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Fonte: MDS

Como se observa pelo mapa, houve redução da pobreza em parte expressiva do território nacional. Entretanto as áreas em que a redução foi maior de 50% ficam concentradas na região sul e sudeste , que são aquelas em que o percentual de pobres é menor e além disso, são as regiões que concentram a maior parte da riqueza do país. Já a região nordeste apresentou na maior parte redução de 1% a 50% da pobreza, porém há áreas em que a pobreza elevou-se nessa região. Fato observado com grande expressão na região norte, sendo que essas duas regiões são as mais pobres do país e as que necessitam de maiores investimentos afim de minar a pobreza. E o efeito tem sido o inverso do desejado pelas políticas sociais do governo.

Um importante dado referente à evolução das famílias beneficiadas pelo PBF e as cadastradas no CadÚnico é o Índice de Desenvolvimento da Família (IDF). Este tem o foco na família e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1 estiver o índice, maior é o desenvolvimento da família. O indicador

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contempla seis dimensões que dizem respeito ao desenvolvimento da família. E eles são : • Vulnerabilidade; • Acesso ao conhecimento; • Acesso ao trabalho ; • Disponibilidade de recursos; • Desenvolvimento Infantil ; • Condições Habitacionais.

Os dados disponíveis iniciam apenas em 2009, ano em que o IDF foi criado e segundo o MDS é um meio de direcionar os estados e municípios nas políticas públicas que conduzam a melhoria do bem-estar dos que estão em situação de pobreza. Os dados estão expostos na tabela 3.2 :

Tabela 3.2 – IDF 2009 e 2010

Estado IDF 2009 IDF 2010

Acre 0,49 0,51 Alagoas 0,52 0,54 Amazonas 0,51 0,52 Amapá 0,52 0,53 Baoia 0,53 0,55 Ceará 0,54 0,56 DF 0,56 0,58 Espírito Santo 0,58 0,6 Goiás 0,58 0,59 Maranoão 0,51 0,52 Minas Gerais 0,58 0,6 Mato Grosso 0,57 0,59

Mato Grosso do Sul 0,57 0,58

Pará 0,51 0,52 Paraíba 0,54 0,55 Pernambuco 0,54 0,56 Piauí 0,53 0,54 Paraná 0,59 0,61 Rio de Janeiro 0,58 0,59

Rio Grande do Norte 0,55 0,57

Rondônia 0,53 0,54

Roraima 0,54 0,56

53 Santa Catarina 0,59 0,61 Sergipe 0,54 0,56 São Paulo 0,59 0,61 Tocantins 0,55 0,56 Fonte: MDS

Pela tabela 3.2 se vê que houve uma evolução de 2009 para 2010 no índice. Porém se observa a diferença existente entre as famílias do nordeste e norte com as do sudeste e sul. Enquanto em média no nordeste os estados estão com um IDF de 0, 53 no sul este é em média 0,6. Evidenciando a desigualdade regional no Brasil que é um dos maiores entraves ao nosso desenvolvimento.

Aprofundando no IDF, nas tabelas que se seguem serão expostos os dados com relação ao acesso ao conhecimento e acesso ao mercado de trabalho. Não colocarei os dados referentes ao desenvolvimento infantil e habitação, vulnerabilidade e disponibilidade de recursos pois a maioria dos estados está com média 0,9, 0,7, 0,7, 0,5 respectivamente, sendo portanto os três primeiros próximos a 1 e a disponibilidade de recursos na média. Além disso, os dados referentes a conhecimento e trabalho evidenciam uma triste realidade brasileira que é um dos entraves a redução da pobreza. A primeira que segue é com relação ao acesso ao conhecimento, ou seja, educação.

Tabela 3.3 – Acesso do Conhecimento (IDF 2009-10)

Estado Acesso ao Conhecimento 2009 Acesso ao Conhecimento 2010

Acre 0,3 0,33 Alagoas 0,27 0,3 Amazonas 0,36 0,39 Amapá 0,39 0,4 Baoia 0,32 0,35 Ceará 0,33 0,37 DF 0,34 0,36 Espírito Santo 0,4 0,42 Goiás 0,41 0,42 Maranoão 0,31 0,34 Minas Gerais 0,39 0,4

54 Mato Grosso 0,38 0,4 Mato Grosso do Sul 0,39 0,4 Pará 0,35 0,38 Paraíba 0,3 0,32 Pernambuco 0,33 0,36 Piauí 0,3 0,33 Paraná 0,4 0,41 Rio de Janeiro 0,44 0,45 Rio Grande do Norte 0,34 0,36 Rondônia 0,37 0,38 Roraima 0,41 0,44

Rio Grande do Sul 0,43 0,45

Santa Catarina 0,42 0,43

Sergipe 0,32 0,34

São Paulo 0,44 0,45

Tocantins 0,36 0,38

Fonte: MDS

Como pode-se observar, houve uma melhora com relação a esse dados no período de 1 ano. Entretanto, os números estão ainda muito distantes do ideal que é um. Além disso, a diferença entre os estados faz com que haja dentro da nação estados com melhores condições de acesso a educação como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e outros que estão muito aquém desses estados como é o caso de Acre, Alagoas, Maranhão e Sergipe.

Esses dados evidenciam o que foi exposto no capitulo 1, em que se dizia que há uma enorme disparidade de ensino entre as regiões brasileiras , citando Fishlow que diz que há uma espécie de “luta de classes” no sistema educacional brasileiro.

E a educação , como disse ainda no capitulo 1 terá reflexo no mercado de trabalho. A tabela que se segue é com relação ao acesso do mercado de trabalho:

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Tabela 3.4 – Acesso ao Mercado de Trabalho (IDF 2009-10)

Estado Acesso ao Trabalho 2009 Acesso ao Trabalho 2010

Acre 0,18 0,17 Alagoas 0,18 0,19 Amazonas 0,19 0,18 Amapá 0,2 0,19 Baoia 0,19 0,18 Ceará 0,2 0,21 DF 0,27 0,25 Espírito Santo 0,24 0,24 Goiás 0,23 0,23 Maranoão 0,22 0,21 Minas Gerais 0,21 0,22 Mato Grosso 0,23 0,23

Mato Grosso do Sul 0,24 0,23

Pará 0,2 0,21 Paraíba 0,17 0,17 Pernambuco 0,19 0,19 Piauí 0,2 0,2 Paraná 0,25 0,26 Rio de Janeiro 0,25 0,25

Rio Grande do Norte 0,17 0,18

Rondônia 0,2 0,18

Roraima 0,21 0,23

Rio Grande do Sul 0,25 0,25

Santa Catarina 0,26 0,26

Sergipe 0,19 0,19

São Paulo 0,25 0,26

Tocantins 0,18 0,18

Fonte: MDS

Como se vê a partir desses dados, o acesso ao trabalho nos estados brasileiros está muito aquém do desejado. De 2009 a 2010 houve piora no índice como é o caso do Distrito Federal, Rondônia, Maranhão, Acre dentre outros. Além disso, a grande maioria dos estados permaneceu estática com relação ao acesso ao mercado de trabalho.

Mas pior que isso, é evidenciar que nenhum estado ultrapassa a marca de 0,3. O maior índice, que corresponde aos estados de SP , RJ, SC PR, chega a 0,26 e são estados que estão nas regiões mais ricas do país, onde se concentram a maioria dos postos de trabalho do país. Já os da região norte e

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nordeste há alguns que não alcançam 0,2 , evidenciando que há muito que se fazer para melhorar esse indicador.

3.2 Para além da transferência de renda

A exposição feita anteriormente demonstrou que os dois maiores entraves ao desenvolvimento das famílias beneficiárias do PBF e que estão cadastradas no CadÚnico das políticas sociais do governo federal são a educação e o mercado de trabalho.

As questões relativas a esses dois segmentos foram frisadas no capitulo 2 quando remeti , segundo a literatura, que a uma das principais causas da desigualdade social brasileira reside na educação e em conseqüência no mercado de trabalho.

A partir disso, podemos afirmar que as políticas sociais que visem a redução da pobreza não devem ficar restritas unicamente a programas de transferência de renda, pois a pobreza brasileira não está restrita a escassez de recursos monetários , mas sim , a diversos outros fatores, como acesso a educação , saúde, mercado de trabalho, moradia digna dentre outros.

Portanto se pretendermos eliminar do nosso território tanto a pobreza, como a pobreza extrema, as políticas sociais devem ser mais amplas, ou seja, deve-se ampliar o acesso a educação de qualidade fazendo com que haja um sistema de ensino homogêneo mitigando as diferenças educacionais existentes entre sudeste e nordeste, ensino público para ensino privado. Os sistemas de saúde também devem seguir essa lógica. Acabar com a desnutrição infantil, pois se sabe que a carência de alimentos na infância carreta em privação das capacidades intelectuais no futuro. A esses aspectos dizem respeito às políticas sociais universais que são aquelas que atende a toda população e não apenas pobres ou extremamente pobres.

A capacitação profissional é extremamente necessária, porém faz-se necessário o aumento do emprego, pois a formação profissional de nada

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adianta se não há geração de empregos. Este é fundamental para reduzirmos a pobreza, pois vivemos em um sistema capitalista em que os que não são detentores dos meios de produção necessitam vender sua força de trabalho afim de adquirir os meios monetários de sobrevivência.

A política econômica deve estar em consonância com as políticas sociais, ou seja, deve-se garantir o crescimento do produto, mas com justiça social, fazendo com que haja uma distribuição de renda e não a concentração desta, fato já observado em períodos de crescimento.

Vimos que a pobreza é especifica ao lugar em que está inserida. Por este fato as políticas sociais adotadas no ambiente urbano nem sempre terão validade na zona rural. Enquanto na primeira a pobreza deve ser erradicada aumentado os postos de trabalho, garantindo acesso a educação de qualidade, uma infra-estrutura urbana adequada e democrática, acesso a microcrédito por parte dos micro-empreendedores fortalecendo os pequenos negócios e permitindo que estes cresçam junto com o mercado interno.

Já no rural as políticas devem ser orientadas fortalecendo a agricultura familiar, realizar a reforma agrária e também permitir que o pequeno agricultor de subsistência aumente a produção gerando excedentes para que assim possa auferir renda de sua produção. A condução de políticas de crédito para agricultura, seguros contra as intempéries naturais que assolam as plantações possibilitam o fortalecimento do pequeno produtor.

Além disso, tais políticas fazem com que o agricultor não abandone a zona rural e vá para cidade em busca de melhores condições de vida, fazendo com que nossos centros urbanos sejam cada vez mais inchados e caóticos. Já com relação aos jovens residentes na zona rural, programas de capacitação profissional orientadas a agricultura e pecuária permitem que estes não abandonem a agricultura e dêem continuidade ao trabalho da família.

Outro ponto que foi frisado ao longo do trabalho é com relação a problemática desigualdade regional brasileira. Enquanto há estados muito ricos, há outros extremamente pobres. Esse é um dos principais entraves a erradicação da pobreza no Brasil. Minar essa desigualdade significa ser um

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país mais justo e democrático. Permitir que os habitantes da região nordeste tenham a mesma condição de vida dos do sudeste é garantir justiça social.

Aumentar a quantidade de investimentos em infra-estrutura nas regiões mais pobres faz com que haja incentivo para o setor privado investir nesses locais, gerando empregos, aumentando os tributos arrecadados pelos governos locais, permitindo o aumento do investimento público e assim dinamizando essas economias e favorecendo o crescimento local e redução da pobreza.

São por todos esses motivos que o PBF é insuficiente no que concerne a eliminação da pobreza. Esta, sendo multifacetada requer a adoção de diversas outras políticas para sua erradicação. Se os governantes e a sociedade civil estão querendo levar a sério a eliminação da pobreza, estes devem estar cientes de que a simples transferência de renda terá um resultado pífio sobre os pobres e, além disso, deve estar claro que estes programas devem ser transitórios e agir no curto prazo , enquanto as políticas universais melhoram a formação dos indivíduos e a política econômica privilegie o crescimento com redistribuição de renda e geração de empregos.

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Considerações Finais

A redução da pobreza no Brasil ganhou destaque com a eleição do ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva que colocou como eixo fundamental de seu governo a redução da pobreza. Porém, como observa Fagnani (2011) no primeiro mandato do presidente, a política econômica marcada pela ortodoxia e pelo “Estado Mínimo”, consolidou as políticas de transferência de renda , como o Programa Bolsa Família. Logo, as políticas universais, como educação, saúde e habitação além de investimentos em infra-estrutura ficaram submetidas às políticas de ajuste fiscal e elevação do superávit primário. Ou seja, pouco se fez nestas áreas no período de 2003 a 2006.

Todavia tais medidas são as principais que garantem o crescimento econômico do país e a geração de empregos, permitindo que assim as pessoas que estão em situação de pobreza e são beneficiárias do PBF possam se inserir na economia nacional e assim encontrar as “portas de saída” do programa. Pode-se dizer que a escolha pelo combate a pobreza via as políticas focalizadas em detrimento das universais é a resposta liberalizante e ortodoxa a eliminação da pobreza do território nacional.

A inversão deste quadro ocorre no segundo mandato do presidente (Fagnani, 2011). Com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o aumento dos recursos destinados a educação e a saúde, os programas anticíclicos adotados após a crise financeira internacional de 2008 para fomento do mercado interno, maior acesso a crédito, os programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida deram uma guinada na economia nacional, gerando recordes de criação de empregos e fazendo com que o PIB crescesse a taxas em média de 4,5% ao ano contra a média de 3% do mandato passado e fazendo com que o quadro social brasileiro mudasse de cara.

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Entretanto o caminho ainda é longo. Para erradicar a pobreza do país não basta apenas manter programas de transferência de renda, mas sim fazer uma combinação de políticas sociais focalizadas com universais, crescimento econômico e geração de empregos. Pois como dito anteriormente, a redução da pobreza no país tomou força quando se combinou um conjunto de políticas não apenas na área social, mas também nos setores de infra-estrutura, habitação, crédito , dentre outros.

Os méritos do Bolsa Família no combate a pobreza não podem ser negligenciados e desprezados. Este programa é uma importante ferramenta de estanque da pobreza, ou seja, garantir um complemento de renda aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social é fundamental para reduzirmos a pobreza. Porém, o caráter transitório deste deve ser salientado. Isso porque, a transferência de renda é um estanque temporário da pobreza enquanto as diversas outras políticas atuam de modo a garantir as bases para que os beneficiários se emancipem do programa e passem a auferir renda através de seus próprios meios sem mais necessitar do beneficio do governo.

Além disso, um ponto importante é garantir que o programa não seja um programa de governo, mas sim , um programa garantido em lei. Ou seja, fazer com que o PBF seja incluído na legislação brasileira como direito a todos aqueles que se enquadram nos pré – requisitos do programa. Pois sem esta garantia, com mudança de partido político no poder, a conseqüência pode ser a extinção deste e com isso a piora da vida daqueles que dependem do programa para garantir seu sustento.

Portanto, concluo que o PBF é sim uma importante política social de combate a pobreza, mas, se este não for combinado as políticas sociais universais, que tem resultados no longo prazo, além de investimentos em infra- estrutura, geração de empregos, crescimento econômico com desenvolvimento social, jamais terá resultados significativos na erradicação da pobreza e o objetivo principal do programa, que é a emancipação dos beneficiários, não acontecerá e a redução dos indicadores que medem a pobreza serão apenas uma ilusão.

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Por fim utilizando a metáfora de Soares e Satyro (2009) que afirmam, que os programas de transferência de renda são a “UTI da pobreza”, ou seja, o PBF é a transfusão de sangue para manter o paciente vivo, enquanto que as políticas sociais universais, a geração de oportunidades e o crescimento econômico curam o mal da pobreza.

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Benzer Belgeler