A. TBK m. 125/2 Çerçevesinde Arsa Sahibinin Yüklenicinin Borçlu Temerrüdüne
3. Sözleşmeden Geriye Etkili Dönme Yönündeki Argümanın Dayanakları
O Cancioneiro da Paraíba foi fruto do trabalho incansável das professoras Idelette Fonseca dos Santos e Maria de Fátima Barbosa de Mesquita Batista (1993), com apoio dos alunos da pós-graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba. A obra reúne inúmeras cantigas: de ninar, de brincar, de folguedos, religiosas, parlendas, orações e crenças, aboios e toadas de vaquejada e cantos políticos e de costumes.
Há um espaço de 90 anos entre O Cancioneiro do Norte, publicado em 1903, por José Rodrigues de Carvalho, e o Cancioneiro da Pa raíba, publicado em 1993. Santos e Batista (1993, p. 31) comentam que o trabalho de Carvalho reúne
[...] diferentes formas de poesia oral, coletadas em vários Estados do Nordeste, principalmente na Paraíba. Pesquisador incansável, foi um dos primeiros a manifestar interesse pelas produções populares de sua terra. Preocupado, em primeira mão, em recolher desafios e informações sobre os cantadores de sua época porque lhe pareciam, e com justa razão, fugidios e momentâneos, não deixou de registrar cantos tradicionais, fato que o torna um precursor da pesquisa em oralidade.
O levantamento dos textos orais ocorreu num espaço de tempo em torno de 10 anos, em diferentes cidades da Paraíba, tempo suficiente para recolher um número gigantesco de textos. Essa questão, muitas vezes, dificulta o acesso à publicação. Assim, a diversidade de versões encontradas levou as organizadoras a selecionar aquelas em que haviam maior número de ocorrências. As autoras Santos e Batista (1993, p. 30) lembram que “[...] as canções e poemas encontrados na Paraíba, não só refletem anos e séculos de transmissão oral, familiar e comunitária, como participam de uma identidade cultural em permanente
transformação”.
Dividido em oito seções, o Cancioneiro da Paraíba abre-se às inúmeras formas de utilização e interpretações que se podem dar. Sua utilização pode ocorrer em vários ambientes formais e não formais de educação, seja numa brincadeira de roda infantil, seja na educação musical praticada em ambiente escolar ou em escolas e universidades especializadas em música. Portanto, não há delimitações de idade para brincar e jogar-se no Cancioneiro da Paraíba. [Dado que a escolha do timbre já é uma forma de arranjo, escolher quem vai cantar ou recitar o Cancioneiro já é uma forma diferenciada de acontecimento, de ser no mundo
semioticamente construído]. Seguem as seções do Cancioneiro da Paraíba:
Por meio da gravação sonora, foram recolhidos inúmeros textos e, posteriormente, transcritos para o formato de partitura por Maria Alix Nóbrega Ferreira de Melo, trabalho, na época, realizado em manuscrito. Antes da escrita e da gravação sonora, a única forma de registrar esses textos orais era pela memória. E, geralmente, escutar música significava estar presente no local onde se dava a performance21. Esta situação de oralidade pura22, em que não ocorre a intermediação de nenhum meio eletrônico, apenas o corpo e a voz, são os principais meios de se fazer música, é vivida em situações de sala de aula, quando tomamos o corpo, a voz e o movimento como elementos primordiais no processo de musicalização. Desse processo, extraímos toda a potencialidade sonora que se revela em sons os mais variados possíveis. Diferentes timbres emanam dele. A voz é esse instrumento musical privilegiado.
No Cancioneiro da Paraíba encontramos textos orais que podem ser cantados, como também, textos que podem ser recitados em conjunção com o ritmo, entoados bem próximos à
21
Adotamos aqui o termo performance tal concebido por Paul Zumthor (2000). Para ele, a performance “[...] é a ação complexa pela qual uma mensagem poética é simultaneamente, aqui e agora, transmitida e percebida” (1997, p. 33), e ainda, “[...] significa a presença concreta de participantes implicados nesse ato de maneira imediata [...] A performance é então um momento da recepção [...]”. (ZUMTHOR, 2000, p. 59).
22
Ainda, com base em Zumthor (2000), oralidade pura refere-se a situações onde “[...] as funções desta (ouvido, vista, tato...), a intelecção, a emoção se acham misturadas simultaneamente em jogo, de maneira dramática, que vem da presença comum do emissor da voz e do receptor auditivo, no seio de um complexo sociológico e circunstancial único” (ZUMTHOR, 2000, p. 78).
Figura 7 – Resumo de identificação das seções do Cancioneiro da Paraíba
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fala cotidiana. Em todos esses registros, não há indicação de andamento, nem de dinâmica, o que possibilita uma gama enorme de interpretações.
Dos oitenta e cinco informantes, destacaram-se aqueles que cantaram um maior número de textos, que são: Alaíde Cordeiro Barbosa, natural de Cabaceiras, Paraíba – cinquenta e um textos – e Maria de Fátima Barbosa de Mesquita Batista, pesquisadora- redatora do Cancioneiro Paraibano, residente em João Pessoa – vinte e um textos. Muitos dos outros informantes possuem ligações familiares com a família Cordeiro de Melo e Duarte da Costa. Esse fato levou as pesquisadoras a elaborarem uma árvore genealógica, a fim de mostrar como essas cantigas foram passadas às gerações dentro de um mesmo núcleo familiar (SANTOS; BATISTA, 1993, p. 368). Vale salientar que, entre os pesquisadores, Maria de Fátima B. de M. Batista recolheu um maior número de textos – cento e sessenta e quatro – num trabalho persistente entre os anos de 1983 e 1984.
As regiões marcadas no mapa abaixo indicam as cidades contempladas, do litoral ao sertão paraibano, onde foi feito o levantamento dos textos orais e, posteriormente, registrados no Cancioneiro da Paraíba.
Fonte: Dados da pesquisa, 2010.
Os textos orais, pesquisados em diferentes localidades do Estado da Paraíba, variam tanto na letra como na melodia. Estes textos transmitidos dentro de um grupo social familiar,
“[...] justificam a inclusão de uma árvore genealógica da família Cordeiro de Melo/Duarte da
48 Figura 9 – Árvore genealógica da família Cordeiro de Melo/Duarte da Costa
As cantigas e parlendas, passadas oralmente de geração em geração, podem ser resignificadas em sala de aula, a fim de levar o aluno a desenvolver a criatividade e apreender conceitos musicais. Vale lembrar que o nosso interesse nesse trabalho é verificar como as cantigas e parlendas podem ser reapropriadas em ambientes de Oficina de Música.