Em janeiro de 1995, Fernando Henrique Cardoso assume a Presidência da República, em situação de estabilidade da moeda, o que tornava mais coerente a relação
entre as tarifas cobradas no mercado interno e os custos de operação, em dólar, da empresa. Estas condições facilitaram o planejamento e o crescimento da TAM.
Em 1995, diante do crescimento vertiginoso no mercado interno, e visando a expansão internacional, a TAM comprou a LAPSA, Linhas Aéreas Paraguaias, rebatizando- a de TAM Mercosul.
No mesmo ano, a empresa substitui os 7 aviões Fokker-27 por 10 aviões Fokker-50, que possuía a mesma capacidade de transporte de passageiro, mas cujo espaço interno possibilitava aperfeiçoar o serviço de bordo. Os Fokker-50 eram mais modernos, confortáveis e econômicos, tanto em manutenção, como em consumo de combustível.
Em maio de 1995, o comandante Rolim, nesta época já considerado um ícone do empresariado nacional, dá entrevista à revista Exame (Exame, edição digital, 1995). Algumas passagens desta entrevista revelam sua filosofia de trabalho:
“Nas outras companhias há muita gente que entende de avião. Na TAM, há muita gente que entende de passageiro”.
“Nada substitui o lucro”.
“Nosso crescimento tem limites. Iremos até onde nossa expansão não prejudique a qualidade dos nossos serviços”.
“Quer ser melhor, cobre preços mais altos que os concorrentes”.
“O desconto seria fatal para a qualidade dos nossos serviços”.
“É a força do exemplo, as pessoas que trabalham comigo vão querer fazer também”.
Em 1996, o programa de milhagem da TAM recebeu medalha de prata no festival de Nova York e a revista Airline Business, considerou-a a empresa aérea mais rentável do mundo. Operava em 96 cidades e possuía uma frota de 96 aeronaves.
Em 1996, a empresa holandesa Fokker elegeu a TAM a melhor operadora de aviões Fokker-100 no mundo. E a TAM concorria com empresas como a American Airlines. Tal prêmio mostra que além da preocupação com o serviço existia preocupação com a eficiência operacional da empresa.
Em 1996, Wagner Canhedo, controlador da VASP vendeu para Rolim a participação desta empresa na TAM. Na ocasião, a participação da VASP, que inicialmente era de 33,3% havia declinado para 3,3% e foi vendida por R$ 10 milhões.
As relações entre a VASP e a TAM foram sempre tumultuadas. Durante períodos de inflação elevada a TAM repassava à VASP receitas que lhe cabiam sem efetuar correção monetária o que levou a VASP mover processo contra a TAM. Posteriormente, a TAM lançou novas ações sem a devida comunicação à VASP. Os anúncios de assembléia de acionistas eram publicados pela TAM, onde “ninguém via”, segundo um ex-executivo da VASP entrevistado. Isto levou à queda da participação da VASP na TAM.
Com vistas à expansão internacional em 1995, a TAM contrata Rubel Thomas. A missão do ex-executivo da VARIG era auxiliar na formação de rotas internacionais e, inicialmente, assumiu a direção da TAM Mercosul. Rubel Thomaz também negociou o code-share da TAM com a AirFrance, segundo o qual a TAM transportaria os passageiros da AirFrance para outras cidades brasileiras a partir de São Paulo e Rio de Janeiro. E, no futuro, a AirFrance faria o mesmo com os passageiros da TAM para outras cidades da Europa a partir de Paris.
Em 1995, o governo abriu licitação para 100 linhas internacionais. Devido à situação financeira das outras companhias, a TAM recebeu 92 linhas. Quatro vôos semanais para a França, sete para a Espanha, 14 para o Uruguai, 14 para os EUA e 35 para a Argentina.
Em fevereiro de 1995, a revista Air Transport World elege a TAM a melhor empresa aérea do mundo. Para comemorar este premio, Rolim, ao seu estilo “barulhento”, cria estilização especial comemorativa para a sua nova aeronave adquirida, o 29o Fokker- 100, pintando-o de azul, inscrevendo Number One no casco do avião.
Em agosto de 1995, a FOKKER, empresa holandesa que fabricava os aviões utilizados pela TAM encerra suas atividades. No setor aéreo, ter aviões de uma empresa que encerrou as atividades traz uma série de problemas, entre os quais, fim do suporte técnico direto e de melhorias operacionais nas aeronaves, bem como maior custo e dificuldade de manutenção.
Em outubro de 1996, o Number One cai próximo ao aeroporto de Congonhas, matando 91 passageiros e cinco tripulantes. Todas as companhias aéreas nacionais já haviam tido acidentes com grande número de vítimas, mas o acidente com o avião da TAM ocorreu dentro da cidade de São Paulo e foi transmitido ao vivo pela televisão. Cenas chocantes, que normalmente ficam restritas a equipes de salvamento e resgate, entraram no ar em horário nobre nacional.
Nas primeiras duas semanas após a queda do avião a ocupação da TAM cai pela metade e, nos três meses seguintes, cerca de 10% das comissárias pedem demissão da empresa. Mesmo assim, a empresa apresentou lucro nesse ano e seis meses após o acidente, a ocupação das aeronaves e o valor das ações da empresa superaram os valores precedentes a queda.
Em 1997 a TAM estabelece o code-share com a American Airlines em vôos para os EUA. A lógica do acordo era a TAM funcionar como uma extensão dos vôos da American Airlines que chegavam ao Brasil e vice-versa. Inclusive, os programas de milhagens foram compartilhados e passaram a ter a mesma característica.
Em junho de 1997, após anos de forte crescimento no mercado interno, e também após a tragédia de outubro de 1996, o TAM recebe o prêmio de empresa do ano, concedida pela revista Exame. Neste mesmo ano realiza a compra de cinco aviões Airbus A-330-320,
no valor de US$ 450 milhões, e estabelece opção de compra de outras cinco aeronaves com a Airbus.
Em março de 1998, a TAM fecha a compra de mais 38 aeronaves da Airbus e, em 10 de dezembro de 1998, inaugura sua primeira linha internacional, São Paulo – Miami. Em 9 de junho, do ano seguinte, a TAM inaugura a linha internacional São Paulo – Paris. Segundo especialistas do mercado, a negociação da TAM com a Airbus teve como pano de fundo o adiantamento em dinheiro por parte da Airbus para a TAM, cerca de 15% do valor dos contratos. Este fato não foi confirmado pelos entrevistados da TAM.
Em 1998, enquanto as empresas brasileiras vinham crescendo 6% em média no mercado de aviação, a TAM crescia 30% ao ano. E, mesmo com a forte guerra de preços no setor, a TAM foi a única empresa a ter lucro, ainda que pequeno, de US$ 20 milhões.
Em janeiro de 1999, o governo brasileiro desvalorizou o Real em cerca de 100%, o que acarretou queda na rentabilidade dos vôos nacionais com o aumento dos custos em dólar e redução da ocupação dos vôos internacionais.
Em 2000, o cartão de fidelidade da TAM atingiu 800 mil participantes, com 1 milhão de bilhetes distribuídos. E a TAM monta seu parque de manutenção na cidade de São Carlos, interior do estado de São Paulo, visando reduzir seus custos com manutenção.
Em setembro de 2000, 24 anos após sua fundação oficial, a TAM ultrapassa a VARIG15 no mercado doméstico de passageiros, tornando-se a primeira empresa do Brasil. E, entra o ano de 2001 com cerca de 8 mil funcionários, faturamento de cerca de US$ 1 bilhão, dez anos de lucros consecutivos, transportando 1,5 milhão de passageiros por mês e possuindo 98 aparelhos, dos quais 58 eram jatos.
De certo modo, o crescimento da TAM na década de 1990 foi proporcionado pela fragilidade financeira pela qual passavam as grandes empresas aéreas nacionais. Inicialmente, as três maiores empresas não prestaram muita atenção na TAM, pois estavam brigando entre si: a Transbrasil e a VASP lutavam no mercado doméstico depois do
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A TAM ultrapassa a VARIG individualmente. A VARIG somada a Rio-Sul e Nordeste ainda era líder e é ultrapassada pela TAM em 2001.
desastre de suas incursões nas rotas internacionais, deixando-lhes pesadas dívidas. E a VARIG sofria perdas no mercado internacional devido aos novos competidores internacionais que passaram a atuar nas rotas para o Brasil. Na metade da década de 1990 quando as empresas aéreas nacionais se deram conta, a TAM havia se transformado em uma das maiores e mais rentáveis empresas aéreas nacionais. Era uma empresa sem dívidas, cobrava por seus bilhetes um preço mais alto que seus competidores e explorava linhas com alta demanda. A TAM era uma empresa consolidada e com escala e custos para brigar pelo mercado nacional.