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11. İlgili Araştırmalar

2.2. Karşılaştırmalar

2.2.1.2. Sözsüz İletişim

Não se pode deixar de mencionar que, apesar de poucos, ainda existem alguns estudiosos céticos a respeito da magnitude do fenômeno das MC ou de sua origem por ação antrópica. Alguns desses cientistas são citados aqui, para explicitar a controvérsia existente no campo científico, e seus desdobramentos no campo da política de clima.

Apesar das opiniões contrárias acerca da existência e da gravidade do fenômeno, opta-se neste estudo pela visão e alerta do IPCC sobre a existência inequívoca das mudanças climáticas de origem antrópica e pela discussão de alternativas para mitigação do problema. A linha de raciocínio defendida pelos céticos não é adotada aqui como orientadora da problematização desta pesquisa, conforme elucidado anteriormente.

Em artigo publicado na Revista do Departamento de Geografia, o professor José Bueno Conti (2005), da Universidade de São Paulo (USP), apresentou a visão de alguns pesquisadores insatisfeitos com a hipótese da ocorrência do aumento da temperatura média do planeta nos últimos 200 anos, como consequência de ações antrópicas. Argumentou que o relatório divulgado pelo IPCC em 2001 indicava que a elevação da temperatura atingia diferentemente as diversas regiões do planeta, mas que em alguns pontos registrava-se o oposto, ou seja, uma tendência negativa das médias térmicas ao longo de décadas, provavelmente em função de fatores locais. Indicou o trabalho de pesquisadores especulando sobre uma possível retomada da atividade vulcânica que, ao lançar poeira e aerossóis na atmosfera, poderia neutralizar o efeito estufa e concorrer para uma redução da temperatura média do planeta. Para ele, as mudanças climáticas precisam passar por uma apreciação mais refinada a fim de que se possa determinar, com mais consistência, o papel da natureza e o da ação humana no processo, pois as duas esferas podem atuar de forma solidária e intercambiar influências. (CONTI, 2005). Dos autores cunhados com a marca de “céticos”, Bjorn Lomborg destacou-se como o mais conhecido internacionalmente. Seu posicionamento, claramente destoante do IPCC, tornou-o uma celebridade, reconhecido pela revista “Time” em 2004 como uma das pessoas mais influentes do mundo. Ele é professor na Escola de Administração de Empresas de Copenhague, na Dinamarca, e num dos seus livros mais recentes, intitulado “Cool It”, manifesta seu desagrado com o que chama de histeria midiática. Reconhece a existência do fenômeno das mudanças climáticas, mas critica a posição que considera hegemônica na

comunidade científica contrária aos que não defendem soluções radicais para a solução do problema. Ele defende uma adequação do discurso, a eliminação da retórica na discussão do problema e o tratamento objetivo na busca de soluções. Lomborg contesta, por exemplo, os dados divulgados pela mídia e por entidades ambientalistas sobre o decréscimo da população ou a extinção de algumas espécies de ursos polares, um dos principais ícones utilizados pela mídia e por organizações não-governamentais como indicadores da gravidade das mudanças climáticas. Ele afirma que a maioria das espécies não está afetada e que a população de algumas delas está até crescendo, utilizando dados retirados do Polar Bear Specialist Group (Grupo de Especialistas em Ursos Polares) da organização World Conservation Union (LOMBORG, 2007, p. 5). Na publicação, os principais argumentos propostos por Lomborg são: (a) as mudanças climáticas são reais, provocadas pelos seres humanos e causarão impactos no ambiente e na sociedade humana até o final deste século; (b) as afirmações relacionadas à magnitude, à força e a imediatas consequências das mudanças climáticas são em geral exageradas, e isso pode prejudicar a aprovação de políticas e regras adequadas para lidar com o problema; (c) é preciso desenvolver soluções mais simples, mais inteligentes e mais eficientes para o problema e não esforços excessivos, bem-intencionados e caros; e (d) há outros problemas mais graves a serem enfrentados pela humanidade do que as mudanças climáticas, como fome, pobreza e doenças. Resume seu argumento indicando que a humanidade precisa resgatar o foco, tratar o problema com a dimensão adequada, e lembrar sempre que o objetivo último não é reduzir emissões de GEE pura e simplesmente, mas, como um objetivo maior, melhorar a qualidade de vida e do ambiente (LOMBORG, 2007, p. 8-9). Recentemente Lomborg parece ter mudado de opinião, tempos após a publicação de “Cool it”. Sua mudança radical de postura foi anunciada amplamente na mídia. Na edição do jornal “The Guardian”38

38 JOWIT, J. Disponível em: <

, de 30 de agosto de 2010, Lomborg concedeu entrevista reconhecendo as mudanças climáticas como questão crítica da atualidade e conclamando a sociedade a investir na reversão do processo, incluindo investimento em massa em pesquisa e desenvolvimento de fontes de energia renováveis, e outras pesquisas de ponta. Ele declara que o ponto de inflexão de seu entendimento se deu no âmbito do projeto “Copenhagen Consensus” em que um grupo de economistas analisou possibilidades de investimentos em 2008, privilegiando

http://www.guardian.co.uk/environment/2010/aug/30/bjorn-lomborg-climate- change-u-turn>. Acesso em: 19.10.2010 (publicado em 30.08.2010).

recomendações em investimentos em pesquisa e desenvolvimento no combate às mudanças climáticas.

Muitos dos céticos chegam a afirmar que o regime do clima é resultado da ação burocrática da ONU, ou ainda, da militância da esquerda. No entanto, o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) de 2007, conhecido como AR4, afirma que o aquecimento global é inequívoco e que causas naturais -como a atividade solar- são insuficientes para explicar o aumento de temperatura observado. Não faltam publicações sendo lançadas no mercado e meios científicos questionando o fenômeno. Um exemplo recente, para citar apenas um, é o "Aquecimento Global - Alarme Falso", de Ralph B. Alexander (Ed. Gryphus, 2010), doutor em física por Oxford, que tentou desqualificar os 3.500 pesquisadores do IPCC mobilizados para o AR4. Esse tipo de ação que busca desqualificar a ciência do clima é acusada pelos cientistas e militantes da questão climática como oportunista. É preciso ver com cautela esse tipo de ação isolada, que tenta demolir o IPCC.

A intrincada relação entre ciência e política fica muito evidente no debate das mudanças climáticas. O advento do “Climategate” às vésperas da COP 16 da UNFCCC é um exemplo fortíssimo dessa complexa relação. Hoje a literatura aponta essa crise de legitimidade da ciência, conforme atestam Lovbrand et al (2000). Os autores procuram demonstrar que a ciência continua sendo uma fonte fundamental para processos de tomada de decisão ou de formulação de políticas públicas e que a comunidade científica passou a ser questionada e a ter que prestar contas para um grupo muito maior de pessoas para ganhar a confiança do público do que antes era necessário. Esse questionamento fez com que a própria ciência passasse a ser objeto de crítica em processos de participação pública (LOVBRAND ET AL, 2000). O “Climategate” gerou inúmeros processos de revisão da ciência do clima, conforme se procura mostrar aqui.

Num processo de questionamento da ciência do clima que culminou com um escândalo midiático de grandes proporções de enorme impacto político nas negociações internacionais, detonou-se a maior campanha anti-mobilização sobre MC de que já se tem notícia, focada em cientistas defensores da posição da mudança do clima como ameaça global e real. Tamanhos foram seus impactos, que não muito tempo depois já havia livros, centenas de artigos e programas de televisão a respeito do incidente. O fato foi bem descrito por Sergio Abranches,

sociólogo e cientista político, em seu livro “Copenhague – Antes e Depois”. Ele descreveu o incidente da seguinte maneira:

De repente, numa manhã de novembro, um escândalo atinge a ciência que fundamenta toda essa mobilização em torno de uma política global para mudança climática. Um hacker invadiu os computadores de um dos principais centros de pesquisa do Reino Unido e de lá retirou arquivos de emails que cientistas trocavam ao longo de vários anos”. (ABRANCHES, 2010, P. 18)

Para Abranches, o fato não passaria de um mero ataque de hackers não fosse o uso político feito da informação colhida nos emails pelos piratas cibernéticos. O uso dos emails procurou comprometer um grupo de cientistas, acusando-os de fraudar dados que confirmassem a ameaça da mudança climática. A dúvida sobre o conteúdo da ciência tomou conta do debate público às vésperas da COP 15 e teve sérias repercussões sobre essa Cúpula do Clima. Segundo Abranches, o escândalo dos emails levantou dúvidas sobre a ciência do clima e sobre o IPCC. Sua crítica sobre o incidente é clara Entende que: “na discussão dos emails ficou fartamente demonstrado que eles eram irrelevantes do ponto de vista dos resultados da pesquisa científica sobre mudança climática”. Abranches noticia ainda que ao final de março de 2010 encerrou-se uma investigação da Câmara dos Lordes, da Inglaterra, sobre os procedimentos dos cientistas acusados, inocentando-os. (ABRANCHES, 2010, P. 19).

Note-se que a mídia não divulgou, posteriormente, o resultado da investigação feita para averiguar a culpa desses cientistas, que reconheceu sua inocência, como atestam as revisões dos estudos e procedimentos do próprio IPCC e do conselho do “InterAcademy Council - (IAC)”. As análises resultaram em relatório conclusivo publicado em agosto de 2010, que resultou na mudança de processos que já foram incorporados e irão orientar o quinto relatório do IPCC, em execução. O Presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, entende que o episódio do Climategate e as investigações que se seguiram, tornaram a instituição ainda mais fortalecida.39

39 PACHAURI, R. COP 16; UNFCCC. Discurso do presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, na Sessão de

Abertura do COP 16. Cancun, México, 28 de dezembro de 2010. Disponível em: <http://www.ipcc.ch/news_and_events/docs/COP16/StatementCancunDrPachauri.pdf>. Acesso em: 28.12.2010

Sobre o Climategate, Rajendra Pachauri concedeu longa entrevista a Amy Kazimin do jornal “Financial Times”, publicada em 03 de fevereiro de 2010. Ao ser perguntado acerca da crítica da mídia britânica sobre o trabalho do IPCC, da condução dos trabalhos do painel, como seu presidente, e sobre eventual esforço deliberado para destruição de suas respectivas reputações, Pachauri reconhece que esse tipo de ataque parece ter sido cuidadosamente orquestrado contra eles. Reconhece que o IPCC errou no caso da publicação no último relatório acerca da gravidade do degelo dos glaciares do Himalaia – o que lhes rendeu tremenda crítica em todo o mundo – mas que admitiram publicamente o erro, que foi o único relevante em toda a história do IPCC. Ele disse que esse erro não justifica o nível de ataques que têm sofrido, bem como o instituto que representa (TERI), e sua pessoa, acusando-o de interesses espúrios e negociais. Ele alega que os ataques são provenientes daqueles que negam que exista uma influência humana sobre a mudança do clima e daqueles que querem bloquear qualquer ação de combate à mudança do clima, o que inclui grupos empresariais, apesar de reconhecer que muitos grupos empresariais estão na liderança para o combate à mudança do clima. Pachauri admite ainda que o Protocolo de Quioto foi atacado e perdeu importância em função dessas forças e lobbies, que são muito poderosas, e bloqueiam aprovação de legislação, de adoção de políticas públicas, e acabam por disseminar informações equivocadas. Alega que terão atenção redobrada na publicação de informação científica no 5º relatório do IPCC, próximo a ser publicado, e que nunca se tomou tanto cuidado com a publicação de informação cientifica como agora, pois a sociedade está cada vez mais exigente sobre a qualidade da informação, e que o IPCC atenderá essa expectativa da sociedade. Sobre sua permanência enquanto presidente do IPCC, respondeu não abandonará o barco, e cumprirá as expectativas daqueles que o elegeram por aclamação.40

Roger Pielke, da Universidade do Colorado, questiona o uso político da ciência. Ele reconhece que no debate das políticas públicas em temas ambientais, a produção científica tem sido usada há tempos com fins essencialmente políticos. Ele discorda da postura dos cientistas que agem politicamente, pois teme que o papel da ciência possa ficar cada vez mais limitado. Ele alerta para o risco dos cientistas se tornaram meros atores de mobilização por trás de campanhas de cunho político.

41

40 PACHAURI, R. Entrevista com Rajendra Pachauri. Financial Times, 3 de fevereiro de 2010. Disponível em:

<http://www.ft.com/cms/s/0/260c9290-10d7-11df-975e-00144feab49a.html#axzz19Qy1AmGz>. Acesso em: 08.01.2011

O chamamento à ação por parte do IPCC é um dos fatos que tem impulsionado o debate e a inserção da temática de MC nas políticas públicas nacionais e subnacionais, além da discussão do regime climático internacional. Sua ação tem ido além da discussão meramente científica, e nos discursos do presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, é possível identificar-se um clamor, um pedido de ação por parte dos países.

O cientista Rajendra Pachauri tem estado à frente do IPCC como seu presidente desde 2002 e tem causado controvérsia por sua ação política; é bastante criticado por não abster-se de opinar nos debates políticos do regime climático. Ele tem percorrido o planeta fazendo palestras alertando tomadores de decisão e formadores de opinião acerca dos riscos das MC. Uma de suas assertivas mais impactantes é a de que temos uma janela de menos de uma década para estabilizar as emissões de CO2 nos níveis atuais, se quisermos que a temperatura média do planeta aumente em apenas 2,4º C, limite considerado por muitos como o máximo aceitável.

O posicionamento do Presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, não tem sido neutro em termos de chamado à ação para o combate às mudanças climáticas. Em discurso feito na abertura da COP16 em Cancun, no dia 29 de novembro de 2010, Pachauri lembrou os resultados do 4º Relatório (AR4) do IPCC, destacando seus mais importantes resultados. O primeiro resultado que destacou foi de que o aquecimento do sistema climático é inequívoco e que as alterações são decorrentes do aumento das emissões de GEE por ações humanas, o que tem impactos sobre a resiliência dos ecossistemas, sobre a capacidade da Terra em absorver carbono (o pico deve ser atingido antes do meio do século). Lembrou ainda do risco de extinção de 20 a 30% das espécies de animais e plantas, se houver aumento de 1,5 a 2,5º C, como está previsto para este século. Salientou a gravidade da perda das coberturas de gelo e neve, aumento do nível médio do mar, com impactos sobre os deltas dos rios e ilhas oceânicas. E enfatizou o reconhecimento do Acordo de Copenhague de que o aumento da temperatura média não deveria passar dos 2º C, e de que cortes profundos das emissões de GEE são necessários, o mais rápido possível.42

Ele enfatizou que a resposta às mudanças climáticas depende do estabelecimento de um sistema de gestão de risco que inclua mitigação de emissões e adaptação aos impactos, e

42 PACHAURI, R. COP 16; UNFCCC. Discurso do presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, na Sessão de

Abertura do COP 16. Cancun, México, 28 de dezembro de 2010. Disponível em: <http://www.ipcc.ch/news_and_events/docs/COP16/StatementCancunDrPachauri.pdf>. Acesso em: 28.12.2010

considere os danos gerados pelas MC, os co-benefícios, a sustentabilidade, a equidade e atitudes. Salienta que a mudança de estilos de vida e comportamentos devem contribuir para a mitigação das MC em todos os setores. Pachauri Entende que as políticas devem incluir implícita ou explicitamente um custo para emissão do carbono, o que pode gerar incentivos para produtores e consumidores investirem em produtos, tecnologias e processos com baixa emissão de carbono. Ele considera que as opções de mitigação de emissões estão associadas a uma série de co-benefícios, que incluem a diminuição de emissões de poluentes, ganhos para saúde pública, maiores níveis de segurança energética, níveis mais elevados de empregabilidade e produção agrícola. Salientou que os custos associados não são tão altos e que se justificam. Foi muito enfático ao destacar que a demora em agir pode gerar impactos climáticos ainda mais severos do que já se viveu até hoje, e que as populações e regiões mais pobres do mundo são as mais vulneráveis.

Na mídia foram registradas opiniões mais radicais do Presidente do IPCC do que esse citado, postado no site do próprio IPCC. Esses posicionamentos geram reações negativas de alguns cientistas, que o acusam de agir politicamente em prol de medidas mais duras no âmbito das negociações internacionais a favor de reduções de emissões num prazo de tempo curto. Uma de suas entrevistas foi celebrada pelo movimento social 350.org, que defende um acordo internacional em prol da redução de emissões num patamar que não passe de 350 partes por milhão de CO2 na atmosfera, padrão que estamos prestes a atingir se não houver mudança radical no rumo das emissões de GEE no planeta. Em entrevista concedida à Agência France Press, Pachauri reconheceu esse patamar de 350 como crítico, o que mais uma vez foi interpretado como militância política de sua parte. Em entrevista concedida à jornalista Marlowe Hood, ao ser perguntado se ele apoiava a manutenção dos níveis de CO2 na atmosfera em valor abaixo de 350 partes por milhão (PPM), a resposta dele foi: “Como presidente do IPCC eu não posso assumir uma posição e não posso fazer recomendações”. E continuou: “Mas, como ser humano, eu dou total apoio a essa meta. O que está acontecendo, e o que está prestes a acontecer, me convence de que o mundo precisa ser ambicioso e muito determinado para atingir a meta de 350 PPM” 43

Pachauri foi ainda mais criticado quando divulgou em inúmeras entrevistas públicas que o mundo teria apenas sete anos para reverter a situação crítica em que o planeta se encontra em função das mudanças climáticas. Chegou a afirmar que: "Temos uma janela de oportunidade

de apenas sete anos, pois as emissões terão que chegar ao máximo até 2015 e diminuir depois disso. Não podemos permitir um atraso maior".44 Na ocasião, Pachauri disse a ministros da União Europeia, que participavam de uma reunião de dois dias em Paris, que as tentativas de enfrentar o problema iriam fracassar se o bloco não assumisse a liderança nas negociações mundiais. Ele afirmou: "Se a União Europeia não liderar, temo que qualquer tentativa de fazer mudanças e de gerenciar o problema da mudança climática vá desmoronar", disse. "Vocês não conseguirão trazer os Estados Unidos, a América do Norte (para as negociações). Vocês não conseguirão trazer outros países do mundo também." O lobby político de Pachauri, evidente nessas declarações, custou a ele inúmeras críticas da comunidade científica.