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O início da carreira foi descrito pelas entrevistas como algo difícil, cada uma elencou pontos que marcaram que foram importantes para o começo da atuação como professora.

Carina diz que seu ingresso na rede municipal foi difícil devido ao fato de ter entrado para substituir uma professora que estava assumindo outra turma no meio do ano letivo, e, portanto ela deveria dar continuidade ao trabalho iniciado por outra professora.

A dificuldade estava no fato dela não saber direito o que trabalhar embora a docente anterior tivesse deixado o que deveria ser dado, mas o fez de maneira superficial e rápida.

Para Maria o ingresso foi complicado devido a questões referentes à sua sede de trabalho, pois seu cargo era em São Paulo, capital, e também por ela possuir outro emprego e família em uma cidade do interior do estado, muitas angústias devido a esta fase de transição, o depoimento se deu com certa dose de emoção por parte da entrevistada.

A professora acima citada, diz ainda que seu início de carreira acarretou problemas como excesso de peso que ela carrega consigo, diz também ter sofrido preconceitos com relação à assumir uma sala, ouviu coisas como “Não, você não vai pegar a primeira série porque você não tem capacidade de pegar a primeira série”.

Maria define seu primeiro ano de atuação como o primeiro ano do resto de sua vida. Ana teve seu ingresso em uma sala multisseriada que se situava na zona rural de sua cidade, onde havia em uma mesma sala alunos de quatro a sete anos.

Eu fiquei louquinha porque eu não sabia como fazer, o que fazer com aquela sala que era minúscula e tinha 37 alunos, com as carteiras pequenas para os alunos de seis e sete anos e eu tinha que dar conta, tinha que me virar para poder dar conta deles.

Ao se deparar com as dificuldades Ana, cogitou a possibilidade de desistir da carreira, demonstrando o desespero ao entrar em contato com a sala de aula, com os alunos, este fato tem relação com o “choque de realidade”, que fala acerca do contato com o real, após ter visto a teoria dos bancos acadêmicos, nas palavras de Esteve (1999, p. 109) refere-se ao choque de realidade como “colapso das idéias missionárias forjadas durante a formação de professores, em virtude da dura realidade da vida quotidiana da sala de aula”.

O fato de Ana ter como primeira experiência uma sala multisseriada, reflete outro entrave que o iniciante enfrenta no caso a sala é complexa, composta por vários alunos, em diversos níveis de aprendizagem e ate de idade mesmo, ou seja, é uma sala difícil que nenhum outro professor quer e essa responsabilidade recai então naquele que está iniciando, nas palavras do autor:

O professor novato sente-se desarmado e desajustado ao constatar que a prática real do ensino não corresponde aos esquemas ideais em que obteve a

sua formação, sobretudo, tendo em conta que os professores mais experientes, valendo-se da sua antiguidade , os irão obsequiar com os piores grupos, os priores horários , os piores alunos e as piores condições de trabalho. (ESTEVE, 1999, p. 109).

Depois deste período Ana entrou para lecionar em uma escola de nível estadual onde havia cursado sua escolarização, há o relato de que o fato de conhecer a escola foi um fator positivo, porem não havia um conhecimento aprofundado no que diz respeito ao funcionamento estrutural da instituição.

Um aspecto interessante e que foi relatado pelas professoras foi o primeiro dia de atuação, elas contaram livremente o que havia na memória.

Este dia, narrado pelas professoras foi descrito com detalhes, as três lembraram-se do que sentiram, de como estavam vestidas e de acontecimentos que ocorreram durante o transcorrer do dia e uma fala foi comum entre as três, a “o que eu faço agora?” e outras contando sentimentos particulares como:

[...] agora essa classe depende de mim e eu tenho que fazer o meu melhor, mim e eu tenho que fazer o meu melhor por que eu tenho que fazer o meu melhor pra não prejudicar a turma, só pra privilegiar não pra prejudicar, então foi uma responsabilidade e uma auto cobrança. PROFESSORA CARINA.

Eu tinha, muito medo de não fazer direito, chegar lá e dar aula por dá, explicar por explicar , ou não ensinar nada pra ninguém, não falar nada com nada, aquele professor que só passa copia e cai na mesmice, eu não sabia o que fazer. PROFESSORA MARIA

Será que eles vão gostar de mim? Como serão meus alunos, bateu uma insegurança por não saber o que eu iria encontrar isto já quando eu entrei no Estado. PROFESSORA ANA.

A professora Maria diz não ter dormido no dia anterior à sua “posse”, devido à ansiedade, ficou imaginando com que roupa ir, qual seria a reação dos pais.

Bom, como eu sou muito ansiosa, eu não dormi eu me lembro que no primeiro dia eu estava pensando como eu vou olhar para os pais dos meus alunos, nossa não tenho nem tamanho de professora, com essa cara aqui, acho que eu vou comprar um guarda-pó... é melhor né ... é mais chique, professor, guarda pó , vou comprar um apagador bonitinho, uma malinha assim de lado, um caderno, tipo , vou de saia ou vou de calça?Professor tem que ir bem arrumado, não dormi a noite inteira por conta desse dia.

Ana conta um fato inusitado, enquanto ela esperava por seus alunos uma mãe perguntou quem seria a professora e ela respondeu que seria ela mesma, Ana percebeu certo olhar de desconfiança, pois segundo ela as pessoas esperam como professora alguém mais velho.

Carina, Maria e Ana, durante ao falar sobre o início da carreira disseram que esta aconteceu em meio a muita insegurança, Carina a todo o momento enfatizava que ainda estava começando, que no inicio se sentia insegura, isto se deve conforme aponta Guarnieri (2005) dentre outros, ao fato de que as iniciantes alegam não possuir conhecimentos de natureza prática ao saírem da faculdade.

Benzer Belgeler