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SONUÇ, DEĞERLENDİRME VE ÖNERİLER

A Textologia Contrastiva começou a se desenvolver devido a certo enfraquecimento que a Linguística Contrastiva estava sofrendo no final da década de 70. Isso porque a Linguística Contrastiva priorizava as comparações fonológicas e gramaticais; os fenômenos transfrásticos, ligados ao âmbito do texto, eram observados de maneira insuficiente por essa disciplina. Pöckl (2005: 199) faz uma retrospectiva dos fatos e lembra que, enquanto alguns segmentos da Linguística Contrastiva (sobretudo nos níveis fonético/fonológico, morfológico e lexical) tiveram um desenvolvimento pouco significativo durante esses anos, os estudos contrastivos que tinham textos (ou, mais especificamente, gêneros) como base de investigação

31 Es gibt innerhalb der Muster Elemente des Normativen als Handlungsorientierung, und es gibt

abriram um campo de pesquisa bastante fértil, porém não sem antes passar por um período inicial pouco produtivo.

O autor lembra também que, por outro lado, a Linguística Textual já não contava mais com o mesmo impulso, uma vez que as regras de textualidade propostas eram vistas como universais pela maioria dos estudos e esses não abordavam (ou abordavam apenas ocasionalmente) divergências específicas de cada língua no âmbito dos elementos linguísticos constituintes do texto. O mais comum nessa disciplina eram as tentativas de descrever os gêneros ou exemplares de textos do ponto de vista gramatical, semântico e pragmático de maneira absoluta, sem contar com especificidades trazidas por cada língua (SPILLNER, 1981: 239); apenas em poucos casos, alguma investigação trazia o contraste interlinguístico de constituições textuais ou convenções textuais marcadas pela cultura nos gêneros. Spillner (1981: 239) atribui a até então ausência de estudos contrastivos na Linguística Textual à ideia de que, no âmbito do texto, não seria possível encontrar tantas diferenças quanto a nível fonológico e gramatical. O autor corrige esse equívoco, afirmando:

Entretanto, se a linguística contrastiva investiga diferenças linguísticas em todos os níveis linguísticos, do fonema à frase, é pouco provável que no nível do texto deveriam ser encontradas apenas semelhanças. Aqui, dever-se- ia contar com tipos de contraste mais complexos e, sobretudo, com um espectro maior de variações resultado de convenções estilísticas.32

Com a nova concepção do texto como unidade de sentido subordinada a um propósito comunicativo, ficou ainda mais difícil continuar com pesquisas em Linguística Contrastiva limitadas aos níveis hierarquicamente menores, e também com pesquisas em Linguística Textual voltadas apenas para critérios de textualidade universais. Diante dessa nova situação, Hartmann (1980: 31) conclui: “nós temos visto que a análise do discurso sem comparação é tão incompleta quanto uma análise contrastiva sem uma base textual” 33. Daí surge a

possibilidade de combinar a Linguística Contrastiva com a Linguística Textual, dando início às pesquisas de Textologia Contrastiva.

Segundo Pöckl (2005: 200-201), o conceito de Textologia Contrastiva foi cunhado no final dos anos 70 por dois pesquisadores – Hartmann (1981; 1980) e Spillner (2005, 2002, 1981) – ao mesmo tempo, sem que um tivesse contato com o outro. Como consequência

32 Wenn jedoch die kontrastive Linguistik auf allen sprachlichen Ebenen vom Phon/ Phonem bis zum Satz

Sprachunterschiede ermittelt, ist es wenig wahrscheinlich, dass auf Textebene nur Gemeinsamkeiten aufgefunden werden sollten. Eher wäre hier mit komplizierteren Kontrasttypen und allenfalls mit einer durch Stillkonventionen bedingten größeren Variationsbreite zu rechnen.

33 we have seen that discourse analysis without comparison is as incomplete as contrastive analysis without a text

disso, o conceito foi definido diferentemente por eles, o que gerou duas linhas de pesquisa distintas: Hartmann (1981; 1980) propunha uma descrição teórica da Textologia Contrastiva, enquanto Spillner (2005, 2002, 1981) buscou criar as bases para uma análise empírica dos gêneros; entretanto, “ambos enfoques reivindicam a análise dos contrastes linguísticos a nível textual e o estudo das convergências e divergências de gêneros textuais em dois ou mais culturas” 34 (FERNÁNDEZ, 2007: 150).

Para este trabalho, não será eleita uma abordagem ou outra para compor o quadro teórico sobre Textologia Contrastiva e a metodologia de análise (no capítulo 3), mas será incorporado o que é relevante em cada uma delas, visto que ambas trazem contribuições importantes para a disciplina, e não há tanta literatura disponível sobre o assunto.

O principal objetivo dessa nova disciplina é identificar se as variedades funcionais correspondentes de duas ou mais línguas diferem significativamente e, em caso positivo, mostrar como as respectivas diferenças se manifestam em cada uma. Com isso, pretende-se criar uma espécie de descrição interlingual das diferenças registradas nas fronteiras entre as línguas, como na Linguística Contrastiva. Entretanto, esse contraste deve ser feito a partir de textos e Hartmann (1980: 33) esclarece:

Cada língua tem uma leve distribuição diferente de variedades, de acordo com a situação de uso, e é tarefa do ‘analista contrastivo’ caracterizá-las em termos de categorias linguísticas (fonologia, gramática, léxico) e dimensões comunicativas (modo, campo, função, formalidade).35

Como exemplares de um gênero, os textos não são constituídos apenas por regras linguístico-textuais, mas também por características ligadas a outros níveis linguísticos. Spillner (1981: 242-243) observa que a comparação de textos deve contemplar tanto os processos linguístico-textuais quanto os fenômenos linguísticos que caracterizam aqueles textos como exemplares de um gênero. Por esse motivo, é necessário diferenciar Linguística Textual contrastiva (ou linguística contrastiva do texto) de Textologia Contrastiva, que é o que será feito neste trabalho: enquanto a primeira compara exclusivamente processos e regras linguístico-textuais entre as línguas, a segunda faz uma análise contrastiva em todos os níveis linguísticos das características de determinado texto pertencente a um gênero textual.

34

ambos enfoques reivindican el análisis de los contrastes linguísticos a nível textual y el estudio de las convergencias y divergencias de géneros textuales em dos o más culturas.

35

Each language has a slightly diferente distribution of varieties according to situation use, and it is the task of the contrastivist to characterize them in terms of linguistic categories (phonology, grammar, lexis) and communicative dimensions (mode, field, role, formality).

Hartmann (1980: 34) parte desse fato para delimitar os componentes da Textologia Contrastiva, segundo sua própria percepção: “Há poucos precedentes para como um modelo de Textologia Contrastiva deve parecer e que aspectos da estrutura linguística ele deve incorporar, mas parece razoável nesse momento ampliar esquemas já existentes ao invés de criar estratégias completamente sem testes”. 36Tendo como base a linguística estruturalista do século XX, o autor propõe que um modelo adequado de textologia contrastiva seja composto pelas seguintes dimensões: pragmática textual, sintaxe textual e semântica textual (HARTMANN, 1980: 36).

O componente pragmático se ocupa das diversas formas, nas quais os discursos/textos se correlacionam com as variedades funcionais. Por meio desse componente, a Textologia Contrastiva levará em consideração informações sobre a função, o tema e o conteúdo do discurso. A fim de definir quais aspectos devem ser observados do ponto de vista da pragmática, Hartmann (1980:36) cita Wilss (1977b) e sua check-list, desenvolvida para propósitos tradutórios, mas passível de ser aplicada com adaptações aos textos analisados: Quais são as intenções do falante?, Qual é o conteúdo temático da mensagem?, Qual é a reação esperada por parte do ouvinte?

Já o componente sintagmático se relaciona com as diferentes maneiras que as ‘porções’ sucessivas de discurso se agrupam em sequências para formar textos completos. O objetivo é relacionar a conectividade entre as sentenças com a coesão e a composição textual.

Por sua vez, o componente semântico se ocupa das diferentes formas pelas quais a informação referencial é distribuída ao longo dos outros elementos constitutivos do texto, ou seja, da estruturação do conteúdo. Nesse caso, o ponto de partida seria a análise das polaridades tema/rema, sujeito/predicado ou tópico frasal/desenvolvimento.

As contribuições que os resultados das pesquisas em Textologia Contrastiva podem trazer para outras áreas do conhecimento e para as atividades linguísticas indicam que esse é um campo promissor. Spillner (1981: 240) comenta que a Textologia Contrastiva é uma importante disciplina de apoio para a Linguística aplicada, a prática de tradução e a didática do ensino de línguas estrangeiras. Ainda de acordo com esse autor, as investigações contrastivas no nível do texto têm um grande valor também para a Linguística teórica como complemento à Linguística Textual, devido à possibilidade de diferenciar quais regras de

36 There are very few precedents for what a contrastive textology model should look like and what aspects of

linguistic structure it should incorporate, but it seems reasonable at this stage to extend existing rather than device completely untried schemes

textualidade são universais e quais se deixam influenciar mais por especificidades linguísticas e culturais, por exemplo.

Para este trabalho, interessa especificamente como a Textologia Contrastiva pode ser um instrumento para ajudar a resolver problemas práticos de comunicação intra ou intercultural. Hartmann (1980: 42) cita como exemplo mais importante disso o problema dos estilos nacionais para a comunicação intercultural:

Esse rótulo se refere normalmente ao grau de similaridade ou diferença entre sistemas linguísticos inteiros, que fica em algum lugar entre os dois polos extremos da correspondência universal e da relatividade radical. 37

Segundo o autor, identificar os estilos nacionais não pode ser uma atividade realizada apenas com base na presença ou ausência de certos padrões gramaticais ou lexicais em determinada língua, mas deve ser orientada também por uma comparação sistemática das convenções textuais.

O planejamento linguístico também é beneficiado pelos resultados das pesquisas em Textologia Contrastiva. De acordo com Hartmann (1980: 45), o planejamento linguístico é “uma gama de afirmações linguísticas e extralinguísticas criadas de várias maneiras para influenciar (ou ocasionalmente frear) a mudança linguística em benefício da comunidade” 38.

O uso linguístico deve ser analisado nos diferentes níveis (morfológico, semântico, sintático, pragmático) e por diferentes ângulos. Mesmo quando o interesse é pelo planejamento de uma língua específica, “uma descrição comparativa do registro intralingual é essencial, mas uma análise contrastiva interlingual de diferenças no registro além da língua é tão importante quanto” 39 (ELLIS; URE, 1974 apud HARTMANN, 1980: 44).