A história do grupo fundador da GOL será apresentada para auxiliar a compreesão da proposta de atuação da empresa. O grupo Áurea começou em 1949, na cidade mineira de Patrocínio, quando Constantino de Oliveira, conhecido como “seu Nenê” adquiriu seu primeiro caminhão, que virou jardineira, e que virou ônibus, criando a primeira linha que ligava Patrocínio a Belo Horizonte. Ao longo dos últimos 50 anos o grupo Áurea consolidou-se como o maior grupo nacional de transporte terrestre de passageiros. Em 2005, o grupo era composto por 37 empresas urbanas, intermunicipais e interestaduais com mais de 6 mil ônibus que transportam em média 36 milhões de passageiros/mês e emprega cerca de 25 mil pessoas, com faturamento superior a 1 bilhão de reais.
O setor de transporte rodoviário, sem o status do setor aéreo, tem no controle de custos o coração da empresa. O limite entre lucro e prejuízo é muito pequeno, exigindo estreito controle sobre custos e receitas. Além disso, a possibilidade de fraude por parte de motoristas e cobradores é grande.
Conforme Revista Exame, seu Nenê guardou a idéia de montar uma empresa aérea amadurecer durante trinta anos, até chegar a hora:
"Em 1970, eu comprei um jatinho SkyLane e passei a prestar atenção na aviação. Hoje, eu posso dizer que entendo de avião. A Gol vai oferecer a tarifa mais baixa do mercado. Vamos evitar entrar no vermelho. E vamos ficar com preços à altura do povo brasileiro" (Arnt apud Binder, 2003).
Segundo Tarcísio Gargioni, Vice-presidente de Marketing e Serviços da GOL, a empresa nasceu da idéia do “Seu Nêne”, que sempre desconfiou que seria possível vender passagens aéreas a preços inferiores aos oferecidos pelo mercado aéreo nacional. Em 1998,
o grupo começou a estudar a possibilidade de ingressar no Ramo do Transporte Aéreo Regular, tendo sido avaliada a possibilidade de aquisição da Transbrasil, que não se concretizou.
Em 1999, com boas perspectivas e com o crescimento do PIB o grupo decidiu começar a operar por meio da criação de uma nova empresa. A possibilidade de queda no faturamento do setor de transporte rodoviário, especialmente em trajetos mais longos, foi outro fator que contribuiu para o ingresso do grupo no setor aéreo, conforme declaração de Constantino de Oliveira Jr:
“As vendas de passagens de ônibus têm caído 8% ao ano, pois as pessoas compram carros novos ou usados e viajam a curta distância com eles. Já as vendas dos bilhetes aéreos crescem a cada ano” (FSP,9 jun. 2000).
Outro dado importante era o perfil de passageiros do transporte aéreo nacional. No Brasil, 31 milhões de passageiros foram embarcados no ano de 2000, dos quais 6 milhões eram usuários, ou seja, passageiros que utilizaram transporte aéreo mais de uma vez naquele ano. Isto apontava para concentração de público em 6 milhões de pessoas, implicando exclusão de contingente populacional expressiva do mercado de transporte aéreo.
Previamente à criação da empresa aérea foi elaborado plano de viabilidade e plano de negócios, contratando-se executivos para realizar a estruturação da empresa.
O grupo de executivos contratados em 1999/2000, constituem anualmente (2006), o grupo diretivo da empresa, todos apresentando larga experiência no setor de transporte aéreo. Entre os atuais (2006) vice-presidentes da GOL estão Wilson Maciel Ramos, ex- vice- presidente de informática da VASP, vice-presidente de tecnologia e gestão da GOL, David Barioni Neto, comandante da VASP durante 19 anos, vice-presidente técnico da GOL, Tarcísio Gargioni, com 35 anos de experiência no setor de transporte, como vice-
presidente de marketing e serviços. E, como presidente da empresa, Constantino de Oliveira Junior, filho do “seu Nenê” e ex-responsável pelas operações rodoviárias do Grupo Áurea no Estado de São Paulo.
Foram elaborados diagnósticos sobre mercado, custos, objetivos e simulações do tamanho ideal da GOL, surgindo perfil baseado nas melhores marcas (benchmarkings) internacionais. Para estruturar a GOL, o grupo executivo contratado realizou visitas às principais empresas mundiais denominadas low cost, low fare. Cabe notar que o fenômeno destas empresas é mundial e está relacionado ao aumento acentuado dos custos da aviação. E, no mundo todo já havia empresas bem sucedidas neste segmento do mercado aéreo.
A americana Southwest Airlines, a maior e mais antiga empresa de low cost, low fare inspirou a idéia de frota unificada, serviço de bordo mais simples e vôos diretos. A companhia inglesa EasyJet, inspirou a idéia de terceirizar muitas atividades e com a JetBlue americana juntamente com a Ryanair irlandesa inspiraram elevado grau de informatização das operações.
As características das principais empresas de baixo custo e baixa tarifa visitadas pelos executivos da GOL foram adaptadas à realidade brasileira, diferente da realidade na quais, estas companhias operavam. Por exemplo, a Southwest voa de aeroportos secundários para cidades médias, o que, no Brasil, corresponderia a um vôo do aeroporto de Viracopos, em Campinas, para Presidente Prudente, no interior de São Paulo. Na Southwest não existe conexão na própria empresa de modo que para voar um trecho que envolva mudanças de aeronave, o passageiro compra dois bilhetes e é responsável pelo transporte de sua bagagem de uma aeronave a outra. A forma de operação GOL com muitas conexões entre vôos curtos exige a realização de conexões internas e a responsabilidade de translado da bagagem é da empresa aérea.
Segundo especialistas em mercado aéreo e executivos da GOL, entrevistados, cinco fatores impulsionaram a entrada da empresa no mercado aéreo brasileiro naquele momento (janeiro, 2001):
b) crescimento da demanda (relacionada ao crescimento do PIB); c) perfil dos passageiros transportados;
d) desregulamentação do setor;
e) concorrência frágil economicamente.
Quanto ao comportamento do consumidor, pesquisa encomendada pela GOL indicou as seguintes características do mercado:
a) compra da passagem aérea é racional;
b) existe baixo envolvimento emocional na compra da passagem; c) marca não constitui fator preponderante na escolha da companhia; d) conveniência para comprar é fator importante, e
e) preço e horário têm peso importante na escolha.
Segundo executivos da GOL, estes resultados mostravam que o mercado havia mudado.