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Somut Bir Durum: İntihar Mektubu

A. Varoluşsal Korku

A.3 Somut Bir Durum: İntihar Mektubu

Para Merleau-Ponty (1971, 1994), as manifestações intersubjetivas que o corpo encarna possibilita a compreensão dos gestos e das palavras, assinalam o caráter corpóreo da significação, cuja apreensão está na reciprocidade de comportamentos vivida na dimensão social.

Sendo assim, a linguagem expressiva é o modo pelo qual o sujeito falante adquire o sentido do que quer exprimir. A linguagem é fonte originária de sentido do próprio pensamento e a clareza da linguagem vem da relação direta entre tal signo e tal significado: signo, enquanto unidade significativa da linguagem, resultante da união solidária entre significante e significado, já significado entendendo-se como sentido e/ou conteúdo de um signo linguístico e significante, isto é, são os valores e os sentidos inferidos aos conteúdos.

Considerando que o signo se torna significante por sua relação lateral a outros signos, o sentido só surge pela comunicação entre eles, como que no intervalo das palavras. A significação na operação expressiva forma-se nos interstícios dos signos quando um sentido operante e latente encontra os emblemas para as suas manifestações e cria caminhos entre o outro e o eu, ao tomar corpo nas palavras.

Se o corpo atualiza e realiza a existência como a fala exprime o pensamento, e se cada um pressupõe o outro, o corpo não é acompanhamento exterior da existência, nem a fala acompanhamento exterior do pensamento na operação da expressão.

Este modo corpóreo da significação evita que se pretenda vê-lo como objeto legítimo do pensamento: é na acepção de comportamento que os significados das palavras, sucessivamente, encontrar-se-ão, sendo, no pacto dos intuitos práticos, as falas, na intenção do que se faz que se realiza a comunicação.

Há uma intencionalidade operante trabalhando antes de qualquer tese ou juízo, há um ser no mundo que não se separa daquilo que é o mundo onde está inserido, que se compreende ao compreender o mundo, compreensão esta que se efetiva por um fazer, pela passagem daquilo que é ao que visa a ser, sem que se separe o expresso do expressado.

Nos preceitos que analisam uma analogia exterior entre signo e significado, presumem-se significações produzidas antes da expressão, os valores, os sentidos e os conteúdos. Presume-se igualmente um ideal de pensamento anterior à linguagem. Não está em seu domínio confrontar o que se quer dizer com os meios de expressão.

Assim, aquilo que se diz constitui-se na expressão, não antecedendo a esta, tampouco sendo desvinculada dela. E o exprimido não existe antes da expressão, eles são intrínsecos, uma vez que antes ele é perseguido por uma trajetória indefinida, contínua e sem denominação, que se movimenta, perdura até se modificar ao se achar, nos gestos e nas palavras apropriadas à sua consumação.

Como exemplo disso observa-se que o indivíduo falante não age no intuito de achar certa expressão para uma significação completa e finalizada, propondo, assim, uma correspondência adequada, uma vez que a significação sempre ultrapassa o significante. Esta fala e os demais sentidos expressivos, em sua originalidade, nascem do excesso das significações vividas sobre as significações adquiridas.

Assim, Merleau-Ponty (1971) confere a expressão da linguagem com a expressão da arte, especialmente com a representação pictórica e musical, na qual se distingue mais naturalmente onde o expresso não existe antes da expressão.

Mediante isto, infere-se que em todas estas modalidades expressivas, a intenção significada é oferecida ao sujeito no ato da comunicação, seu sentido só é traduzível nele mesmo, uma vez que o sistema de equivalência do sistema corporal não se funda no reconhecimento de uma lei, mas na experiência de uma presença corporal, ou seja: eu compreendo o gesto do outro devido ao meu corpo ter determinados comportamentos que se assemelham ao comportamento do outro.

Por exemplo: ao se apresentar ao sujeito a palavra ‘quente’, esta o induz a decifrá-la numa espécie de experiência do calor que forma em torno dele, como um halo significativo; a palavra ‘duro’ suscita uma espécie de rigidez das costas ao pescoço sendo que só secundariamente ela se projeta no campo visual e auditivo e se torna figura de símbolo ou vocábulo já que antes de ser “o índice de um conceito, ela é um acontecimento que apreende o corpo e suas tomadas no corpo, circunscrevendo a zona de significação à qual ele se dirige” (MERLEAU-PONTY, 1971, p.241).

Assim, as palavras têm uma fisionomia própria, porque cada pessoa tem uma relação específica, uma certa conduta com relação a elas, uma significação primordial pela forma como se lhe acolhe o conteúdo do signo.

Já a música, na perspectiva de Merleau-Ponty (1971, 1994), pode muito bem ensinar melhor a compreensão da expressão – “não como a tradução, em um sistema arbitrário de signos, de uma significação para si já clara” (p.242), mas pelo fato da significação musical não se separar dos sons que a conduz. Os sons não representam a sonata, mas essa se concretiza neles.

Na música, há uma transcendência na significação em relação aos signos. ‘Esses passam despercebidos’ para que permaneça o sentido da música, o mesmo ocorrendo com a linguagem, a qual se faz esquecer ao conseguir exprimir-se. Diante daquilo que foi expresso a expressão se ‘apaga’, como acontece quando se lê um livro e se é envolvido por aquilo que significa. As letras, as páginas, os olhos que percorrem o texto ficam ‘escondidos’ e sobressai um sentido desviante daquele já adquirido, que surpreende e se instala no estilo do escritor.

Na expressão, revela-se a dimensão existencial do sujeito falante, do seu estilo de vida, das relações que estabelece com os outros e com o meio ambiente, pela maneira como os seus sentimentos, pensamentos, desejos, emoções e interesses são modulares em palavras e gestos e assim transmutam a experiência perceptiva em sentido na linguagem. A expressão é uma operação de produtividade, de criação de sentimento, quando os elementos dados são ultrapassados em direção a uma nova significação, que pode ser atribuída à corporeidade, a uma nova significação, conceito que será contemplado a seguir.