Bölüm III Yöntem
3.4. østatistiksel Analiz
A finalidade principal da educação na escola é fazer com que os educandos construam conhecimentos, de acordo com suas necessidades. É necessário, porém, que estes conhecimentos sejam capazes de desenvolver, nos educandos, competências e habilidades suficientes para que eles possam atuar no mundo de uma maneira crítica e transformadora.
Na área da educação, um dos legados da médica e pedagoga italiana Maria Montessori, foi afirmar e confirmar que todo educando possui um potencial criador que, se bem explorado por uma mediação competente, permite que ele próprio possa conduzir seu aprendizado, encontrando seu lugar no mundo. O que ela chamou de “ajude-me a agir por mim mesmo”, significando a harmonização da interação de forças corporais e espirituais, unindo corpo, inteligência e vontade. Por isso seu método era centrado em atividade,
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individualidade e liberdade, respeitando as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimento dos educandos, estimulando a formação do seu espírito criador.
Contudo, para que isto se efetue a contento é necessário que sejam consideradas a individuação e a afetividade deles.
Entendendo que a afetividade não é causada pela inteligência e que esta também não dirige a afetividade, Piaget (1997) confirma que toda conduta é una e esta exige uma interação entre ambas que se desenvolvem e se transformam, enquanto a conduta vai se aprimorando, de acordo com o domínio cognitivo. Nesse processo o educando carece da atenção, do reconhecimento, do amor, do afeto, enfim, do educador, pois é neste afeto que ele, de acordo com Kupfer (1989), vai encontrar o sentido e o prazer de aprender.
Deduz-se, dessa forma, que a afetividade deveria permear todas as ações formativas, sendo utilizada inclusive como mais um elemento de apoio educacional, para que o educando pudesse se sentir respeitado, aceito e amado pelos seus pares, realizando as atividades solicitadas, inclusive as coletivas, numa atitude colaborativa, com uma observação participante, definida por Georges Lapassade (1924 – 2008) e por outros estudiosos da área que entendem ser essa uma necessidade social do indivíduo, como já falamos nesse capítulo. Sobre isso Sousa afirma o seguinte:
As necessidades sociais constituem o terceiro nível que o indivíduo necessita de ver satisfeito. Para E. H. Erikson (1976), por exemplo, a criança só se sentirá bem se os pais derem resposta não só às necessidades básicas como também, e principalmente, às necessidades de afeição (SOUSA, 2004, p.32).
De acordo com essa pesquisadora O indivíduo “[...] não aprende, nem se forma desligado de todo um campo de intenções, expectativas e necessidades pessoais, não se forma desligado de todo um campo de representações mentais sobre o que é e o que quer ser”.
No processo desenvolvido dentro da prática pedagógica Gincana Literária, levada a cabo no interior do CMHPA, em São Benedito do Sul/PE e estudada por nós, há uma troca de saberes muito efetiva, que acreditamos promover a autonomia, a relação interpessoal e a afetividade entre os sujeitos, respeitando a individuação de cada um daqueles que está envolvido nesse processo, o que possibilita o desenvolvimento desses sujeitos de acordo com a natureza deles, sem fragmentar sua individuação como afirma Montessori.
A vontade exterior dificilmente sabe levar à disciplina das ações, porque não cria a organização. Nesse caso, pode-se dizer que a individualidade fica fragmentada. A criança perde a oportunidade de desenvolver-se, segundo a sua própria natureza, podendo quase comparar-se a um homem que pousasse com um balão
no deserto e, de repente, visse o balão ser arrastado pelo vento, deixando-o sozinho (MONTESSORI, 1989, p.107).
Naquela gincana todos estão mais harmonizados, colaborativos, priorizando o diálogo, respeitando as diferenças, as histórias de vida, e aprender é de fato um ato de troca e de generosidade, que se realiza entre eles, sem disputas veladas e com um singular compartilhamento: um “ato de amor”.
Um ato de amor despertado pelo Eros pedagógico. Esse tipo de mediação adotada pelos educadores, condutores daquela prática em consonância com seus educandos, além de despertar a curiosidade e o interesse deles, desperta, também, a esperança entre todos os envolvidos nesse processo matético, entendido por nós como inovação pedagógica.
Entretanto, os paradigmas cientificistas e positivistas continuam sendo a inspiração e modelam as ações pedagógicas da maioria das escolas de uma maneira impressionante. É como se todos aqueles educandos que ocupam determinadas salas de aula possuíssem o mesmo desenvolvimento cognitivo, as mesmas aspirações e o mesmo capital cultural, desenvolvendo desse modo um processo de aprendizagem inadequado. Sobre isso Papert afirma:
Vejo as salas de aula como um ambiente de aprendizado artificial e ineficiente que a sociedade foi forçada a inventar porque os seus ambientes informais de aprendizado mostraram-se inadequados para a aprendizagem de domínios importantes do conhecimento; como a escrita, a gramática ou matemática escolar (PAPERT, 1980, p. 23).
Temos observado que muitos processos didáticos não respeitam as etapas cognitivas do educando. O espaço utilizado na contemporaneidade para construir conhecimento é muito impessoal. As salas prenhes de desrespeito e violência; são mal iluminadas; quentes; barulhentas; com bancas e cadeiras quebradas; paredes depredadas; pichadas; desprovidas de quaisquer elementos que contenham sedução pedagógica.
Paira sobre tudo isso a figura do “professor” Um verdadeiro Netuno, que é o dono desse mar de tormenta. É detentor de todos os saberes, tentando – algumas vezes – de forma autoritária, despertar entre os educandos um Eros pedagógico que permita um mergulho profundo nos conteúdos apresentados nesse território aquático.
Compreendemos que os espaços apropriados para se desenvolver inovação pedagógica são aqueles que, de acordo com Kenski (2007), oferecem maiores possibilidades, desafiando os educandos a ativar a cognição, a afetividade e a sociabilidade dos educandos e educadores. Esses espaços contribuem para o enriquecimento da matética, desenvolvendo nos educandos uma atitude de aprendizado ativo.
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Nesse sentido, a UNESCO recomenda uma educação para o século XXI, enfatizando a necessidade de preparar cidadãos para a vida, através de práticas pedagógicas que incentivem os educando a aprender a conhecer; aprender a ser; aprender a conviver e aprender a fazer para se apropriar de uma “cidadania mundial”, como afirma Pimenta.
A finalidade da educação escolar na sociedade tecnológica, multimídia e globalizadora é possibilitar que os alunos trabalhem os conhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolvendo habilidades para operá-los, revê-los e reconstruí- los com sabedoria. O que implica analisá-los, confrontá-los, contextualizá-los. Para isso, há que os articular em totalidades que permitam aos alunos irem construindo a noção de “cidadania mundial” (PIMENTA, 1999, p. 23).
Para trabalhar os quatro pilares propostos para a educação do século XXI e com essa finalidade, os educadores necessitam refletir sobre o contexto educacional atual, procurando saídas para as dificuldades que são enfrentadas no seu cotidiano escolar, agindo, refletindo sobre essa ação e agindo de novo, após os ajustes propostos – se houver –, em permanente diálogo com os seus educandos, se transformando dessa forma em um educador ideal, conforme pensa Tardif (2002, p. 39), quando afirma que “o professor ideal é alguém que deve conhecer sua matéria, sua disciplina e seu programa, além de possuir certos conhecimentos relativos às ciências da educação e à pedagogia e desenvolver um saber prático baseado em sua experiência cotidiana com os alunos”.
Vimos, portanto, a importância da individuação e da afetividade nos processos de ensino/aprendizagem desenvolvidos nos espaços formais de educação. No próximo capítulo trataremos das categorias Interdisciplinaridade e Ensino de Teatro, traçando um registro da sua relação com o nosso trabalho, assim como fizemos com as categorias Inovação Pedagógica e Prática Pedagógica nesse capítulo.
Imagem 4 – Oficina de linguagem teatral, contando com a participação do pesquisador.
Foto de Odália Pereira – 2014.
“A nossa colonização foi, sobretudo, uma empreitada comercial. Os nossos colonizadores não tiveram – e dificilmente poderiam ter tido – intenção de criar, na terra descoberta uma civilização. Interessava-lhes a exploração comercial da terra.” Paulo Freire, Educação como prática da liberdade, p. 75, editora paz e terra, 2ª. ed. (2006)