4.BEDÎ İLMİNİN GENEL ÖZELLİKLERİ
4.1. BEDÎ İLMİNE DAHİL OLAN SÖZ SANATLARI
4.1.27. Îrâd-ı Mesel
Ao indagar os responsáveis pelo descarte de resíduos nos domicílios paulistanos podem9se apreender alguns aspectos ligados as facilidades,
dificuldades, possíveis motivações e demais fatores ligados ao processo de coleta seletiva nas residências.
Das cinco entrevistas realizadas, apenas um respondente não efetua a seleção de resíduos recicláveis. Vale ressaltar, que todos os entrevistados foram do sexo feminino e ao decorrer das entrevistas foi possível observar que as mulheres deste grupo entrevistado são as principais responsáveis e as que tomam a iniciativa de realizar a seleção de resíduos nos domicílios. Dentre as que realizam a separação dos resíduos, apenas duas contam com o sistema de coleta seletiva em seu prédio. As outras duas repassam para pessoas que recolhem recicláveis, sendo que uma delas para o faxineiro do prédio e a outra para um catador de recicláveis de sua rua, que conta com a colaboração dos vizinhos.
Vantagens e desvantagens
Quanto às vantagens de selecionar os recicláveis e potenciais motivações, os que selecionam apontaram a questão ambiental.
+ 2 : O , #
0
# M , 0 * ,
2P (Entrevistada 3)
Pode9se perceber que a problemática ambiental é um forte apelo, o que talvez se justifique pela repercussão pública que a temática assumiu nas últimas décadas. A questão social, principalmente de geração de trabalho e renda para catadores de recicláveis, também foi apontada, mas pode9se notar que o apelo ambiental é mais forte que o social. Esse aspecto pode ser percebido nas falas abaixo.
6 * H Q # P > R 1 Q # 3 0 6 0 R 1 2 # 1 2P 3 * ! 3 0 2 * # : P 6 0 0 R 0 0 2 0 2 0 2 0 =6 B$
Interessante salientar que uma das entrevistadas questionou os ganhos pessoais ou punições relacionada com a seleção dos recicláveis.
J K 1 2 1
, , JSK 7 0 #
1 0 #
0 8 # #
(Entrevistada 5).
Quanto às desvantagens (custos pessoais ou sociais), ninguém relacionou fatores desta natureza no processo de selecionar o lixo em suas residências.
Facilidades e dificuldades
Quando questionadas quanto às facilidades e dificuldades da seleção, citaram alguns elementos. Em relação às dificuldades as principais se referem à falta de estrutura de recolhimento dos materiais recicláveis; ao fato de que nem todos da família e funcionários se envolvem e colaboram, sendo que muitas apontaram que não é possível controlar e assegurar a seleção do lixo por parte de todos os membros; espaço para guardar o resíduo reciclável; dúvidas quanto à seleção de alguns materiais; e dificuldades quanto destinação de pilhas, baterias de celular, entre outros. Algumas das dificuldades podem ser observadas nas falas das entrevistadas como:
6 0 2 * # 2 0
# , J K (Entrevistada 3).
Uma das entrevistadas ressalta a conveniência ou a infraestrutura instalada no prédio como um grande incentivador para a tarefa de selecionar os resíduos recicláveis nos domicílios.
6 0 2 : 1 : *2
: 3 3 2
=Entrevistada 5).
O fato de contar com um mecanismo de recolhimento, principalmente para aquelas que dispõem de coleta seletiva em seus prédios, aparece como facilitador, denotado na fala seguinte.
" : :
, : : 2 2
, O * # 1
0 * (Entrevistada 2).
Exatamente a ausência de coleta seletiva no prédio é citada como uma grande dificuldade para a respondente que não realiza seleção dos resíduos recicláveis. Isto pode ser observado na declaração a seguir.
6 2 #
0 3
# # O 2 O # ,
2 2 * , 0 2P
=Entrevistada 1).
Por outro lado, um das entrevistada, mesmo não contado com o serviço de coleta seletiva em seu bairro, entrega os reciláveis para o vizinho, que é catador.
6 0 * 0 0 6
1 # 1 (Entrevistada 4).
A necessidade de informações para esclarecimento de dúvidas de como e o que selecionar são aspectos importantes ressaltados pelas entrevistadas.
2 0 * Q # 0 1 # O : 2P 6 2 * 2 : # # 2 3 : * 0 2 O # 0 0 2P 6 0 0 (Entrevistada 3).
Outra entrevistada ressalta a necessidade de haver fatores motivadores para realização efetiva da seleção:
2 : # :
O # ,
0 ,
1 0 1 (Entrevistada 5)
Na questão de informações foi ressaltada a importância de comunicar os resultados do programa como um grande incentivador para realização da tarefa. Podendo também funcionar para a redução de incertezas, principalmente para o entrevistado não9selecionador.
J K 2 " 2
1 2 1
(Entrevistada 1).
Merece destaque a percepção de tempo despendido com a atividade, pois foi visto de maneira diferente pelos selecionadores e o não9selecionador. Dentre as respondentes que realizam a separação dos recicláveis em suas casas, duas delas declararam ser algo automático, um hábito incorporado ao dia9a9dia. Quando a seleção de recicláveis se torna um hábito, algo automático ou uma atitude que o individuo não precisa pensar antes de fazer, deixa de demandar esforço. Estas entrevistadas ressaltaram que para selecionar os recicláveis gasta pouco tempo e não é um fator que iniba ou desestimule a seleção nas residências. Tal percepção pode ser denotada na fala abaixo:
, # 0 7 0 , # 2
0 : # F , :
# F 6 2 =6 B$
Já para duas delas é algo que necessita pensar antes de fazer, não é automático ainda. Para aquelas que realizam a separação dos resíduos recicláveis regularmente nos seus domicílios, a questão do tempo gasto não é problemática. Por sua vez, para a entrevistada não9selecionadora esta tarefa doméstica é algo difícil e que exige esforço. Além disso, esta entrevistada destaca que o lixo é coisa suja.
> J K > 2 : , , O ' #
, O 3 0
0 G 3 : 0 , 2
O 2 0 J K (Entrevistada 1)
Entretanto, a entrevistada não9selecionadora destaca algumas condições que poderiam levá9la a realizar a separação na sua casa:
J K 2 (Entrevistada 1).
Influência de grupos de referência
Em relação às pessoas ou grupos envolvidos na seleção de materiais recicláveis nos domicílios, na percepção dos respondentes no geral a família aprova. Embora ressaltem que nem todos se envolvam e cooperem, principalmente os maridos. Já as crianças apóiam e trazem da escola uma noção da importância da coleta seletiva e da reciclagem, conforme relataram as entrevistadas.
/ 2 O
0 R 1 # #
1 1 1 "M 2
0 6 0
O (Entrevistada 3)
Quanto aos amigos e vizinhos apareceram de forma muito tênue como provável grupo influenciador do processo. Algumas chegaram a colocar a indiferença dos vizinhos como algo preocupante. Quanto às pessoas e grupos que desaprovariam a seleção de recicláveis, os respondentes não apontaram nenhum, apenas ressaltaram o baixo envolvimento de alguns membros da família e das empregadas domésticas.
Por sua vez, houve menções à importância de organizações não governamentais (ONGs) como incentivadoras da seleção de resíduos passíveis de reciclagem. Interessante ressaltar, que em relação ao poder público, na percepção de todos os entrevistados o governo não se preocupa e não possui uma atuação efetiva, sendo a expressão: / # P / # 0 1 (Entrevistada 2).
Situação enfatizada pelas outras respondentes. No âmbito do poder público municipal isso pode demonstrar além de insatisfação, que o programa de coleta seletiva do município talvez ainda não seja tão eficaz, disseminado e reconhecido pela população.
Pelas declarações das entrevistadas é possível observar que o processo de seleção de recicláveis nos domicílios ainda é um processo em construção envolvido de vários elementos influenciadores, desde a estrutura de coleta seletiva até o envolvimento dos indivíduos nas residências. Essa percepção das limitações e dificuldades envolvidas no processo pôde ser apreendida nas entrevistas como na fala abaixo.
6 * 2 0 J K >
0 1 *
0 # 0
1 (Entrevistada 5).
Além disso, as entrevistadas levantaram a questão da reciclagem e da coleta seletiva como parte de uma discussão maior – a problemática ambiental, envolvendo muitas outras perspectivas e aspectos, que vão desde o comportamento de consumo aos meios de produção, bem como as diversas faces e implicações da relação sociedade e meio ambiente. O quadro 32 resume as crenças salientes levantadas pelas entrevistas em profundidade, realizadas em julho de 2008, com cinco residentes da cidade de São Paulo.
Crenças Resultados esperados Crenças salientes
Gratificação ou punição financeira Motivação pessoal
Benefícios pessoais
Importante para educação dos filhos Economizar recursos naturais Importância do catador Crenças comportamentais (6) Benefícios sociais Reduzir poluição Família Amigos Grupos primários Vizinhos ONGs Crenças normativas (5) Grupos Secundários Governo Conveniência, praticidade Infraestrutura de coleta Tempo Espaço em casa Condições facilitadoras
Não exigir esforço O que selecionar Como selecionar Crenças de controle (7) Auto eficácia Informações
Quadro 32 – Crenças salientes ao comportamento para reciclagem Fonte: Dados da pesquisa
Foram levantadas seis crenças comportamentais; cinco crenças normativas e sete crenças de controle. Este resultado fundamentou a elaboração dos itens relacionados às crenças do instrumento de coleta de dados (questionário), conforme recomendação de Ajzen (2002) e Francis (2004). Nos capítulos 8 e 9 apresentam9se os resultados da etapa descritiva.
8 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
Os itens de caracterização da amostra envolveram avaliações de frequência e estão classificados em dois grupos de características: respondentes e características da moradia. Para o primeiro grupo foram utilizadas cinco variáveis descritoras do perfil sócio9demográfico dos respondentes. O segundo grupo apresenta as características da moradia, onde se utilizaram quatro variáveis. Estas questões foram as últimas abordadas no questionário.
Pretende9se que tais variáveis possam servir como base, em uma tentativa futura, de avaliação da representatividade da população paulistana. Todavia, cabe ressaltar a impossibilidade de confrontar diretamente os perfis desta amostra com dados censitários da cidade de São Paulo respectivas (como por exemplo os da Fundação IBGE e Fundação SEADE). As amostras aqui foram obtidas da população de assinantes de telefonia fixa (bem restrita), estando como tal bem distante da população de pessoas residentes em domicílios na cidade de São Paulo como um todo.
Das 400 entrevistas válidas, que constituíram a amostra, observa9se maior proporção de respondentes do sexo feminino, atingindo a marca de 78,8%, possivelmente uma decorrência da pergunta filtro colocada na coleta de dados (respondente deveria ser o responsável pelo descarte do lixo da residência sorteada) e sabidamente na maior parte dos domicílios a mulher ainda é a responsável pela tarefa diária de manutenção da casa.
Quanto à idade informada pelos respondentes, a distribuição da amostra foi equilibrada principalmente nas faixas centrais (ver tabela 5). A faixa etária que mais apresentou respondentes foi entre 31 e 40 anos (20,8%) e a menor foi entre 18 e 20 anos (5,0%). Esses resultados se justificam dado que a unidade de resposta da pesquisa foi o responsável pelo domicílio, maior de 18 anos. Tem9se na amostra, por conseguinte, uma presença expressiva de adultos jovens, maduros e mais velhos, o que positivamente enseja obter a perspectiva de vários grupos etários acerca do tema da pesquisa.
Tabela 5 – Perfil da amostra pesquisada
Características do
Respondente F %
Características do
Domicílio F %
Sexo (C1) Tipo de Domicilio (CD1)
Feminino 315 78,8% Casa 258 64,5%
Masculino 85 21,3% Apartamento 142 35,5%
Idade (C2) Coleta seletiva 9 casa (CD1.1)
18 a 20 anos 20 5,0% Sim 161 40,2%
21 a 30 anos 71 17,8% Não 97 24,2%
31 a 40 anos 83 20,8%
41 a 50 anos 69 17,3% Coleta seletiva 9 apartamento (CD1.2)
51 a 60 anos 70 17,5% Sim 78 19,5%
61 a 70 anos 53 13,3% Não 64 16,0%
Acima de 71 anos 34 8,5%
Número de moradores (CD2)
Estado civil (C3) 1 Pessoa 26 6,5%
Casado 220 55,0% 2 Pessoas 88 22,0%
Solteiro 117 29,3% 3 Pessoas 84 21,0%
Viúvo 34 8,5% 4 Pessoas 106 26,5%
Divorciado 28 7,0% 5 Pessoas 56 14,0%
Não respondeu 1 0,3% 6 Pessoas 20 5,0%
acima de 7 pessoas 20 5,0%
Escolaridade (C4) Sem resposta 3 0,7%
Fundamental comp. 58 14,5% Fundamenal Incomp. 53 13,3%
Ensino médio comp. 148 37,0% Nr moradores 9 recebem renda por trabalho (CD3)
Ensino médio incomp. 17 4,3% 1 Pessoa 125 31,2%
Graduação comp. 65 16,3% 2 Pessoas 151 37,7%
Graduação incomp. 29 7,3% 3 Pessoas 70 17,5%
Pós9graduação comp. 27 6,8% 4 Pessoas 30 7,5%
Pós9graduação incomp. 3 0,8% Mais de 5 pessoas 9 2,2%
Sem resposta 15 3,7%
Profissão (C5)
Prestador de serviços 29 7,25% Renda familiar mensal (CD4) Funções administrativas
e financeiras 54 13,5% Menor que R$410,00 9 2,2%
Saúde 16 4% R$ 411,00 – R$ 822,00 49 12,2%
Comércio 18 4,5% R$ 823,00 9 R$ 1.233,00 49 12,2% Construção 9 2,25% R$1.234,00 9R$2.053,00 53 13,2% Educação 33 8,25% R$2.053,00 9 R$3.693,00 43 10,7% Serviços a domicílio 36 9% R$ 7.795,00 ou mais 22 5,5%
Outras 68 17% Não sabe 137 34,2%
Não remunerada 136 34%
Fonte: Dados da pesquisa, 2008.
Quanto ao estado civil, a grande maioria informou ser casada, com 55% do total de respondentes. Somente 29,1% apontaram ser solteiros. Em relação ao nível de escolaridade 41% dos respondentes tem o ensino médio completo ou incompleto, superando o número de respondentes com ensino fundamental completo e
incompleto (27,8%). Por sua vez, 23,9% da amostra possui curso superior completo (ver tabela 5). Verifica9se que participaram da pesquisa parcelas elevadas de pessoas com níveis médio e elevado de escolaridade. Isto se revela um fato interessante, pois se torna mais difícil responder um questionário com muitas questões (como o aplicado nesta Tese) à medida que decresce o nível de escolaridade.
Em relação à profissão, 34% não realizam atividade remunerada, o que se justifica, já que a pesquisa foi realizada em domicílios em horário comercial. Em funções administrativas e financeiras aparecem 13,5% dos respondentes, seguida de serviços a domicílio, como motorista, pedreiro, encanador, entre outros, com 9%. Profissões ligadas a educação também se destacaram, representando 8,25%. Abaixo se apresenta a tabela com as profissões declaradas pelos respondentes.
Nas questões associadas à característica do domicílio, a maioria dos respondentes mora em casa (64,5%), e os 35,5% restantes em apartamentos, como se pode ver na tabela 6. Quanto à disponibilidade dos serviços de coleta seletiva, 59,75% disseram ter acesso à coleta seletiva e 40,25% não.
Tabela 6 – Existência de coleta de seletiva por tipo de moradia
Casa Apartamento Total
Coleta
Seletiva F % F % F %
Sim 161 40,2% 78 19,5% 239 59,7%
Não 97 24,3% 64 16% 161 40,3%
Total 258 64,5% 142 35,5% 400 100%
Fonte: Dados da pesquisa, 2008
Com relação ao número de moradores, 69,5% dos domicílios possuem entre 2 e 4 moradores, 10% têm mais de 6 moradores e 6,5% apenas um morador (tabela 5). Também nessa variável, o perfil revela9se algo heterogêneo, cobrindo diversas situações demográficas. Isso é interessante para a pesquisa, tendo9se em vista a pretensão, mesmo que indireta, de retratar9se um corte mais amplo da sociedade.
Quanto ao número de moradores que exercem atividades remuneradas, em 37,7% dos domicílios são duas pessoas, em 31,2% apenas uma pessoa contribui com a renda familiar e em 2,2% dos domicílios mais de cinco pessoas, conforme tab ela 5. Os dados sobre a renda familiar indicaram que 39,8% dos entrevistados relataram ter renda de até R$ 2053,00 por família, que equivale a quase 5 salários9
mínimos78. Por sua vez, 10,7% tiveram renda entre R$2.053,00 e R$3.693,00 (entre
5 e 9 salários9mínimos). Apenas 5,5% indicaram ter renda igual ou maior a R$ 7795,00 (maior que 18 salários9mínimos). Entretanto, um grande número de respondentes (34,2%) disse não saber esse dado (tabela 5).
78
Considerando o salário mínimo definido pela lei Lei 11.709/2008, vigente desde de 1º/03/2008, no valor de 415 reais (IBGE, 2008b).