BÖLÜM II Kuramsal Çerçeve
1. AB Sosyal Politikaları Kapsamında Engellilere Yönelik Yasal Düzenlemelerin Kapsamı
No âmbito jurídico, a verdade ganha grande relevo. Teorias aplicáveis em outros âmbitos passam a ser defendidas, neste meio, fervorosamente. Estamos falando, por exemplo, da distinção entre verdade material e verdade formal. Não satisfeitos em estabelecer um rol de diferenças entre elas, há quem defenda a existência de um habitat ideal para cada uma delas.
Verdade material, ou real, seria aquela que revela a efetiva correspondência entre o fato, enquanto relato linguístico e o evento, a que aquele se refere. Já a verdade formal seria aquela verificada dentro de um determinado sistema, em observância às regras deste último e que não se confunde com a verdade real.
No âmbito do direito tributário, ramo para o qual este trabalho se volta, é comum encontrar quem afirme que o processo administrativo tributário busca a verdade material, enquanto que o judicial se satisfaz com a verdade formal.
Ora, para quem enxerga o mundo por meio da linguagem, não existe outra verdade que não seja a formal. O processo administrativo tributário, a despeito de contar com uma instrução probatória mais alargada, não se desvencilha do discurso, e como não poderia deixar de ser, é neste âmbito que o fato jurídico tributário é construído e o julgador decide por autuar ou não o contribuinte, conforme se convença ou não dos fatos demonstrados pelos participantes daquela relação jurídica, mediante as provas produzidas naquele espaço.
Portanto, nas provas, através das contraposições das partes, busca-se a certeza do julgador, traduzida nos fatos comprovados.
Será verdadeiro, portanto, o fato passível de comprovação. Porém, há de se ter em mente que, em sendo a verdade retórica, esta somente é observável dentro de um sistema de referência, o qual estabelece
inclusive os critérios de prova, isto é, quais os mecanismos aceitáveis dentro dos seus limites capazes de demonstrar a veracidade de um fato.
Nesse diapasão, precisas são as palavras de Fabiana Tomé:
No âmbito jurídico, a propriedade de tal assertiva (a verdade é criada pelo ser humano no interior de determinado sistema) é facilmente verificada. O sistema do direito positivo indica os momentos em que os fatos podem ser constituídos mediante produção probatória, impõe prazos para a apresentação de defesas e recursos (tempestividade), além de estabelecer o instante em que as decisões se tornam mutáveis (coisa julgada). Com determinações desse jaez, fornece os limites dentro dos quais a verdade será produzida, prescrevendo sejam tomadas como verídicas as situações verificadas no átimo e forma legais, independentemente de suas relações com o mundo das coisas.72
Aliás, essa independência entre o mundo jurídico e o mundo das coisas é, talvez, o ponto do direito mais incompreendido pelos leigos. Os “alienígenas” do mundo normado (jurídico) não aceitam com tranquilidade as ficções jurídicas, tais como a “a ninguém é dado ignorar a lei”, mormente num país que produz normas incessantemente; não admite que alguém confesse um homicídio, mas não possa ser condenado porque o corpo não foi encontrado, dentre outras idiossincrasias dosistema legal.
É nesse sentido que Francesco Carnelutti aduz: “Isso significa que o confessor declara não para que o juiz conheça o fato declarado e
aplique a norma tão somente se o fato é certo, senão para que determine o fato tal como foi declarado e aplique a norma prescindindo da verdade.”73
E Fabiana Tomé arremata: “Provar, de fato, não quer dizer demonstrar a verdade dos fatos discutidos, e sim determinar ou fixar formalmente os mesmos fatos mediante procedimentos determinados.” 74
Ao falarmos em verdade no âmbito jurídico, não estamos ignorando que a sua função de linguagem preponderante é a prescritiva, em que os seus códigos são “válido” e “não-válido”, diferentemente da função descritiva, que qualifica suas proposições como verdadeira e falsa.
Assim o fazemos, por entender que os enunciados prescritivos se expressam em conformidade com os enunciados descritivos sobre os quais se voltam. Logo, a validade de uma norma individual e concreta deve estar para a veracidade do evento por ela relatado.
A professora Fabiana Tomé defende que a verdade seja metafísica, uma vez que é insusceptível de apreciação pelo método das experiências. Por conseguinte, considera ser impossível se dizer quem está falando a verdade, ainda que todos falem em nome dela.
Dentro de uma visão retórica da verdade, pensamos que tal problema resolve-se pelo consenso. Isto porque, acreditamos que as verdades se constroem dentro de um dado sistema e a partir das regras
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Tratado de las pruebas judiciales, p. 4. Apud TOMÉ, 2005, p. 34.
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estabelecidas mediante consenso. Estas é que dirão o que é verdade naquelas circunstâncias.
Até porque, se é em nome da verdade que todos os participantes do discurso jurídico se manifestam e defendem os seus argumentos, a verdade passa a ser um pressuposto lógico da comunicação. Em face das múltiplas verdades apresentadas, o Direito determina qual o caminho para se chegar à verdade, entendendo-se como tal aquela que o próprio sistema estabelece como prevalecente.
Daí porque o professor Paulo de Barros afirma: “para o alcance da verdade jurídica, necessário se faz o abandono da linguagem ordinária e a observância de uma forma especial. Impõe-se a utilização de um procedimento específico para a constituição do fato jurídico”75
No nosso ordenamento jurídico-constitucional, dentre outras regras materiais e procedimentais, temos por premissa que ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça (quando em razão da matéria, as regras processuais não permitam que o processo vá além) cabem a última palavra sobre toda e qualquer pendengajudicial. Logo, são tais Cortes as donas da “verdade jurídica”, quer as aceitemos, individualmente, ou não.
Todavia, ainda na toada das ideias defendidas acima, mesmo os senhores da verdade “absoluta”, por a construírem no âmbito
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CARVALHO. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 11a. Edição. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 357.
linguístico, podem alterá-las, ao longo do tempo. Mudam-se as circunstâncias, mudam-se as verdades, ainda que os suportes físicos, com base nos quais aquela foi construída, permaneçam intactos.
No âmbito do Direito Tributário, inúmeras são as demonstrações dessa mudança de posicionamento das Cortes Superioras brasileiras, ou em outras palavras, dessa alteração do que venha a ser verdade para elas, como por exemplo, quanto ao direito ou não ao crédito de IPI quando da aquisição de insumos tributados com alíquota zero.
Assim, considerando as premissas aqui estabelecidas acerca da verdade é que pretendemos analisar alguns julgados das Cortes Superiores pátrias, em que se vislumbre a mudança de posicionamento sobre um mesmo tema, corroborando com a ideia aqui defendida de que a verdade/validade de uma norma é mutável, ainda que os seus fundamentos legais permaneçam inalteráveis.