A. YÜKSEK SEÇİM KURULU
7. Seçilmeye Engel Olan Haller
Antes de adentrarmos na discussão sobre a orientação da monografia no ensino superior, dois aspectos precisam ser colocados, a saber: (i) a orientação constitui uma necessidade na produção de texto no âmbito acadêmico, principalmente, em trabalhos de conclusão de curso e (ii)
partindo dessa premissa, entendemos que a orientação configura como um requisito da produção de gêneros acadêmicos, podendo ser concebida como uma etapa da produção textual na universidade.
Essas duas ressalvas expostas acima colocam a orientação como elemento constitutivo da produção no contexto universitário. Contudo, as discussões, conforme pontuam Bianchetti e Machado (2006) em torno da orientação, restringem-se à pós-graduação stricto sensu e lato sensu, o que pode revelar, em parte, que a produção de gêneros e a orientação na graduação não é alvo de pesquisa, mesmo considerando que atualmente a maioria dos cursos de licenciatura e bacharelado tem, como trabalho de conclusão de curso, a monografia, que, muitas vezes, é fruto de pesquisas realizadas na academia, por meio de programas de incentivo à pesquisa como é o caso do Programa de Bolsa de Iniciação à Pesquisa Científica e de outros que contam com o apoio de agências de fomento como CAPES e CNPq.
Ao longo da seção anterior, pudemos compreender as diferentes nuanças que compreendem os bastidores da produção da monografia, que servirá, portanto, para desenvolver as discussões que ora endossamos aqui sobre a orientação, no espaço acadêmico, de produção da monografia. Para tanto, amparamo-nos nas reflexões de Haguette (2006), Machado (2006), Severino (2011), Bianchetti e Machado (2006), dentre outros.
A orientação de monografia em nível de graduação é recente e por isso todas as reflexões que se voltam para essa temática têm como referência a orientação em nível de pós-graduação, uma vez que segundo Bianchetti (2010, p. 172) “a graduação foi desafiada a ultrapassar a cultura da ‘pescópia’ e da leitura de capítulos ou parte deles xerocados”. Entendemos, pois, que os cursos de graduação, ao adotarem em seus currículos, o TCC, especialmente, a monografia, acabam por instigar a produção do conhecimento com pesquisa de caráter empírico.
A orientação na graduação é um processo que permite enriquecimento intelectual de ambas as partes, já que, muitas vezes, nesse nível, o orientador não tem a obrigatoriedade de possuir a titulação de mestre ou
doutor para poder orientar, o que faz dele um orientador em formação ou pesquisador em formação. Conforme aponta Saviani (2006, p. 159):
Através do processo de orientação que o pesquisador [aqui
tomado como o orientador] pode dar, com segurança, os passos
necessários ao domínio dessa difícil prática, que é a pesquisa, de modo a ganhar cabo do processo formativo, a indispensável autonomia intelectual que lhe permitirá formular projetos próprios, de caráter original, e levá-los a bom termo, ganhando inclusive a condição de formar novos pesquisadores. [grifos nossos].
Como vemos, o processo de orientação na graduação se constitui como uma etapa de formação conjunta orientador/orientando. Se por um lado, isso pode ser visto como algo positivo, já que permite uma formação do pesquisador iniciante da graduação e, possivelmente, da consagração do pesquisador da pós-graduação lato sensu; por outro pode ser reconhecido negativo, já que permite o entendimento de que essa formação do orientador, supostamente, pode não estar completa.
Esse entendimento, segundo Schnetzler e Oliveira (2010), provoca a reflexão em torno de como se determina um orientador. Para esses autores, na pós-graduação, o pesquisador-orientando em formação constitui-se orientador à medida que se constitui pesquisador, sendo que a sua função enquanto pesquisador é resultante dessa formação, o que não significa, necessariamente, que o título dar o aval de orientador, mas que a metalinguagem estabelecida pela relação orientador/orientando, em nível de pós-graduação, passa a ser revista agora por outro ângulo, aquele em que atuava como orientando, agora passa a ser orientador e a formar outros orientandos.
No geral, entendemos que o orientador na graduação ainda é um pesquisador em formação e, por isso, pode ser considerado como um orientador-aprendiz. O interessante a abstrair dessa questão é que a orientação continua a ser um campo incerto, cuja função orientador pode ser sempre questionada e, por não ser uma atividade normatizada, a opção
dentre diferentes alternativas na forma de orientar é fortemente marcada pelas características pessoais do orientador. (MAZZILLI, 2009, p. 77).
Com foco na orientação da monografia, podemos dizer que, diferentemente da orientação de pós-graduação de dissertações e teses, na graduação, no curso de Letras, a monografia constitui uma produção de caráter de iniciação à pesquisa, já que para o estudante de graduação a monografia é, na maioria das vezes, o primeiro trabalho de caráter empírico, o que necessita do orientador um maior engajamento, dada a especificidade do gênero.
Por isso, com o advento dos programas de incentivo à iniciação à pesquisa científica, a graduação é considerada como o momento de despertar para os futuros pesquisadores, de maneira que esses estudantes passam a ser concebidos como pesquisadores em potencial, em busca de uma formação em nível de pós-graduação em mestrado e doutorado.
De acordo com Bianchetti e Machado (2006), o trabalho de orientação pode ser realizado de diferentes formas por parte do orientador, conforme dito acima, em nível de graduação, destacamos duas modalidades, a saber: (i) orientação individual – em que o orientando dispõe de encontros ao longo da elaboração da monografia e (ii) orientação coletiva – em que o orientador reúne o grupo de orientandos para realizar coletivamente o trabalho de acompanhamento do trabalho. Essas duas modalidades são mais comuns na graduação, e muitas vezes somente a orientação individual, já que essa orientação coletiva só ocorre quando porventura o orientador possui mais de um orientando e participa de grupo de pesquisa. (cf. GARCIA e ALVES, 2006).
Nesse sentido, dizemos, pois, que a determinação da modalidade de execução da orientação é uma escolha com base no próprio desenvolvimento da pesquisa e na relação orientador/orientando. Essas duas modalidades de orientação são as mais recorrentes para a produção da monografia, sendo mais comum a orientação individual.
Além dessas, conforme Chassot (2006), uma outra modalidade de orientação que se faz presente na graduação e na pós-graduação é a orientação virtual, que se constitui uma nova realidade no espaço
acadêmico, permitindo o intercâmbio de informações em tempo real, atuando como complementar para a orientação individual, já que os encontros presenciais podem ter problemas em acontecer, o que faz dessa modalidade uma complementação da presencial.
É preciso destacar que a orientação virtual é muito pertinente quando da correção do texto do estudante, como uma etapa anterior à orientação presencial, uma vez que permite agilidade na correção do texto, tendo em vista o tempo que é melhor aproveitado, principalmente nos casos em que o orientador não pode estar presente. Por isso, aproveitar o tempo entre um encontro presencial e o texto enviado por e-mail, pode constituir em uma forma de o orientador poder ler o texto antes do próximo encontro presencial. Daí, presumimos que esses textos devem ser enviados por e-mail como forma de economizar o tempo e por se constituir em uma prática legal dentro da academia. (Cf. CHASSOT, 2006).
CAPÍTULO 2 DA LINGUAGEM DIALÓGICA DO CÍRCULO DE BAKTHIN À