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A literatura sobre determinantes externos do comportamento para a reciclagem envolvendo situações físicas, normativas ou facilitadoras, pode ser agrupada em duas grandes fases (HORNIK ., 1995). A inicial, entre 1970 e 1982, com clara fundamentação behaviorista, enfatiza os incentivos externos (tais como recompensas monetárias) e descreve quem seleciona em várias características demográficas. Nesta fase prevaleceu a visão de que incentivos externos per si podiam iniciar e sustentar o comportamento para reciclagem (GELLER ., 1982).

Entretanto, estudos da fase posterior a 1982 sugerem que se o incentivo for puramente externo e econômico, o comportamento desejado desaparecerá quando faltar o incentivo (PARDINI; KATZEV, 1984; CURLEE, 1986). Devido à impossibilidade de manutenção permanente dos incentivos econômicos para que comportamentos pró9ambientais sejam efetivados, devem9se encontrar caminhos que aumentem o comprometimento com os programas de reciclagem no longo prazo. Assim, outros incentivos externos e internos, como motivadores sociais e psicológicos têm sido amplamente estudados. A literatura apresenta como variáveis situacionais que funcionam com incentivos extrínsecos (HORNIK ., 1995): recompensas monetárias, influência social e intervenção institucional.

Incentivos extrínsecos afetam a percepção pessoal dos custos e benefícios do comportamento em relação a suas alternativas. A presença de incentivos externos em determinado contexto muda o equilíbrio entre custos e benefícios pessoais, associando a opção de reciclagem com as alternativas de comportamento (WARLOP ., 2001). Os incentivos tornam a opção de reciclagem mais atrativa para os consumidores, sem apelar para seus valores e atitudes ambientais. Governos locais frequentemente usam recompensas monetárias para incrementar a incidência de comportamento desejado. De Brito e Dekker (2002) citam alguns

incentivos que podem estimular o consumidor a devolver produtos ao fabricante: retribuição com taxas de depósito ou incentivo a doações para instituições carentes.

Alguns estudos (HORNIK ., 1995; GELLER ., 1982; JACOBS;

BAILEY, 1982, 1983; REID ., 1976) encontraram que incentivos econômicos podem induzir indivíduos a selecionar. Após remoção desses incentivos, há um imediato retorno à situação original (KATZEV; JOHNSON, 1982; WITMER; GELLER, 1976). Um segundo problema com recompensa monetária é que ela não é efetiva. Jacobs e Bailey (1982,1983) relataram que nenhum dos programas de incentivos analisados gerou suficiente receita para pagar os incentivos fornecidos ao material reciclável e ainda administrar o programa.

Outro tipo de incentivo extrínseco para reciclagem é a influência social ou norma social. Ela pode ser definida como a preocupação com a percepção dos vizinhos ou familiares em relação ao comportamento de conservação (BURN, 1991; VINING; EBREO 1990). Em alguns estudos de programas de coleta seletiva, pressão social foi relatada como importante razão para reciclagem (GLENN, 1998; HORNIK .,1995; McGUINESS ., 1977; VINING; EBREO, 1990). O efeito da influência social parece depender do quanto à participação das pessoas em cada programa é claramente visível para amigos e vizinhos (SIA ., 1985, 1986; THØGERSEN,1991).

Villacorta . (2003), ao investigarem condições de aquisição de CPA, concluíram que os indivíduos são mais propensos a adquirir tais comportamentos em três situações. A primeira ocorre quando seus parentes demonstram interesses em desenvolver CPA; a segunda, quando seus parceiros e/ou familiares apóiam o seu envolvimento com CPA, a terceira, quando eles já dispõem de aspirações ambientais voltadas para problemas da comunidade local. Nesses três casos, a influência social de grupos de referência primários tem uma função reforçadora (recompensa) no curto prazo e é indispensável para a manutenção desse tipo de comportamento.

Intervenções institucionais, como leis e regulamentação, frequência da coleta e proximidade do contêiner, é o terceiro tipo de incentivo extrínseco, que tem recebido pequena atenção de pesquisadores. A execução do comportamento pretendido depende das condições externas ao ator que facilitam ou atrapalham a atividade (TRIANDIS 1977; VAN RAAIJ, 1981).

No caso de comportamento para reciclagem, oportunidades podem ser de natureza absoluta (por exemplo, a ausência ou presença de um sistema de reciclagem para plásticos), mas geralmente têm uma natureza relativa (por exemplo, a distância para o contêiner de vidro mais próximo ou a frequência da coleta de lixo). Isto significa que cada pessoa pode perceber as mesmas condições muito diferentemente (JACKSON 2005; SMEESTERS ., 1998).

As condições estruturais criadas pelo programa municipal de separação dos resíduos recicláveis na fonte podem ser mais ou menos facilitadoras para a execução das intenções sobre separação na fonte. Por exemplo, quanto menor é o atraso, o desvio e o obstáculo entre a formação de uma intenção e o desempenho do comportamento específico, maiores são as condições facilitadoras. Se o programa de separação na fonte apresenta poucas facilidades, maior é vulnerabilidade para eventos e circunstâncias imprevisíveis em que a ação da pessoa pode ir contra suas intenções comportamentais (JACKSON, 2005; SMEESTERS ., 1998).

Folz (1991) e Lanza (1983) conduziram estudo comparativo entre programas de separação na fonte de cidades norte9americanas, mas os resultados foram pouco consistentes. Entretanto o desenho das pesquisas foi de qualidade duvidosa e não houve modelos elaborados de análise quantitativa (SMEESTERS 1998). Os quadros 7a e 7b apresentam um resumo de estudos que verificaram a relação entre incentivos externos e comportamento para reciclagem. Na seção seguinte apresenta9se uma revisão dos estudos que utilizaram as variáveis demográficas, e que na grande maioria mostraram pequeno poder de predição de comportamento para reciclagem.

Recompensa Witmer e Geller (1976) Recompensas monetárias Frequência de separação na fonte

Residentes Os incentivos externos promoveram efeitos incrementais no comportamento de reciclagem no curto prazo, depois da remoção destes incentivos o comportamento retorno ao nível básico.

Couch

.(197891979)

Ganhar tickets de loteria

Peso do papel reciclável Residentes Pelo crescimento graudal da quanitidade de papel necessário para receber o ticket de loteria, os autores tiveram influencia no comportamento para reciclagem.

Luyben e Bailley (1979) Recompensas: brinquedos em troca da entrega de jornais em centros de reciclagem

Peso do pape recclável em uma unidade central de reciclagem

Residentes Quando os procedimentos dos briquedos foi implementado o número médio dos quilos coletado por semana creceu em 154%. Luyben, Cummings (1981) Tickets de loteria, concurso e lembrança Quantidade de lata

recicláveis em uma unidade central de reciclagem nas residências

Estudantes Estes três diferentes incentivos aumentaram a média de latas recicladas, mas o mais eficiente foi a rifa.

Geller . (1982) Recompensas monetárias Frequencia de separação na fonte

Residentes Todos estes estudos tiveram o mesmos efeitos: incentivos econômicos podem lembrar indivíduos a reciclar. Mas quando estes incentivos terminam, a motivação acaba e consequentemente o comportamento para reciclagem. Diamond e Loewy (1991) Recompensas individuais e em grupo Frequência de entrega de papel e vidros não depositados em unidades selecionadoras

Residentes Recompensas individuais produzem maiores efeitos que as recompensas do grupo. Thogeresen (1994 b) Atitude em relação à taxa de lixo diferenciada

Atitude para reciclagem Residentes Mais importante determinante da atitude para a reciclagem é a expectativa ambiental e os benefícios públicos. O pequeno incentivo não é suficiente para converter pessoas na

valorização da reciclagem e faze9las reciclar somente por causa do pagamento de taxas. Muitas pessoas valorizam a reciclagem por causa do benefício próprio, mesmo depois da implementação do esquema de incentivos.

Quadro 7 a – Sumário das pesquisas sobre as influências de incentivos externos no comportamento para reciclagem

Autores Variável independente Variável dependente Amostra Resultados Taxas de disposição de lixo

Reschovsky e Stone (1994)

Preço da quantidade9base de lixo descartado: taxa baseada no volume ou no peso do lixo descartado

Auto9declaração da

frequência de lixo entregue em unidade de coleta e geração total de lixo

Residentes Caminhões de coleta seletiva tiveram uma participação substancial na redução da geração do total de lixo. Alto volume de descarte de lixo pode alterar estas conclusões e pode ter efeitos prejudiciais à redução obtida.

Influência social McGuiness (1977) Pressão social e normative Participação no programa de reciclagem

Residentes Suporte para pressão social positivamente relacionada com a participação na reciclagem

Nielson e Ellington (1983)

Efeito do bloco líder: indivíduos promovem reciclagem em sua própria vizinhaça

Participação no programa de reciclagem

Residentes Taxa de participação foi significativamente alta em grupos com e sem liderança

Sia

(198591986)

Influencia social: presença ou abstenção de suporte social para reciclagem

Questões sobre todos os tipos de comportamento ambiental

Residentes Compromentimento para reciclagem foi fortemente afetado pelo contexto da reciclagem (família, amigos e vizinhos)

Vining e Ebreo (1988)

Influência social: modelo do comportamento para reciclagem por um formador de opinião

Participação no programa de reciclagem

Residentes Pressão social foi uma importante razão para reciclagem

Vining e Ebreo (1990)

Influência social: pressão de amigos e membros da família

Auto9indicação da atividade de reciclagem em anos anteriores

Residentes Influências sociais no comportamento para reciclagem não foram declaradas como um importante fator tanto para os selecionadores como para os não9

selecionadores Oskamp

(1991)

Reciclagem feita por um amigo ou vizinho

Questões sobre o passado e o presente da reciclagem doméstica e outros comportamentos

ambientalmente responsáveis

Residentes Reciclagem feita por um amigo ou vizinho foi preditiva da reciclagem dos próprios respondentes

Quadro 7 b – Sumário das pesquisas sobre as influências de incentivos externos no comportamento para reciclagem