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Belgede T.C. SAKARYA ÜN VERS TES (sayfa 41-81)

Bölüm V Sonuç, TartÕúma ve Öneriler

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Esta pesquisa foi desenvolvida, acompanhando as aulas do CMHPA que possui o CNPJ 01.922.941/000-45, Portaria de funcionamento número 2.304 e inscrição estadual 26103850, sendo esse colégio o locus dela. Esta se realizou através de um estudo de caso, como já afirmamos, pretendendo revelar os signos, significantes e significados contidos na prática escolar desse grupo, caracterizando-se como um trabalho educacional diferenciado na cidade de São Benedito do Sul.

São Benedito do Sul é um pequeno município da Zona da Mata Sul, do estado de PE, no Nordeste brasileiro, conta com uma população de dezesseis mil habitantes, sendo 55% dessa população composta por jovens. A cidade, dividida entre Cidade Alta, Cidade Baixa e o distrito de Igarapeba, está inserida na rota turística de PE Águas da Mata Sul, por possuir um grande manancial de água mineral, com muitas cachoeiras, poços, açudes e bicas pouco explorados pelos seus gestores. Sua economia está aliçercada na monocultura da cana de açúcar, atualmente em franca decadência com o fechamentodas usinas e engenhos da região, herança do período colonial. A maioria da sua população é pobre e negra, descendente de escravos do Quilombo dos Palmares, situado no estado vizinho Alagoas e que antes da punição de Portugal era território do estado de PE.

O município possui uma Rede de Ensino autônoma, composta por 27 unidades de ensino, sendo 4 delas situadas na zona urbana e as 23 restantes na zona rural. Além de possuir uma escola estadual de referência. Foi nesse município que se desenvolveu a nossa pesquisa, mais precisamente em uma das quatro escolas localizadas na zona urbana do município, o CMHPA. Esse colégio está sempre fechado, sob a guarda de um porteiro que, acionado, abre o portão para que a comunidade possa ter acesso ao seu interior.

Atualmente, adequando-se a legislação brasileira que responsabiliza os estados pelo Ensino Médio e os municípios pelo Ensino Fundamental, essa escola atende cerca de mil e quatrocentos educandos, do primeiro ao nono anos, numa faixa etária variável, com muitos fora da faixa exigida pelo sistema de ensino.

Uma grande parte destes educandos é proveniente da zona rural, de pele parda ou negra e uma minoria branca. Todos possuem baixo poder aquisitivo, pois são de famílias pobres. Muitos deles têm como renda fixa o programa social: bolsa família, gerenciado pelo Governo Federal em parceria com os estados e municípios da União.

Os educadores, cerca de quarenta e cinco, são em grande maioria jovens, recém graduados por faculdades de licenciatura da região, com origem em famílias mais abastadas e possuem pele branca. A maioria deles há poucos anos atrás, possuía apenas o magistério – ensino médio direcionado à formação de professores polivalentes –, mas hoje concluíram ou estão concluindo um curso de pedagogia, cuja realização acontece desde 2006, numa parceria da Universidade de Pernambuco (UPE) com a Prefeitura Municipal de São Benedito do Sul, através da sua Secretaria de Educação.

Estes educadores se situam na faixa etária de vinte e cinco a quarenta anos. Eles não possuem a formação exigida para ministrar aulas de Arte, mas atuam na sala de aula

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ministrando aulas de Arte para complementação de carga horária, o que é muito comum em todo o estado de PE.

A escola tem a frente da sua gestão, uma diretora e uma vice – que estão na função há apenas três anos –, duas coordenadoras pedagógicas, uma secretária, cinco agentes administrativos quatro porteiros, seis merendeiras e uma equipe de limpeza composta por sete serventes.

Os educandos e educadores; os gestores e sua equipe que atuam no oitavo ano A e nos nonos anos A, B, C e D do Ensino Fundamental, na unidade de ensino já citada, foram observados e analisados, diuturnamente, durante o processo de investigação, de acordo com o que preceitua Bento (2012) e Martins (2008), para poder penetrar na realidade social dos mesmos. Porque sem penetrar na realidade pesquisada seria impossível emitir um diagnóstico fidedigno, condizente com a complexidade da prática pedagógica realizada, observada e analisada.

Assim, nesse estudo de caso as observações participantes foram realizadas, sistematicamente, duas vezes por semana, durante as aulas de Língua Portuguesa que, na maioria das vezes, utilizava o Teatro e a sua escrita dramática para dialogar com outras áreas de conhecimento e com as outras três linguagens artísticas, cujos registros foram efetuados no Diário de Bordo que consta do apêndice dessa dissertação.

O CMHPA é nosso velho conhecido, já frequentamos o mesmo há muito tempo, desde quando assumimos a Secretaria de Educação Cultura e Esportes do município e tivemos o prazer de implantar uma grade curricular que privilegiava o ensino de Arte, promovendo uma política de formação continuada do educador, inspirado no pensamento do Souza (2012), de quem tivemos o referendo, quando ele nos visitou no ano de 2000, para participar da culminância de uma dessas formações, realizada no Clube Municipal de São Benedito do Sul.

O projeto da gincana se inicia com um período de planejamento, que tem a duração de dois meses, envolvendo os docentes e a direção do CMHPA, mas a execução só se realiza de fato, quando os educandos são envolvidos no projeto, a partir de uma práxis escolar que utiliza processos disciplinares e multidisciplinares, tendo como disciplina inicial a Língua Portuguesa e como área de conhecimento o Teatro. Analisamos a prática desenvolvida dentro desse projeto durante nove meses, cinquenta e três dias, cento e noventa e oito horas e trinta minutos, conforme consta na Tabela 9 do Apêndice 9 (página 160).

Essa prática além de trabalhar os gêneros literários tais como prosa, poesia e drama, entre outros, de autores já consagrados, abre espaços para que os sujeitos envolvidos no seu processo adaptem textos ficcionais como contos – inclusive os de fada – e elaborem os seus próprios textos que, se passarem pelo crivo do grupo, poderão ser dramatizados; além de “modernizar” – adaptar – os contos acessados por eles, acrescentando elementos do seu cotidiano, da sua cultura, trazendo a narrativa, com seus conflitos e tramas para a realidade deles.

Dessa forma, os textos escritos ou adaptados por eles são analisados, ensaiados e têm a sua produção de montagem planejada, com ações desenvolvidas dentro e fora da sala de aula, sendo essas montagens apresentadas na escola e fora dela, em espaços como a praça pública, o clube e a quadra municipal, envolvendo toda a comunidade são beneditense, oriunda das zonas rurais e urbana, promovendo uma interação singular, entre os diversos sujeitos; entre as disciplinas curriculares e as extras curriculares, interligando os diversos territórios trafegados, promovendo uma simbiose consequente entre Teatro e Língua Portuguesa, ainda que não exista essa orientação na gênese do sistema municipal de ensino de São Benedito do Sul.

Como vimos o local onde se realiza a Gincana literária, é um espaço adverso, com fortes resquícios e marcas do colonialismo português, chamando a nossa atenção para o fato de projeto tão promissor se realizar ali. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, aquele fenômeno nos pareceu uma flor que nasce no árido deserto da ignorância. Utilizaremos a seção seguinte para apresentar os critérios que foram utilizados para definir como nosso objeto de estudo tal fenômeno.

Belgede T.C. SAKARYA ÜN VERS TES (sayfa 41-81)