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SONUÇ VE ÖNERİLER

Belgede KABUL VE ONAY SAYFASI (sayfa 70-77)

No Capítulo I – segunda parte - buscou-se apresentar ao leitor as referências que compõe a minha trajetória como artista criador no campo das artes cênicas imbricadas com ações enquanto gestor público refletindo diálogos que se formaram desse encontro. No segundo capítulo, procurei contextualizar o tempo-espaço em que se insere a pesquisa, buscando delinear um panorama da relação arte/cidade, tangenciada por determinadas abordagens históricas e pela dança.

A seguir temos como desafio tratar de um objeto de arte tendo a destreza acadêmica como instrumento. Transformar em texto processos artísticos permeados de afetos, subjetividades, declínios, projeções e intuições é um trabalho quase hercúleo, inquietante e instigante. Lanço-me nesse desafio tendo a certeza de que a escrita deixará expostas as derrapadas do percurso, o que acredito ser condizente com o atual degrau que ocupo enquanto artista/educador, mas de onde é possível perceber a temática entre as portas que se abrem para o mundo e principalmente pelas janelas que me fazem olhar o mundo sob novas perspectivas, desfrutando de outras brisas, de outros entardeceres.

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Neste terceiro capítulo, busco como ferramenta o exercício contínuo de aproximação e afastamento do objeto da pesquisa para minimizar as circunstâncias passionais que podem se construir como territórios movediços, instáveis. Proponho reflexões sobre o processo de montagem, (des)montagem13 e (re)montagem do espetáculo ―Anjos d’Água.‖ Essas reflexões

figuram como epicentro da pesquisa que pretende apontar elementos circunstanciais, técnicos e criativos que servirão de guia para as encruzilhadas e adensamentos que o estudo apresenta, convoca e projeta. Como metodologia para descrição do processo, recorri inicialmente às minhas memórias do espetáculo, avivadas pelo fato de o trabalho ser ensaiado periodicamente pelo grupo desde sua criação em 2010. Para dar objetividade a esta descrição, que se inicia na dinâmica do mostra-esconde da memória, lanço mão de consultas e análises do acervo de registros e arquivos produzidos no perídio de 2010 a 2013. Para dar suporte à análise foram utilizados: a) fotografias: Como a finalidade de registro documental, o espetáculo reúne 280 fotografias produzidas por Rogério Vidal, Cida Perfeito e Jorge Henrique Paul, nas cidades mineiras de Uberlândia, Araguari, Patos de Minas e Tupaciguara; b) vídeos: São observadas três versões de vídeos, realizadas em momentos diferentes do processo de apresentação do espetáculo, sendo o primeiro da temporada de estreia em 2010, com 1h07 de duração produzido pela Reta Produções Videograficas, o segundo da segunda temporada em Uberlândia em 2011, com 28h12, produzido pela Making Off Br Produções e o último registro da apresentação de 2013, com 1h12, produzido Pela Digiteca Filmes, sendo todas as filmagens realizadas em Uberlândia; c) Textos de jornais: quatro matérias e duas críticas veiculadas nos jornais Correio de Uberlândia, Gazeta do Triângulo e Correio Patense. d) Entrevista: Analisadas nessa pesquisa a entrevista da Profª Ana Carneiro Pacheco14 – UFU e sete depoimentos dos bailarinos que fizeram uma retrospectiva do processo de criação. Os pontos relevantes desses materiais e que são referendados nessa pesquisa estão presentes nos anexos da pesquisa, sendo apropriados e valorados como fonte legítima de pesquisa e como respiro poético.

13O termo desmontagem é trazido para essa pesquisa como uma analogia aos processos científicos e industriais que para melhor analise de um objeto, separam suas partes, identificando similaridades, paralelismos e oposições. Desmontagem é um termo que apensar de ser original dos processos industriais é amplamente utilizado para definir análises de processos cênicos, principalmente na dança contemporânea na qual as múltiplas possibilidades de diálogos e intercessões tornam as obras cada vez mais complexas, críticas e reflexivas. Não é da competência dessa pesquisa chamar esse debate, porem considero importante situar o leitor que nossa intenção é utilizar o termo (des)montagem como uma possibilidade de partir o todo para compreender suas partes,

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Além desses recursos de registro documental, o trabalho continuado com o grupo TerraCotta por meio de cinco encontros semanais, me possibilitou ter sempre à mão os próprios bailarinos como colaboradores da pesquisa, considerando o envolvimento deles no processo criativo desde a concepção do trabalho. Envolvimento este que se confunde com o processo de desenvolvimento artístico e pessoal de cada um deles e demonstra a possibilidade de tornar o trabalho artístico um campo de territórios compartilhados. Essa condição, que considero ser privilegiada, apresenta duas formas para o encaminhamento da pesquisa que precisam ser ponderadas. O fato da proximidade com o espetáculo, por meio do trabalho diário com os bailarinos, pode comprometer a análise distanciada do objeto, ressaltando elementos em detrimento de outros e enfatizando processos pessoais em relação ao todo da obra. Esse fator pode de alguma forma, tendenciar o olhar sobre a pesquisa. Entretanto, essa mesma situação apresenta aspectos positivos, pois evidencia o dinamismo do processo de pesquisa, que assim como nas ações de reelaboração do espetáculo para os diferentes espaços das praças das cidades pode ser empreendido na reelaboração da escrita do espetáculo. Resultantes distintas, mas que partem do mesmo objeto: o espetáculo ―Anjos d’Água‖.

Por meio dessa proximidade com a obra e com seus agentes – bailarinos, produção e técnicos – é possível confrontar as minhas memórias e escolhas sobre os aspectos criativos do espetáculo bem como estabelecer uma análise compartilhada do processo criativo, enriquecendo o trabalho com impressões variadas dos envolvidos no processo. Outro recurso metodológico utilizado na fundamentação da escrita dos textos desse capítulo, e que considero importante destacar, é a consulta online que fiz aos bailarinos por meio das redes sociais. Não é possível precisar a quantidade dessas entrevistas, pois foram feitas em situações informais e os assuntos relativos ao espetáculo eram pinçados em meio a outros assuntos pessoais ou mesmo da administração do grupo. Principalmente no que se refere às regras de composição dos jogos cênicos e as estruturas das cenas, essas conversas digitais foram fontes fartas para a organização da pesquisa.

Considero importante evidenciar que esses territórios virtuais são ambientes confortáveis para as novas gerações e possibilita que eles se expressem confortavelmente e sem formalidades.

Esse mecanismo mediado pela internet revelou impressões pessoais, sensações sentidas em diferentes momentos e partes do espetáculo além de experiências vividas e distintos momentos do trabalho e do processo de criação. Até mesmo aspectos relativos à pessoalidade e intimidade dos bailarinos eram expostos nesses diálogos, pois havia ali uma

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relação de confiança e afetividade. Para eles, jovens bailarinos, as ações do grupo e o processo de criação do espetáculo apresentavam rebatimentos diretos nos seus valores éticos, compreensão de mundo, reflexão sobre suas identidades de gênero, relação familiar e formação intelectual. Nesses momentos deixavam escapar propositalmente ou não informações, dados e sentimentos que acredito sendo em outras situações mais formais como uma entrevista videográfica, por exemplo, não seriam relatadas. Veja abaixo o início da utilização desse recurso e como foi sendo elaborando na medida em que aproveitava a informalidade do diálogo nesses ambientes:

Erickson TerraCotta Swat mucuiú

Dickson Du-Arte com zambi,

meu querido...posso te fazer algumas perguntas sobre o trabalho do anjos? EricksonTerraCotta Swat

pode sim DicksonDu-Arte

como chama a cena da tomada dos postos?? EricksonTerraCotta Swat

nos tínhamos nomeado de Tomada dos Postos mesmo DicksonDu-Arte

e qual era mesmo a estrutura do jogo?? EricksonTerraCotta Swat

ocupar um devido lugar e defende-lo em 3 ações: dançar, correr e ficar parado em determinados lugares ao redor da fonte o jogo consistia dessa maneira, sempre tem que ter gente dançando sempre, gente parada e sempre gente correndo...

(PIRES, DicksonDarte; OLIVEIRA, Erickson Damasceno – Diálogo informal, rede social, acesso em 24/05/2011)

Evidencio ainda que para essa pesquisa não foram analisados todos os materiais de registro do trabalho que, por conta da vida do espetáculo gerou um considerável volume. Optamos por selecionar o material relativo às apresentações em Uberlândia, considerando o espaço da praça Tubal Vilela e da fonte de água. O critério da escolha desse recorte do material se deu considerado o espaço e as características do processo de montagem do espetáculo em 2010. Outros registros principalmente os videográficos e fotográficos referem- se as (re)montagens do espetáculos em outras cidades que apesar das similaridades – praças com fontes de água – apresentavam caracterizas físicas, afetivas e simbólicas distintas. A seleção do material a priore, contribuiu para o entendimento do recorte para a análise e do caminho das reflexões que deveriam ser alinhadas às competências de uma pesquisa de mestrado, não ampliando demasiadamente o debate. Destarte percebo o quanto uma obra artística pode ser destrinchada sobre diferentes interesses e como cada uma das suas partes revelam singularidades cênicas advinhas da transversalidade entre os campos do

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conhecimento nas interconexões políticas, filosóficas, históricas e psico-afetivas imbricadas no espaço público.

3.3 A Des(montagem): Shooting Scripts como processo de análise descritiva do

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