• Sonuç bulunamadı

İL SEÇİM KURULU

Belgede Seçim yargısı (sayfa 114-119)

Partindo da premissa de que o dialogismo é constitutivo do discurso, buscamos na presente seção mostrar e discutir como esse fenômeno configura-se como base no discurso acadêmico, já que entendemos, conforme Pereira (2007, 2009) e Pereira et al (2010), que o dialogismo configura-se como um pressuposto do discurso acadêmico, já que fazer menção, citar outros discursos é uma obrigatoriedade, visto que o sujeito enunciador precisa fundamentar o seu dizer. Assim, buscamos nesse espaço refletir sobre algumas características do discurso acadêmico, com ênfase no discurso reportado. Para tanto, apoiamos nossas reflexões com base nos pressupostos do Círculo de Bakhtin, bem como em estudiosos da linguagem Sobral (2009), Guimarães (2001), Cazarin (2005), Castro (2009), além de outros.

Inicialmente, podemos dizer que o discurso acadêmico é um mecanismo para apresentação da linguagem que circunscreve o espaço científico. Para que seja proferido/materializado essa forma de discurso requer, por exemplo, a realização de pesquisa empírica sobre um objeto, com metodologia e análise de dados. Assim, a materialização dessa pesquisa é apresentada por um gênero do discurso que esteja dentro desse espaço, podendo ser divulgada dentro do próprio espaço. Conforme pontua Guimaraes (2001, p. 66),

O discurso acadêmico, pois, não só carece das funções argumentativas – uma vez centrado numa tomada de posição – mas também de aceitabilidade por parte da comunidade científica na qual ele está inserido; os métodos e os padrões científicos são mantidos por essa comunidade científica. O público ao qual são endereçadas as publicações científicas não

é passivo, visto que estão sob seu controle a matéria e a substância das comunicações que recebe.

A partir dessa acepção, o discurso científico caracteriza-se principalmente pela inserção na comunidade cientifica e pela necessidade de aceitação por parte da comunidade. Para tanto, esse discurso precisa está dentro dos padrões de convenção desse espaço. Essa compreensão sobrecai diretamente na organização estrutural na enunciação do discurso acadêmico, que se baseia nas normas postuladas e enraizadas pela comunidade científica, com características específicas: objetividade, clareza, precisão, coerência, concisão e simplicidade.

Ademais, o discurso acadêmico caracteriza-se essencialmente pelo discurso dialógico, mas em que se encontram em sua superfície o discurso monológico, uma vez que

faz veemência a certas afirmações, dando a impressão de abafar a voz do outro, mas que em seu âmbito reconhece a presença de outros discursos, de outras vozes, no próprio ato de afirmar: recordemos que negar é reconhecer uma afirmação dada! (SOBRAL, 2009, p. 39).

A passagem acima mostra que o discurso acadêmico, mesmo considerando a necessidade de menção ao outro como parte constitutiva, nele revela-se a presença do discurso do sujeito enunciador e delas outros discursos surgem seja para confirmar e/ou refutar a afirmação. Assim, para o Círculo de Bakhtin o discurso citado juntamente com a noção de gêneros do discurso são elementos centrais do processo social de construção das enunciações.

Com base nesse entendimento, trazemos o que Bakhtin (2006, p. 144) vem chamar de discurso reportado, que é o próprio discurso imbricado no discurso ou, como diz “a enunciação na enunciação”. Em outras palavras, o discurso citado adapta-se a partir de outro discurso que está em construção; esse fazer não permite que se negligencie o posicionamento autoral do discurso citado, devendo ser, portanto, garantidas todas as suas características estruturais, semânticas. Apesar de o discurso citado ser

integrado a outras estruturas sintáticas, semânticas, estilísticas e composicionais, consegue adaptar-se para garantir sua “autonomia primitiva, sem o que ele não poderia ser completamente apreendido” (ibidem, p. 145). A questão da adaptação discursiva pode ser apreendida conforme propõe Cazarin (2005, p. 134), quando afirma que “o discurso de ‘um’ é impregnado pela palavra do ‘outro’ que naturalmente é alterada em seu sentido pelos efeitos da compreensão que assumem”.

Dessa forma, no interior do discurso acadêmico, especificamente no gênero monografia, não há como o discurso de outrem integrar-se completamente dentro de um novo discurso, pois os aspectos semânticos e estruturais permanecem “relativamente estáveis”, de modo que a integridade do discurso continua palpável. Essa característica é proposta por Bakhtin como “fenômeno de reação da palavra a palavra”, que resulta numa noção de sujeito consciente e autossuficiente, então, configurado numa relação de intersubjetividade com a realidade que o rodeia. Disso resulta que a palavra que o precede e que o antecede é expressão de “um” em relação ao “outro’’, já que ambos exercem a função de figuras essenciais na constituição da palavra e do discurso.

Nessa configuração, o Círculo de Bakhtin (2006, p. 146) revela que o discurso citado pode ser compreendido como:

[...] todo enunciado, contanto que examinemos com apuros, levando em conta as condições concretas da comunicação verbal, descobriremos as palavras do outro ocultas ou semiocultas, e com graus diferentes de alteridade.

[...] documento que quando sabemos tê-lo, dar-nos indicações, não sobre os processos subjetivos-psicológicos passageiros e fortuitos que se passam na alma do receptor, mas sobre as tendências sociais estáveis características da apreensão ativa (fala) do discurso de outrem que se manifestam nas formas da língua.

Entendemos, pois, que o discurso citado é elemento concretamente marcado e, ao mesmo tempo, não-revelado no enunciado e que o discurso enunciado revela o contexto de transmissão do discurso que diz respeito à língua, enquanto mecanismo de manifestação da linguagem. Dessa forma, o

discurso citado preserva desde suas características constitutivas, isto é, semântica, estrutural até as que dizem respeito ao contexto de transmissão.

Ademais, é preciso mostrar, conforme Bakhtin (2006, p. 146) outro aspecto que diz respeito à transmissão do discurso de outrem para o interior de outro contexto (discurso acadêmico), isto é, todo discurso transmitido sob a forma escrita tem seu fim específico. Nesse sentido, o autor quer mostrar que o discurso citado vai adaptar-se à particularidade do gênero, portanto, ao modo de transmissão, ou seja, à forma de referência utilizada pelo produtor, seja ela discurso indireto, evocação ou qualquer outra. O modo de transmissão para determinado contexto deve, também, levar em conta o que o autor chama de uma “terceira pessoa” – a pessoa a quem estão sendo transmitidas as enunciações citadas.

Dessa forma, Bakhtin (2006, p. 148) chama-nos atenção para o fato de que é necessário pensarmos na integração do discurso citado ao contexto narrativo, chamado de novo discurso, pois seria impossível compreender qualquer forma de discurso citado sem levar em conta as relações dinâmicas, complexas e tensas que os unem. Nesse sentido, ressalta a necessidade de uma relação dinâmica quando se visa à transmissão do discurso citado, podendo ser estabelecida sob duas orientações: (i) estilo linear – busca-se conservar a integridade e a autenticidade do discurso citado em que a língua vai procurar determinar barreira fixas, com o intuito de protegê-lo contra as interferências do autor, ou seja, as entonações e as características linguísticas próprias do autor; (ii) estilo pictórico – busca-se integrar o discurso citado com maneiras mais versáteis que possam permitir a infiltração do autor, tendo em vista que sua tendência é atenuar os contornos exteriores nítidos da palavra de outrem, pois são compreendidos como modelos mistos de transmissão de discurso, já que neste tipo o produtor tem a possibilidade de apagar sem receio as fronteiras nítidas do discurso citado.

Reconhecemos nessas duas orientações, assim como em Grigoletto (2005), alguns elementos de comparação bem definidos. Se na primeira orientação - estilo linear - há uma preocupação em expor explicitamente os limites da fala do outro; na segunda orientação - estilo pictórico – ao

contrário, procura-se apagar qualquer modo de demonstração do discurso citado. De acordo com Castro (2009, p. 124), o fato de a segunda orientação possibilitar a presença livre do enunciador, “fez com que ela se consagrasse como sendo ideal para o desenvolvimento dos modelos mistos de transmissão discursiva, tal como o discurso indireto, sem sujeito aparente”.

Dito isto, outra questão necessária é a posição do discurso citado na hierarquia social de valores do autor e/ou obra, ou seja, na maneira que o autor do discurso citado é representado, pois, dependendo do valor atribuído a esses no texto, a dificuldade aumenta por parte do produtor em estabelecer uma opinião em relação à obra ou mesmo sobre determinada citação. Com relação a isso, Bakhtin (2006, p. 153) afirma que “quanto mais forte for o sentimento de eminência hierárquica na enunciação de outrem, mais claramente definidas serão as suas fronteiras, e menos acessível será à penetração por tendências exteriores de réplica e comentário”.

Para mostrar como funcionam essas duas orientações, Bakhtin (2006) destaca algumas formas de manifestação do discurso do outro, denominadas por ele de “esquemas de transmissão”, que foram estabelecidos a partir de textos literários. Esclarece, ainda, que é impossível demarcar uma fronteira nítida entre esquema gramatical e variante linguística, já que, em seus estudos, gramática e estilo são extremante interligados. Desse modo, Bakhtin (2006) assevera que cada forma de manifestação do discurso do outro restabelece a seu modo a enunciação – o discurso de outrem, podendo materializar-se de três formas diferentes de discurso citado: o discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre.

Assim, no discurso acadêmico, essencialmente, tem-se a manifestação dessas formas, definidas pelo Círculo de Bakhtin (2006, p. 159) da seguinte forma: o discurso direto é uma espécie de citação textual de um discurso de outrem; e o discurso indireto livre funciona na trama discursiva como uma espécie de marca linguística que se insere no discurso do outro, sendo o “resultado da inter-relação completamente nova entre o discurso narrativo e o discurso citado”. Já o discurso indireto é caracterizado como aquele em que se ouve diferente o discurso de outrem, integrando ativamente e concretizando a sua transmissão outros elementos e matizes que os outros

esquemas deixam de lado e faz parte do estilo pictórico, pois se integram ao discurso do produtor integralmente. Podemos dizer que no discurso indireto, os elementos emocionais e afetivos do discurso, ligados ao conteúdo semântico, não são totalmente transportados para o discurso citado, já que não são expressos de forma literal como no discurso direto, pois quem enuncia é o próprio aluno/produtor, que carrega sua expressão própria e deixa-a transmitir ao discurso citado, entendendo que não tem como desvincular, no discurso indireto, o que faz parte do interior e do exterior do discurso citado.

Em vista disso, podemos dizer que o discurso acadêmico é essencialmente permeado por discursos outros, dada a necessidade de que na comunidade científica é preciso que o produtor do gênero do discurso respalde/fundamente seu dizer com base em outros para elaborar uma pesquisa empírica, pois só assim a produção é reconhecida e tem-se a possibilidade de garantir divulgação dessa pesquisa. Compreendidas as características que compõem o discurso acadêmico, passemos ao entendimento do gênero monografia que se manifesta em torno desse discurso.

Belgede Seçim yargısı (sayfa 114-119)