II. BÖLÜM
2.6. Süleyman Demirel Döneminde (1991-2000) Türkiye-Türkmenistan
Ruben Berta antecipou a era do jato, para isso encomendou, em setembro de 1957, à fábrica da Boeing Co., três aeronaves do tipo Boeing B-707 que viriam a ser utilizados em linhas internacionais de longo curso, previstas pela empresa. Também encomenda ao fabricante francês Sud Aviation duas aeronaves do tipo SE-210 Caravelle, para atender as linhas-tronco nacionais. (Pereira, 1987).
O primeiro SE-210 Caravelle chegou a Porto Alegre em setembro de 1959. Decolou do aeroporto de Orly, no dia 23 de setembro de 1959 com destino a Porto Alegre. Fez escalas em Casablanca, Dakar, Recife e Rio de Janeiro. Em sua viagem para o Brasil, trouxe, além de Ruben Berta, o Sr.. Guignard, piloto de provas e representante da Sud-Aviation, além de funcionários da empresa de navegação aérea gaúcha.
No início da década de 1960, Ruben Berta chamou a atenção do Presidente Jânio Quadros para a desvalorização dos quadrimotores a pistão no mercado internacional, e para o seu valor nos livros das empresas brasileiras, pois, por força dos compromissos vincendos e do encarecimento do dólar-custo desses aviões, eles tinham seus preços elevados, não condizentes com a realidade. (Fay, p.160, 2001)
A tripulação do Caravelle estava integrada pelos comandantes Lili Lucas de Souza Pinto, Geraldo Werner Knippling, Valdemar Carta e Omar Lindemeyer, todos com curso de aperfeiçoamentos nos mais importantes centros aeronáuticos da França e da Inglaterra.
Contava também com os mecânicos de vôo Elton Teixeira, João Carlos Gonçalves e Noé Barcelos Teixeira; o navegador Gustav Rodeck e o telegrafista Bernardo Cruz. Inaugurou oficialmente a era jato puro na aviação comercial brasileira, por ocasião de um vôo do Rio de Janeiro a Brasília, gastando 1 hora e 30 minutos, do qual participou o Presidente da República Juscelino Kubitschek.
CARAVELLE SE
CARAVELLE SE--210 210
Figura 17 – Caravelle SE-210.
Fonte: http://members.tripod.com/~psa188/weber/rgcaravelle.JPG
Conforme relato do Cmte. Goetz Herzfeldt, contido na obra “VARIG: uma Estrela Brasileira” (1997):
Eu não voei o Caravelle, mas estudei todas as especificações e os contratos com a fábrica francesa, assim como as especificações e os contratos de todas as aeronaves que se seguiram até hoje. O avião começou voando em vôos domésticos e quatro meses antes da chegada do 707 passou a fazer a linha Rio-Nova York, transformando-se no primeiro avião a jato a fazer esse percurso. Enquanto o Constellation voava a 500 quilômetros por hora, o Caravelle atingia 800 km/h, uma velocidade consideravelmente maior. A Pan American ainda voava com o DC-7 quando a VARIG começou a utilizar o Caravelle nessa linha. Nosso Caravelle era da versão 2 modificado para a versão 3 e possuía um pára- quedas na cauda, uma vez que seus motores não eram dotados de reversores. Concluímos, no entanto, que o Caravelle não teria futuro na empresa, e logo depois chegavam os primeiros dois Boeing 707. Os motores naquela época eram os chamados jatos puros. De repente no entanto apareceu o motor Conway da Rolls-Royce, que introduzia o bypass, e com isso o avião voava com muito maior economia e conseqüentemente maior raio de ação. Para que funcionassem com perfeição, era necessário que a temperatura não estivesse muito alta durante a decolagem. Foi por isso que se criou o hábito de partir à noite. Saía-se tarde da noite, quando a temperatura estava mais baixa possível. Interessantemente, esse hábito persiste até hoje, apesar de os atuais motores permitirem a operação em qualquer hora!.
Houve atraso na entrega dos Boeing B-707, como a VARIG deveria cumprir a freqüência dos cinco vôos semanais para os Estados Unidos, usou as aeronaves Constellation e o Caravelle.
A autonomia do Caravelle era restrita para operar esta extensa linha, porém era uma aeronave de extrema compatibilidade para esta rota. A data de 12 de dezembro de 1959 marca o primeiro vôo realizado pelo Caravelle, nesta rota internacional, que seria realizado com duas freqüências semanais alternado com três freqüências realizadas pelo Constellation.
Relata Flores Júnior (1997) que o Caravelle bateu o recorde mundial de vôo planado, feito que pertencia à França em avião desse tipo, ao percorrer 327 quilômetros, a 12 mil metros de altitude, com os reatores reduzidos. Esse feito foi conseguido quando a aeronave, depois de realizar evoluções sobre a cidade de Passo Fundo, se dirigia para Porto Alegre.
O Caravelle bateu também o recorde de velocidade ao voar do Rio de Janeiro até Recife em menos de três horas, isso sem que as turbinas fossem forçadas. Com mais esse pioneirismo, a aeronave foi considerada uma das mais perfeitas do mundo.
Em 1960, com chegada do Boeing B-707, a VARIG coloca o Brasil em condições de igualdade com os mais avançados países no campo da aviação comercial. O primeiro Boeing B-707-441 da VARIG tinha o prefixo PP-VJA, que chegou ao Aeroporto Internacional do Galeão no dia 22 de junho de 1960, trazendo passageiros de Nova York. Seguido pelo segundo que aterrissou no Rio de Janeiro no dia seguinte.
Em 18 de novembro 1961 foi iniciada, também com o Boeing B-707, a linha Rio de Janeiro - Los Angeles com escalas em Lima, Bogotá e México. (Flores Júnior, 1997). Em 1971 a frota internacional de aeronaves da VARIG era constituída por 16 Boeing B-707, uma aeronave DC-8, até que no ano de 1974 começa a voar para a Europa e para os Estados Unidos com os modernos Douglas DC-10.
Em 1º de julho de 1980 começa a operar com o Airbus A-300 para a América do Sul, logo em seguida, em 12 de fevereiro de 1981 entram em operações os Boeing B-747, principalmente na rota para Nova York como reforço para a frota dos DC-10.
3.3.8.1 A Manutenção das Aeronaves a Jato
A manutenção criteriosa, segura e rigidamente técnica das aeronaves sempre foi realizada na VARIG. Entretanto a complexidade da manutenção de um avião a jato exigiu do corpo técnico uma completa reestruturação profissional, quer seja nas áreas de mecânica, hidráulica, comunicações, interiores, combustíveis, etc, bem como no uso de novos equipamentos.
A manutenção dos Caravelles era realizada por etapas. Normalmente os trabalhos de mecânica aconteciam no período noturno, das 22 às 6 horas, permitindo, desse modo, a liberação dos jatos para o vôo na manhã seguinte. Com a introdução dos Caravelles, as ferramentas utilizadas eram milimétricas, ou seja, bem específicas das demais utilizadas em outras aeronaves.
Em 1961, o parque de manutenção em Porto Alegre realizava completa revisão nos Super Constellations, Caravelles e nos Boeing B-707, além dos aviões de menor porte utilizados em linhas domésticas da companhia. (Boletim Informativo do Museu da VARIG,1980) .