A. Günah Yani Suç: Kendine İhanet
A.3 Kalabalıklar İçinde Yalnızlık: Varoluşsal Yalnızlık…
É evidente que todos os universos, socialmente construídos, modificam-se e a transformação é realizada pelas ações concretas dos seres humanos, assim, como a realidade social é definida mediante a interpretação face a face do sistema de sinais, inclusive a linguagem (oral e corporal), essas acepções sempre encarnadas dos indivíduos e dos grupos de indivíduos concretos servem como definidores desta realidade.
Nesse sentido o que permanece essencial é o reconhecimento de que todos os universos simbólicos e todas as legitimações são produtos humanos, cuja experiência tem por base a vida concreta dos indivíduos.
Concordando com Macedo (2000), a realidade enquanto dimensão social não emerge em função das leis naturais ou históricas abstraídas da atividade humana, mas, pela ação daqueles que lutam e negociam para dar certa forma social às orientações culturais que eles valorizam. A sociedade como um todo são as ações humanas inseridas na sua temporalidade e que constitui o ingrediente básico de qualquer construção de obra no mundo.
Nessa abordagem o universo educacional representado, aqui, pela Escola, apresenta-se como o universo micro social construído e frequentado pelos discentes e docentes, sob a influência dessa dimensão social também construída e reconstruída; assim, a Escola, espaço repleto de contradições, não poderia ser diferente, convive tanto nas ações como nas reações e nas reflexões, sendo todas permeadas pela subjetividade de cada sujeito. Subjetividade, aqui, entendida como as crenças, os sentimentos, os hábitos, os valores, as experiências e as histórias de vida de cada indivíduo.
A prática pedagógica é uma dimensão da prática social onde o campo sentimental do ser humano é bastante relevante para a construção das atividades propostas.
No campo das múltiplas dimensões das práticas pedagógicas as características conjunturais e estruturais são relevantes, pois é na esfera do cotidiano da Escola e das reflexões sobre os aspectos conjunturais focados na gestão educacional, que surgem novas práticas referentes às demandas atuais, e é nos aspectos estruturais marcados pelas relações sociais desiguais, que surgem os processos decisórios que geram impactos na esfera escolar.
Assim, na teia dessas relações, estão os aspectos fundantes que constituem elementos para se repensar as atuais práticas pedagógicas, uma vez que a Escola é um cenário onde o educando frequenta grande parte da sua vida, onde os contatos com seus iguais são construídos, tanto nas afeições como nas rejeições, tanto na relação com as pessoas, como através das mais distintas situações.
Frente a estas conjecturas as práticas pedagógicas remetem a ações que, orientadas, constroem-se por objetivos, finalidades e conhecimentos e se desenvolvem no exercício da participação, num desafio para os atuais contextos, enquanto as vinculações sóciais se constroem, não diretamente com os objetos, mas mediante as imagens construídas pelos próprios sujeitos dos objetos pretensos, num viés afetivo, ou seja, são permeadas pela peculiaridade da subjetividade de cada ator social.
A sociedade está imbuída de vinculações sociais que marcam o mundo escolar, onde acontecem as práticas pedagógicas uma vez que o cotidiano escolar é organizado de forma fragmentada e homogênea, embora carregado de heterogeneidades, pois a vida escolar cotidiana é, em grande medida, heterogênea; e isso sob vários aspectos, sobretudo no que se
refere ao conteúdo e à significação conforme a importância das atividades realizadas de acordo com Gimeno Sacristán, (2002).
O autor coloca que os vínculos que se geram nos espaços escolares podem ser afetivos e de conhecimento, o que propiciam uma interação que podem levar a Escola a partilhar ações que indiquem práticas pedagógicas e promovam uma educação para a cidadania, em ações ativas que gerem a autoestima, acolhimento e afeto. Frente a estas colocações entende-se que essas práticas vigentes poderão ser construídas e serem novas, ou apenas revistas e repassadas na Escola, demonstrando, assim, que tipo de cidadão se pretende formar uma vez que a condição de cidadão pode, nesse caso específico, ser “a localização em que se encontra o indivíduo na sociedade, condição essencial numa educação atual e moderna” (GIMENO SACRISTÁN, 2002, p.145).
Ao ampliar esses interesses para outros contextos de aprendizagem, carreiam-se os vínculos sociais da comunidade que se projeta na organização da instituição escolar, assim como na seleção de conteúdos e no desenvolvimento das práticas pedagógicas, que vão se fortalecendo e, assim, impulsionando a preparação para a cidadania a qual poderá perpassar como prática específica de uma educação pautada nas necessidades atuais, procurando afirmação numa determinada bagagem de habilidades, ideias, atitudes e sentimentos num novo projeto de vida.
É óbvio que o exercício para a cidadania na sociedade pode ser contestado devido à menor importância do social em detrimento do político, uma vez que as práticas podem contemplar a cultura escolar no sentido da subjetivação (constituição de identificações pessoais, socioculturais e formativas), e da aprendizagem, onde se formam os laços sociais na direção de uma nova realidade que se impõe e propõe frente a um modelo de vida.
Este modelo educativo presta-se para canalizar o desenvolvimento das redes sociais entre os seres humanos para o exercício da cidadania. Mediante estas conjecturas, as probabilidades de interpretação e concepção de Escola como espaço social, artístico e cultural, além de político, são muito grandes.
A Escola, enquanto espaço de construção individual, traz em seu bojo outras paisagens, outras perspectivas pedagógicas advindas da interação desenvolvida na necessidade de quem não é hegemônico no plano social e artístico.
Neste cenário, o alunado da Escola e os valores do mundo atual impõem mudanças profundas, destacando-se o império do individualismo embora escondido num caldo cultural, para não pôr em evidência as dificuldades de integração dos sujeitos caracterizados como desiguais pelo fato de serem diferentes.
Outra leitura pertinente sobre as práticas pedagógicas escolares pode ser realizada segundo duas vertentes: a ideia da Escola afetuosa, como um lugar aconchegante para o alunado embora com o pensamento funcionando como uma máquina de efetivar procedimentos pré-estabelecidos, requeridos pela sociedade capitalista, ávida de consumo, visando à produção em massa, pois a pedagogia da libertação do Paulo Freire não alcançou esta Escola, bem como a ideia da Escola dialógica, ousada, que propicia vez e voz ao seu alunado estimulando-o a tornar-se atuante, participante do grêmio escolar, um sujeito crítico e cônscio dos seus direitos e deveres, um cidadão apto a reformular questões discutíveis na sociedade.
Assim, uma mesma Escola afetuosa e efetiva portadora de rigores e procedimentos pré-estabelecidos e em contrapartida a Escola dialógica e ousada que revê os padrões vigentes e tenta inovar com a possibilidade da criatividade do alunado, da audácia do novo, e do inusitado.
Este binômio pode ser concebido como um ‘invariante cultural’ conforme inferência do autor Carlos Fino (2009), em seu artigo ‘Inovação e invariante (cultural)’ sobre as formas sub-reptícias de organização do espaço letivo e da constância dos papéis docentes nas duas polaridades, desempenhadas conforme o perfil dos docentes, o professor afetivo e o professor intelectivo, evocando inclusive tensões. Essas redes complexas que regem as relações pessoais e profissionais na Escola permitem um caráter dinâmico, porém conflituoso, onde,
A Escola evoluiu em direção a um sistema de controle hierárquico que estabeleceu estreito limite dentre os quais se permite que os atores - administradores e professores - exerçam algum grau de iniciativa pessoal, onde nenhum dos dois lados aceita plenamente estes limites (PAPERT, 1994, p.59).
Mediante estas considerações e, sobretudo, devido à conscientização da necessidade de uma ação no sentido da real mudança na instituição escolar, torna-se imperioso verificar ‘como’ se está formando esse alunado. Quais valores se apresentam na contemporaneidade? Que alunos frequentam as nossas Escolas? Que expectativas esses alunos demonstram? Como enfrentam as atuais adversidades? Como entender variáveis patentes e ainda incompreendidas como a ‘aceleração’ e a ‘transitoriedade?’
Frente a estes questionamentos, a Escola apreendida como organização social, com formação na tradição, porém com vista à inovação, mostra o modo como constrói a sua estrutura organizacional através de um projeto racional, apontado pela burocracia estatal, num
formato que não se sustenta e que perde a autonomia. Nesta abordagem se tem a conformação de uma Escola que lida com a modernidade de modo a desejar ou precisar de mudar suas práticas devido às necessidades atuais.
Nesta perspectiva, entende-se a Escola como um conjunto mais amplo, contemplando não somente “as relações ordenadas conscientemente, mas também pelas relações que procedem à vivência escolar enquanto gruposocial” (CANDIDO, 1964, p. 107).
A Escola apresenta uma perspectiva para além da racionalidade moderna, o que faz admitir a existência de um intercruzamento de práticas pedagógicas tradicionais e inovadoras no seu interior e uma tensão existente entre o ‘real vivido’ e o ‘real proposto’ devido, também, à rede de relacionamento interno e do seu entorno.
Todavia, esse empréstimo, essa roupagem inovadora, torna a Escola aparentemente uma instituição não engessada, mas com uma inovação sem consistência, distante da realidade, com uma ‘cultura escolar’ efervescente de tensões, contradições em níveis ainda não explorados.
Esses matizes são muito mais profundos do que se possa imaginar, uma vez que os sentimentos vivenciados se transformam em conflitos ideológicos educacionais, sendo necessário desenvolver estratégias que possam mudar essa realidade, já que existe um fosso entre as atividades autênticas do fazer pedagógico em situações reais e atividades escolares, que consistem na prática descontextualizada do real, ainda que inseridas no cenário escolar, tal como aponta Fino “[...] a distância existente entre a cultura escolar e a cultura real tornam essa tarefa praticamente impossível” (FINO, 2009, p.192-209).
Esta realidade favorece uma indagação, uma investigação sobre ‘como’ a prática pedagógica desta Escola acontece enquanto atividade da Escola. Como construir o sentido de identificar processos pedagógicos inovadores, que reflitam a realidade de toda uma geração de jovens ávidos por conhecimentos?
Frente a uma realidade plural, pode-se verificar como acontecem as práticas pedagógicas e as suas vinculações sociais num entrelaçamento de diversas ações no cenário escolar, características que serão observadas no próximo tópico ao se demonstrar a história do frevo pernambucano.