2. KURAMSAL VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.7. Tüketici Davranışlarını Etkileyen Faktörler
2.7.3.3. Sosyal Sınıf
Admite-se aqui que a pesquisa proposta inicialmente possui um nível de pretensão alto e que identificar e/ou medir certas condições, que seriam interessantes como parte do foco investigativo, talvez esteja fora do alcance deste estudo. Deve-se esclarecer que parte desta incapacidade descrita se deve à ausência de um suporte financeiro compatível com a necessidade de um trabalho minucioso, capaz de desenvolver uma pesquisa empírica completa, ou seja, com uma numerosa equipe de apoio para aplicação de questionários de modo eficiente (em termos de quantidade e qualidade) e que, se necessário, seria apta a “monitorar” alguns indivíduos da amostra em cada campo de atuação. Assim, haveria a possibilidade de gerar dados de qualidade (passíveis de controles “randomizados”), de prover estatísticas robustas e de obter resultados com um maior nível de confiabilidade estatística. Novamente, citando o exemplo do trabalho desenvolvido pelo Banco Mundial (2004), destaca-se a importância do
apoio financeiro e estrutural que o mesmo recebeu, sendo resultado de um esforço multidisciplinar de técnicos do Banco Mundial, do IPEA, do Banco Central e de consultores especialistas convidados junto à área acadêmica e governamental. Esta grande equipe possibilitou a aplicação de dois mil questionários em nove áreas metropolitanas e duas grandes cidades em onze estados, a conversão de tais informações em dados primários e o cruzamento dos mesmos com os dados gerados pelo IPEA, os dados agregados brasileiros e os índices principais. Contou, então, com fatores peculiares e favoráveis, os quais tiveram como resultado uma pesquisa extensa e completa naquilo que se propôs. Tendo em vista estas limitações de orçamento e equipe (as quais também podem ser consideradas como um estímulo a alternativas ousadas e inovadoras), optou- se neste trabalho por se realizar uma abordagem etnográfica (mas obviamente ainda dentro do âmbito coberto pela Economia) e, portanto, mais descritiva, embora haja a consideração de dados primários simples como forma de retratar e relacionar os fatos observados. A autenticidade da etnografia não consiste em relatar precisamente os fatos científicos e suas categorias, mas em descrever pessoas e lugares de forma convincente e real. Quer seja uma qualidade positiva ou negativa, escrever sobre pessoas não pode ser considerado unicamente científico. A honestidade com que se descreve o que se observa em campo e o que se é relatado pelas pessoas possibilita uma riqueza de informações contextuais significativa, permitindo o esclarecimento e a visualização das condições e situações, uma conexão próxima a um universo, muitas vezes, alheio aos pesquisadores em geral (aqueles não habituados ao campo). Isto, geralmente, não é possível de se obter através da análise, ainda que sofisticada, de dados secundários (Liebow,1967, Elijah,1999, Elijah, 2011). Não se pode negligenciar, também, que a investigação etnográfica aqui proposta está sustentada por uma teoria robusta que a precede, fundamentando-se na formulação de problemas segundo objetivos claros e hipóteses consistentes, caracterizando um processo científico, capaz de ser comprovado ou refutado diante das informações e dados arrecadados em campo e, consequentemente, representando a possibilidade de constituir novos conhecimentos e ou de corroborar o que vem sendo elucidado pela literatura existente (Valsiner, 2002).
A pesquisa, após o levantamento de hipóteses e suposições diante do estudo da bibliografia, bem como, o estabelecimento das principais perguntas que pautam o foco abordado e os objetivos (identificados nas seções 2.2, 2.3 e 3.1 deste trabalho), prosseguiu com a procura dos locais ideais para se realizar as visitas e entrevistas individuais. Pela falta de condições mais favoráveis, sabia-se da impossibilidade de se realizar o estudo em todos estados do Brasil. Optou-se, desse modo, por se limitar ao estado de Minas Gerais, devido à maior factibilidade de orçamento e de estrutura e ao interesse de se prestigiar a região em que se integra o Cedeplar/UFMG.
Dentro de Minas Gerais, considerou-se a capital, Belo Horizonte, da qual se verificaram as áreas e as comunidades mais fragilizadas, através de índices intraurbanos de vulnerabilidades. Assim e também de acordo com as possibilidades no que tange à segurança e à autorização das lideranças locais, decidiu-se por aplicar os questionários na comunidade “Alto Vera Cruz/Taquaril” – uma área com alto grau de fragilidade socioeconômica, pertencente a uma grande cidade, segundo o proposto originalmente como um dos objetivos deste trabalho. Ainda seguindo o planejamento inicial, utilizaram-se dados agregados e índices gerais para identificar uma pequena cidade deste estado, localizada em uma mesorregião desfavorecida do mesmo (Jequitinhonha) e que apresentasse maiores desvantagens sociais e econômicas, a cidade de Jordânia (Baixo Jequitinhonha, microrregião Almenara). Como a viagem até este local envolveu dificuldades peculiares, uma “campanha de campo” com tons de aventura, a equipe durante o trajeto considerou interessante aplicar alguns questionários em duas cidades que faziam divisa com Jordânia. Muitos moradores de Jordânia buscavam serviços e assistência de saúde em Jacinto e Almenara e isso motivou certa curiosidade sobre as condições de tais localidades, bem como o acesso e a utilização dos serviços financeiros pelos indivíduos locais.
A ideia de expandir a pesquisa para outro país surgiu diante do interesse de se observar as diversas influências que o espaço e suas particularidades (da cultura aos valores sociais presentes) podem ter sobre o acesso e a utilização dos serviços financeiros e, principalmente, como as desvantagens sociais podem determinar diferentes padrões de exclusão financeira quando as localidades
analisadas se encontram em países com graus de desenvolvimento distintos. Dessa maneira, aproveitando-se de vantagens preexistentes – a coorientação de Gary Dymski, que no momento inicial deste trabalho integrava o corpo docente da “University of California Riverside” – optou-se por realizar as entrevistas nos Estados Unidos, mais precisamente em uma área de baixa renda da cidade de Riverside (Califórnia), uma vez que seria necessária uma ambientação rápida e facilitada, além de uma forma específica de imersão no campo. Tratando-se de outro país, em que os costumes são diferentes, uma pesquisa que envolve perguntas sobre a utilização e o acesso aos serviços financeiros poderia ser considerada ofensiva pela população e, assim, a ajuda no sentido de como conduzir as perguntas de maneira menos desagradável ao público era de extrema importância (os americanos são reconhecidamente mais reservados no que se refere aos aspectos de sua vida pessoal, daí a grande necessidade de se possuir uma via facilitadora ou uma adaptação rápida e apropriada à cultura visitada). Mesmo com este fato a favor do bom andamento da pesquisa no exterior, foram necessárias duas visitas prolongadas (a primeira com duração de seis meses e a segunda com duração de um mês) à cidade de Riverside para melhores abordagem e realização das entrevistas.
Para o maior acúmulo de informações e aproveitamento das experiências em campo, recorreu-se à orientação de organizações não governamentais (ONGs) que, de alguma forma, estavam habituadas a realizar pesquisas exploratórias com entrevistas e que desenvolviam ações no intuito de ajudar indivíduos em condições de desvantagem socioeconômica, alvos de exclusão social. Através deste contato com a “Fair Housing Council” (de Riverside)14 e a “Favela é isso
aí”15 (de Belo Horizonte), foi possível compreender a forma de abordar os
indivíduos para a entrevista e a maneira de se conduzir a mesma, tarefa um tanto desafiadora quando se coloca em prática. Tomou-se conhecimento de que é necessário desenvolver uma habilidade para o improviso durante o questionário e técnicas de convencimento, sem que haja o constrangimento e o desrespeito à pessoa entrevistada - esclarecendo que o “convencer” se encaixa na parte de
14
Para uma visão mais detalhada da ONG “Fair Housing Council” vale consultar o seguinte website:< http://fairhousing.net/>.
15
Para maiores esclarecimentos sobre a ONG “Favela é isso aí” recomenda-se a visita ao website: <http://www.favelaeissoai.com.br/> e <http://www.vendooutroco.favelaeissoai.com.br/>.
convite aos indivíduos a participar do estudo através de suas respostas. Além disso, obteve-se ajuda para a imersão nas áreas a serem pesquisadas, uma vez que estas organizações auxiliaram no estabelecimento de contatos com líderes e referências locais que permitiram a aplicação dos questionários, principalmente, na comunidade de Belo Horizonte e no Instituto “Bobby Bonds”, situado no bairro pesquisado em Riverside.