• Sonuç bulunamadı

Beyaz Mantolu Adam: Bir Arayışın Simgesi Olarak “Manto”

C. Korkuyu “ Beklerken”

C.2 Beyaz Mantolu Adam: Bir Arayışın Simgesi Olarak “Manto”

As redes sociais formam um traço marcante na atualidade visto que são construídas através de impulsos de atração e de repulsão, enquanto ambiente virtual onde as pessoas partilham ideologias, situações, imagens, protestos e fazem política. As redes das relações sociais, como se sabe, estão atravessadas por poderes, posições, desigualdades, centralidades e distâncias. É uma estrutura composta por pessoas, conectadas por diversos tipos de relações, que partilham valores e objetivos. Uma das características das redes são a porosidade e abertura, possibilitando relacionamentos horizontais, participantes e não hierarquizados.

Assim, as redes permeiam a educação vigente uma vez que os alunos delas participam ativamente, numa trajetória tanto para firmar suas identidades como para estimular seus mais diversos interesses, com movimentos de ligação, que provocam os movimentos da união assim como movimentos de disjunção, que causam discussão e discordância das ideias veiculadas na rede. Estes novos movimentos representam as diversas influências, que se inserem na Escola, principalmente quando esses impulsos tecnológicos incidem em seu cenário, isto é, no contexto circunscrito do intramuros da Escola mediante a acessibilidade à tecnologia pelo alunado.

Dependendo da amplitude do ‘nós’ e do ‘eles’, na rede social, a educação pode ser compreendida como instrumento para dar consciência a essa nova realidade, para colaborar e desvendá-la, ou simplesmente como um vetor de informação sem maiores consequências.

Sendo este novo horizonte, atual e emergente, um ‘educar para a vida’, requer uma “alfabetização cultural mais exigente de horizontes muito mais amplos” (GIMENO SACRISTÁN 2003, p.56).

Sendo assim, entende-se que a educação pode, através das diversas redes sociais, que se interpenetram nesse novo universo, promover novas aprendizagens. A educação acontece, em geral, como força endoculturadora11, atuando na complexidade dessas redes, criando laços e dando formas à modalidade de relações em diversos âmbitos, uma vez que a tecnologia adentrou à sala de aula, de modo direto com os computadores e mais recentemente com os diversos aparelhos individuais como celular, tablete, iphone, ipod ou indireto, nos laboratórios de informática, mas, sempre influentes.

11 A endoculturação é o mecanismo dominante para a formação da estabilidade cultural do indivíduo. Na adolescência o

processo ocorre como importante para a produção de mudanças.

Os vínculos que aproximam os indivíduos, nas diversas modalidades de redes sociais, tais como o Facebook, Twitter, Linkedin, Google Mais, refletem seus interesses e a necessidade de outro modo de interagir que pode ser positivo ou negativo, podendo ser classificados como vínculos afetivos, culturais ou motivacionais, sendo este último um impulsionador que constrói a relação social para diversos propósitos, criando vínculos das mais diversas matizes, ocasionando, mais ou menos, compartilhamento.

A essência desta rede social é formada pelo ‘cimento social’ e este ‘cimento’ sedimenta as redes sociais no cotidiano real, o qual é variado e conecta as pessoas dos mais diversos interesses promovendo, entre elas, vínculos de natureza e intensidade distinta, envolvendo-as, valorando-as positiva e ou negativamente; esses vínculos também adentram no cenário escolar contemporâneo.

A trama de todas as afinidades, indiferenças e rejeições experimentadas pelos aprendizes, assim como a bagagem cultural que medeia as redes sociais representam a complexidade, a riqueza e os conflitos da vida social cotidiana que envolve a Escola. E que, dependendo da trama social desejável das relações que se quer construir ou que se deseja excluir, esse ‘modelo educacional’ poderá ser o fio condutor dessas escolhas.

Esta trama pode gerar, com o exercício de práticas pedagógicas adequadas, a correção de alguns dos comportamentos existentes e a criação de atitudes apropriadas na rede social, um novo paradigma educacional que deve contemplar os anseios das mais jovens gerações e ao mesmo tempo tranquilizar os educadores promovendo o uso da rede em situações que se proponham auxiliar o alunado frente às suas questões pedagógicas.

Todavia, esse modelo pode incidir com mais capacidade de penetração no âmbito da formação da consciência, ‘conhecimento reflexivo autônomo’, criando e analisando representações simbólicas ajustadas, gerando significados sobre o outro e sobre si mesmo, sobre as afinidades e as diferenças entre os aprendizes e os grupos, ou seja, na realidade, a vida social refletida na rede pode ser representada como:

Um contínuo de tipificações que vão se tornando progressivamente anônimas à medida que se distanciam do ‘aqui e agora’ da situação ‘face a face’. Em um polo do contínuo estão aqueles com os quais entro em ação recíproca em situação ‘face a face’o meu círculo interior. No outro polo estão as abstrações anônimas, que por sua natureza não podem ser achadas numa interação face a face (BERGER E LUCKMANN, 2009, p.51).

Essa característica singular mantém as relações na rede social a qual reflete a estrutura social que por sua vez se apresenta como a soma dessas tipificações e dos padrões recorrentes

estabelecidos por meio dela, ou seja, a própria estrutura. São também as estruturas elementares essenciais da realidade da vida cotidiana que numa interação virtual, ‘link a link’ anônima, constroem nas redes sociais um escalonamento paritário no mundo social onde se encontram, de um lado, as relações mais estreitas, as afinidades, e seguindo para o outro extremo, do outro lado, as relações distantes e estranhas, sendo a inexistência de relação outro modo de se relacionar.

Um esquema assim linear simplifica a realidade das redes sociais estabelecidas e mantidas, visto que nas sociedades contemporâneas a complexidade e suas interdependências são um fato evidente, uma vez que, se opera dentro de diversos cenários com suas respectivas lógicas, as quais acomodam realidades tangentes ou superpostas na rede, ficando o aprendiz numa teia de relacionamentos que lhe confronta, afronta, aceita, aplaude ou simplesmente rejeita suas posturas frente à vida.

Essas ancoragens sociais fundamentam e proporcionam o sentido de pertencimento do aluno em determinada rede onde as configurações da relação social criam um mapeamento de proximidade e distanciamento, de presença ou ausência, de significação ou de irrelevância entre cada aprendiz e os demais, mediante a intensidade da atração a qual determina os sentimentos, as atitudes, os conhecimentos e as interdependências onde a presença do outro é ou não significativa.

Este conjunto de vínculos situa cada aprendiz numa posição concreta entre os semelhantes em função dos demais, uma vez que o outro adquire um valor concreto para o primeiro e vice-versa. Isto permite entender ‘como’ as relações sociais se mantêm e diferenciam as pessoas, em razão de estarem ligadas por vínculos distintos e de intensidades desiguais, com pessoas diferentes ou distintos grupos, em diversas esferas. Conforme gráfico:

Gráfico 01 Redes sociais

Os eixos constituintes das redes sociais. Legenda: a - afetivo, b - cultural, c - político. a) Âmbito em que se exerce a sociabilidade c) Vínculos básicos com outros b) Modalidade da sociabilidade Rede social

Este gráfico pretende demonstrar onde se encontra a rede social e quais as variáveis que lhe formam o mapeamento, lembrando-se da particularidade de cada componente.

Assim, a esfera de caráter pessoal, de âmbito afetivo, ‘a’ formada pelos vínculos básicos familiares, grupos informais e trabalho é onde se exerce a condição social, desenvolve diversos tipos de contatos e se estabelecem diversas interdependências entre indivíduos, são domínios fundamentais quase insubstituíveis devido aos fortes laços.

Quanto à esfera solidária, de âmbito cultural ‘b’, ela constitui os vínculos de modalidades distintas das relações, que mudam conforme o propósito das mesmas ou de suas necessidades, são os grupos de ajuda mútua, os grupos de voluntários, os de ideologias similares que se apresentam em maior quantidade, porém mais superficiais.

Já a esfera de âmbito ‘c’ o político, forma o espaço público, constituído por cidadãos substituíveis do ponto de vista pessoal, constituem apego essencial à vida social, estão conectados entre si por vínculos de interesses, apenas sobrevivem enquanto o interesse está presente (TODOROV, 1999, p.170).

Compreende-se, assim, que as inter-relações nas redes sociais são compostas por eixos que se entrelaçam, sendo a educação, em geral, uma força enculturadora12, que atua na complexidade dessa rede, criando e dando forma às modalidades e às relações nos mais variados âmbitos.

A educação, desta forma, dirigida e modelada a partir de determinados arquétipos ideais, seja na família, na Escola ou na cidade, e quando estes arquétipos se desenvolvem no cenário escolar, criam vínculos e amparam a modalidade específica das relações dos âmbitos ‘a’, ‘b’ e ‘c’, propiciando uma intencionalidad tanto dirigida quanto as que surgem espontaneamente.

É evidente que ao criar conhecimento sobre os outros e ao aprofundar este conhecimento pretende-se corrigir o que está tendencioso e que pode ter sido adquirido de outra pessoa (pai/mãe) e passado adiante, por isso, as relações sociais têm muito a ver com o componente cultural que proporciona o significado, que as desencadeia, que as torna possíveis, que as nutrem, que as facilitam e que as dificultam conforme Gimeno Sacristán, (2003).

Então, pode-se intuir que na geração de vínculos positivos e negativos, a educação tem muito a ver porque ela é um instrumento reflexivo pujante para gerar significados que podem

12 O significado mais formal é um processo criativo e interativo, em que interliga os que vivem a cultura com

quem nasce dentro dela, e que tem como resultado ideias, normas e valores que são similares de uma geração. www3.fsa.br/proppex/iiisapex/.../37%20JOSE%20CARLOS_2.doc Acesso em: 16/01/2012

converter-se em experiências diretas ou indiretas e promissoras do ponto de vista educativo, uma vez que a interdependência na rede é um fato inquestionável.

Assim, as cultura das redes sociais são instrumentos facilitadores de uma nova modalidade, nova tendência de relacionamento e aprendizagem, onde o educando, mediante suas próprias experiências, vai se apropriando do conhecimento e aplicando suas habilidades, tornando esse conhecimento útil aos seus interesses em maior ou menor escala e, mediante sua interação, vai conquistando novos espaços, viabilizando oportunidades.

Diante destas conjecturas é importante que se fale, nos dois tópicos seguintes, sobre as práticas pedagógicas, cruzando-as com a diversidade e as suas vinculações nos espaços educacionais, numa construção da realidade.