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11. İlgili Araştırmalar

1.2. İletişim

1.2.6. Öğrenme Öğretme Süreci Açısından İletişim

A escolha da política pública de São Paulo justifica-se pelo porte da cidade em termos de população, seu significativo volume de emissões de gases de efeito estufa, e por tratar-se de um dos maiores polos de produção e consumo no mundo, com grande impacto sobre as mudanças climáticas globais e grande influência na adoção de políticas públicas. É uma megacidade, com PIB superior a muitos estados do país e países do mundo. A cidade de São Paulo é membro ativo do programa internacional “Cidades pela Proteção do Clima” do ICLEI, ONG internacional atuante no tema das mudanças climáticas junto a governos subnacionais. É membro fundador e integrante do grupo que congrega as 40 maiores cidades do mundo (C40) que, dentre outros fatores em comum, resolveram aderir a uma campanha de formulação e implementação de políticas públicas em nível subnacional em matéria climática. Outro critério que influencia esta opção é a mobilização de vários segmentos sociais e organizações para a formulação da política e sua implementação, cujo nível de discussão a tornam particularmente significativa no que tange à propositura de soluções para gestão de um problema ambiental global, a partir de um cenário de tomada de ação em nível local. Ainda

influencia a escolha o desafio de o Brasil constituir hoje uma das maiores economias do mundo, com o potencial e consequente crescimento do município de São Paulo em decorrência disso, e sua maior visibilidade e potencial de influência no mundo globalizado. A cidade adquiriu liderança, visibilidade e relevância global no contexto das discussões de políticas públicas municipais em mudanças climáticas, o que pode ser ilustrado por sua escolha para integrar o comitê dirigente da rede internacional C40 e para sediar seu encontro internacional em 2011. São Paulo destaca-se no debate internacional como um dos centros urbanos que está encarando o problema de frente, propondo soluções concretas, como é apresentado aqui.

A Política Nacional de Mudanças Climáticas aprovada pelo Congresso Nacional em novembro de 2009 impõe a necessidade de adequação de atividades econômicas no país, tendo em vista a necessidade de redução de emissões dos gases de efeito estufa, o que certamente afetará aspectos da vida nas cidades. Isso também gera a necessidade de formulação de políticas públicas no nível subnacional em coordenação com a política nacional. O mesmo se dá no nível do estado de São Paulo, que desde 2009 tem política estadual aprovada na forma de lei pela Assembleia Legislativa, que impôs meta obrigatória de redução de emissões de GEE no estado. É importante notar que no âmbito nacional, os setores econômicos que têm interface com políticas de uso do solo e floresta constituem o cerne do problema da contribuição do país para as mudanças climáticas globais, cujo maior volume de emissões está a eles associado. No entanto, crescem de forma relevante as emissões oriundas dos grandes centros urbanos, com destaque para o setor de transportes, principalmente em função das emissões dos veículos particulares, cujas frotas crescem vertiginosamente. É nesse contexto, também, que se justifica o presente estudo, considerando- se o argumento de que a redução de emissões no país depende de se considerar a dimensão urbana e metropolitana de São Paulo com seriedade, com enfoque particular em medidas de transporte sustentável.

Outro motivo que influenciou a escolha foi a proximidade e facilidade de acesso a material e atores relevantes para a pesquisa. Isso se deveu ao papel desempenhado pela pesquisadora na coordenação da equipe técnica responsável pela elaboração da primeira minuta de política de mudança climática para o município de São Paulo, na qualidade de pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade (CES) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação GetulioVargas (EAESP-FGV). Esse trabalho foi possível graças ao convite feito

ao CES pelo ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade para apoiar projeto fruto de convênio da entidade internacional com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A experiência profissional da pesquisadora na formulação e implementação de políticas públicas em matéria ambiental também foi determinante para esta escolha.

O Comitê Municipal de Mudança do Clima e Ecoeconomia sob estudo é um exemplo de mecanismo participativo que só recentemente passou a ter significância na temática de mudanças climáticas. Foi possível perceber na revisão de literatura e análise de casos empíricos que a existência de espaços participativos para auxílio de governos locais na implementação de política pública no tema de MC, de típica interface entre os desafios locais e globais em desenvolvimento sustentável, é algo muito incipiente nas práticas de gestão pública em nível subnacional no mundo, e esta novidade tem como um dos seus exemplos justamente o Comitê de São Paulo, em uma das megacidades do planeta.

Além disso, a sistematização do conjunto de elementos que é apresentada neste estudo, que inclui a interface entre um desafio global e a ação local, e a interação entre regime internacional e políticas subnacionais, num contexto de forte influência da ciência sobre o campo político, associada a uma demonstração da relevante mobilização da sociedade e dos governos no campo de influência das políticas públicas, permitiu um campo fértil para investigação a respeito do papel dos atores locais na construção de soluções para desafios planetários. Essa interface é pouco explorada na literatura de desenvolvimento sustentável e de gestão pública, sendo, portanto, outro aspecto de inovação deste estudo que procura associar todos esses elementos para interpretação dos elos de encadeamento que promovem ações e reações, envolvendo a inter-relação entre ciência, política e sociedade, e seus desdobramentos em termos de políticas públicas subnacionais.

O material de pesquisa encontrado era farto em exemplos de políticas subnacionais em MC de países do hemisfério norte e em língua inglesa, mas pouco foi encontrado em português ou espanhol, e sobre cidades de países em desenvolvimento. Portanto, este estudo contribui com a sistematização histórica e as informações institucionais sobre políticas públicas no nível subnacional em matéria de mudanças climáticas no caso de uma cidade do hemisfério sul e com língua portuguesa como idioma oficial.

Finalmente, esta pesquisa representa também uma sistematização e análise dos movimentos em curso no Brasil em prol da adoção de um arcabouço jurídico-regulatório e de políticas públicas no país em mudanças climáticas, demonstrando a ação de segmentos organizados da sociedade mobilizados para esse fim. Alguns relatos oferecidos aqui só foram possíveis em função da vivência da autora nos espaços e iniciativas relatados em virtude de sua experiência profissional ou de sua militância enquanto ambientalista (ex: Observatório do Clima, Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Programas desenvolvidos na FGV como o GHG Protocol e o Empresas pelo Clima), o que torna este documento um registro histórico único também, dado que esses apontamentos estão dispersos e não sistematizados ou ainda não foram feitos, nem tampouco analisados de forma mais organizada.