No entanto não foi o que aconteceu, pelo contrário, Carlos expressa sua surpresa diante da facilidade com que os alunos resolveram os exercícios que ele havia proposto, como vemos no trecho a seguir:

(...) eu coloquei vários desenhos na lousa, recortei todos os desenhos (...) Aí pintei alguns quadros, fiz triângulos, quadros, pizzas, fiz desenhos em forma de L, tipo letras, sabe..? Pra ver se confundia um pouco a cabeça deles, pintava uns quadros assim como se fosse... quadrinhos alternados, né... e aí, vamos lá, coloca a fração em baixo de todas as figuras pintadas, o que representa do todo, né.. Ah... mas (...) não demorou 5 minutos, todo mundo estava com o exercício pronto. “Mas gente, dá pra corrigir agora?”, “Dá

professor, vamos lá.”, (...) Corrigimos e todo mundo acertou. Então a coisa que

eu achei que ia ser difícil transmitir pra eles, a coisa da fração, o conceito de fração, e eles... tiraram de letra... (Ent.)

Sobre este episódio, o professor destaca o fato de que, embora não tivesse trabalhado o conteúdo de forma sistemática, ele já havia abordado o conceito de frações nas oficinas do Projeto. Portanto, isto contribuiu para que os alunos tivessem tal facilidade em suas aulas.

Outra experiência de sucesso relatada por Carlos diz respeito aos comentários dos pais de vários de seus alunos sobre a melhora do desempenho deles em Matemática:

(...) foi muito gratificante pra mim ouvir de certos pais que... “mas professor, o

meu filho ta tirando B em Matemática, mas meu filho tirou A, na prova..!!! Mas você tem certeza?”, eu falo “mas por que o sr. tá falando isso?”, e falou assim, “não, porque meu filho..nunca ele foi bom aluno de Matemática, assim bom ao ponto

de tirar B, de tirar A!”. (...) Eu me senti satisfeitíssimo da vida, porque o pai

chegar e elogiar, e falar assim, “Oh, meu filho tirou essa nota!”, e ela falou