BÖLÜM II Kuramsal Çerçeve
2. AB Sosyal Politikaları Doğrultusunda Türkiye’de Engellilere Yönelik Yasal Düzenlemelerin Kapsamı
por objeto a retórica realista, tem forte inclinação pragmática, no sentido de buscar analisar linguisticamente o discurso, enquanto ação comunicativa. Voltar-se para este âmbito da linguagem é buscar debruçar-se sobre a comunicação humana, a forma como está altera a realidade, na medida em que a constrói e a reconstrói infinitas vezes e, ainda, os efeitos que os discursos e as suas cambiaridades geram nas expectativas normativas construídas pelos indivíduos. Porém, sem nos esquecermos que o nosso propósito é jurídico e não exclusivamente linguístico, razão pela qual faremos um estudo jurídico ao nível do discurso.
Nesse universo linguístico, é o discurso que põe o sistema comunicacional em movimento, sem ele não há ação comunicativa, por conseguinte não há sociedade, pois como dissemos em capítulos anteriores a realidade se constrói intersubjetivamente.
4.2. Elementos e funções do discurso
Para analisarmos os elementos e funções dos discursos76, faz-se mister que tenhamos em mente que a compreensão é
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Por se tratar de um trabalho de cunho pragmático e jurídico, não pretendemos analisar as possíveis distinções entre o discurso geral e o jurídico, como o fez Alexy, trataremos nesse
condição de possibilidade do discurso. Se este não pode ser entendido, ensinado e repetido não há que se falar em situação comunicativa.
Todo discurso é composto por um orador que propõe a ação linguística, um ouvinte a quem é dirigido esta ação e o objeto da discussão, sobre o qual os referidos participantes se voltam. O orador se apresenta com a pretensão de autoridade, a fim de ser compreendido e convencer o ouvinte. Já este último é alvo da influência do primeiro.
É importante que se diga que estes papéis não são estanques e podem se intercambiar ao longo de um mesmo discurso.
Sob a concepção de Perelman e Tyteca, a discussão tem por finalidade “provocar ou acrescer a adesão dos espíritos às teses que se apresentam ao seu assentimento”77.Assim, a discussão se organiza sob a ótica do orador, o qual tem por fim primário a conquista da adesão e, por conseguinte, o consenso das partes implicadas. Sob essa visão, a fundamentação de cada ação linguística se reduz à estratégia do consenso, o que faz despontar o ideal de verdade, justiça etc, como eterna discussão e do consenso universal como critério de legitimação.
É neste sentido que Perelman e Tyteca constroem a ideia de auditório universal, como se este fosse uma construção do orador. Tal
capítulo dos discursos de um modo geral, até porque não identificamos qualquer influência destas distinções no tema que pretendemos abordar.
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PERELMAN. Chaim. LucieOlbrechts-Tyteca. Tratado da argumentação: a nova retórica. Trad. Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. 2a ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p.
visão, enfraquece a bilateralidade da comunicação, como ressalta Tércio Sampaio Ferraz Junior, com quem concordamos.
A nosso ver, o ouvinte não pode ser considerado mero ‘objeto’ que o orador quer conquistar, à medida que aquele é alguém com quem este interage, gerando um conflito prático, a ponto de a sua intervenção poder alterar o rumo da discussão previamente traçada pelo orador.
Sob essa ótica bilateral, deve-se reconhecer que nem todo discurso implica uma justificação que efetivamente se realiza, mas requer sempre a sua prova. A função da fundamentação e da justificação não consiste apenas na obtenção do consenso, mas se presta, principalmente, ao controle da discussão.
A concepção do discurso como um embate (na melhor acepção da palavra) formado por sucessivas ações e reações releva o aspecto pragmático do discurso. Assim sendo, os termos racional, irracional, verdadeiro e falso são experimentados no ato de fala, dentro do discurso.
Por fim, dentre os elementos do discurso, o objeto da discussão, não menos importante que o orador e o ouvinte, consiste em uma ação linguística que deve ser compreendida. Portanto, a não apreensão do objeto do discurso compromete a sua própria existência, pois, como dissemos, não há uma sem a outra.
À medida que quem fala deve provar o que diz, o discurso passa a ter natureza fundamentante. Nesse sentido, é possível se
questionar, não só o ato de fala, como também o seu fundamento e até os fundamentos dos fundamentos. O que gera uma alta complexidade do discurso.
Além de ser fundamentante, o discurso pode, no âmbito pragmático, exercer as seguintes funções:
i) Sintomática: expressa sensações e sentimentos do orador para o ouvinte. Tal função é vista sob o enfoque do orador. Por meio desta função, é que o provocador da discussão revela o que sente e assim tenta persuadir o ouvinte;
ii) Sinal: Contrariamente, esta função parte do ouvinte para o orador, diz respeito aos efeitos que o discurso produz no ouvinte, de modo que se convencido pelo orador, poderá mudar de atitude e agir em consonância com o pretendido por quem fala.
iii) Estimativa: esta se volta para o objeto do discurso, a fim de qualificar a discussão, como boa, inútil, verdadeira, complexa etc. Por meio desta função, é que Aristóteles distinguia os discursos judiciário, deliberativo e demonstrativo.
Tomando em conta a maior ou menor participação dos integrantes do discurso, este pode ser classificado da seguinte forma:
i) Dialógico:
Sob o viés pragmático conferido a este estudo, não compreendemos qualquer discurso que não seja dialógico, dada a sua inerente bilateralidade. Todavia, a depender do grau de interferência dado ao ouvinte, o discurso pode ser classificado como dialógico, ou diríamos, plenamente dialógico, ou como monológico.
Na modalidade dialógica, o orador não é apenas um proponente do discurso, mas também um partícipe da discussão, no sentido de se expor na situação comunicativa.
Neste formato, a função sintomática é desempenhada em sua plenitude, haja vista a completa exposição do orador que se mostra tal como é. Ao mesmo tempo, em face do dever de prova que lhe é imposto o orador torna-se responsável por aquela ação linguística. Neste cenário cabe a imagem utilizada por Habermas, de que o orador não é um Theorós, ou seja, aquele que assiste ao espetáculo sacro, mas sim alguém convidado a intervir.
O que distingue este tipo de discurso do monológico é que, tanto o orador quanto o ouvinte, devem ser levados em conta dentro da mesma situação linguística, devendo estabelecer para si próprios as regras que estruturarão a discussão.
A dialogicidade do discurso faz com que seu objeto seja um dubium, o que significa dizer que se está diante de uma situação
complexa, com múltiplas possibilidades, conflituosa e, por conseguinte, na qual não há consenso, justamente pela participação ativa do ouvinte que pode se contrapor ao orador.
Por conseguinte, ele tem natureza reflexiva, o que permite aos participantes pôr em dúvida o próprio objeto do discurso.Daí porque se diz que, neste panorama, a complexidade se apresenta não só em relação às alternativas, mas também em relação à própria situação objeto da discussão (auto-complexidade). A partir do dubium, não é possível se deduzir a sua solução, daí porque se diz que ele não constitui um axioma.
As estratégias utilizadas por essa modalidade de discurso baseia-se na Teoria dos jogos. As regras do diálogo, o pressupõe como uma relação sem fim, com uma certa flexibilidade das próprias regras, que podem ser mudadas por meio da interpretação. A sua principal estratégia funda- se no Topos. Os topoi servem de repertório para os participantes do discurso traçarem as suas estratégias de persuasão. Os topoi conferem ao discurso dialógico certa historicidade, à medida que refletem o momento situacional em que ele se dá, dele se alimentando formal e materialmente, embora sem nele se encerrar, já que sempre se renova.
São dois os tipos de diálogos: a discussão-com e a discussão-contra:
a) Discussão-com: Orador e ouvinte são homólogos na busca pela “verdade” 78. Discutem um com o outro “racionalmente” na busca da “verdade”, a fim de produzir consenso entre as partes, embora este seja sempre instável.
b) Discussão-contra: Orador e ouvinte são heterólogos. Ambos defendem as suas opiniões. Eles não querem convencer, mas persuadir o adversário. Instala-se o conflito, o qual consiste numa incompatibilidade que exige decisão. A discussão-contra é um discurso decisório, um modo racional de discutir que visa a tornar questões indecidíveis em questões decidíveis.
ii) Discurso monológico:
Apesar de termos dito anteriormente que todo discurso é essencialmente dialógico, em alguns o ouvinte não está habilitado a intervir ou participar diretamente, razão pela qual diz-se que discursos dessa jaez são monológicos. Diversamente do diálogo, neste a atitude do ouvinte é a de Theorós, isto é, daquele que assiste ao espetáculo sagrado. Porém, ao contrário do que possa parecer, a atitude passiva do ouvinte também é decisiva para o discurso.
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Mantendo as premissas estabelecidas em capítulos anteriores, ao falarmos de verdade estamos nos referindo a verdade alcançada pelo discurso, como tal consensual, temporária e contextualizada ao ambiente em que se encontra.
Neste ambiente, o orador é livre para estabelecer suas regras, devendo respeitar apenas o princípio da não-contradição. Todavia, tal liberdade, faz com que tanto o orador, quanto o ouvinte e até a própria ação linguística sejam abstraíveis, perdendo o discurso a sua função sintomática acentuada, à medida que aquele não espelha o seu emissor.
No modo monológico do discurso as dimensões pragmáticas e semânticas se tornam secundárias em relação à sintática, daí a aparente a-historicidade, atemporalidade a-espacialidade.
O objeto do discurso monológico se qualifica como um certum. Nessa hipótese, apesar de, em princípio, se apresentar uma série de possibilidade de discussão, estas se reduzem a duas possibilidades do ponto de vista do ouvinte, ou este impugna o que o orador diz ou a admite.
Assim, nesta espécie de discurso, além do dever de prova, a regra é que se a participação do ouvinte é limitada, toda ação linguística ou é justificável ou refutável. Se é justificável, não pode ser atacada pelo ouvinte; se é refutável, não pode ser contraposta pelo orador. Leva-se, então ao princípio do tertium non datur (ao contrário do discurso dialógico).
Seja dialógico ou monológico, o discurso é que constrói a realidade, por tal razão é que o professor Tércio costuma afirmar em suas aulas que não há nenhuma possibilidade de verificação da relação entre o discurso e a realidade, isto é, sob um ponto de vista extralinguístico.
Sob o ponto de vista dos planos comunicacional, torna-se possível dividir o discurso em três planos: horizontal, vertical e da relevância. A comunicação se dá no plano horizontal, quando duas pessoas em igualdade de condições estabelece um contato e se compreendem mutuamente. Nesse momento, o ato comunicativo divide-se em dois planos: o que está dentro e o que está fora da comunicação.
A comunicação nesse padrão horizontal limita-se espacial e temporalmente, haja vista que todo ato de fala é seletivo e se organiza de modo a incluire excluir alguns signos. Tais regras de inclusão/exclusão são de gêneros variados, tais como, gramaticais, de concordância.
O discurso também se organiza hierarquicamente, de modo que certos discursos se colocarão acima ou abaixo de outros a depender do ambiente em que ele é proferido (mais culto ou menos).
As relações de inclusão/exclusão e de hierarquia depende de uma terceira díade, que aparece também na comunicação e é fundamental para ela, que é a díade do claro/escuro. Por sua natureza seletiva, ao discursar o orador realça determinadas informações e deixam outras de lado (no escuro). É esse último binômio que dá ao discurso a noção de espacialidade, em que a hierarquia e a noção de inclusão/exclusão entram em harmonia, formando um conjunto regulado que se denomina língua.
Vê-se, destarte, que não há como se desvencilhar do círculo inescapável da linguagem. Pode-se ter diferentes níveis de linguagem, de
modo que um se dirija a outro, como se fossem camadas, mas fora da linguagem não há realidade.