2.2. Türkiye Cumhuriyeti Tarihinde Sınıf İçi Öğrenmeleri Destekleyen Okul Dışı
2.2.1. Sınıf İçi Öğrenmeleri Desteklemede Aktif Deneyime Dayalı Bir Eğitim
Começo essa seção com um devido caveat: a hipótese é de invenção própria, não mencionada por nenhum autor prévio na literatura especializada. Além disso, trata de uma contradição ou ironia. Havia dito isso, pretendo apenas apresentar para a consideração do leitor uma explicação possível que me parece razoável ao analisar os dados diacrônicos do presente trabalho.
O ponto de partida dessa tese foi o sistema aparentemente caótico apresentado ao aluno de inglês como língua estrangeira em explicação de como usar certos verbos com complementos verbais na forma infinitiva ou gerundiva. A alternância entre os dois tipos de complementos, ao contrário do uso mais tranquilo do complemento definido é o que mais confunde aprendizes de inglês contemporâneo. Portanto, qualquer linguista interessado na questão deve explicar o uso dos dois tipos de complemento, principalmente quando se trata de usos com significado distinto. Os seis verbos que regem complementos resultando em construções com significados distintos são indicados pelo destaque na Figura 11 da página 143: chance, forget, remember, stop, try e want.
Os seguintes exemplos são dados do período (basicamente coincidente com século XIX) quando os verbos começaram a diferenciar em sentido entre os dois complementos indefinidos. Enfatize-se que anteriormente a este século, todos os verbos do presente estudo foram usados com significados idênticos.
EXEMPLO 35: ‘stop’+ infinitive.
ano 1867: Twain: At two o'clock we stopped to lunch and rest at ancient Shechem, (bdHB 304).
EXEMPLO 36: ‘stop’ + gerúndio.
ano 1867: Twain: the water was so fearfully cold that they were obliged to stop singing and scamper out again. (bdHB 301).
Pelos exemplos com o verb o ‘stop’ percebe-se que Mark Twain escolheu o complemento indefinido baseado nos seus significados distintos: ‘stop’ + infinitivo’ significava ‘parar (uma atividade não mencionada) com o objetivo de fazer uma outra’. Por outro lado, ‘stop’ + gerúndio’ significava ‘parar uma mencionada atividade’. Minhas definições coincidem com as do uso atual de ‘stop’ de Duffley (2003, 2006) para razões diferentes: não propõe que o complemento infinitivo contém em si uma noção de propósito, oriundo da sua origem na preposição ‘to’ significando ‘em direção de’. Porém reconheço que a estrutura mais elaborada ‘in order to lunch’ substitui perfeitamente bem o ‘to lunch’ da citação acima.
The Longman Grammar of Spoken and Written English (BIBER et al. 2002, p. 198-
199) aponta para oito ‘papéis sintáticos’ exercidos pela forma ‘infinitivo’ em inglês:
1. Subject 2. Extraposed Subject 3. Subject Predicate 4. Direct Object 5. Object Predicative 6. Adverbial
7. Part of Noun Phrase 8. Part of Adjective Phrase
Recomendo que o leitor recorra à obra original para conferir as diferenças sutis dos exemplos de corpus usados para exemplificar cada ‘papel sintático’. Ambas as estruturas expressando uma meta ‘in order to lunch’ e o resumido em ‘to lunch’ correspondem à função de adverbial (6) identificada acima por Biber et al. Por outro lado, o gerúndio corresponde à função de ‘objeto direto’ (4) identificada na seguinte lista dos nove ‘papéis sintáticos’ exercidas pela forma VERB-ing, segundo Biber, et al. (2002, p. 199-200):
1. Subject 2. Extraposed Subject 3. Subject Predicative 4. Direct Object 5. Prepositional Object 6. Adverbial
7. Part of Noun Phrase 8. Part of Adjective Phrase 9. Complement of Preposition
É uma curiosidade que entre as funções acima identificadas, os dados do bdHB representam três funções para o infinitivo (3,4,5) mas apenas uma (4) para o gerúndio. Este fato pode explicar porque existe um número muito elevado de possíveis construções com o infinito em posições diversas, enquanto há menos usos de gerúndio em inglês como um todo.
Da mesma forma de ‘stop’ Mark Twain usa o ‘remember’ com significados distintos.
EXEMPLO 37: ‘remember’+ infinitive.
ano 1867: Twain: [the location] is exceedingly festive and picturesque, especially if one is careful to remember to stick in a cat wherever, about the premises (bdHB 295).
EXEMPLO 38: ‘remember’+ gerúndio.
ano 1867: Twain: this must be so, for I see plenty of blind people every day, and I do not
remember seeing any children that hadn't sore eyes. (bdHB 294).
Todos os exemplos de 35 a 38 foram retirados da mesma obra de Mark Twain, publicado em ano 1867, isto é na segunda metade de século XIX. Porém, proponho que não seja a data quando foram escritos que determine seu uso com significados distintos. Vale comparar o uso de Mark Twain com o de Robert Louis Stevenson em ano 1895.
EXEMPLO 39: ‘remember’+ gerúndio
ano 1895: Stevenson (NAN): I remember wondering how long the tragedy had taken, (bdHB 247)
EXEMPLO 40: ‘remember’+ infinitive
ano 1895: Stevenson (NAN) I do not remember even to have seen an assailant; and I believe we deserted . . .(bdHB 246)
Embora a comparação não possa ser direta, pois o último contém o material interposto adverbial ‘even’ mais a forma do infinitivo conjugado, uma coisa é certa. Ao invés do que Stevenson escreveu hoje certamente qualquer escritor colocaria: ‘I do not remember
even having seen an assailant’. O motivo é que o uso do gerúndio hoje sinaliza um ato já
realizado no passado, que está sendo lembrado (ou não) no tempo do verbo matricial
‘remember’. Bem como pidgins e línguas crioulos, a diferença se situa entre realização e não
realização. Para ‘remember’ esta diferença está marcada hoje pela escolha entre os dois tipos de complemento indefinido. Porém isto é estado recente na língua inglesa. Não foi assim no passado, comprovado pelo uso paralelo dos verbos que hoje se diferenciam. Até a data da publicação do Stevenson acima citada, no final do século XIX, houve uso dos dois para dizer a mesma coisa.
A reanálise da construção ‘remember + infinitivo’ foi estudado por Fanego (2007) e Mair (2006). Mair demonstra que a construção em questão não pode mais expressar atos prévios do ato do verbo matricial (de lembrar-se), função que ele define como ‘infinitivo retrospectivo’. Conforme a citação a seguir, a mudança se completou no final do século XIX:
Todas as instâncias foram classificadas como ‘to infinitive prospectivo’ e ‘–
ing retrospectivo’, os dois tipos atuais, e ‘to infinitive retrospectivo’ o tipo
usado no passado e hoje obsoleto.[...] a quantidade de textos disponíveis para cada quarto de século varia dramaticamente. No entanto, a tabela mostra claramente que o período crítico de transição foram os anos entre 1775 e 1875. Antes de 1775, o ‘–ing retrospectivo’ não foi observado, e, depois do ano 1875, o ‘to + infinitive’ retrospectivo é raro. [...] Além das esperadas variações de preferências estatísticas, houve uma mudança de categoria: a eliminação do infinitivo retrospectivo. Estudos de casos similares podem mostrar que não somente esse verbo, mas o inteiro sistema de complementação por orações não finitas merece um maior estudo – sendo uma das áreas que sofreu muita mudança, até então despercebida, na história recente do inglês. 174 (MAIR, 2006, p. 226).
Os dados do presente trabalho confirmam os do Mair (2006), utilizando corpora diferentes. Trata-se de uma mudança abrangente complexa, com partes de sub-mudanças interagindo entre si. Interessantemente, a mudança não se encontra em andamento, mas sim, terminada para o verbo ‘remember’. Além de confirmar o fato exposto por Mair, sugeri um mecanismo para essa mudança global e uma explicação do processo pelo que ela ocorreu, detalhando as pequenas mudanças que a compõem.
Por outros verbos (a maioria deste estudo, sendo 38) não há diferenciação de sentido perceptível entre as duas formas. Também para maioria dos verbos, não se pode dizer que, baseado na alternância evoluído entre de pidgins e línguas crioulos, houve diferenciação porque o complemento definido não foi disponível. Compare a seguir três formas de complementos do verbo ‘recommend’ na atualidade:
174
“All instances thus collected were classified as ‘prospective to’ and ‘retrospective –ing’, the two extant types, and as ‘retrospective to’, the formerly attested but now obsolete type. [. . .] the amount of quotation text available for each quarter century varies drastically. Nevertheless, it is clear from the table that the critical period of the transition was the years between 1775 and 1875. Before 1775, retrospective –ing are not attested, and after 1875 retrospective to is rare. (MAIR, 2006, p. 219).[...] In addition to the expected shifts in statistical preferences there has been one categorical change, namely the elimination of the retrospective infinitive. Similar case studies may show that not just this verb, but the entire system of non-finite clausal complementation deserves more scholarly attention – as one of those areas in which there has been much previously unnoticed grammatical change in the recent history of English.” (MAIR, 2006, p. 226).
EXEMPLO 41:
c. 1990: BNC SPOKEN: Earlier this evening at the Tory twins were recommending to read the city council funding handbook, I would also like to recommend that they also learn something about Tory housing policy. (bdHB 956)
EXEMPLO 42:
ano 1989: BNC: He recommends shampooing hair at least twice a week, more often if it looks as if it needs it or you live in a city. (bdHB 963)
Não houve diferenciação no sentido dos três usos exemplificados do ‘recommend’. Além disso, percebe-se que não há uma diferenciação de distribuição sintática, sendo todos os exemplos de voz ativa. O sujeito gramatical bem como o agente da ação do verbo
‘recommend’ é sempre diferente do sujeito (e agente) da ação do complemento:
respectivamente ‘to read’ ’learn’ e ‘shampooing’.
Gostaria que o leitor considerasse uma pergunta: Por que houve divergência entre os significados das duas formas de complemento indefinido nos casos descritos acima? 175 Um motivo se encontra no Princípio do Bloqueio do Kiparsky (1997): “Duas formas servindo como o signo para o mesmo significado não serão estáveis. Precisam-se diferenciar ou então uma desaparecerá.” 176 Presumido esse princípio, como explicar a permanência das formas existentes em inglês desde Inglês Medieval exemplificadas a seguir:
EXEMPLO 43: ‘continue’ + gerúndio.
ano 1382: And thei contynueden axinge with greete voices, that he schulde be crucified.
OED: Wyclif Luke xxiii. 23 (dbHB630).
Modernizado: And they continued asking with great voices, that he should be crucified. Tradução: E eles continuavam a pedir em voz alta que ele seja crucificado.
EXEMPLO 44: ´continue’ + infinitive.
ano 1651: By whose authority they now continue to be Lawes. OED: 1651 Hobbes Leviath.
ii. xxvi. 139 (bdHB 633)
Tradução: Pela sua autoridade que hoje permanecem a ser leis.
175
Dos verbos ‘remember, forget, try, stop, chance e want’.
176
Kiparsky (1997) Blocking Principle: Two forms serving as the sign for the same meaning will not be stable. They must differentiate, or one must disappear.
Uma sugestão muito recente que parece uma boa resolução ao dilema é que alguns verbos diferenciaram por sua natureza referente à importância do estado realizado ou não dos atos expressos por seus complementos (EGAN, 2008). No caso, ‘remember’ ‘forget’ ‘try’ e
‘stop’ pertencem à categoria proposta. 177 Quando alguém ‘lembra-se’ de um ato, ele
necessariamente aconteceu. Por outro lado, ‘intend’ trata de atos ainda para realizar, da mesma forma que ‘start’ e ‘begin’ refere ao início de uma atividade e não o fim, como o
‘stop’. Em um momento posterior a diferenciação do ‘remember’ o verbo ‘forget’ começou a
ter significados distintos com analogia ao seu antônimo ‘remember’. No entanto, sinônimos de ‘remember’: ‘recall’ e ‘recollect´ são usados atualmente apenas com o gerúndio, e não demonstra a diferenciação baseado em realização do ato expressado. Este fato remete a afirmação que sinônimos não demonstram comportamento sintático igual (ou ainda similar), mas que comportamento será mais preditivo baseado em frequência, assunto retomado na próxima seção sobre o tópico no ensino da língua inglesa.
Nos casos de construções distintas com ‘try’ há polissemia, sendo uma diferença no sentido do verbo matrix, fora e aparte do sentido da construção como um conjunto, assunto discutido no capítulo 2. Os verbos ‘chance’ e ‘want’ também são usados com significados distintos devido a sua polissemia, sendo assim, não relacionados aos casos de significado único acima discutidos dos verbos ‘remember, forget, stop’.