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RUH SAĞLIĞI VE HASTALIKLARI, ÇOCUK VE ERGEN RUH SAĞLIĞI VE HASTALIKLARI, KLİNİK FARMAKOLOJİ, ADLİ TIP KLİNİK STAJI

2021-2022 ÖĞRETİM YILI DÖNEM V

RUH SAĞLIĞI VE HASTALIKLARI, ÇOCUK VE ERGEN RUH SAĞLIĞI VE HASTALIKLARI, KLİNİK FARMAKOLOJİ, ADLİ TIP KLİNİK STAJI

A Constituição Federal de 1988 dispôs expressamente sobre dois dos recursos excepcionais, quais sejam: recurso extraordinário e recurso especial, e sobre um recurso

217 Sobre os recursos extraordinários, afirma Nelson Luiz Pinto que “somente de uma forma reflexa ou mediata protegem estes recursos o direito subjetivo da parte, apesar de ser este o objeto psicológico direto que impulsiona a parte a recorrer. Entretanto, para o sistema não importa a eventual injustiça da decisão no caso concreto, ao se examinar esses recursos, pois foram eles criados especialmente para garantir a integridade do sistema jurídico federal e o respeito a disposições constitucionais”. (Manual...., ob. cit., p. 37).

ordinário, assim denominado, quando tratou da competência do Supremo Tribunal Federal (art. 102, incisos II e III) e do Superior Tribunal de Justiça (art. 105, incisos II e III).

É importante destacar que, como qualquer outro tribunal, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça possuem competência originária e recursal, porém, em relação a essa última, distinguem-se dos demais, por possuírem competência recursal não apenas ordinária, mas também, e principalmente, extraordinária, ou seja, competência para processar e julgar, além dos recursos ordinários – como os outros tribunais pátrios -, os recursos excepcionais: recurso extraordinário (STF), recurso especial (STJ) e embargos de divergência (STF e STJ).

Essa atribuição exclusiva do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça é inerente às próprias funções por eles exercidas, uma vez que são órgãos de superposição aos quais incumbe, respectivamente, a guarda da Constituição e a proteção e uniformização de interpretação das leis federais infraconstitucionais. Os recursos especial e extraordinário, como antes afirmado, não são interpostos objetivando, pura e simplesmente, a proteção do direito subjetivo das partes, mas, precipuamente, a tutela do direito objetivo, no plano constitucional e federal infraconstitucional, pelo menos sob a ótica do legislador, que os concebeu para esse fim.

Os recursos em questão são considerados recursos excepcionais, de fundamentação vinculada, que se prestam à discussão exclusiva de questão constitucional (RE)219 e questão federal (REsp)220, os quais para serem corretamente interpostos dependem do preenchimento de uma série de requisitos, dentre os quais o esgotamento de todos os recursos ordinários e o prequestionamento da matéria jurídica a ser neles ventilada. Assim, regra geral, quando se chega aos aludidos tribunais superiores, é provável que a questão já tenha sido discutida e decidida em primeiro e segundo graus de jurisdição, o que, em hipótese alguma, poderá autorizar o entendimento de que os mesmos estariam agindo como órgãos de terceiro ou quarto grau de jurisdição em razão de suas características.

219 Dispõe o art. 102, inciso III, da CF, que: “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição; d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal”.

220 Prevê o art. 105, inciso III, da CF, que: “Compete ao Superior Tribunal de Justiça: III – julgar, em recurso especial, as causas decididas em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.”.

Apesar de serem consideradas, sob o aspecto de sua competência recursal, como cortes revisoras de questões jurídicas, não funcionam, salvo em casos excepcionais a que faremos referência em seguida, como órgãos de hierarquia superior que promovem o amplo reexame das decisões judiciais, seja pela posição que assumem na organização judiciária nacional, seja pela restrição existente às matérias que, através dos recursos excepcionais, podem ser discutidas. Além disso, como os recursos excepcionais pressupõem o esgotamento dos recursos ordinários, o duplo juízo de mérito, ensejado pelo duplo grau, geralmente não se dá em razão do julgamento daqueles, mas antes pelo julgamento desses que os antecederam. Pelos motivos expostos, entendemos que os recursos excepcionais não são informados pelo princípio do duplo grau de jurisdição.

Esse entendimento, contudo, não goza de unanimidade, isso porque há quem entenda que a simples presença da garantia constitucional dos recursos excepcionais assegura a inafastabilidade do direito de apelar. Se a própria Constituição resguarda o direito de recorrer contra decisões proferidas pelos tribunais de segundo grau (Tribunais Regionais Federais, Tribunais dos Estados e do Distrito Federal), não poderia o legislador ordinário impedir o acesso a esses tribunais, já que, em última análise, isso importaria na criação de obstáculos à interposição de recursos aos tribunais superiores.

Essa linha de pensamento perdeu força com o advento da Constituição de 1988, que passou a admitir recurso extraordinário contra qualquer decisão depois de esgotados os recursos ordinários cabíveis. Assim, o pensamento supra seria hoje possivelmente aplicado apenas ao recurso especial.

Orestes Nestor destaca, ainda, que “a Constituição em vigor incentivou o legislador ordinário a restringir o direito de apelação. Com efeito, a Carta Política anterior determinava que o recurso extraordinário somente fosse admissível contra as decisões de Tribunal, o que, sem dúvida, impedia o acesso aos Tribunais Superiores a fim de discutir as questões constitucionais e relativas à legislação federal. Ao ampliar o seu cabimento contra qualquer decisão, a Constituição tacitamente admitiu que a supressão do direito de apelar não ofende o direito ao devido processo legal, na medida em que garantido está o acesso à mais alta Corte, a fim de proteger os direitos fundamentais”.221

O pensamento do ilustre autor, contudo, não se mostra correto, uma vez que o acesso ao Supremo Tribunal Federal, assegurado pela interposição do recurso extraordinário contra decisão interlocutória não substitui, nem se confunde com o acesso à mesma corte propiciado

pela interposição de recurso extraordinário contra decisão final. É perfeitamente possível que a utilização do recurso em tela se dê tantas vezes quantas necessárias forem para fins de proteger o direito, no plano constitucional. A partir da análise exclusiva dessa inovação, não se tem como concluir que a Constituição tacitamente admitiu a supressão do direito de apelar, pois esse permanece necessário todas as vezes em que o acesso ao Supremo, através do recurso extraordinário, se der para fins de revisão da decisão final contra transgressões à Constituição.

A despeito de não concordarmos com a posição do autor, cremos que o duplo grau não se constitui em fundamento dos recursos excepcionais, notadamente, porque, em razão de suas características, aliadas às funções dos tribunais superiores, não se destinam os mesmos à realização do duplo exame de mérito com a ampla revisão da decisão judicial contrariada.

Quanto ao recurso ordinário, também de competência do STF e do STJ, o raciocínio se revela diverso. Em situações restritas, principalmente, em casos de competência originária dos tribunais pátrios, pode tal recurso - similar ao recurso de apelação - ser dirigido aos tribunais superiores com vistas ao integral reexame da decisão final sob os aspectos fático-probatório e jurídico, atuando as cortes em tela como verdadeiros tribunais de segundo grau.222

Sempre se afirmou, aliás, que a previsão do recurso ordinário seria necessária, especialmente, para permitir que em certos casos, iniciados diretamente nos tribunais, não ficasse a parte desprovida do direito de recorrer, do direito de reexaminar a decisão final em todos os seus aspectos.

Mesmo os ardorosos defensores da corrente, que nega a natureza constitucional do princípio do duplo grau de jurisdição, admitem que o único caso em que se autorizaria a defesa da tese de sua constitucionalidade seria em relação ao recurso ordinário previsto expressamente na Constituição, o que, contudo, não seria suficiente para se conferir status constitucional ao princípio em análise, haja vista sua excepcionalidade.

Afirma, nesse sentido, Orestes Nestor de Souza Laspro que: “O recurso ordinário, sendo um recurso constitucional, garante, a esse nível, o duplo grau de jurisdição, configurando, aliás, o único caso no direito brasileiro em que se pode dizer que esse instituto

222 O art. 539 do CPC, que reproduz os arts. 102, inciso II, e 105, inciso II, da Carta Magna, nos casos de competência da justiça cível, prevê o cabimento do recurso ordinário para o STF, quando denegatória a decisão proferida no julgamento de mandados de segurança, habeas data e mandados de injunção, decididos em única instância pelos Tribunais Superiores; e para o STJ, quando denegatória a decisão proferida no julgamento de mandados de segurança, decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, bem como nas causas em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País.

é elevado a plano constitucional”.223 Na visão do autor, em razão de estar ligado no processo civil a matérias extremamente específicas, não se pode concluir que a garantia do duplo grau possa ser ampliada para todo o sistema processual civil brasileiro.

Conforme antes exposto neste trabalho, no nosso sentir o princípio do duplo grau de jurisdição está implicitamente previsto na Constituição Federal, decorrendo do princípio do Estado de Direito, da inafastabilidade do controle jurisdicional e do devido processo legal. Desse modo, não é pelo fato de constar expressamente essa garantia na Lei Fundamental, pela previsão do recurso ordinário, que se poderá concluir pela sua natureza constitucional. Seria, a nosso ver, um raciocínio simplista, superficial e distante da imprescindível análise de toda a sistemática processual constitucional.

Porém, não se pode negar que o constituinte, ao disciplinar explicitamente o recurso ordinário, previu expressamente o duplo grau de jurisdição, pelo menos para essa hipótese, tendo em vista que o presente recurso revela-se como expressão do referido princípio, por ensejar o duplo exame de mérito por órgão hierarquicamente superior ao prolator da decisão (STF ou STJ), possibilitando a integral revisão da decisão impugnada.