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BÖLÜM II. YATIRIMIN ve FİNANSMANIN BELİRLEYİCİLERİ

2.4. Türkiye’ de Yatırım ve Finansman Kararları

2.4.2. Türkiye’de Sektör Bazında Yatırım Finansman Kararları

2.4.2.3. Sektörün Rekabet Düzeyi ve Faaliyet Alanı

O sentido de cultura como resultado da capacidade produtiva do homem remete muito além dos produtos culturais. Etimologicamente, a palavra cultura origina-se do verbo colere. Cultura representava o cultivo e o cuidado com plantas, animais e tudo que se relacionava a terra, ou exatamente, agricultura (EAGLETON, 2005; CHAUI, 1987; GOMES, 1999). Em complemento, o termo cultura era utilizado para tratar do cuidado com as crianças, sua educação e o desenvolvimento de suas virtudes naturais; puericultura. Sob outro aspecto, Arendt (2009) destaca que este cuidado com a educação referia-se ao cultivo do espírito, sendo a cultura também atrelada ao cuidado com os deuses, os ancestrais e seus monumentos, recobrados pela memória.

O sentido da palavra cultura incorpora novos significados a partir do século XVIII. Este século é marcado pela substituição da fé pela razão, donde consolidam-se os ideais iluministas e formam-se as bases positivas para o desenvolvimento da ciência, da libertação do homem do período das trevas. O ideário progressista ressoa na própria condição de vida da população, particularmente na Europa, e encontra na cidade seu locus de manifestação, de forma que a cidade seja vista como produto da razão e o campo do empirismo (LEFEBVRE, 1999).

Para Gomes (1999, p. 110-111) “o sentido de cultura como obra, a aparência e o resultado do trabalho humano sobre a natureza, produto material e técnico de uma sociedade sobre o terreno” ganhou um sentido metafórico. Este sentido se dá na assunção da educação enquanto instrumento de transformação do espírito humano. Espírito este que se manifesta como um “campo ordenado e produtivo de ideias e comportamentos” que caracterizam a ideia de um homem educado, e que portanto, se afasta da ideia de “natureza humana pura”. Assim, o homem se projeta não como produto da natureza, mas como produto de uma sociedade, “naquilo que ela apresenta de melhor”. Este processo se desenvolve sob os pilares do conhecimento acumulado que designa a cultura um caráter de saber. Por consequência, o homem de cultura “possui instrução, espírito cívico e público”.

191 Estabelece-se aqui um ponto fundamental para o processo de elaboração da cultura a partir de uma base racional, reflexiva. De acordo Raymond Williams (2011b), o termo cultura articula- se, ora positiva, ora negativamente com o termo civilização. Derivado do latim cives e civitas, civilização “referia-se ao civil, como homem educado, polido, e à ordem social” – sociedade civil. Contudo, o significado de civilização extrapolava o sentido civil, representando um estado de perfeição, uma etapa evoluída do desenvolvimento histórico-social, remetendo à ideia de progresso (CHAUÍ, 1987, p. 11-12; GOMES, 1999).

No caso de Cataguases, a distinção estabelecida entre iletrados e instruídos também é preponderante para a concessão e exclusão do acesso à cultura, tanto na produção quanto no consumo. Antes de entrar propriamente na configuração desse processo, cabe tecer alguns comentários acerca do período entre o estabelecimento da arquitetura modernista e a retomada das atividades culturais por parte do capital.

O período entre os anos 20 e 50 foi marcado pelas incursões modernistas no campo da literatura e arquitetura, o que resultou na consolidação do projeto modernista, que, ancorado numa disputa política, solidifica na cidade a vanguarda pensada pelo grupo que passa a controlar não apenas o capital, mas também o domínio político. No campo cultural, observa- se um esfriamento das atividades dos grupos hegemônicos. No campo econômico, a família Peixoto estabelecia seu completo domínio na cidade, sendo proprietária de quase todas as indústrias no município, por consequência, tendo em suas mãos todos os empregos e a

gratidão por tornar possível o progresso da cidade, como exposto no texto 8.

(texto 8) a gente não pode negar, também, a importância que a indústria teve pra, pra economia de Cataguases. Mas não pode negar, também, o grande poder de concentrador que essas indústrias tiveram aqui. Eles [os Peixoto] chegaram a ser donos de todas as indústrias, né. E com participação na Cia Força e Luz, então, quer dizer, todos os empregos da cidade estavam na mão [dos Peixoto]... [E11]

Controladas as esferas política e econômica, a família Peixoto começa a se afastar das atividades culturais às quais se lançaram nas décadas anteriores, restando por um tempo apenas o interesse particular de alguns membros, como é o caso de Francisco Inácio Peixoto Filho e seu pai, Francisco Inácio Peixoto. Dentre os acontecimentos que indicam este afastamento do campo cultural e o foco na atividade industrial está a doação do Colégio de Cataguases para o Estado em 28 de dezembro de 1962, uma vez que a rentabilidade não

192 justificava sua manutenção, ainda mais quando comparada com a rentabilidade da família com as indústrias.

(texto 9) Acontece que, ao contrário do que muita gente pensa, o Colégio, para que ele ficasse em equilíbrio (financeiro) era um esforço muito grande. Gastava-se muito. Não era de boa rentabilidade. Até hoje colégio não é de grande rentabilidade. Há coisa melhor que um colégio... a taxa de custeio é maior do que a rentabilidade do colégio, principalmente se o ponto de referência for tão próximo como Cataguases. Não vai comparar a rentabilidade de um colégio com a Industrial. (A família) tinha interesses nas fábricas, naturalmente. E o Francisco percebendo essas coisas ele acabou... o Colégio foi dado... dado... entregue ao Estado. Ele falou: “Faz favor, toma conta disso”. Tudo foi entregue ao Estado. E nessa oportunidade ficou o filho do Francisco como diretor107.

A doação do Colégio de Cataguases implicou a democratização do espaço que antes era reservado, em sua maioria, aos filhos de famílias abastadas. Porém, este fato indica também que superado e vencido o necessário domínio no campo político e econômico, não se faziam mais necessárias incursões no campo cultural, de forma que o foco nas indústrias não contemplasse certos caprichos.

Como sinalizado, as décadas de 60 e 70 foram marcadas por um esfriamento da cena

vanguardista na cidade, tanto pela histórica inocuidade do poder público – que inviabiliza a

produção cultural das classes excluídas – quanto pelo afastamento dos mecenas. Foge ao marasmo cultural o movimento literário liderado pelos irmãos Joaquim Branco, Aquiles Branco e Pedro Branco, e por Ronaldo Werneck. A produção transitou entre a Poesia Concreta, o Poema Processo e a Arte Postal, sendo a principal referência do grupo o movimento da Verde, sobre e para os quais foram publicados livros e peças teatrais, além das publicações dos jornais Muro, SLD e Totem.

Os anos 80 foram marcados pelo retorno das atividades culturais elitistas na cidade, de forma que as mesmas voltassem a exercer importância na pauta tanto por parte do capital – com o surgimento das fundações culturais – quanto por parte do poder público. Particularmente no caso desde último, o processo de tombamento das construções modernistas particulares e de alguns bens supostamente públicos deflagrou uma uniformidade de ações voltadas para o campo da cultura, particularmente no período de elaboração desta tese.

107 Depoimento de Manuel das Neves Peixoto, p. 149. In: ALONSO, P. H. (Org.). Memória e Patrimônio Cultural de Cataguases. Cataguases: Instituto Cidade de Cataguases, volume 2, 2ª ed., 2012.

193 As ações do poder público se concentraram fortemente na preservação dos monumentos tombados, a fim não apenas de legitimar a condição de uma cidade de vanguarda, mas também de pretensamente alavancar o turismo na cidade. Os investimentos alocados na Secretaria de Cultura se restringem às obras imóveis do município e distritos, justificando os gastos a partir da ideia de cidade modernista, o que reflete o caráter passadista com que o poder político imprime às ações voltadas para a cultura na cidade.

(texto 10) A prioridade do nosso governo foi primeiro dentro da cultura, principalmente no patrimônio cultural, né, que está restaurando esses patrimônios culturais que nós temos aqui. Vou te dar exemplos: nós reformamos todas as estações ferroviárias que nós temos, que é a Eva Nil, e Sereno, Gloria, Aracati e a do Sinimbu. Partimos depois pras praças, reformamos a Praça Sandoval Azevedo, e a outra foi a José Inácio Peixoto, que o [Arquiteto Francisco] Bolonha, antes de falecer, deixou uma modificação num projeto que tinha ali naqueles jardins pra pedra portuguesa. A obra também está praticamente finalizada, e agora nos vamos partir pra praça Rui Barbosa e pra Santa Rita, e aqui na praça Rui Barbosa com o ICMS da cultura, que todo dinheiro que é destinado ao ICMS da cultura fica na cultura, pra gente poder fazer essas reformas, e na praça Santa Rita, nós estamos procurando uma parceria com o IPHAN. (...) Todo mundo que vem aqui, um museu a céu aberto, e tinha alguns locais que não estava condizendo com a verdade. Por exemplo, o Painel de Portinari que nós tínhamos ali, então essa é a prioridade da prefeitura, estão quase terminando essa situação [E10].

É necessário ressaltar que a entrevista acima foi realizada no último ano da então gestão municipal (2009-2012), de forma que a resposta condensava todos os esforços empregados por parte do executivo em Cataguases. O texto 10 torna explícito que a unicidade de sentido imputada à cidade implica no direcionamento dos recursos públicos destinados à cultura para a manutenção do legado modernista, e por consequência da segregação que a modernização de Cataguases impõe a seus habitantes. O argumento impresso no texto toma emprestado a ideia de uma cidade de museu a seu aberto, a cidade forjada aos desavisados que raramente se lança a seus habitantes, uma vez que seu próprio processo de formação foi impositivo.

A afirmação todo dinheiro que é destinado ao ICMS da cultura fica na cultura não é apenas tautológica, pois também reflete o sentido estrito e restrito de cultura para a instância política municipal. A cultura aqui se apresenta determinada e fixa, assim como seu tratamento por parte do capital que a gerou. Entretanto, sua dialética interna permite compreender a negação da capacidade dos habitantes como produtores de cultura, independentemente do âmbito de

194 suas manifestações, da mesma forma que seu processo histórico leva ao entendimento que a

cidade de vanguarda encontra conformidades nas esferas econômicas e políticas, tornando

perene tanto a abstração da arte quanto a mitificação de suas formas.

Para além da mitificação continuada da Cataguases Modernista, o poder público empreende ações com fins de abarcar a cultura popular, cujo termo estabelece desde já seu mecanismo distintivo frente a uma produção cultural mais acadêmica, formal, quase sempre precedida de uma formação artística ou de outros mecanismos legitimadores.

(texto 11) Nós temos um movimento da cultura negra lá no Justino, que esse a gente sabe como funciona. A gente tem outro lá no Ana Carrara, nós temos um outro que é no Sol Nascente, que é de Folia de Reis, enfim, a gente tem que catalogar isso primeiro. Isso também é uma outra [manifestações culturais populares] que nós temos na pauta de estar melhorando e buscando, que são coisas completamente diferentes da cultura nossa popular. (...) A gente tem resgatado alguma coisa da cultura do passado como bate-pau, essas quadrilhas, principalmente nesse momento que estamos vivendo agora, nós começamos fazendo a gestão também, é a questão folclore. Todo mês do folclore a gente faz um grande cortejo, e é a oportunidade de a gente estar reunindo todas essas manifestações culturais que nós temos aqui no nosso município. [E 20]

O trecho em destaque na primeira parte do texto 10 indica que o Poder Público Municipal tem conhecimento sobre algumas manifestações da cultura popular, mas que se trata de um conhecimento incipiente acerca do mesmo. O distanciamento das ações do executivo voltadas para estas manifestações populares da cultura estão intimamente conectadas com a manutenção dos investimentos nas edificações tombadas, uma vez que a escolha implica necessariamente a renúncia a qualquer possibilidade de participação de grande parte dos citadinos historicamente excluídos do processo de produção cultural da cidade. Outra explicação fortemente plausível e igualmente excludente é a inclinação por parte dos órgãos públicos em limitar as políticas públicas e ações – em todos os setores – em obras edificadas, como pavimentação, prédios, pontes, viadutos etc., que neste caso seria estendido à cultura na manutenção do que lhe é concreto, portanto, visível, materialmente tangível.

(texto 11) cultura e educação meu filho... e saúde, não tem valor pra eles não. O valor deles lá é só... O que tem valor lá é só o que aparece [E7]

Retomando o texto 10, a segunda parte permite inferir que as ações do executivo visam convergir as manifestações culturais populares reunidas num evento, o grande cortejo, a fim

195 de celebrar o mês do folclore. Dois pontos são fundamentais neste fragmento. Primeiro, o caráter aglutinador que se estabelece para com todas as manifestações artísticas, retirando delas qualquer possibilidade de expressar suas particularidades, os elementos que constituem sua origem e as impressões criativas que os artistas possam incrementar a cada manifestação. Desta forma, a negação das particularidades, a conexão destas manifestações com suas raízes históricas e com as questões materiais da vida são suprimidas, ao passo que reúnem vertentes artísticas diversas sob um caráter que as universaliza, que estabelece convergência e unidade entre elas, o rótulo do folclore, o segundo ponto fundamental do fragmento do texto 10.

Mais uma vez cabe destacar que a distinção estabelecida remete à ideia da coexistência de uma cultura de vanguarda baseada numa suposta racionalidade e de um folclore baseado numa tradição, na empiria de um povo que recobra o passado. A ideia de cultura popular (folclore) caracteriza-se aqui pela contraposição ao classicismo baseado na razão iluminista. O povo romântico, emotivo, iletrado, puro, natural nasce de motivos estéticos, intelectuais e políticos. Por ser representativa da mais pura manifestação artística do povo, a cultura popular se eleva a categoria de guardiã da tradição. De acordo com Chauí (1987, p. 20-21), a convergência com a cultura de vanguarda se daria no momento em que “a razão vai ao povo” para educar sua sensibilidade tosca – eis o papel das vanguardas políticas.

Além disso, esta distorção ou apropriação da ideia de popular é necessária aos grupos de poder econômico, político e cultural por apresentar um movimento dialético que implica na redução da diferença de classes e produção cultural representativa destas classes. Ao tomar para si o rótulo de popular, as classes dominantes planificam a ideia de povo e popular como contraponto ao erudito, elevando à esfera simbólica a contradição de ordem material (CHAUÍ, 1987).

A planificação das manifestações culturais – tratadas quase sempre como folclóricas – ausentes na agenda da Secretaria de Cultura e de outras instituições não é o único elemento que inibe a produção artística na esfera da particularidade, como produto da superestrutura intimamente relacionado com a condição material dos homens que a produzem. O que Chauí (1987) classifica como razão que vai ao povo, pode ser encontrado na aproximação e distanciamento dos representantes da prefeitura frente a algumas manifestações culturais, como é o caso do Movimento Negro e da Folia de Reis. No caso do Movimento Negro, o

196 distanciamento se dá na falta de apoio financeiro por parte da prefeitura às atividades culturais desenvolvidas.

(texto 12) Em relação assim, as dificuldades foram muitas porque às vezes você vai pedir um patrocínio, você leva uma coça para ganhar esse patrocínio. (...) Eu não posso falar, assim, com a prefeitura, mas esses elementos que estão na prefeitura... Por exemplo, só para você ter um exemplo, uma vez, sem citar governo, essas coisas, em questão de respeito, a gente foi pedir patrocínio para determinado secretário, porque a área dele era compatível com a nossa área. Aí pedimos, pedimos, aí você volta, volta, e tem aquela questão do cansaço que a gente conhece. Aí, por fim, ele fez a doação de R$ 20,00 e falou que era do próprio bolso. “Oh, estou te dando aqui, é do meu próprio bolso”. Então, parece que, primeiro, é ignorar a pessoa humana né! Um exemplo: se fosse uma pessoa assim, engravatada e tal, a conversa seria outra, mas como eu sou entregador de jornal, andava assim e tal. [E4]

Os trechos destacados no texto 12 deixam clara a inexistência de apoio por parte do poder público, uma vez que as atividades do Movimento Negro assumidamente não fazem parte da agenda cultural da prefeitura. Entretanto, abre brechas para uma resolução que reforça o caráter benevolente, zeloso e protetor, cunhado numa herança servil e senhorial que não cessa com o fim da escravidão. É justamente a rejeição institucional, da prefeitura, que abre brecha para o surgimento do paternalismo, da pessoalidade aplicada à tentativa de solução do problema financeiro.

A recepção por parte do representante do Movimento Negro, ao assumir que a ação altruísta denota ignorar a pessoa humana, pode ser compreendida como uma clara contraposição a algo que é justamente objeto de resistência por parte do Movimento Negro. A transformação do que deveria ser política pública de cultura em favor remete à servidão que este tipo de ação conduz, e fundamentalmente à condição delegada ao negro na sociedade brasileira desde o início do emprego do trabalho escravo. Assim, o favor é tomado não como algo que vise contribuir com o Movimento Negro e suas ações, mas como uma tentativa de manutenção da condição servil historicamente estabelecida. Em complemento, o último trecho em destaque revela que o tratamento dado mantém relação estreita com a posição dos próprios representantes do Movimento Negro na divisão social do trabalho, uma vez que a posição de

entregador de jornal pode dar amplitude completamente distinta do conteúdo da atividade

cultural desenvolvida, portanto, do auxílio financeiro, quando comparada com uma pessoa

197 A negação do cunho cultural das ações do Movimento Negro por parte do poder público pode ser vista também na fala de outro representante, cujo suporte do poder público se dá por via da Secretaria de Assistência Social, vazio de qualquer suporte da Secretaria de Cultura e sujeita a todo caráter paliativo que as ações sociais possam configurar.

(texto 13) A Secretaria de Assistência Social, inclusive, já se tornou nossa parceira, porque ela veio conhecer nosso trabalho através do programa que a Prefeitura fez, de ir aos bairros... Ação Integrada. A gente foi convidado pra participar das ações integradas em diversos bairros da cidade, e nesse, nessa ação integrada iam todas as secretarias. Então foi assim que a Secretaria de Assistência Social conheceu nosso trabalho [E2]

Evidentemente que as ações culturais desenvolvidas pelo Movimento Negro tratam da e reverberam na condição social dos participantes. Entretanto, a alocação das atividades desenvolvidas na Secretaria de Assistência Social indica não apenas a impossibilidade de compreender a estreita ligação entre a atividade cultural e seu caráter social, como também a produção artística dos envolvidos no Movimento Negro eue traz em sua particularidade a expressão da própria condição dos negros e a possibilidade de reverter este quadro por meio da arte. Ademais, quando questionado sobre o suporte da Secretaria de Cultura, o integrante do Movimento Negro declara que o mesmo ocorre quando há aprovação de um projeto pela Lei Municipal de Incentivo a Cultura.

(texto 14) Depender da Lei, o projeto é encaminhado. Foi aprovado, dentro da avaliação da Lei... tirando disso a gente não consegue e é lamentável [E2]

Além do caráter passadista das ações do poder público municipal na manutenção do patrimônio imóvel de Cataguases, reverberando no continuísmo da ideia de cidade vanguardista, e da sublimação das manifestações culturais populares, a hegemonia cultural na cidade se dá pelo aparato burocrático legal da Lei de Incentivo Municipal n.3746/2009 (ver anexo C), que ao mesmo tempo confere legitimidade à hegemonia historicamente estabelecida e forja a ideia de um processo democrático de acesso aos recursos disponíveis para projetos culturais.

(texto 15) Eu acho que a gente tem que lembrar uma coisa muito importante (...) de estar valorizando a cultura aqui do município que é muito forte. Nós criamos a Lei Ascânio Lopes, é uma lei de incentivo à cultura, com recurso próprio. Os vereadores aprovaram essa lei e o prefeito sancionou a lei, e nós já tivemos dois anos essa lei funcionando. No ano passado, por exemplo, nós

198 tivemos dezessete projetos aprovados. É uma coisa que o prefeito quer expandir porque deu muito certo. [E10].

(texto 16) A pessoa tem que estar residindo a mais de um ano no município. Essa pessoa pode receber até doze mil por projeto, esse projeto tem que abranger toda a cidade de Cataguases em termos de cultura. Por exemplo, locais públicos... Os lançamentos dos livros nós temos um percentual que é doado à secretaria de cultura, a secretaria de cultura manda pra biblioteca.