1.3. Psikolojik Güçlendirme ve Örgütsel ÖzdeĢleĢme EtkileĢimi
1.3.2. Alanyazın Taraması
Desde sua fundação, a VARIG teve boas relações com o Governo. Inicialmente, conseguiu apoio do governo do Estado do Rio Grande do Sul com empréstimos e vantagens. A seguir, desenvolveu forte relacionamento com o presidente Getúlio Vargas, gaúcho e, mais tarde, com Juscelino Kubitschek. E Ruben Berta tornou-se figura pública nacional. Com os governos militares, a VARIG também estabeleceu excelente relacionamento.
As palavras de um dos entrevistados neste estudo, com mais de trinta anos de atuação no mercado aéreo, em empresas concorrentes da VARIG ilustram bem as relações entre esta e o governo:
“Durante muito tempo no Brasil a única forma de competição no mercado, era a competição pelos favores governamentais. E a VARIG sempre ganhava tudo, era tudo para a VARIG, as outras empresas ficavam com as migalhas que sobravam da VARIG”.
O comandante Rolim, da TAM, segue na mesma linha. Em declaração dada ao jornal Folha de São Paulo em 1989, Rolim afirmou ter dito ao diretor do DAC, na época:
“Se o governo não parar de controlar tanto a aviação comercial, eu sugiro que ela toda seja entregue à VARIG, que é a melhor de todas” (FSP, 11 mai. 1989).
Vale ressaltar, como foi apontado anteriormente, que a regulamentação, bem como os incentivos à aviação comercial no Brasil constituíram instrumentos de desenvolvimento do país. E como o governo sempre interferiu no setor, não só a VARIG, mas qualquer companhia aérea teria problemas de crescimento e desenvolvimento, caso não mantivesse bom relacionamento com esferas governamentais.
Entre o Presidente Getúlio Vargas e a VARIG, existia forte ligação. A empresa contribuiu na campanha presidencial de Vargas, transportando-o e a diversos políticos ligados a ele. O resultado desta relação fica claro com o depoimento de Nero Moura (Moura, 1996), Ministro da Aeronáutica na época:
“Em um dos primeiros despachos que tive com Getúlio, o presidente disse: ‘O Berta ajudou muito na campanha, e eu gostaria que você olhasse com simpatia as pretensões da VARIG atendendo-o de boa vontade’” (Moura, 1996).
Alguns dias depois, Ruben Berta bateu à porta do ministro Nero Moura solicitando rotas internacionais, inclusive para Nova Iorque, já prometida à Cruzeiro do Sul. A VARIG obteve estas rotas.
Em 1955, Juscelino Kubitschek foi eleito Presidente da República e, em janeiro de 1956, a VARIG transportou-o para extensa viagem ao exterior, percorrendo EUA e Europa. A VARIG ofereceu a viagem a Juscelino e Ruben Berta, juntamente com os diretores da empresa acompanharam o presidente (Bordini, 2000). Nesta época, Ruben Berta contratou Erik de Carvalho que, além de experiência adquirida na Panair com a operação de rotas internacionais, tinha excelente relacionamento com os políticos de Brasília (Fay, 2001). Érik de Carvalho também acompanhou a comitiva de Juscelino. Na volta, a VARIG trouxe assinado um acordo de cooperação com a empresa aérea alemã Lufthansa.
O relacionamento de Ruben Berta com o governo de Juscelino Kubitschek levou-o a ser convidado para ser Ministro da Agricultura, convite que recusou para continuar à frente
da VARIG. A Fundação Ruben Berta descreve a relação de Ruben Berta com o governo da seguinte forma:
“Com os sucessivos governos brasileiros (Ruben Berta) discutiu, sempre leal e francamente, desde rotas, tarifas e subvenções para a aviação comercial até os problemas da inflação e as diretrizes da política agrícola”
(www.fbrpar.com.br , acesso em 30/03/2006).
No final da década de 1950, a VARIG passou por dificuldades financeiras e foi socorrida pelo governador gaúcho Leonel Brizola. Desde este episódio, Brizola recebeu passe livre para voar nos aviões da VARIG (Fay, 2001).
O transporte aéreo dos presidentes brasileiros em viagens internacionais virou regra na VARIG a partir de Juscelino Kubitschek. Segundo Monteiro (2000), a VARIG sempre procurou posicionar-se como a empresa aérea do país. Procurava criar a imagem de uma empresa oficial. Veja abaixo uma transcrição do relatório anual da empresa neste sentido:
“(em) toda a sua profundidade, é esse reconhecimento extensivo ao nosso Governo que, desde a salvadora Revolução de março de 1964, achava-se voltado para a inadiável obra de criar, no Brasil, as condições básicas e autênticas para o desenvolvimento sócio-econômico, em ritmo acelerado e auto-sustentável, como síntese perfeita da ‘grande tarefa nacional’ que hoje a todos os brasileiros cabe executar. E em meio a este panorama de uma Nação que procura desenvolver-se à altura da grandeza de seu território, de sua tradição e de seu povo, não poderia a VARIG faltar com seu esforço e colaboração em sua importante área de atividade: o transporte aéreo” (Relatório Anual 1971 : 5, apud Monteiro, 2000).
Este posicionamento, a favor do governo militar e de empresa do país, posteriormente, em 1973, um decreto do Governo Médici garantindo exclusividade à VARIG em vôos internacionais por 15 anos. Desta forma, o governo oficializou o monopólio da VARIG nas rotas internacionais que cabiam ao Brasil.
Em declaração do presidente da VARIG, Hélio Smidt, ao jornal “O Globo” constata-se que a empresa procurava atender algumas demandas do poder executivo. Sobre a ampliação das linhas para a África, que não eram rentáveis para a empresa, o executivo declara:
“Às vezes uma nova linha não seria interessante do ponto de vista operacional, contudo, a VARIG leva em consideração o significado que isto têm para o país. O poder de decisão tem de ser rápido para que novos mercados sejam consolidados” (O Globo, 11 maio 1980).
Em outubro de 1980, um vôo da VARIG vindo de Nova Iorque efetuou um pouso extra em Brasília, oficialmente justificado aos passageiros como “razões de Estado”. Tratava-se do desembarque do Ministro da Economia, Ernani Galvêas. Um comandante veterano analisou a situação como:
“Nada mais nada menos do que o reflexo do estado de subserviência das empresas aéreas diante das autoridades governantes em todos os escalões. Sendo uma concessão de serviço público, elas acabam dependendo das boas graças do governo, por isso concedem privilégios e aceitam todas as imposições, fenômeno que só ocorre no Brasil, porque só aqui as empresas de aviação civil são controladas e manobradas pelo Ministério da Aeronáutica” (OESP, 10 out. 1980).
O apoio do governo foi um importante elemento para o crescimento e consolidação da VARIG como a mais importante empresa aérea do país e uma das mais importantes do mundo: chegou a ser a décima segunda maior empresa aérea do planeta.