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Sezgi Gücünün Yanılttığı Durumlar İle Sezgi Gücünü Olumsuz

4. BULGULAR VE YORUM

4.6 Sezgi Gücünün Yanılttığı Durumlar İle Sezgi Gücünü Olumsuz

A Análise de Fontes Documentais baseou-se no resgate das atas e demais documentos do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, além da análise da legislação municipal específica. Neste ponto, encontramos dificuldades para a realização da pesquisa, devido à falta de organização desta documentação (atas, ofícios expedidos e recebidos, além de outros documentos)

conforme já mencionamos anteriormente. O processo de mudança dos membros que compõem a Diretoria do Conselho, bem como a falta de uma sede para o órgão, se apresentaram como um agravante para esta questão. Observamos que a documentação estava aparentemente desorganizada: atas fora de ordem, ofícios e outros documentos sem identificação, enfim. Neste período, com a mudança de presidentes, alguns documentos acabaram se perdendo, e com isso também, um pouco da história da gestão das políticas para crianças e adolescentes no município também se perdeu. Analisando a sistematização dos documentos e arquivos do Conselho, notamos que alguns documentos tornaram-se parte do arquivo pessoal dos antigos presidentes, outros estavam alojados em uma sala “provisória” de uma Secretaria Municipal sem ordem e nem mesmo uma sistematização definida. É sabido que os arquivos sejam eles institucionais (públicos ou privados), ou pessoais (ou familiares) são documentos extremamente importantes pois, de certa forma contam a história de certa instituição ou organização. Desta forma, nesta fase procuramos nos orientar pela leitura, análise e investigação destes documentos relevantes do órgão, a fim de fornecer informações sobre os registros escritos de todos os encaminhamentos, providências e decisões tomadas por esta instância.

No entanto, este trabalho de sistematização das informações tornou-se inviável devido à especificidade, bem como a temporalidade da presente pesquisa. Este trabalho demandaria tempo e dedicação exclusiva, constituindo-se até mesmo como um estudo complementar aos dados coletados nesta. Para tanto, faz-se necessário organizar e catalogar toda a documentação para, posteriormente dedicar-se a uma análise mais aprofundada dos conteúdos.

Entendemos que a Análise de Fontes Documentais é um valioso instrumento, especialmente por apresentar uma forma de organização das informações. Pode fornecer informações de como se constrói a história de alguma instituição, como esta construção é percebida pelas pessoas ao longo do tempo, como se formam os processos sócio-institucionais.

Vale ressaltar que, nesta pesquisa, não trabalhamos com as pastas e prontuários do Conselho Tutelar, pois nossos objetivos não se pautavam em estudo de casos especificamente, mas na questão da constituição das políticas públicas e suas articulações no município, tendo como referências estes órgãos de defesa de direitos.

compilar registros e analisar a aplicação dos recursos na área da infância e juventude no município. Por meio de entrevistas, obtivemos a informação de que ainda não foi definido ou delimitado um plano de aplicação dos recursos do Fundo. Tal realidade, figura também no cenário nacional, como mostra a pesquisa desenvolvida pelo CEATS / FIA – Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo:

(...) temas relacionados ao Fundo da Criança e do Adolescente e à necessidade de recursos, reafirmando que uma das principais dificuldades enfrentadas está relacionada à implementação efetiva do Fundo e à falta de recursos que possibilitem ações. Vale lembrar que menos da metade dos Conselhos receberam alguma vez recursos para o Fundo. (PESQUISA CONHECENDO E REALIDADE, 2007, p.162)

No que tange a legislação, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Assis e o Conselho Tutelar foram criados a partir da Lei Municipal n. 3.150, de 02 de outubro de 1992. Posteriormente, em 24 de setembro de 1996, foi promulgada uma Lei Municipal, alterando os dispositivos da Lei anterior e dispondo sobre a Política Municipal de atendimento aos direitos da criança e do adolescente.

A Lei Municipal que dispõe sobre a política municipal de atendimento aos direitos da criança e do adolescente e que cria o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente teve sua primeira versão em 1992, passando por uma nova redação em 1996 e por uma Alteração de Dispositivos em 2002 e estabelecendo uma Resolução Normativa em 2007.

Esta lei, aprovada pelo Prefeito Municipal, sanciona as seguintes normativas : “- Dispõe sobre Política Municipal de atendimento aos direitos da criança e do adolescente e estabelece normas gerais para a sua adequada aplicação, nos termos da Lei Federal n. 8.069/90 (ECA).

- A criança e o adolescente serão concebidos como sujeitos do direito à vida, à dignidade e à liberdade, que se encontram em situação peculiar de desenvolvimento, o que significa colocá-los como prioridade absoluta na política social do Poder Municipal, para assegurar-lhes a proteção e os serviços de que necessita.

- Assegura e estimula a colaboração entre os órgãos públicos entidades não governamentais que atendem criança e adolescente.

Determina que atendimento à criança e adolescente se fará no âmbito municipal, através de : políticas sociais básicas, políticas e programas de assistência social, serviços de prevenção; serviços de localização de pais; e serviços de proteção jurídico-social.

- O município destinará recursos e espaços públicos para as atividades culturais, esportivas e lazer.

- Dispões sobre órgãos de atendimento aos direitos da criança e do adolescente: Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

- Dispõe sobre a criação de programas de atendimento de proteção ou sócio- educativos: orientação e apoio sócio-familiar, apoio sócio-educativo, colocação familiar, abrigo, liberdade assistida, semiliberdade e internação.

- Do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. - Da Criação e natureza do Conselho: órgão deliberativo e controlador.

- Da Composição, dos mandatos e do processo de escolha: composto de 20 membros, paritariamente composto por membros da sociedade civil e do poder público.

- Dispõe sobre a Função de Conselheiro de Direitos, considerada de interesse público relevante e não remunerada. O Conselheiro Tutelar, diferente do Conselheiro Municipal dos Direitos, tem a função constando do quadro da Prefeitura Municipal, como funcionário em cargo de comissão. O Conselheiro Tutelar aplica as medidas específicas de proteção, previstas no ECA, enquanto que o Conselheiro de Direitos é responsável pela formulação e monitoramento das políticas públicas.

- Define as atribuições e competências: formular a política municipal de atendimento aos direitos das crianças e adolescentes.

- Dispõe sobre o Fundo Municipal dos Direitos;

- Dispõe sobre a Criação e Natureza do Conselho Tutelar, atribuições, competências e funcionamento, regime de trabalho, remuneração e perda do mandato”(Assis/SP, LEI MUNICIPAL n. 3.150, de 02 de outubro de 1992).

A mesma Lei, apresenta ainda a composição do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente no município, como demonstrado na tabela abaixo:

Tabela 1. Composição do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Assis/SP – (relativo ao período de 1992 a 2002)

PODER PÚBLICO SOCIEDADE CIVIL

Saúde Pública Entidades infância e adolescência

Educação Municipal Atendimento à família

Cultura, esporte e lazer Organizações e profissionais liberais Planejamento e Finanças Organizações de sindicatos patronais

Assistência Social Organizações religiosas

Educação Estadual Entidades Populares

Ensino Superior Clubes de serviços

Segurança Pública Entidades Portadores Deficiência

Câmara Municipal Escolas particulares

Poder Judiciário Profissionais da educação

Fonte: Lei Municipal n. 3.150, de 02 de outubro de 1992.

No entanto, a Lei n. 4.138 de 26 de fevereiro de 2002, altera dispositivos da Lei Municipal, supracitada. Esta nova normativa tem como ápice a definição do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente como órgão deliberativo e formulador (não mais controlador, como mencionava a legislação anterior) das políticas públicas.

A mesma lei define ainda, novas normas para o processo de escolha dos Conselheiros Tutelares, que passa a se constituir de: Prova individual, Entrevista individual e Eleição através de Colégio Eleitoral. Determina também que, para candidatar-se à função é necessário curso superior completo (anteriormente, poderia se candidatar aquele que obtivesse apenas 2º grau) e experiência na área de atendimento à criança e adolescente.

Além disso, altera a composição do Conselho de vinte para vinte e oito membros, e define novas representações por segmento, de acordo com a tabela:

Tabela 2. Atual composição do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Assis/SP– (relativo ao período de 2002 até atual)

Fonte: Lei n. 4.138 de 26 de fevereiro de 2002

PODER PÚBLICO SOCIEDADE CIVIL

02 Saúde Pública 02 Entidades infância e adolescência

02 Educação Municipal 02 Atendimento à família

02 Cultura, esporte e lazer 02 Organizações e profissionais liberais 02 Assistência Social 02 Organizações religiosas

02 Educação Estadual 02 Entidades Populares

02 Ensino Superior 02 Clubes de serviços

02 Segurança Pública 02 Grupos dependentes químicos