yaklaşımıyla daha çok faşist veya dinci tarih yorumuna yaklaşmaktadır Zaten
CUMHURİYETİN YÖNETİM FELSEFESİ: Kişinin ve Zümrenin Değil, Halkın Yönetim
Não se trata de uma questão nova, e a dificuldade de se estabelecer um modo de validação viável e satisfatório parece atravessar algumas gerações. Se podemos reconhecer, como indicado no capítulo 1, movimentos de aproximação de ciências como a linguística e a antropologia, isso não parece ser suficiente — ao menos para alguns modos de hierarquização epistemológica (como acabamos de ver). Assim, a pergunta por validações empíricas em moldes experimentais persiste, e parece dividir os psicanalistas.
Em geral, pode-se notar que alguns avanços têm sido realizados no campo das neurociências, a partir de um cruzamento entre a teoria psicanalítica e novas possibilidades de estudos neurocientíficos recentes. Entretanto, essa associação de diferentes disciplinas não se mostra sempre harmoniosa, podendo se reconhecer certas disputas por hegemonia. Como aponta Winograd (2004), um primeiro momento do desenvolvimento das neurociências teria sido marcado pela rejeição de teorias “não científicas” (como a psicanálise), num movimento de deslegitimação de qualquer explicação que não se baseie em hipóteses puramente biológicas. É o que motiva, por exemplo, posicionamentos como os de Faveret:
Se o terreno em que se move a neurociência é o do objetivismo, fica difícil pensar a possibilidade de sua articulação com a psicanálise. O próprio Freud já alertara muito claramente que os psicanalistas, em sua prática clínica, deveriam empregar a moeda corrente do país que estão explorando, isto é, a
moeda da realidade psíquica, das fantasias inconscientes, e não a moeda da realidade externa. (Faveret, 2006, p. 23)
Esse tipo de recusa realmente pode ser aplicado a uma parte dos estudos em neurociências, que acabam simplesmente por defender uma subordinação de alguns conceitos psicanalíticos a localizações e mecanismos cerebrais, indicando uma superioridade das explicações biológicas. Como indica Carvalho (2011), esse tipo de assimilação só faria aprofundar um movimento de silenciamento do sujeito, que passa a ser visto como pura consequência de processos orgânicos e, portanto, preso em uma lógica capitalista de consumo de terapias e gadgets científicos.
Entretanto, deve-se ter cuidado para não cair em uma espécie de maniqueísmo epistemológico (ou metodológico), recusando a possibilidade de que contribuições interessantes possam ser produzidas nesse campo. Como aponta Mona Winograd, também haveria uma recusa por parte dos psicanalistas em estabelecer um diálogo, o que não traz nenhum benefício para o pensamento psicanalítico. Segundo a autora,
Parece urgente uma pesquisa que, com criatividade e abertura crítica e séria, possa investigar tanto o novo campo formado quanto os efeitos deste movimento internamente à psicanálise. Nem a psicanálise pode mais manter sua “belle indifférence” relativamente à neurociência, nem esta pode mais seguir afirmando que a psicanálise deve ser descartada por ser uma teoria ficcional, fruto da imaginação fértil de um positivista excêntrico que abandonou a via tradicional da experimentação confiável cientificamente. (Winograd, 2004, p. 22)
Nesse sentido, Winograd indica alguns estudos que trabalhariam essa possibilidade de articulação com sucesso, defendendo assim a proficuidade desse encontro. Trata-se de estudos sobre mecanismos envolvidos na constituição da memória, ou mesmo considerações sobre conteúdos que não são facilmente relembrados, embora possa se reconhecer que estejam inscritos mnemicamente. Além disso, outros estudos mais aprofundados também têm sido feitos:
Igualmente, hoje em dia, já se acumulam estudos que pretendem oferecer sustento experimental para a hipótese freudiana do recalque. Um dos mais recentes foi anunciado na mídia como tendo revelado um mecanismo neurológico de bloqueio da memória. Em janeiro de 2004, em Washington, cientistas americanos identificaram em imagens de ressonância magnética o mecanismo biológico por meio do qual as pessoas esquecem ativamente lembranças indesejáveis (GABRIELI et al., 2004). O estudo destes cientistas da Universidade de Stanford (Califórnia) e da Universidade de Oregon pretendeu explicar casos de bloqueio de memória especialmente nas
situações de abusos sexuais sofridos por crianças que não lembram deles quando se tornam adultas. Sua existência foi percebida por meio da utilização de imagens cerebrais que mostravam os sistemas neurológicos participantes deste bloqueio. (Winograd, 2004, p. 25)
Estudos como esse têm sido cada vez mais frequentes, e a articulação da psicanálise com as neurociências tem se mostrado um caminho interessante tanto de validação de conceitos psicanalíticos como descoberta de fenômenos a serem estudados. Um bom exemplo é o livro Comment les neurosciences démontrent la psychanalyse [Como as neurociências demonstram a psicanálise] (2004), de Gérard Pommier. Nesta obra, o psicanalista francês faz um uso extensivo de estudos neurológicos sobre diversos assuntos, demonstrando sua compatibilidade com desenvolvimentos psicanalíticos.
Entretanto, um detalhe deve ser observado: embora uma série de correlações possam ser estabelecidas, inclusive se possa indicar até a localização cerebral onde ocorreriam certos processos também descritos na psicanálise, é importante notar que o simples reconhecimento de mecanismos não necessariamente demonstra correlações satisfatórias com a teoria psicanalítica. É exatamente essa crítica que o início da argumentação de Grünbaum tenta estabelecer: que, embora certos aspectos observados possam ser articulados com conceitos psicanalíticos, eles também podem ser articulados com outras estruturas explicativas, de modo que deve ser possível indicar traços mais aprofundados que apontem para diferenças cruciais entre o modo como certos fenômenos são entendidos pela psicanálise e por disciplinas que se mostram até mesmo contraditórias a ela.
É nesse sentido que a diferenciação entre o inconsciente freudiano e o inconsciente cognitivo mostra-se central para Grünbaum, pois somente indicar a existência de conteúdos inconscientes não atesta a validade do inconsciente dinâmico proposto na psicanálise. Nesse sentido, estudos que simplesmente indicam a localização de fenômenos, ou mesmo a existência de processos — sem, contudo, possibilitar inferências causais —, não estabeleceriam uma articulação sólida com a psicanálise. Daí a importância de se trabalhar a repressão, mecanismo que estaria ligado à possibilidade de sustentação de uma noção de inconsciente que não seria somente aquilo que não é consciente.
Levando isso em consideração, optamos por aprofundar a discussão a partir de um experimento que toca diretamente nesse ponto, inclusive sendo mote de um debate entre Grünbaum e seu pesquisador sênior.