2021-2022 ÖĞRETİM YILI DÖNEM V
ENFEKSİYON HASTALIKLARI VE KLİNİK MİKROBİYOLOJİ,
Assim como ocorre em relação à Constituição pátria, também a Constituição Italiana não prevê expressamente o princípio do duplo grau de jurisdição, embora se possa associá-lo a outros direitos e garantias nela estabelecidos, como o direito de defesa assegurado na Lei Maior. Apesar das polêmicas suscitadas, prepondera o entendimento de que o duplo grau de jurisdição não tem assento constitucional no ordenamento jurídico italiano, o que tem levado alguns juristas a defender não apenas a limitação, mas a própria supressão da referida garantia.209
Dentre os recursos ordinários previstos no Codice di Procedura Civile estão a apelação (art. 339 e ss.), o recurso de cassação (art. 360 e ss.), a revocatória ordinária (art. 395, ns. 4 e 5), e a regulamentação de competência (art.42 e ss.). Já os recursos extraordinários, que no sistema europeu pressupõem a formação da coisa julgada formal, são classificados, no Direito Italiano, em: revocatória extraordinária (art. 395, ns. 1, 2, 3 e 6), a revocatória proposta pelo Ministério Público (art. 397) e a oposição de terceiro (art. 404 e ss.). Ressalte-se que o estudo do princípio do duplo grau de jurisdição no direito italiano está diretamente associado à análise do recurso de apelação, que permite a impugnação de sentença na pendência de um processo judicial por órgão diverso do que a prolatou, ainda que de igual hierarquia. Em razão do exposto, as discussões suscitadas sobre o duplo grau acabam envolvendo o próprio recurso de apelação, senão vejamos.
Um dos maiores defensores da limitação/supressão do duplo grau, através da modificação do recurso de apelação, é Mauro Cappelletti que, em seu famoso artigo – Parere iconoclastico sulla riforma del processo civile, defende a utilização de tal recurso apenas para a correção de erros de direito, ficando a análise dos fatos restrita ao órgão de primeira
209 Assevera Alessandro Pizzorusso: “É certo altresì che, mentre l’Assemblea costituente há ‘costituzionalizzato’
il ricorso per cassazione, essa ha esplicitamente rifiutato di ‘costituzionalizzare’ il principio del doppio grado di giurisdizione. Ciò risulta dal resoconto dei lavori dell’assemblea, che attesta il voto negativo espresso nei confronti dell’emendamento Murgia-Mannironi il cui testo unificato così disponeva: “Contro tutte lê sentenze penali, Che infliggono pene detentive, è ammesso l’appello, salvo lê limitazioni poste dalla legge per i giudizi di lieve entità. (...) Comunque sai, il rigetto dell’emendamento Murgia-Mannironi consente di affermare che l’Assemblea costituente non volle vincolare il legislatore ordinário pronunciandosi a favore o contro il mantenimento o l’introduzione del principio del doppio grado di giurisdizione e questa conclusione ha trovato conferma nella dottrina e nella giurisprudenza degli ultimi trent’anni, che hanno costantemente escluso la ‘costituzionalizzazione’ del principio”. (Sul principio del doppio grado di giurisdizione. Rivista di diritto
instância. A proposta do autor objetiva um acesso mais rápido e efetivo à justiça, incompatível com o sistema do duplo grau de jurisdição. Para ele, a adoção do duplo grau não seria apenas um serviço à parte, mas um desserviço a outra que teria razão, partindo do pressuposto de que já teve seu direito declarado em primeira instância.210
Augusto Cerino-Canova assevera que “il problema della conservazione dell’appello civile nel nostro ordinamento sollecita un’indagine in nessun modo pregiudicata de scelte ed indicazioni della Costituzione. Credo anch’io che la nostra Carta Fondamentale non abbia dato alcun riconoscimento né espresso né implícito al principio del doppio grado di giurisdizione...”.211
Apesar, como se disse, do entendimento prevalecente acerca da natureza não constitucional do princípio em exame, muitos autores apresentaram críticas à proposta de Cappelletti, ressaltando a importância do duplo grau no sistema processual. Assim, mais do que se cogitar da pura e simples supressão da apelação, que assegura a consecução do duplo grau, deve-se pretender a alteração deste recurso, garantindo-se mais efetividade à decisão proferida em primeiro grau e, por conseguinte, ao processo.
Edoardo Ricci crê que a defesa da tese sustentada por Cappelletti seria precipitada, até porque, dentre os vários motivos apontados, afirma que a efetividade, com a obtenção de uma tutela célere, não pode ser construída com o sacrifício de certas garantias. Defende a aplicação do duplo grau de jurisdição nos moldes do modelo austríaco, que assegura a revisão da sentença, no juízo da apelação, sem a introdução de novos elementos. O duplo grau, assim aplicado, assume seu verdadeiro significado de garantia fundamental.212
Assim como no sistema processual francês, o italiano prevê uma série de exceções ao duplo grau, ora impedindo a interposição de apelação, ora permitindo o julgamento de matérias pela primeira vez no tribunal, quando da apreciação de tal recurso.
De acordo com o previsto no art. 339 do CPC italiano, pode-se interpor apelação contra sentença de primeiro grau, desde que não haja exclusão de tal iniciativa pela lei ou por acordo das partes, observado, nesse caso, o art. 360, segunda parte. É inapelável, por exemplo, a sentença proferida pelo juiz com base na eqüidade, nos termos do art. 114 (II), pois tal como se verifica com a arbitragem no Brasil, valendo-se a parte da opção pela
210 Parere iconoclastico sulla riforma del processo civile. Giurisprudenza italiana. Turim: Utet,1969, v. 4, pp. 81-88.
211 Studi di Diritto Processuale Civile. Padova: CEDAM, 1992, p. 788.
212 Il dopio grado di giurisdizione nel processo civile. Rivista di diritto processuale, volume XXXIII (II serie). Padova: CEDAM, 1978, pp. 59-85, p. 73 e 84.
eqüidade no julgamento da causa, quando se tratar de direitos disponíveis em disputa, estará renunciando ao direito de apelar.
Da mesma forma, prevê tal dispositivo – art. 339, III – que são inapeláveis as sentenças proferidas pelo conciliador, segundo critério de eqüidade.
Estabelece, ainda, o CPC italiano hipóteses que permitem o conhecimento de matérias não examinadas e decididas em primeira instância, em grau de apelação, que levariam não a uma revisio prioris instantiae, mas a um verdadeiro ius novorum. A nova, no atual sistema, é considerada exceção, embora se constate serem muitas as exceções previstas no CPC italiano.213
Andrea Proto Pisani afirma que embora o princípio do duplo grau de jurisdição não tenha status constitucional, pelo menos resguarda o processo civil, apesar das inúmeras situações em que a matéria litigiosa será pela primeira vez conhecida em apelação: “Dal nostro codice si evince che il giudice d’appello può conoscere e giudicare intorno allo stesso rapporto sostanziale controverso in primo grado, a seguito dell’esercizio di una serie di poteri d’impulso conferiti alle parti. Queste hanno discrezionalmente la possibilita di restringire e talvolta (vedremo in che mistura) di ampliare l’oggetto (in senso lato) del giudizio d’appello, rispetto all’area di cognizione e decisione che fu própria del giudizio di primo grado. Fatte queste considerazioni si può anticipare che l’oggetto del giudizio di appello si determina attraverso: a) l’appello principale (artt. 342, 329); b) l’appello incidentale (artt. 343,329); c) la riproposizione di domande e di eccezioni non accolte in primo grado (art. 346); d) la proposizione di nuove eccezioni, nuove prove, e le modificazioni della domanda di primo grado (art.345)”.214
Acrescente-se também a essas exceções, a hipótese constante do art. 354 do CPC italiano que prevê que em certos casos se o processo estiver viciado e o vício não estiver elencado no art. 354, o juízo da apelação decidirá a lide, ainda que a sentença de primeiro grau se mostre inválida. Assim, ao invés da anulação dos atos do processo com o retorno dos autos à primeira instância para novo julgamento, o próprio tribunal passará ao julgamento da causa.
213 Ricardo Aprigliano afirma que a legislação processual de 1865 admitia a complementação das atividades de primeiro grau pelas partes, no juízo de apelação, autorizando-se a dedução de novas provas e exceções. O CPC italiano de 1942 proibiu tais práticas, adotando a apelação como uma revisio prioris instantiae. Com a reforma processual de 1950, passou-se a readmitir a dedução de novas exceções, provas e novos fatos em segundo grau, voltando ao antigo novum iudicium. Por fim, com a reforma de 1990 voltou-se a proibir naquele país a apresentação de novos elementos em segundo grau (art. 345 do CPC). Apesar disso, existem muitos aspectos de uma causa que acabam sendo decididos diretamente pelo tribunal. (ob.cit., pp. 67-68).
Em resumo, vê-se que o sistema processual italiano é informado pelo princípio do duplo grau de jurisdição, o qual porém não se aplica de forma plena, sofrendo uma série de restrições, com vistas a se garantir, segundo os juristas daquele país, decisões mais céleres e efetivas.
Capítulo III
O PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO NO SISTEMA PROCESSUAL CIVIL PÁTRIO
1. O duplo grau de jurisdição e o sistema recursal pátrio: 1.1. Os recursos