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SEKTÖREL SANAYİLEŞME AMACI: 1930’LU YILLAR

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Barış ÖVGÜN * Bu çalışma, Türkiye’de planlamanın 1930’lardan günümüze arz

SEKTÖREL SANAYİLEŞME AMACI: 1930’LU YILLAR

Não devemos nos apressar em uma conclusão assim precipitada, uma vez que as partes que estamos aproximando apresentam grande complexidade. Não nos cabe aqui realizar um estudo sobre a noção de verdade de Hacking, para então confrontá-la com os pontos desenvolvidos em relação à verdade em Lacan. Podemos, contudo, estabelecer interessantes pontos de diálogo entre as ideias de Hacking e o caminho que percorremos neste estudo.

Primeiramente, não podemos deixar de notar uma clara possibilidade de aproximação no modo de se entender que nunca se produz um conhecimento completo de um fenômeno ou de uma entidade, embora possa se notar a existência de efeitos e causas. Nesse sentido, temos um ponto em comum que diz respeito (1) à incompletude do saber produzido frente a um real que excede a realidade. Como diz Guy Le Gaufey,

Aí está o que a psicanálise pode trazer de mais precioso à racionalidade científica: uma capacidade de reconhecer o que é que têm de decisivo esses relances imaginários na encruzilhada das redes simbólicas com as quais a maioria das ciências aspira, ainda, a se confundir totalmente. A ciência reduzida a ser só calculo: aí está um ideal clássico que implicava, sem dúvida alguma, uma efetiva completude do simbólico. A partir do momento em que o contrário é verdadeiro, esse ideal pode não ter mais o mesmo poder legiferante, e a ciência que resta a ser feita poderia, talvez, sem temer por sua sustentação racional, interessar-se por um sujeito do qual, no passado, ela não tinha ideia — um sujeito que se origina, assim como ela, na borda de uma mesma incompletude. (Le Gaufey, 2001/2016; tradução no prelo)

Embora esse tipo de posicionamento não seja exclusivo do realismo científico de entidades, vimos como essa ideia é central na construção de Hacking, assim como o é para a psicanálise. Um segundo ponto interessante de interlocução encontra-se entre a ideia da criação de fenômenos e a defesa, por parte de diversos psicanalistas, de que (2) certos fatos sobre os quais versa a teoria analítica seriam produzidos num contexto específico. Nesse sentido, reconhecemos um ponto de possível aproximação no que diz respeito ao fato de que a criação de fenômenos que não podem ser encontrados na mesma forma na natureza (ou na sociedade) não depõe contra a consistência de sua existência, nem contra sua pertinência conceitual. Poderíamos então considerar que a clínica teria grande proximidade da experimentação científica pelo fato de criar fenômenos novos que produzem avanços na teoria? Em certo sentido, sim — uma vez que isso, de fato, acontece. Entretanto, continua

apresentado um problema em relação ao caráter privado em que isso é produzido, de modo que suas extrapolações são sempre um pouco frágeis. Como dizem Rassial e Pereira,

Nos seria suficiente, assim, sem lhe dar substância, tratar o inconsciente como um efeito do próprio dispositivo analítico, mas somente, em extensão, no campo antropológico, como uma ficção nocional que permite dar uma razão parcial a certos fenômenos, o que tenta Freud já na Psicopatologia da

vida cotidiana. (Rassial; Pereira, 2008, p. 75; tradução nossa)

Em outras palavras, podemos pensar, a partir de Hacking, que entender o inconsciente enquanto algo produzido a partir de uma experiência criada — que não seria encontrada desse modo na realidade — em nada diminui seu valor. Mais do que isso, a possibilidade de explicação de outros fenômenos a partir do que se conhece sobre o inconsciente só faz confirmar sua existência. Nesse sentido, o inconsciente poderia ser verificado a partir de seus efeitos. Lembremos que o cerne da crítica de Grünbaum é a possibilidade de sustentação da existência do inconsciente freudiano, um inconsciente dinâmico que funcionaria atravessado pelo mecanismo da repressão. Tendo o realismo científico de entidades como referência, a existência poderia ser estabelecida a partir da possibilidade de explicação e criação de outros fenômenos a partir do que se conhece sobre o inconsciente. Grande parte de validações extraclínicas utilizam como recurso a explicação de outros fatos,24 entretanto essa modalidade é vulnerável a críticas de falta de controle e precisão. O experimento de Shevrin, entretanto, parece realizar justamente o que é defendido enquanto o valor do experimento para o realismo, e aí vemos um terceiro ponto interessante de aproximação: ele (3) cria um fato novo a partir das premissas da psicanálise.

Podemos entender, nessa perspectiva, que um experimento, realizado de modo completamente baseado em material clínico qualitativo, tem seu mérito em criar um fenômeno novo que só pode ser idealizado a partir do que era conhecido acerca das entidades cuja existência se queria provar. Não significa que conflitos inconscientes ou resistência não existiam antes do experimento, mas sim que a experiência de um sujeito olhando para a tela de um taquistoscópio — na qual estavam sendo projetadas palavras, previamente escolhidas, sub e supraliminarmente, e com a possibilidade de medição das ondas alfa —, isso é uma experiência inédita. Não se trata, portanto, de representação da realidade, mas sim da criação de um fenômeno no qual certos efeitos podem ser observados com maior precisão e controle,

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e que só pôde ser elaborado a partir da manipulação de certas entidades. Para além das diversas explicações que podem ser relacionadas ao que se encontrou (e que se encontra na clínica), o que se pode estabelecer é a existência dos conflitos inconscientes como causa de uma inibição ligada à repressão. O que se constata, no limite, é que essa inibição é causada, e o experimento explicita as entidades a partir das quais isso pode ser produzido.

Além disso, não se trata também de realizar um experimento que seja completamente replicável. Segundo Hacking, o interesse não está exatamente na repetição, mas esta seria, na verdade, uma consequência de um experimento de sucesso:

Todo mundo já ouviu dizer que os resultados experimentais, por definição, precisam ser reproduzíveis. No meu modo de ver, dizer isso é como formular uma tautologia. O experimento é a criação dos fenômenos; os fenômenos precisam ser regularidades discerníveis — logo, um experimento que não pode ser repetido não pode ter criado um fenômeno. (Hacking, 1983/2012, p. 329)

Por outro lado, a possibilidade de repetição da criação de regularidades discerníveis não significa que os experimentos precisem ser idênticos. Ao contrário, como diz o autor, usualmente os experimentos são reconstituídos com outros equipamentos, com o intuito de se gerar dados mais precisos. Nesse sentido, não existe uma relação necessária entre todos os detalhes do experimento e a criação de regularidades discerníveis. Isso nos interessa, uma vez que qualquer tipo de reconhecimento de regularidade que tenha a clínica como fonte nunca tem como partida conjunturas exatamente iguais. Pelo contrário, as regularidades são percebidas a partir de eventos atravessados por uma singularidade radical, o que não impede, contudo, que possamos reconhecer padrões. Aqui encontramos um quarto ponto de possível articulação, uma vez que é (4) a busca por regularidades discerníveis — e não por uma repetição total — que permite que um experimento empírico possa ser articulado com dados clínicos qualitativos sem que a clínica perca sua especificidade.

Além disso, acreditamos que essa racionalidade presente na obra de Hacking, que indica a pertinência de algo a partir de sua possibilidade de explicar e produzir outros fenômenos, pode ser de grande valia para a psicanálise. Mesmo com as dificuldades encontradas nas articulações com validações experimentais, a articulação com outros campos a partir das quais se pode estabelecer a consistência de aspectos da clínica psicanalítica de modo mais aberto é extremamente interessante. Nesse sentido, reconhecemos, por exemplo, a via aberta pela problemática do efeito placebo, fenômeno cuja explicação pode muito bem ser

feita a partir de conceitos psicanalíticos, e que permite, por outro lado, experimentações com possibilidade de articulação com a clínica (Brakel, 2007).

Porém, há ainda um ponto que deve ser questionado, que diz respeito à experimentação enquanto prática importante no avanço do conhecimento, justamente por produzir novos efeitos que demandam desenvolvimentos teóricos. O que podemos pensar disso em relação à psicanálise? Num primeiro momento, obviamente indicaríamos que a clínica funciona exatamente deste modo: seria justamente a partir da consideração da soberania da clínica sobre a teoria, e nos furos produzidos pelo real na clínica, que seriam produzidos os avanços do pensamento psicanalítico. Talvez não todos, se considerarmos os férteis encontros que a psicanálise tem com outras disciplinas que muito contribuem para seu desenvolvimento teórico e clínico — como vemos, por exemplo, nas articulações entre psicanálise e antropologia (Dunker, 2015), ou mesmo nos recursos à linguística (Milner, 2010). Porém, o que poderíamos pensar em relação à experimentação? Existiria a possibilidade de se produzir avanços teóricos?

Enquanto possibilidade, a resposta é claramente positiva, uma vez que não haveria nada que impedisse a produção de efeitos que demandassem novas explicações. Mas, na prática, qual seria a chance disso acontecer? No experimento de Shevrin, por exemplo, pode- se reconhecer algum resultado que possa produzir avanços? De fato, sim: lembremos que os autores apontam para a produção de resultados inesperados em relação à similaridade encontrada na previsão de potência alfa de primes supraliminares de sintomas conscientes, em relação a alvos de sintoma consciente e a alvos de palavras controle. Uma primeira hipótese é levantada, sobre a possibilidade de esse tipo de inibição ser produzida pela rememoração de situações sintomáticas, feita de modo consciente. Seria, portanto, uma possibilidade de aprofundamento das diferenças entre a inibição com causas inconscientes e a inibição com causas conscientes — o que é indicado como assunto a ser tratado em futuros estudos. Trata- se, sem dúvida, de uma questão bastante insipiente, e talvez até mesmo lateral para a psicanálise. Isso não significa, todavia, que questões mais interessantes não possam surgir com o aperfeiçoamento dos experimentos, fato inclusive previsto por Hacking, ao indicar a grande frequência com que, inclusive, os experimentos falham:

Experimentar é criar, produzir, refinar e estabilizar os fenômenos. Se estes fossem abundantes na natureza, como amoras prontas para serem colhidas no verão, o não funcionamento dos experimentos seria estranhíssimo. Mas os fenômenos são difíceis de serem produzidos de qualquer forma estável. Por isso eu falei a respeito de criar fenômenos, e não meramente de descobri-los. Trata-se de uma tarefa longa e árdua. (Hacking, 1983/2012, p. 330)

Nesse sentido, se retomarmos a pergunta de se a articulação da psicanálise com neurociências ou com alguma outra ciência experimental poderá trazer avanços significativos para o pensamento psicanalítico, há indícios de que sim. Mais que isso, o que podemos afirmar é a inexistência de qualquer impedimento necessário da articulação entre os dois campos, além dos ganhos em se debruçar sobre tal empreendimento.

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