Para a avaliação da situação das Áreas de Preservação Permanente junto às margens do reservatório de Capivara, no rio Paranapanema, foi considerada como critério a RESOLUÇÃO CONAMA nº 302, de 20 de março de 2002 que estabeleceu o limite de 100 metros, sobre a delimitação das Áreas demPreservação Permanente em reservatórios artificiais, uma vez que o Artigo 4° da Lei 12.727/2012 define que a APP das áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água naturais, é estabelecida na faixa definida na licença ambiental do empreendimento.
Esta resolução re gulamentava o art. 2º da Lei nº4. 771, de 1965, no que concerne às Áreas de Preservação Permanente no entorno dos reservatórios artificiais.
De qualquer forma, o conjunto de legislações considera que as Áreas de Preservação Permanente e outros espaços territoriais especialmente protegidos, como instrumento de relevante interesse ambiental, integram o desenvolvimento sustentável, em função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
O Artigo 5º desta Resolução determina que na implantação de reservatório d’água artificial destinado a geração de energia ou abastecimento público, é obrigatória a aquisição, desapropriação ou instituição de servidão administrativa pelo empreendedor das Áreas de Preservação Permanente criadas em seu entorno.
Conforme estabelecido no licenciamento ambiental, observando-se a faixa mínima de 30 (trinta) metros e máxima de 100 (cem) metros em área rural, e a faixa mínima de 15 (quinze) metros e máxima de 30 (trinta) metros em área urbana
(Redação dada pela Lei nº 12.727, de 2012).
O artigo 62 da Resolução ainda contempla as Áreas de Preservação Permanente no entorno dos reservatórios artificiais: Para os reservatórios artificiais de água destinados a geração de energia ou abastecimento público que foram registrados ou tiveram seus contratos de concessão ou autorização assinados anteriormente à Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, a faixa da Área de Preservação Permanente será a distância entre o nível máximo operativo normal e a cota máxima maximorum.
Também constitui objeto da presente Resolução o estabelecimento de parâmetros, definições e limites para as Áreas de Preservação Permanente de reservatório artificial e a instituição da elaboração obrigatória de Plano Ambiental de Conservação e Uso do seu Entorno. Também cabe a elaboração de Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatório Artificial (PACUERA), conjunto de diretrizes e proposições com o objetivo de disciplinar a conservação, recuperação, o uso e ocupação do entorno dos reservatórios artificiais respeitados os parâmetros estabelecidos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis; e também Nível Máximo Normal ou a cota máxima normal de operação do reservatório artificial.
As mudanças causadas no leito do rio resultam na modificação de um complexo sistema de rio (lótico) para um imenso lago artificial (lêntico), apresentando diferenças estruturais e funcionais relativas àquelas encontradas nos rios e lagos natural. Este tipo de alteração é um dos que interfere diretamente nas APPs, as quais são trechos localizados ao longo dos lagos, lagoas, rios e nascentes, além de encostas com altas declividades e topos de morros, instituídas legalmente devido a sua importância para o equilíbrio do meio ambiente, garantindo a manutenção e conservação da fauna e flora.
A manutenção da Cobertura vegetal nas áreas de preservação permanente é de extrema Importância para garantir o equilíbrio hídrico e sedimentológico de uma bacia hidrográfica, pois contribui para o aumento da infiltração de água no solo, reduzindo o escoamento superficial e, consequentemente, os processos erosivos. Isto também é verdadeiro para os reservatórios.
Ao retirar a cobertura vegetal das áreas de preservação permanente provoca- se alteração no equilíbrio ambiental do ecossistema, modificando as características
das estruturas do solo, diminuindo a taxa de infiltração e aumentando a taxa de escoamento superficial. Com a diminuição da permeabilidade do solo, este perde sua capacidade de aeração e aumenta a força de cisalhamento.
As áreas degradadas são as mais comprometidas de toda área de estudo, uma vez que são aquelas ocupadas por processos erosivos severos e, consequentemente, por assoreamentos intensos (CRIADO, 2008).
Os impactos sobre os recursos naturais, neste caso, também são severos, pois solo água, vegetação e fauna silvestre ficam completamente comprometidos nestas condições. Além de diminuir os processos erosivos e aumentar a taxa de infiltração de água no solo, a vegetação ciliar atua como um filtro de poluentes, defensivos, corretivos e fertilizantes agrícolas, os quais geralmente são utilizados em larga escala e de maneira constante, causando impactos ambientais por um longo período de tempo.
A vegetação ciliar protege contra a erosão das margens dos rios, atuando na estabilização do talude com sua extensa malha de raízes, o que dá estabilidade aos barrancos. As áreas de preservação permanente proporcionam a provisão de água, alimento e abrigo para um grande número de espécies animais e vegetais, possuem a finalidade de formação de corredores ecológicos, tanto para a fauna quanto para a flora, e também para conectar resquícios de matas, propiciando o fluxo gênico entre as espécies.
Ainda segundo Barrella et al. (2001, p.195), são muitas as relações existentes entre os sistemas terrestres e aquáticos. As áreas ripárias apresentam importantes funções hidrológicas, ecológicas e limnológicas para a integridade biótica e abiótica do sistema. Do ponto de vista da biologia dos peixes, a mata ciliar possui as seguintes funções ecológicas:
1) proteção estrutural dos habitats; 2) regulagem do fluxo e vazão de água; 3) abrigo e sombra;
4) manutenção da qualidade da água;
5) filtragem de substâncias que chegam ao rio; e
6) fornecimento de matéria orgânica de fixação de algas e perifíton
Os fatores relacionados à cobertura vegetal podem influenciar os processos erosivos de várias maneiras: pelos efeitos espaciais da cobertura vegetal, pelos
efeitos na energia cinética da chuva, e do papel da vegetação na formação de húmus, que afeta a estabilidade e teor de agregados.
A densidade da cobertura vegetal é fator importante na remoção de sedimentos, no escoamento superficial e na perda de solo.
O tipo e percentagem de cobertura vegetal podem reduzir os efeitos dos fatores erosivos (GUERRA, 1996). A erosão é o processo de remoção de partículas de solo, rocha e minerais, e pode ser causada pela ação do vento, das águas fluviais e pluviais, variação de temperatura, radiação solar, animais, microrganismos, dentre outros (SUGIO, 1998; GUERRA e CUNHA 1999), faz-se necessário destacar que a erosão é um processo natural e deve ocorrer para manter o equilíbrio ambiental.
Porém, quando os processos erosivos ocorrem de maneira intensa e acelerada, causados geralmente por fenômenos naturais, terremotos, furacões, ou por ações antrópicas, dificultando a capacidade de recuperação do ambiente torna- se um grande problema, como o surgimento de ravinas e voçorocas, assoreamento dos corpos d’água, dentre outros.
As erosões apresentam três fases distintas: o destacamento das partículas do solo, o transporte pelas enxurradas e a sedimentação, em fundos de vale ou leitos dos rios. Guerra (2006, p. 15-16), ainda destaca sobre as alterações
no meio físico:
[...] ao procurar conceituar e entender a Geomorfologia Ambiental há que levar em conta aspectos relacionados à exploração de recursos naturais, mudanças físicas nos ecossistemas terrestres e aquáticos (rios-lago), quando da intervenção humana, ou de ordem natural, diagnóstico dos danos ambientais causados pela ação do homem, bem como prognósticos da ocorrência de catástrofes, em virtude da ocupação desordenada do meio físico, que podem afetar a saúde humana e a dos ecossistemas.
As erosões podem ainda ser potencializadas pelo uso de máquinas e implementos que causam dois efeitos nos solos:
• A desagregação das partículas - arado, deixando o solo sem cobertura, solto e sem estrutura na camada superficial;
• A compactação, nas camadas inferiores, reduzindo a infiltração das águas. Nessas condições, as gotas das chuvas soltam as partículas, que, posteriormente, são facilmente transportadas e em grande quantidade. Além disso, a redução da infiltração significa o aumento da quantidade de água que escoa na superfície, produzindo maior volume de enxurrada.
Esta transporta as partículas e, pelo caminho, causa sulcos que vão aumentando a cada chuva, podendo se transformar em voçorocas. Quando as águas carregadas de partículas encontram menor declividade, reduzem a velocidade, possibilitando a sedimentação das mesmas. Juntamente com as partículas vão os fertilizantes e agrotóxicos que ficaram aderidos a elas.
A existência da cobertura vegetal controla o escoamento superficial e subsuperficial das águas pluviais, uma vez que segundo ABGE (1995) a cobertura vegetal exerce um papel de defesa e proteção contra os agentes erosivos. Exemplifica a função da vegetação no controle dos processos erosivos.
A partir do debate gerado sobre a importância das APP, tanto ecológicas quanto sobre sua influência na economia do Brasil, verifica-se que as mesmas são consideradas fundamentais para a sociedade e para o ambiente. No entanto, muitas das informações tidas como base para os argumentos de ambos os lados, são contraditórias e imprecisas, uma vez que inexistem bases de dados confiáveis na escala que esta discussão exige. A partir desta constatação, este trabalho elaborou um conjunto de mapas em escala detalhada para sanar esta deficiência e para analisar o uso da terra nas APP do reservatório em estudo.