BÖLÜM II Kuramsal Çerçeve
Madde 45. Mesleki eğitim programlarına girişte uygulanan mevzuat gözden geçirilmeli, öğrenci seçimi, mesleğin gerektirdiği özelliklere göre
XVII. Milli Eğitim Şurası: Aralık 2006’da toplanan Milli Eğitim Şurasında alınan kararlar incelendiğinde, Özel Eğitim kapsamında engellilere
Como dissemos no primeiro capítulo, apesar de não resumirmos a retórica à arte de persuasão, não podemos deixar de reconhecer que esta é uma das ou, para alguns, a mais, importante finalidade do uso retórico.
O vocábulo persuadir vem do latim persuadere, ou seja, da junção do prefixo “per” que quer dizer “por meio de”, com “suadere” que exprime a ideia de aconselhamento. Com base nisso o professor Roberto da Freiria Estevão conclui: “persuadir significa levar o interlocutor a crer, a acreditar e a aceitar um ponto de vista com o uso da habilidade, da argumentação, sem coação.”79
Apesar de vulgarmente usarmos esses dois vocábulos como sinônimos, para alguns, filosoficamente, persuadir, não se confunde com convencer, o primeiro significa fazer crer e o segundo significa fazer compreender.
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Nesse sentido, Perelman afirma: “Para quem se preocupa com o resultado, persuadir é mais importante do que convencer, pois a convicção não passa da primeira fase que leva à ação.”80 E, acrescenta, adiante: “Em contrapartida, para quem está preocupado com o caráter racional da adesão, convencer é mais do que persuadir. Aliás, ora essa característica racional da convicção depende dos meios utilizados, ora das faculdades às quais o orador se dirige.”81
Apesar de estabelecer essa distinção, Perelman termina por concluir que na prática esta distinção é sempre imprecisa e assim deve permanecer.
Os autores que os diferenciam, como Henriques afirmam que: “Convencer é o primeiro passo, o érgon, tem por objetivo esclarecer, fazer compreender, conscientizar. Persuadir é um passo a mais, a enérgeia, que leva ao ato, ao resultado e tem por objeto conduzir, levar a fazer.”82
Tomando essa orientação porbase, podemos concluir que, no Direito, não basta convencer, há que se persuadir para que o jurisdicionado possa cumprir o que prescreve a norma. Porém, bem sabemos que, no nosso ordenamento tal persuasão é presumida, em face das ficções jurídicas que nos são impostas.
80 PERELMAN, 2005, p. 30. 81 Idem, p. 30. 82
HENRIQUES. Antonio. Argumentação e discurso jurídico. São Paulo: Editora Atlas, 2008, p. 37
Ademais, o ato de interpretar as normas jurídicas, assim como todo e qualquer texto, consiste na construção de definições persuasivas, à medida que o intérprete não se contenta em simplesmente construir uma norma a partir de um dado suporte fático, ele pretende convencer as pessoas que a sua versão é a que a melhor “resolve” aquele conflito.
Partindo do ponto de vista que aqui adotamos em relação à linguagem como construtora da realidade, não há outra forma de persuadir senão por meio do discurso. Corroborando com esta assertiva, diz o doutrinador acima citado:
De fato na realidade social, todo indivíduo, independentemente da classe social, busca com constância meios de persuadir a outrem e o faz com o emprego da argumentação retórica, ainda que “ao acaso”, ou seja, sem ter consciência do emprego dessa arte.83
Perelman para atestar a automaticidade com que usamos diariamente o nosso dom da persuasão, afirma: “Em geral, procura persuadir ou convencer e, com esse intuito raciocina – na acepção mais ampladeste termo – administra provas.”84
Aristóteles e Quintiliano dividiram a retórica em três gêneros: o demonstrativo (discurso laudatório ou epidítico), o deliberativo (discurso político) e o judiciário (discurso forense), tomando como pressuposto que para cada auditórionecessita-se de um discurso diferente e, por conseguinte,
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HENRIQUES, 2008, P. 164.
de técnicas persuasivas distintas. A nós nos interessa apenas o judiciário, uma vez que é nesse ambiente que desenvolveremos a nossa pesquisa. Este tem como funções acusar e defender e tem como “auditório”o magistrado ou o tribunal que decidirá num processo judicial.
Apesar de não nos interessar, no momento, estudar cada um desses tipos de discurso, até porque como se verá adiante, nos ateremos mais à possibilidade de intercambiaridade dos discursos, do que propriamente à forma de construção dos discursos que os convencerão, sabermos da sua existência nos mostra a necessidade de ressaltar que para se alcançar o convencimento, há de existir a disposição do interlocutor para ouvi-lo, ainda que esta disposição seja imposta por ficções legais.
Com isso queremos dizer que, se não há conformação entre orador e ouvinte, não há solo fértil para que a persuasão se perfaça.
Como diz Perelman, o objetivo da teoria da argumentação é estudar técnicas discussivas que permitam provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses que se lhes apresentam ao assentimento. Em outras palavras, busca-se persuadir e em última instância alcançar o consenso.
Para a professora Maria Celeste dos Santos, a persuasão vai além da argumentação, porque não se dirige apenas à razão, mas atinge a totalidade do ser, no sentido heideggeriano da palavra. O ser encerra uma amplitude de possibilidades. Daí porque se diz que a persuasão atinge o
pathos, pois, como afirmamos anteriormente, este elemento está vinculado ao
ouvinte ea possibilidade de fazê-lo aderir ao discurso do orador.
No intuito de avaliar o grau de persuasão da sua teoria da argumentação, Perelman e Tyteca apresentam três espécies de auditórios:
O primeiro constituído pela humanidade inteira, ou pelo menos por todos os homens adultos e normais, que chamaremos de auditório universal; o segundo formado no diálogo, unicamente pelo interlocutor e a quem se dirige; o terceiro, enfim, constituído pelo próprio sujeito, quando ele delibera ou figura as razões dos seus atos.85
Tendo em mira as nossas premissas de que o consenso é sempre parcial por questões temporais, espaciais e contextuais, discordamos da ideia de auditório trazida pelos autores acima e principalmente da sua tripartição, primeiro porque, se o objetivo desta distinção é a demonstração da obtenção do acordo, o auditório universal não existe, uma vez que é impossível a obtenção do consenso nessa amplitude, logo, inútil é a sua previsão, ainda que em condições ideais; segundo porque, se acreditamos que a realidade se constrói na intersubjetividade, o auditório formado pelo indivíduo isoladamentetambém não tem a menor serventia para os fins aqui estabelecidos.
Tais ideias se mostram ainda mais dissonantes com as nossas premissas, quando nos deparamos com a seguinte passagem da obra de Perelman:
“Uma argumentação dirigida a um auditório universal deve convencer o leitor do caráter coercivo das razões fornecidas, de sua evidência, de sua validade intemporal e absoluta, independentemente das contingências locais ou históricas.”86
Como já deixamos claros que não cremos em qualquer assertiva válida intemporalmente e independentemente de sua contextualização, não podemos concordar com tal assertiva.
O empenho para se chegar ao consenso vem da certeza de que por estarmos submersos em um ambiente linguístico não há como se alcançar verdades absolutas. Portanto, o máximo da harmonia possível (ainda que formal) é a adesão de uma comunidade acerca de uma dada tese, mesmo que a referida adesão possa ser fictícia, como se dá no âmbito jurídico.
Assim, o que gera o consenso entre dois interlocutores não é a coincidência entre o que se fala e o objeto sobre o qual se comunica, mas o encontro daquilo que umindivíduo fala com aquilo que o outro fala. Diferentemente pensava Kant para quem: “a verdade repousa no acordo com o objeto e, por conseguinte, com relação a tal objeto, os juízos de qualquer entendimento devem estar de acordo.”87
Antonio Enriques, chamando consenso de acordo, afirma que “Para que se efetive o acordo, são necessárias três condições: (1) legitimidade: quem argumenta deve estar revestido de autoridade; (2)
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Idem, p. 35.
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credibilidade: o orador/falante deve ser levado a sério; (3) persuasão: o auditório deve aceitar a argumentação.” 88
Deve-se ressaltar, outrossim, que a necessidade de consenso não se apresenta apenas em relação às conclusões do discurso. Os integrantes da ação comunicativa têm de estar em consonânciatanto com as premissascomo com as regras que conduzirão a discussão.