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2. BEŞERİ COĞRAFYA ÖZELLİKLERİ

2.1. NÜFUS

2.1.3. Nüfus Hareketleri

2.2.2.2. Kentsel Yerleşmeler

2.2.2.2.1. Sarayönü Şehri

A idéia de profissão integra uma parte do processo de racionalização da vida social, fruto da modernidade nos países ocidentais que demarcou, nos dois últimos séculos, os espaços público e privado, a partir da progressiva separação entre o domicílio e o local de trabalho (PERROT, 1991; 1991a; ARIÈS, 1978). O significado do termo “profissão”, de origem anglo-saxônica, que se configura como atividade pertinente à esfera pública, adquire contornos muito diferenciados de acordo com o contexto em que é aplicado, pois supõe uma “lente” interpretativa sobre o modo como as profissões funcionam (POPKEWITZ, 1992, p.38).

Claude Dubar (1997, p.127), analisando os processos de socialização profissional, afirma que o termo “profissão” refere-se (em francês) “ao conjunto dos ‘empregos’ [...] reconhecidos na linguagem administrativa, nomeadamente nas classificações dos recenseamentos do Estado e as profissões liberais e sábias (em inglês,

professions)”. Com base em Weber, esse autor afirma que a profissionalização

significou

a passagem de uma ‘socialização principalmente comunitária’ em que o estatuto é atribuído externamente para uma ‘socialização fundamentalmente societária’, onde o estatuto social ‘depende das tarefas efectuadas e dos critérios racionais de competência e de especialização’.

Já nos Estados Unidos, com a institucionalização da sociologia das profissões a partir de 1929, desenvolveu-se uma linha de estudos centrada nas camadas privilegiadas. Cresce, assim, o interesse pelas associações profissionais e desenvolve-se o modelo do “profissional” distinto do operário e do empresário. Dubar (1997, p.128), citando Carr-Saunders (1933), afirma que uma profissão “emerge quando um número definido de pessoas começa a praticar uma técnica definida, baseada numa formação especializada”. A evolução dos diferentes trabalhos em termos de profissionalização seria composta das seguintes características: a) de especialização dos serviços que permite aumentar a satisfação de uma clientela; b) de criação de associações profissionais que obtêm para seus membros a exclusividade para o exercício da atividade, colocando uma linha de separação entre as pessoas qualificadas e as não qualificadas, o que permite aumentar o prestígio de seu ofício, definindo as regras de conduta profissional. Essas associações teriam, também, a função de proteger os clientes e empregadores que requerem o serviço do seu ofício; e, considerado o ponto mais relevante, c) a profissão requer a constituição de uma formação específica assente num “corpo sistemático de teoria que permite a aquisição de uma cultura profissional”(DUBAR, 1997, p.128).

Segundo Dubar, o processo de profissionalização, entendido como a institucionalização de papéis em profissões, tem em Talcot Parsons um desenvolvimento que articula normas sociais e valores culturais, o que levou os sociólogos da tradição americana61 a considerar que as profissões representam “a fusão da eficácia econômica e da legitimidade cultural". Nessa linha, no modelo de relação entre um profissional e um cliente (construído com referência à prática médica moderna), as dimensões específicas do papel profissional deveriam incorporar: um saber prático ou ciência aplicada, a associação entre o “universalismo da ciência” e o valor da realização, bem como o fundamento numa competência especializada que limite a autoridade profissional ao seu domínio legítimo e baseie o seu poder numa relação mais ou menos recíproca.

61 Há uma continuidade de objeto e de recorte entre os sociólogos das profissões americanos, o que torna possível afirmar a existência de uma tradição de pensamento (DUBAR, 1997; DINIZ, 2001).

Reinterpretando o pensamento de Parsons, Dubar (1997, p.130) afirma que a institucionalização dos papéis em profissões resulta da reciprocidade entre profissional e cliente, bem como

de uma dinâmica de legitimação que pode apoiar-se neste ajustamento dos papéis para definir um corpo de saberes independente dos indivíduos que desempenham o papel e suscetível de ser ensinado, testado, controlado com a participação dos próprios ‘profissionais’ e o reconhecimento do Estado regulador.

Pode-se perceber a existência, então, de uma abordagem mais abrangente que ancora o tipo ideal profissional na existência de um saber especializado e na aceitação e utilização de um código ético que regula o exercício profissional, conforme a definição de Carr-Saunders, arrolada por Dubar. Já a definição com base na teoria de Parsons promove uma inflexão no termo “profissão”, cuja aplicação somente se torna possível a algumas categorias com estudos superiores, organizadas para manter o monopólio, perspectiva segundo a qual a profissão é vista como um grupo social específico (DUBAR, 1997). No entanto, ainda de acordo com Dubar, quando se analisa a produção dos mais importantes autores da tradição anglo-saxônica, apenas há concordância em um dos dez critérios mais citados: a especialização do saber. O autor apresenta também a perspectiva do interacionismo simbólico que tem na divisão do trabalho o seu ponto de partida e trata o termo profissão como categoria da vida cotidiana, considerando-o não como descritivo, mas em suas implicações de julgamento de valor e de prestígio.

Profissão e ocupação aparecem como termos equivalentes, no Dicionário da

Educação Profissional, no qual a referência à existência de um corpo de saberes

também aparece como o critério fundamental da definição de profissão:

Do ponto de vista da Sociologia das Profissões, o termo profissão possui uma dimensão cognitiva, ligada a um corpo de saberes específico e apenas acessível ao grupo profissional (a formação escolar profissional tem, então, um papel crucial pelo fato do diploma constituir-se no principal fundamento do direito à autoridade). Possui ainda as dimensões normativa e valorativa, que definem o papel social e hierárquico da profissão no conjunto da sociedade. Este papel de normalização é desempenhado, fundamentalmente, pelo Estado, pelas associações profissionais e pelos sindicatos (CRIVELARI, 2000, p. 262).

Essa definição sintetiza os principais aspectos considerados na delimitação do que vem a ser uma atividade profissional, na qual se relacionam a dimensão cognitiva, relativa à existência de um corpo de saberes específico e exclusivo do grupo profissional, o que permite a garantia da exclusividade de exercício por parte de seus membros, legitimada pelo diploma obtido por meio de processos de formação; as dimensões valorativa e normativa, que regulam as relações do grupo profissional e da profissão com o restante da sociedade, o que envolve tanto a auto-regulação quanto aquela exercida pelo Estado.

No entanto, como adverte Popkewitz (1992), não se pode falar de profissão independentemente do tempo e lugar. O autor salienta que “profissão é uma palavra de construção social, cujo conceito muda em função das condições sociais em que as pessoas a utilizam” (POPKEWITZ, 1992, p.38). No caso dos Estados Unidos e da Grã- Bretanha, os grupos profissionais teriam se desenvolvido como subprodutos de um Estado debilmente centralizado, funcionando como mediações para os problemas de regulação social, o que não ocorria na maioria dos países europeus, onde o Estado centralizado exercia esse papel. Popkewitz (1992, p. 39) chama ainda a atenção para o fato de que, no debate americano, “a autonomia dos profissionais, o conhecimento técnico, o controlo da profissão sobre remunerações usufruídas e ainda uma nobre ética do trabalho”, são características para definir uma profissão. Para ele, no entanto, esse tipo ideal possui uma frágil base de sustentação, uma vez que ignora as lutas políticas, os confrontos e os compromissos que estão envolvidos na formação das profissões. Além disso, a própria noção de autonomia profissional, conceito central na perspectiva funcionalista norte-americana, vem sendo questionada pelas pesquisas histórico- comparativas, para as quais ela se constitui menos em atributo das profissões do que em ideologia profissional (DINIZ, 2001).

A perspectiva segundo a qual existiriam atributos universais das profissões tem sido largamente utilizada e, em razão da fluidez das fronteiras entre o que seriam ocupações profissionais e não-profissionais62, surgem conceitos como o de

62 Alguns estudos sobre a profissão docente que hoje, do ponto de vista legal, incorpora o trabalho com as crianças pequenas, tendem a analisá-la também em relação às definições clássicas de profissão, o que leva a uma caracterização, por vezes, mais próxima do trabalho proletário, já que sua organização caminhou

semiprofissões63, o que torna as possibilidades analíticas ainda mais difíceis com base no conceito de profissão (DINIZ, 2001, p.22). As críticas a essa perspectiva ancoram-se exatamente no caráter arbitrário das seleções das características ditas universais, bem como no fato de que elas generalizam o modelo anglo-americano de desenvolvimento e reconhecimento das profissões para outras realidades que tiveram processos distintos e que, em alguns aspectos, contradizem as noções desenvolvidas por essa vertente teórica. É a perspectiva histórico-comparativa que permitirá uma abordagem que deixe de propor uma definição sobre o que é e, em decorrência, o que não é profissão, para compreender como em determinada sociedade definem-se o que é e o que não é uma profissão, bem como os processos de profissionalização presentes naquele contexto. É o caso dos países da Europa continental, onde a autonomia, conceito central na vertente anglo-americana, não constitui o elemento central da profissão, já que o seu desenvolvimento se deu por meio de uma estreita vinculação entre associações profissionais e a burocracia governamental, o que facilitou o desenvolvimento das profissões. A prevalecer os princípios universalistas e essencialistas da definição de profissão, ocupações de elite naquele contexto não poderiam ser definidas como profissões (DINIZ, 2001).

Essa autora lembra, no entanto, que no campo da sociologia, em geral, as perguntas formuladas pelos pesquisadores determinam a definição de profissão com a qual eles operam. Não obstante, observa-se que os principais estudiosos concordam que há necessidade de

uma definição ‘mínima’ para fazer referência às profissões: ocupações não-manuais que requerem funcionalmente para seu exercício um alto de nível de educação formal usualmente testado em exames e confirmado por algum tipo de credencial. Nas sociedades modernas, contemporâneas, ‘alto nível de educação formal’ significa educação de terceiro grau adquirida normalmente em instituições universitárias, e ‘credencial’ significa geralmente um diploma (DINIZ, 2001, p. 18).

para a perda da autonomia e do controle sobre o próprio trabalho, carecendo de uma das dimensões fundamentais, que é a auto-regulação. Ainda assim, a categoria dos professores, mesmo considerando-se a existência de um processo de proletarização, possui um reconhecimento social e preserva ainda algum controle sobre o seu trabalho, o que a diferenciaria da classe trabalhadora, entendida em sentido restrito (HYPÓLITO, 1991).

63 Conceito utilizado por Enguita, juntamente com o de ploretarização da profissão docente, o que ele caracteriza mais pela ambigüidade entre profissionalização e proletarização (ENGUITA, 1991).

Também no Brasil, de acordo com DINIZ (2001), o desenvolvimento das profissões não segue os padrões comumente adotados para definir profissão, revelando uma atuação estatal forte, quase que a condição para que as ocupações tenham se desenvolvido em profissões, como é o caso da medicina. Nessa direção, mesmo para as ditas profissões clássicas, elementos como autonomia não se encaixam na realidade histórica brasileira.

Não se trata de inscrever os processos de transformação da atividade de cuidar e educar crianças em creches (e pré-escolas) no mesmo registro do desenvolvimento das profissões clássicas. Cumpre considerar que a direção tomada pelo debate interno à área da Educação Infantil no que concerne ao profissional tem exercido o papel de reivindicar para essa função um estatuto profissional. É possível verificar que tal construção se faz exatamente na linha de legitimar o caráter público do cuidado e da educação da criança pequena, portanto passível da regulação estatal e privada, e demandatária da produção de um corpo de conhecimentos capaz de orientar a elaboração de políticas públicas e criar parâmetros para a avaliação da qualidade do serviço prestado à criança pequena em creches e pré-escolas (cf. ROSEMBERG, 1989a). Assim como no processo de legitimação da creche como espaço de compartilhamento, entre famílias e instituições, do cuidado e educação dos filhos, o perfil profissional para essa atividade é objeto de debates internos e externos ao meio acadêmico. Os movimentos de luta por creche também trouxeram a público as suas questões a respeito das mulheres que atuavam nas creches. Os registros são, no entanto, diferentes, e é preciso compreender os sentidos que se criaram em cada um desses espaços.

Benzer Belgeler