2. GENEL BİLGİLER
2.8. Anti-Anjiogenik Tedavi
A Praça, mais do que um elemento arquitetônico ou um território, será tratada nessa análise como uma ‗situação‘ e como um ‗sentido‘. Considerada e vivenciada por muito tempo como síntese do espaço público, a praça pode ser entendida como lugar das relações sociais e, portanto, como um espaço de cultura nas cidades onde os encontros, sejam eles de qualquer ordem e natureza, revelavam os aspectos socioculturais de determinadas sociedades.
Em primeiro plano é necessário estabelecer aqui de qual perspectiva tratamos o complexo conceito de ‗Cultura‘ e algumas interfaces históricas no sentido de estabelecer um denominador comum com o leitor para o trilhar do pensamento.
Buscamos no sociólogo, teórico da cultura e semiólogo Teixeira Coelho (1997) referências do termo cultura que dê conta das análises que se seguirão ao longo do texto, ampliando sua aspersão no campo do sensível, do imaginário e do afeto. Assim temos:
Nos estudos antropológicos do imaginário, que hoje dão novas dimensões à análise da cultura e à formulação das políticas culturais, cultura vem descrita como circuito metabólico, simultaneamente repetitivo e diferencial, que se estabelece entre o pólo das formas estruturantes, ou seja, das organizações e instituições (o instituído) - no qual manifestam-se códigos, formações discursivas e sistemas de ação -, e o pólo do plasma existencial, isto é, dos grupos sociais, das vivências, dos espaços, da afetividade e do afetual, enfim do instituinte. Esse circuito é ainda dito metaléptico - i.e., guiado pela intencionalidade do desejo nas trocas e substituições dos elementos, suas causas e consequências - e caracteriza-se por essa polarização e não por uma dicotomia, localizando-se a cultura nesse anel recursivo que estabelece e alimenta a circulação constante entre ambos os pólos. (COELHO, 1997, p. 104).
É nesse sentido de ampliação de significações a partir da polarização entre a instituição e as pessoas (instituintes) e as trocas contínuas e periódicas – circulação, apontadas pelo autor que o trabalho pretende se desenvolver. Em contínuo movimento cíclico entre as formas estruturantes, sejam normas, leis ou senso comum, e das pessoas organizadas em
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grupos ou não, com a afetividade das vivências e significações que ao estabelecer a praça pública no contexto da cidade possibilitam entender o conceito ‗Cultura‘ como um arcabouço de práticas e comportamentos humanos.
Na primeira parte desse capítulo, buscamos tratar o conceito de Modernidade na arte sob o ponto de Tassinari (2007) e Beijamim (1989). Entretanto, é importante ressaltar que o texto caminhará historicamente sobre a ideia de cultura em relação à Pós-modernidade, pois nos situa no espaço-tempo próximo da pesquisa, ou seja, a pratica artística na contemporaneidade, o que possibilita reflexões mais precisas. Não e o tratamento da cultura como um conceito singular que apresenta direções restritas que nos é pertinente, mas sim de ‗Culturas‘, que se formam de acordo com padrões estruturais e significantes específicos. Nossa observação é diferente da qual genericamente apresenta o debate acerca da arte nos seus aspectos populares ou eruditos. Ficam também fora da discussão a relação de classes, e ainda, as complexas relações do campo da epistemologia. Buscamos tratar o conceito de ‗Cultura‘ pelo viés das identidades culturais, dissipado a partir da Pós-modernidade e do início do processo de globalização mundial, potencializado pelo desenvolvimento das redes de comunicação a partir da última década do sec. XX. Propomos entender o fenômeno cultural imbricado no espaço-tempo em que ocorre.
Entendemos como ‗Pós-modernidade‘ o conceito aplicado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades avançadas desde 1950, quando, por convenção, se encerra o modernismo (1900-1950). Ela nasce com a arquitetura e a computação nos anos 1950 e toma corpo com a Arte Pop nos anos 1960. Cresce ao entrar pela filosofia durante os anos de 1970, como crítica da cultura ocidental. Na atualidade, como vimos anteriormente, o conceito de pós-modernidade é muitas vezes sintetizado por outro conceito: a contemporaneidade, que apresenta sistematizações que alcançam a moda, o cinema, a música e a dança; atravessa o cotidiano pela ―tecnociência‖ (ciência + tecnologia presente na vida ordinária, desde os alimentos processados até microcomputadores), sem que ninguém saiba tratar-se de decadência ou renascimento cultural.
De forma pragmática podemos compreender o sentido de pós-modernidade de acordo como o que nos aponta o sociólogo Jair Ferreira dos Santos em sua obra-base O que é Pós-
moderno(1987) quando elenca condições para o deslocamento de pensamento moderno que vai desaguar numa percepção pessimista e deteriorada das relações contemporâneas:
94 A Pós-Modernidade surgiu com a desconstrução de princípios, conceitos e sistemas construídos na modernidade, desfazendo todas as amarras da rigidez que foi imposta ao homem moderno. Com isso, os três valores supremos, o Fim, representado por Deus, a Unidade, simbolizada pelo conhecimento científico e a Verdade, como os conceitos universais e eternos, já estudados por Nietzsche no fim do século XIX, entraram em decadência acelerada na Pós-Modernidade. Por conta disso, para a maioria dos autores, a Pós-Modernidade é traçada como a época das incertezas, das fragmentações, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, do narcisismo, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos. Como consequência dessa derrocada, surgiram outros fenômenos sociais e culturais. O declínio da esfera pública e da política, a crise ecológica, o impasse histórico do socialismo, os tribalismos, a expansão dos fundamentalismos, as novas formas de identidade social e as consequências da informatização sobre a produção e sobre o cotidiano trouxeram à tona a discussão sobre a pluralidade e a fragmentação presentes na época atual. (SANTOS, 1987, p. 18).
Por outro lado, o sociólogo e cientista humano Stuart Hall em sua obra A identidade
cultural na Pós-modernidade(1992), contextualiza o problema da identidade em relação à cultura estabelecendo reflexões sobre o sujeito e suas partições, em identidades também plurais e móveis, experimentando deslocamentos de identidade cultural de acordo com as referências como classe, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, por exemplo. Afirma que antes do advento da Pós-modernidade ou Modernidade Tardia, essas identidades eram sólidas localizações, nas quais os indivíduos se encaixavam e se reconheciam facilmente na teia social.
Vale ressaltar que o sentido de reformulação das identidades culturais também se aporta na ação do ―sujeito‖ em movimentos históricos anteriores, que estão presentes desde as transformações associadas à Modernidade. Stuart Hall apresenta no mínimo três fatores que contribuíram para o surgimento da nova concepção de sujeito na Modernidade Ocidental: a Reforma Religiosa e o Protestantismo, que liberaram a consciência individual das instituições religiosas e a expuseram diretamente aos olhos de Deus; o Humanismo Renascentista que colocou o Homem no centro do universo e o Iluminismo centrado na imagem do Homem Racional, científico, liberado dos dogmas e fetiches religiosos e diante do qual se descortinava a totalidade da história humana, para ser compreendida e dominada. Uma vez liberado de seus apoios estáveis nas tradições e nas estruturas sociais pré-modernas, esse individuo passa a ser protagonista, ou ganha mais autonomia em relação ao seu meio, podendo ser compreendido, segundo Hall (1992), de maneira singular, distintiva e única.
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Ao considerar que a história da filosofia ocidental se projetou nas reflexões e no desenvolvimento da concepção de ―sujeito‖, seus poderes, capacidades, ações e projeções sociais, podemos inferir que na pós-modernidade não se pode pensar em uma única identidade cultural, específica, estática e atemporal. É necessário considerar as especificidades culturais de cada sociedade e reduzi-las a suas partículas mínimas, retomando a ideia de sujeito como individuo, para que se elevem os coeficientes de análise.
Também com a ideia de ‗sujeito-indivíduo‘ fica mais claro perceber esse período como um jogo personalizado, de consumo de bens e serviços, do disco a laser ao horóscopo por telefone (Hall,1992). O hedonismo – moral do prazer (não de valores) buscado na satisfação do ‗aqui e agora‘ – é a filosofia portátil. ―E a paixão por si mesmo, a glamorização da sua autoimagem pelo cuidado com a aparência e a informação pessoal o entregam a um narcisismo militante. É o neo-individualismo decorado pelo narcisismo.‖ (Hall,1992). Essa observação torna-se mais eficiente quando entendemos que por receber informações de forma constante e fragmentada, o sujeito pós-moderno se atém as partes e não ao todo, não possui mais a consciência de classe típica da modernidade.
Para encorpar o debate, convocamos novamente Richard Sennett, agora em busca de subsídios conceituais na sua obra O Declínio do Homem Público - As Tiranias da
Intimidade(1998). Nessa obra, que é um apêndice do comportamento humano, psicologia coletiva, interação e mudança social, o autor apresenta uma discussão sobre as formas de sociabilidade, comunicação, representação, atuação e relação entre as pessoas das grandes cidades, desde o século XVIII até os dias atuais. No momento que a obra discute a relação do espaço ―público‖ e ―privado‖ ficam mais claras as estruturas que compõe o indivíduo pós- moderno com todas as suas complexidades. Sennett afirma que a era pós-industrial tende a transformar em objeto de consumo qualquer movimento revolucionário ou alternativo, ou seja, a erotização-personalização é também uma forma de controle social, apoiada pelo Estado. O sujeito atual é sincrético, isto é, sua natureza é confusa, efêmera, indefinida, plural, feita com retalhos que não se fundem num todo, cada vez mais absorvido por suas próprias questões individuais em detrimento de um pensamento, coletivo. Sennet coloca:
Multidões de pessoas estão agora preocupadas, mais do que nunca, apenas com as histórias de suas próprias vidas e com suas emoções particulares: esta preocupação tem demonstrado ser mais uma armadilha do que uma libertação (SENNETT, 1988, p.17).
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Essa condição dada ao indivíduo pelo código pós-moderno tem complicações fundamentais quando se pensa nos tipos de relação que esse indivíduo estabelece com suas comunidades, desestabilizando a balança dos valores do domínio público e do espaço privado. Fator que, Segundo Sennett, é a base de todo o conflito da sociedade contemporânea, haja visto o descompromisso do indivíduo com assuntos ligados ao bem social. A res pública cai progressivamente em desuso e um ‗sujeIto-individuo‘ cada vez mais ligado um falso sentimento de auto-conhecimento ganha respaldo fundamentalmente numa sociedade pautada pela impessoalidade e pela indiferença, herança-produto de uma sociedade de consumo. Sennett pontua finalmente que exercício da alteridade desaparece e que os indivíduos perdem a capacidade de se articular desvinculados de seus valores particulares inerentes a seus processos formativos. Os processos íntimos, individualizados e subjetivos acabam por tiranizar a sociedade e conseqüentemente remetem a uma situação de alienação.
O mito hoje predominante é que os males da sociedade podem ser todos entendidos como males da impessoalidade, da alienação e da frieza. A soma desses três constitui uma ideologia da intimidade: relacionamentos sociais de qualquer tipo são reais, críveis e autênticos, quanto mais próximos estiverem das preocupações interiores psicológicas de cada pessoa. Esta ideologia transmuta categorias políticas em categorias psicológicas. (SENNETT, 1988, pág. 317).
Falar de processos criativos que envolvem o espaço público, pontuar comportamentos históricos, sociais, fica aqui como um exercício de desvendamento das cidades e suas relações. Entender os processos históricos que estabeleceram uma noção de sujeito ou indivíduo na contemporaneidade é fundamental para a reflexão sobre os textos seguintes.