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2015 2016 Toplam Sağlık Harcaması

4. SAĞLIK SİSTEMİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

A noção de prescrição é muito importante em nosso contexto de pesquisa, uma vez que a prescrição é um aspecto constitutivo da representação que este profissional faz de seu trabalho. Para compreendermos melhor as relações estabelecidas entre as prescrições e as outras instâncias do trabalho, necessitamos compreender a sua formação histórica.

Ferreira e Barros (2002) afirmam que a prescrição no trabalho surge no século XIX, no interior do capitalismo emergente e assume feição mais acabada no curso do século XX. Tal formalização se inscreve em um cenário histórico de busca do controle capitalista sobre o trabalho dos operários como parte integrante de um debate mais amplo dos modelos de organização do trabalho.

Ao estudar o trabalho, baseado no modelo de gestão de filiação de Taylor-Fordista, a Ergonomia formula teoricamente o trabalho prescritivo como a maneira como o trabalho deve ser executado: o modo de utilizar as ferramentas e as máquinas, o tempo concedido para cada operação, os modos operatórios e as regras a respeitar (FERREIRA e BARROS, 2002).

Nesse sentido, a prescrição está relaciona à tarefa, ou seja, a maneira como deve ser realizado o trabalho ou o que se espera que ele faça. Assim, a tarefa é a face visível do trabalho prescrito sob a forma de cumprimento de metas; modos de utilização do suporte organizacional; cumprimento de prazos; e obediência aos procedimentos e às regra s (FERREIRA e BARROS, 2002).

Já a noção de atividade, para os autores, está mais relacionada ao trabalho real. A matriz conceitual da atividade nutre-se do quadro teórico, estruturado com base nas reflexões

sobre a ação humana (COTTEREAU, 1992; LEONTIEV, 1994 apud FERREIRA E BARROS, 2002).

Considerando o trabalho prescritivo e o trabalho real como dois polos dos estudos na Ergonomia, percebemos que o trabalho prescritivo ou a tarefa, apesar de ser distinto da atividade (trabalho real), é parte constitutiva dela, uma vez que, dentro de uma situação real de trabalho, há uma transformação das prescrições, que acontece devido às novas demandas da situação. Para os autores, quanto maior o descompasso entre real e prescritivo, maior será o predomínio de vivências de sofrimento no trabalho.

Sobre a tarefa, Amigues (2004) revela que há geralmente uma distância sistemática entre o trabalho tal como é prescrito, a prescrição inicial, e o trabalho efetivamente realizado pelo operador. É nessa distância entre trabalho real e trabalho prescrito que o sujeito vai mobilizar e construir a interpretação que este tem de seu agir.

Sobre essa distinção, Noulin (1992, apud SOUZA, 1998) afirma que o trabalho prescrito, ou tarefa, recobre tudo aquilo que, em uma organização, define o trabalho de cada um no interior de uma estrutura. A tarefa sempre gera um trabalho esperado, que pode ou não ser realizado no trabalho real, ou na atividade. Na verdade, o trabalho real não é um puro reflexo da ta refa. Por isso, em todos os planos definidos pela organização do trabalho se manifestam os écarts, que é a diferença entre o trabalho prescrito e o real.

Na nossa percepção, esses éca rts influenciam a constituição da representação que o trabalhador tem de seu trabalho, uma vez que essa interpretação é constituída não apenas da experiência adquirida através do trabalho realizado, ou da atividade, mas também da ta refa, que é prescrita, pelas instituições superiores, sendo internalizadas pelos trabalhadores. Assim, por exemplo, quando o professor fala de sua ação em sala de aula, ele, muitas vezes, recorre às prescrições advindas do livro didático, na medida em que sua ação é sempre mediada por esse instrumento pedagógico. Nesse sentido, é difícil tratarmos da ação pedagógica real do professor, sem a situarmos em relação às referências teórico-metodológicas que embasam o livro didático utilizado pelo professor.

Diante dessa distinção entre trabalho prescritivo e trabalho real, falamos, no próximo tópico, mais especificamente, sobre o trabalho prescritivo do professor. Nesse sentido, acreditamos que as prescrições do trabalho do professor têm forte influência tanto no trabalho real quanto na interpretação que este tem de seu trabalho.

Em nossas análises, assumimos a concepção de tarefa, que foi explicada no decorrer desta exposição, como referente à prescrição do trabalho a ser realizado pelo trabalhador, ou melhor, no que se refere aos objetivos esperados do trabalho. No caso da formação de educadores, a tarefa é dada pela equipe de formação, através do comando ou instrução. Consideramos que o comando, além de prescrever a tarefa, serve como mediador entre a tarefa que foi idealizada pela equipe de formação e a forma como os professores representam a tarefa a ser realizada.

1.4 O trabalho prescritivo e o trabalho representado do professor

Fazer pesquisa sobre o trabalho do professor sob a perspectiva da Clínica da Atividade e da Ergonomia do Trabalho, segundo Amigues (2002), implica considerar, de forma decisiva, as prescrições, em seus aspectos institucionais e normativos. Como em outras profissões, o trabalho do professor tem em sua dimensão a utilização de procedimentos concebidos por outras pessoas que não o próprio trabalhador. Os valores do trabalho do professor não são atribuídos somente por eles, mas por pessoas ou instituições que estão fora do domínio de execução do trabalho. Assim, por exemplo, documentos como os PCN´s são, na verdade, concebidos e construídos pelo Ministério da Educação e passam a nortear o projeto pedagógico da escola, o material didático e o agir docente.

Quando pensamos nas prescrições contidas nos manuais didáticos, observamos que estas chegam aos professores de maneira imprecisa. Uma das funções desse material deveria ser dar pistas das bases teórico-metodológicas que respaldam a proposta do autor do material didático, propiciando ao professor mais segurança para desenvolver o trabalho em sala de aula, e mais autonomia para intervir nas propostas.

No entanto, o material didático, normalmente, é uma colcha de retalhos de

documentos oficiais como os PCN’s e de teorias da linguagem, e assim o trabalho do

professor inscreve-se em uma organização com prescrições vagas, levando os professores a redefinirem as tarefas que lhes são prescritas de forma muito vaga, pois a distância entre o que esses materiais prescrevem e a atividade real é muito grande.

É evidente que as prescrições não chegam e nem devem chegar à sala de aula da forma como a prescrição inicial indica. Na verdade, a s ações realizada s pelos professores não se